sábado, 26 de dezembro de 2015

Faxina, música e lágrimas.

Sabe aquele dia que não tem nenhum programa definido? Pois é. Hoje, está assim. Entressafra. O ano acabando e o outro ainda faltando um pouquinho pra começar. Estou só em casa. Acordei cedo, como sempre, deu preguiça e dormi de novo. A filha saiu para trabalhar. Repito, estou só. Aí, me levantei, pedindo aos ossos uma trégua, pra que doer? Afinal podia ser um presentinho de Natal, mas, não. Não me deram trégua,não, a idade pesa. Mesmo assim, continuei meu trajeto para o "sem nada que fazer". Na cozinha, a pequena chaleira me esperando pra fazer café. Olhei para o cesto de roupa suja que estava abarrotado! Inadiável. Comecei por aí. Derrubei tudo no chão, escolhi as mais claras que não mancham e taquei na máquina, medi o sabão e amaciante. Tudo muito chato. Liguei o pequeno rádio que estrategicamente fica por ali, esperando o momento de ouvir o padre. A palavra de Deus tem sido um bálsamo pra mim. Esquentei o pão no forninho elétrico; ficou que nem saído da padaria ( isso faço todas as manhãs) porque congelo, embrulhado no papel laminado. Fiquei cansada.Abri a Internet, olhei mensagens de Natal, dos parentes e amigos,  vi fotos. Desliguei. Joguei um punhado de papéis fora, sabe aqueles que não servem para nada e só enchem lugar? Esses mesmo. Tudo pro lixo. Aí, gente, que poeirada encontrei debaixo de cada caixa que esvaziava. Jesus! Resolvi passar um perfex e pano molhado. Peguei fitas antigas do curso de inglês e resolvi experimentar no meu aparelho de som que tem a idade de Matusalém, muitos anos. Passei álcool com cotonetes  e o som melhorou. Aí, sem muito planejamento, fui limpando tudo. Daí para a faxina, um pulo. Sábado, depois do Natal e eu trabalhando. Mas o bom é que a limpeza do som me fez reencontrar um CD que meu irmão gravou para mim... Que músicas lindas! Parei com tudo e me deitei no sofá para ouvir. De repente, não mais que de repente, me levantei e comecei a dançar, olhando para o espelho no fim do corredor. Não sou boa dançarina, mas amo música. E, como ninguém estava vendo mesmo, até samba eu arrisquei. Sabe aqueles passos que nas escolas de samba parecem fáceis? Não são. Venho tentando toda a eternidade, mas danço mal pra burro. Só que me fez bem. O suor escorria por todos os poros. E limpei a alma, não com o aspirador de pó mas com música. Algumas me fizeram chorar. Lembro-me exageradamente dos tempos " idos e vividos". Não me recriminem. Sou assim. Foi bom. A sensação de casa limpa, de uma faxina onde mais precisava me deu ânimo. Misturei ao suor, todas as lágrimas que estocava. Não estava triste, estava derramando as mágoas e me deixando levar para um tempo onde as recordações não machucam, apenas se fazem presente, mesmo que retiradas lá do fundo do poço, num passado longínquo, em que a menina-mulher viveu bons momentos...Saudades. Sempre.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Nas filas da vida.

Hoje, calor escaldante, arrisquei-me e fui ao mercado. Precisava ir, faltavam algumas coisas imprescindíveis para uma pequena ceia no Natal. É quando me reúno com os filhos e o pai deles. Acho importante, pelo menos nesse dia. Deixei as compras feitas e as confiei ao mercado que se incumbira da entrega mais tarde, já que não haveria ninguém em casa. Segui pelas calçadas e difícil ver alguém tranquilo, com uma aparência calma. A sensação é que todos cumprem um ritual obrigatório: as compras de Natal. Caminhei um bom pedaço de chão até alcançar a loja onde meu cartão de crédito me socorre numa compra maior. Escolhi as peças de roupas para meu neto e um brinquedo também. Antes, passei por uma loja onde tudo costuma ser de qualidade, mas o preço é um escândalo. Comprei um pijama de calças compridas, de malha, tamanho GG. É a mania do filho mais velho- não abdicar de um pijama. Difícil achar. Estava caro mas meu primogênito merece e não faz a menor questão de roupa nova, mas do pijama ele gosta. O último, estava em estado deplorável, sem elástico na cintura ( que já coloquei) mas os fundilhos da calça...sem comentários. Já falei demais desse pijama. Volto a dizer que andei um caminho de sol brilhando forte, em torno do meio dia ou mais. Entrei na loja, verdadeiro oásis, ar refrigerado maravilhoso. Do neto, encontrei tudo o que precisava. E finalmente, andando entre todas aquelas "angustiadas pessoas", parei na fila para idosos, gestantes e deficientes. Uma das poucas vantagens que a idade traz. Mas, aqui pra nós, velho é muito lento até pra pagar contas, então a demora não é pouca. Atrás de mim, se postou uma jovem, jovem mesmo e, logo outra "idosa" já a olhou com reprovação dizendo: "- aqui é fila para idosos!". A moça retrucou dizendo que estava grávida. E a velha, antipática, pediu desculpas, dizendo que não havia percebido.Até aí, nada. Espírito de Natal? Zero. Pra inglês ver... Então ouvi a mesma moça, do alto  de sua prenhez, falando ao celular, inevitável escutar a conversa que ela também não fez o mínimo esforço pra ser discreta e dizia para a filha ou sei lá quem:" - Pergunte à sua avó se ela vai querer o chester que já comprei para ela, e fale que ela não precisa me ajudar em minha casa!" E continuou ainda dizendo que ela, sua mãe ou sogra, não sei ao certo, já que ela não explicou,  sabe como me irritar!... Arrematou. Esse o amor fraterno que Jesus tanto pregou? Pra que tanta compra, e tantas ceias e comemorações? Por que as pessoas se esforçam, andam pra lá e pra cá, satisfazendo os desejos e "sugestões" de presentes? E ainda nos espantamos com guerras entre povos, que arranjam motivos os mais diversos e incompreensíveis para se matarem, usando toda a violência possível e as mais caóticas, se no Natal, as pessoas se agridem, se enervam por causa de um detalhe, num jantar, onde devia imperar o carinho e amor? Daqui a pouco vamos assistir ao outro espetáculo, no fim de ano, quando todos querem apreciar os fogos de artifícios de fim de ano, no Reveillon. E a alegria verdadeira, espontânea, onde se escondeu? O brilho maior, que vem de dentro, e não de balsas no mar, espargindo um espetáculo majestoso, deveria ser a tònica. Mas vai entender a humanidade!!! Quantos gastos em supérfluos, enquanto assistimos pela TV, de qualquer lugar, nos celulares, tablets e outros meios de comunicação, que há muita gente morrendo, desassistidas, sofrendo dores incríveis e sem atendimento neste mesmo Natal e Reveillon que se aproxima, quando as autoridades, se desculpam com frases de efeito e esfarrapadas pela péssima qualidade de vida das pessoas que continuam  nas filas, desta vez, para esmolarem um empréstimo no banco mais próximo, sem a metade final do décimo terceiro, porque os governantes não podem cumprir com seus deveres! Será que Papai Noel pode nos acudir? Então, juntem-se a mim e gritem bem alto: " Socooorro!!!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Luta inglória.

Sei que somos julgados por todos o tempo todo. Dizem que não importa a opinião dos outros se temos a consciência tranquila. Só que, às vezes, não é questão de estar em dia com nossa autocrítica. Não depende só disso. Envolve outra pessoa, que é intimamente ligada a nós por meio de uma criança que vem a ser o neto. Tenho plena certeza de que fiz o meu melhor, durante os sete anos de vida que serão completados por ele, no próximo dia 22. O amor que dediquei a essa criança é incontestável e enorme. Por isso, sofro muito com a ausência dele. Jesus pregou o amor como base de toda e qualquer crença num ser superior que Ele era. Também não vejo outra forma sadia de convivência que não seja por esse caminho. Infelizmente, dar a outra face, cansa, e apanhar o tempo todo é, no mínimo, impossível, por mais bem intencionada que eu seja.A justiça tem sido atropelada nos mais altos escalões do governo, por uma gente que tinha a obrigação de ser honesta, porque tem nas mãos o destino de milhões de brasileiros honestos, trabalhadores e que pagam para isso. Entretanto, não vou falar de política mas de um problema meu, íntimo. O normal é que uma família se ame e se respeite, ponto. Mas não é o que acontece com a mãe do meu neto, que pensa como se ele fosse propriedade sua, como se a família do pai não tivesse nenhum direito, a não ser pagar pensão, a escola, roupas, sapatos, brinquedos. E não falo da parte financeira só. Temos um carinho e amor por esse menino que é o mais importante. Nós o amamos de verdade e sempre que estou com ele, faço questão de frisar isso. Em contrapartida só recebemos insultos e calúnias por parte da mãe dele. Ela faz uma lavagem cerebral nele para que nos odeie, nos rejeite. Não percebe que atinge de forma cruel uma criança inocente.Enquanto estamos juntos, procuro mostrar a ele, meu neto, que não devemos ser inimigos, as duas famílias e,jamais, ofendi ou desrespeitei a mãe dele com palavras ou ações. Temos nos sentido  impotentes, pois recorrer de novo à Justiça é um desgaste enorme. Não há diálogo possível com ela, já tentamos em várias ocasiões. Alienação Parental é o que ocorre. Mas ela não se importa. Só quer se vingar da família, não entendo o porquê, já que a única coisa que cobramos é que ele possa conviver com nossa família também.  Não é justo. Quem sabe Deus dará um jeito nessa pessoa? Para Ele nada é impossível.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Cheiro de vida.

Outro dia, precisei ir às compras e, passando por uma esquina, senti um cheiro de pão sendo fabricado. Meus sentidos se voltaram pra uma época em que, na mais tenra adolescência, costumava ir à padaria comprar pão. Eu era a mais disponível, ou melhor, a mais bem mandada. Sempre tive a idéia de que obedecer aos pais era mera obrigação. Minhas irmãs, a mais velha, casara precocemente e já cuidava do seu rebento; a segunda, muito brava, não gostava de sair, a não ser para a casa de sua amiga preferida, onde passava horas. Eu era a terceira dos cinco filhos. Os mais novos não deviam saber comprar coisas ainda. Então, já viram que  a mim  cabiam essas obrigações. Me lembro, havia caderneta para tudo: mercado, padaria, açougue. Não existiam cartões de crédito como hoje. E lá ia eu, comprar pão todas as manhãs. Mas o que quero dizer é que nada me dá a sensação tão intensa de voltar ao passado, como quando sinto o cheiro de pão fresco, quentinho, saindo das fornadas. Me vejo também comprando verduras na "quitanda" da Penha. Nem sabia diferenciar o que era alface ou almeirão. Apenas dizia para a dona da loja, onde os cheiros de verduras, frutas e legumes se misturavam e eu levava pra casa  o que me diziam pra comprar e ia carregando as verduras, embrulhadas em folhas de jornal. Gente, isso é mais que voltar nostalgicamente ao passado. Não venham me recriminar. Sou saudosista, sim, até porque, tanto a cidade pequena e calma, quanto a vida sem violência, quando uma menininha como eu podia, sem o menor perigo, ir às compras,  era normal.Quando a palavra dada era um documento e como me sentia feliz, escolhendo o pão mais clarinho que eu acabara de comprar, na padaria do Teco, o melhor pão da cidade.As crianças e adolescentes de hoje, são monitoradas por celulares, tablets, e outros que tais. São levadas e trazidas pra lá e pra cá em completa vigilância. Outro dia mesmo, estava na casa de minha sobrinha e a filha dela, já nos seus dezessete anos, telefonou para que a mãe a fosse buscar - estava na casa de uma amiga- e a mãe não consentiu que ela pegasse um ônibus de volta pra casa.Pegou o carro e saiu apressada, indo buscá-la. Santo Deus! Que tempos são esses!!! Em plena luz do dia, não se pode andar com segurança e o que vemos são pessoas tensas, ansiosas, até que vejam os filhos em casa, protegidos e dando graças por mais um dia. Aí, sinto o cheiro de liberdade, sinto que fui premiada com uma infância saudável, onde meus passos não eram teleguiados e vivíamos mais alegremente, apesar de não haver a tecnologia avançada de hoje...!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Cidade do Aço e pedras preciosas.

Idoso e carro velho tem que, vez por outra, recorrer a um bom "mecânico". Algumas engrenagens precisando de reparos, uma arruela aqui, outra ali, ficar só na garagem dá ferrugem.Por isso, ontem, resolvi dar umas voltas na cidade, olhar algumas vitrines, acompanhada da irmã e sobrinha. No final da excursão, fomos pra casa da sobrinha jogar buraco. Meu cunhado, terminando algumas consultas (já que ele como bom "mecânico" tem muitos clientes) foi nos encontrar mais tarde, e como sempre, ficamos até altas horas jogando um baralhinho. Nesse meio tempo, recebi umas notícias pelo celular, que me aborreceram muito. Não vou contar,  seus curiosos.Seguindo conselho de médicos, amigos, irmãs, sublimei. Até porque não posso resolver o problema, decidi  não me envolver.Nenhuma sinceridade no que acabo de dizer. Impossível. As ações não limitam o inconsciente, que fica esperto, aguardando uma nossa decisão. Hoje, depois de uma noite relativamente bem dormida, decidi perder um dia de ginástica em troca de valorizar a preguiça. Tenho o hábito de ser meio "certinha" demais, além de pontual. Me deixei ficar e cochilei um tantinho até que o telefone me chamou e corri para atender.Era uma grande amiga. Morei em Volta Redonda, dita Cidade do Aço, por longos quinze anos. Longos, porque não me adaptei ao lugar, onde a poluição é a tônica e sou alérgica, meio asmática. Imaginem o mal que me fez o clima daquela cidade, onde a indústria do aço não perdoa. Mas, em contrapartida, fiz excelentes conhecimentos e a pessoa, que considero a minha melhor amiga vive lá, até hoje. Era ela ao telefone. Conversamos longamente e, ao final, fomos falar da amizade que se manteve através do tempo, apesar da distância que nos separa. E nós duas choramos. Ela  tem mais dez anos que eu. É uma raridade em pessoa. Jamais encontrei alguém com tamanho carisma, bondade, espírito de solidariedade como ela. Verdadeira pedra preciosa. Tenho muitas amigas, sim. Que elas me perdoem mas, essa de quem falo agora, é inigualável. Não tenho bens acumulados, devo dizer. Entretanto confesso que nada é comparável  à riqueza que possuo, nem mesmo aqueles "amigos nossos", eleitos pelos nossos votos,tem fortuna maior que eu: tenho uma pedra preciosa, que  não tem preço, daquelas raras mesmo, que só se encontram entranhadas nas profundezas da terra. E hoje, volto a dizer, eu e ela choramos, mistura de saudade, carinho e a certeza de que somos amigas eternas, porque, sinceramente, pretendo estar com ela na outra vida que Jesus nos prometeu.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Lendo e aprendendo.

Ontem, acabei de ler um livro da  Martha Medeiros : "Simples assim", presente da filha que sabe do meu gosto pela leitura.Sempre encontro enorme prazer com os escritos dessa  mulher inteligente que sabe dizer as coisas mais simples e que nos tocam.Costumo anotar livros e autores que são citados por aqueles que tem uma cultura acima da média, escrevem livros ( que são adaptados para  peças de teatro ou filmes), para quando entrar numa livraria, ter uma boa dica do que devo comprar, afinal, cada real tá valendo ouro. Então anotei dois autores citados por ela e que por coincidência ou não são italianos. Vi também a humildade dela quando se dizia espantada ao ser recebida como celebridade, o que parecia incomodá-la de verdade. Falou ainda da vontade de se encontrar com um brasileiro bem conhecido nosso, Nelson Motta, sobre quem ela só tem elogios. Acho que tem razão. Ontem, ainda, já que falei do nosso compositor admirado por ela, vejo um elo entre ele e nossa grande atriz, Marília Pera, falecida ontem, também: duas filhas. Perdemos uma grande estrela, sim. Vimos pela TV a grande homenagem que lhe foi prestada e a comoção geral durante o velório, tudo muito triste, depoimentos de quem mal conseguia falar, tamanha emoção e sentimento pela perda.  Mais tarde, assistia a um programa na televisão, que me perdoem os que acham brega ou não acham nenhuma graça de ver: "Mega senha", onde o marido da Luciana Gimenez, Marcelo, entre outras coisas citou o nome do enteado, que tem sobrenome famoso, Jagger. Mas entre adivinhações e ganha não ganha, ele disse uma coisa certa e da qual compartilho vivamente: - " O melhor da vida é ter saúde". Claro que ele anunciava produtos farmacêuticos que lhe rendem alguns reais, imagino. No entanto, é uma grande verdade. Ouvi uma declaração de um ator famoso, além de autor, diretor e tantas coisas mais, que perdeu sua grande amiga, Marília Pera, que ela, sofrendo as dores que a terrível doença lhe infligia, mesmo assim, continuou o seu trabalho no palco, onde se sentia realizada. Ainda veremos um filme e o programa de TV em que ela atua. Exemplo de garra. Ela, que se dizia tão sensível e frágil, foi capaz de enfrentar o mal que a atingiu, sempre lutando bravamente. Hà pessoas assim, e outras totalmente diferentes, mostrando o lado feio do seu caráter. Tem muita gente precisando de lições como essa. Que viva para sempre Marília, não só em nossa memória, mas como  modelo de comportamento de como ser  gente de verdade!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

FRIO VERSUS CALOR.

Nasci no município de Bom Jesus do Itabapoana, numa Fazenda que era do meu avô paterno. Falo isso pra lembrar que é um território que faz muito calor, muito mesmo. Cidade situada entre morros, não diria montanhas,  e citada como Vale do Itabapoana, porque banhada por um rio com esse nome, assim é Bom Jesus. Sempre quente, mesmo nos meses mais frios, raro precisar de algum agasalho, exceto de julho até agosto, mesmo assim faz um frio bem suportável. Então. Acho que me adaptei a esse clima e ficou impresso de alguma forma no meu inconsciente ou sei lá onde, o fato é que detesto dias como o de hoje, onde o sol está tímido e se escondeu. A chuva ameaça mas não cai. Prefiro o calor incômodo e os gastos com o ar refrigerado. Acho mais alegre. Saudável. Gente nas ruas, nas praias; a maioria reclamando do calor, assim que um olha pro outro no elevador, ou em qualquer parte, se ouve - " que calor horrível, né?"- E eu, me vejo discordando:" - eu gosto." E gosto mesmo. Tempo nublado me dá uma tristeza daquelas. Estou com meias, um quimono sobre calça comprida, usada e caseira. Devo estar horrenda para uma foto, posso imaginar. O tal do Selfie ( nem sei se escrevi certo) nem pensar. Aliás, não curto mais fotos como antigamente. Pois é. Era assim mesmo.  Necessário que se esperasse  muitos dias para ver as fotos que foram reveladas  com sucesso. As que "queimavam" é porque alguém muito feio (a) tinha atrapalhado.A velocidade é evidente em todas as instâncias da vida. Tem uma repórter   famosa da Globo que é minha  companheira, tem o mesmo gosto pelos dias quentes. Voces sabem quem é: Sandra Annenberg. Quando ela indaga à "moça do tempo" sobre as temperaturas prováveis, fica mais feliz quando ela anuncia um dia de calor intenso, tal como eu. Não sou global, gente, mas sou uma criatura solar. Acho que é assim o adjetivo que dão a pessoas que gostam de muita luz, claridade, sol brilhando lá fora, dia mais alegre, enfim...!

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

REENCONTRO.

Através da tecnologia, imensamente avançada, posso, hoje, me encontrar com amigas de infância, aquelas que serão amigas para sempre. Não se apaga a infância. Impossível desejo me vem de repente de voltar a brincar com elas, e ser criança de novo. Não falo por acaso. Colegas da escola também entram no rol de pessoas queridas com quem gostaria de estar novamente. Me deu uma saudade danada. Quando a vida te pressiona com muita gana, acontece. Dá vontade de esconder. Ontem, me lembrava de uma vez, quando choveu granizo em Bom Jesus. Coisa rara. Revivi o quintal coberto de pedras de gelo, grandes até, e me via correndo, naquele chão branco, depois de passada a "tormenta". Não sei se minhas amiguinhas de infância vão se lembrar. Eu nunca pude esquecer a beleza que encontrei sob as grandes mangueiras, pé de jambo, e tantas árvores que formavam um pomar enorme, com direito a pé de jabuticaba, cheio de frutinhas pretas desde o chão até galhos altos. Um muro coberto por uma vegetação espessa ( havia algumas aranhas que moravam por ali) separava uma grande parte de uma outra área , vizinha.  Ali, bananeiras, mamoeiros, abacateiro, era um lugar menos visitado por nós. Quantas vezes eu e minhas amigas, vizinhas, moradoras da mesma rua, fazíamos teatro, sob um ressecado galho de parreira, que não resistia ao calor daquele vale quente, onde estava plantada nossa cidade.  Era um tipo de caramanchão em que as uvas pretensas, jamais apareceram, já que precisam de um clima mais parecido com o que vemos ao sul do país. Sei que no Nordeste estão conseguindo bons resultados, sempre a famosa tecnologia avançando. Mas não quero saber de modernismo, agora. Gostaria de estar brincando de novo, com as meninas da minha rua. Que saudades, gente! Se elas lerem o que escrevo aqui, neste momento nostálgico, vão me compreender perfeitamente. O tempo, dizem, seria a quarta dimensão. Gostaria de ter estudado Física Quântica para entender isso melhor ( exagero meu, não entenderia  uma matéria dessas, só alcançada por grandes gênios da humanidade - podem rir...)  Mas se eu pudesse girar, ao contrário do que roda, esse nosso planeta, tão maltratado pelos homens e conseguisse reaver aquele tempo maravilhoso, quando andava descalça, suja das brincadeiras no quintal, tenham certeza de que o faria, sim!

domingo, 29 de novembro de 2015

Medo,irmandade...e susto.

Entremeada de alegrias e tristezas assim é a vida. Novidade nenhuma. Mas, às vezes, há momentos em que se misturam coisas, independentes de nossa vontade e compreensão. Volto no tempo, para contar  um fato onde a tônica era a tristeza, sem clima para coisas  engraçadas, já que naquele dia, acabávamos de enterrar uma tia muito querida, que nos deixava tão precocemente. Eu viajara de Volta Redonda, onde morava,acompanhada do   filho mais velho,  adolescente ainda,levados por um chofer, contratado pelo meu marido. Viagem longa, com uma finalidade desagradável, ver pela última vez, pessoa tão querida, minha madrinha, além de tia.Depois que voltamos do cemitério, fomos todos para a casa da irmã mais velha,  Teresa, que nos acolheu com uma farta refeição e cercou-nos  com todo o conforto de que se precisava na ocasião. Vânia, como todos nós que tivemos de viajar pelas longas estradas, resolveu tomar um banho para descansar sua tristeza e aliviar a perda. Relembrando hoje, ela me dizia que, enquanto se banhava, pensava em quantas coisas aquela tia alegre, jovem ainda e que partira cedo demais, gostaria de ter dito e não disse. Era uma mulher especial, muito amada pela família e pelos numerosos amigos que amealhara vida afora. Na sala, em forma de L encontrávamos eu e Pitota, sentados bem em frente à porta do banheiro, num pequeno sofá. Do outro lado, onde o cômodo se alargava mais, o chofer que nos conduzira, minha irmã, e mais outras pessoas da família que não me lembro agora.Ouvia-se o barulho da água do chuveiro. De repente, um grito. A porta do banheiro  abriu-se, repentinamente; minha irmã, completamente nua, corria, em nossa direção,água escorrendo pelo corpo , olhando-nos ainda mais confusa e espantada. Levantei-me o mais rápido que pude e fui em sua direção, mesmo sem entender o que acontecia. Queria cobrir sua nudez com o meu corpo. O que teria acontecido para aquela exposição incrível, logo ela tão cheia de pudores? Teria se sentido mal, não entendia mesmo. A sala cheia de gente e ela completamente desorientada, com o medo estampado na face. Depois do susto inicial, e devidamente coberta, minha irmã explicou o que a deixara apavorada. Ouviu pela vidraça do banheiro um barulho sinistro, como se alguém arranhasse a janela. Chegou a pensar que seria uma brincadeira do cunhado brincalhão, que gostava de aprontar esse tipo de coisa, mas, ao avistá-lo bem em frente à porta do banheiro, não teve dúvidas, só podia ser mesmo alguma assombração. O terror foi mais forte que o pudor... Depois, meu filho adolescente, voltando do quintal, glorioso,ria a valer, afinal o susto que pregara na coitada da tia tinha surtido o efeito desejado. Coisa de adolescente... Hoje, ela se lembrava também de que apesar de serem " cordiais inimigas " quando menininhas, costumavam dormir abraçadas, ela e Teresa, quando morria algum conhecido, algum parente. Lembrou-se de quando a madrinha Alzira, uma negra muito querida por toda a família e que ajudara a cuidar das crianças da casa partia desse mundo de Deus. Suavam em bicas, mas se escudavam  da morte e do medo incontrolável, abraçadas, uma protegendo a outra.

Alegria aula de natação e Jesus.

Hoje, domingo, estou, a manhã inteira, ouvindo através de um microfone altíssimo, um rapaz,nominando as  crianças, que comemoram a chegada do Papai Noel, numa exibição, onde, em cada raia da piscina, elas mostram o que aprenderam durante o ano: nadam como peixinhos. Pode parecer meio chato ter que ouvir os "gritos" e músicas da Xuxa durante tanto tempo. Mas, não. Preferi celebrar a presença deles, como amigos que me acompanham e me deixam menos solitária. Isso não é bom?...
Estava ouvindo músicas como aquela que expressa uma vida melhor, "Imagine the people..." de um dos famosos do conjunto, Os Beatles, que queria passar mensagem de amor e foi assassinado,assim como o nosso Deus, que se fez homem para mostrar que o Amor é o único caminho e foi crucificado. Que mundo é esse, gente, onde os que querem levar vantagens, são corruptos e que deviam estar há muito na cadeia,  continuam imperando? Ouvi ainda  aquela canção de Natal, que todo ano costumamos ouvir, nas lojas, nas ruas, nos carros de som, mas que nos traz uma pequena esperança, além das facilidades e vantagens oferecidas pelo Comércio. Gosto desse substantivo e muito: esperança. Se não fosse a última que morre, repetindo o que o povão diz, o que seria de nós, pobres mortais, que, cada vez mais nos decepcionamos com a crueldade dos homens que matam em nome de Deus!... Ontem, assistia ao programa do Serginho Groissman; tinha a presença do Fábio Júnior que, já meio "passado" continua charmoso e chorando ao cantar "Pai" a música triste e linda que compôs em homenagem ao seu pai. Confessou que seus pais não viviam bem, ante as indagações do apresentador do programa. Mas o que de mais interessante aconteceu foi a apresentação de um jovem cantor negro. Por que? Seu exemplo foi magnífico, pois fora abandonado pela mãe e recolhido a um orfanato. Perguntaram -lhe se isso  trazia inconformismo, tristeza. Ele respondeu que com a arte, a música ( sua voz magnífica) atravessou os anos de menino, adolescente até atingir a maturidade, com esperança e confirmou mais: a arte lhe dera a oportunidade de ser feliz e ele aproveitou essa dádiva, ao invés de se lamentar por não ter mãe, nem pai, nem família. Deus olhou por ele e o abençoou...eu acho, foi adotado por Jesus

domingo, 8 de novembro de 2015

Sem preconceito mas com romantismo.

Vinha andando pela calçada, uns pingos de chuva, bem fininhos, teimavam em me molhar...voltando do  mercado. Reparei num casal que passava por mim, seguindo em direção contrária. Não era propriamente um casal bonito. Mas achei-os lindos. Contemplá-los me fez bem. Ele, estatura mediana, uma calva teimando em aparecer e ela, nem reparei bem no seu físico: pessoa comum, bem vestida, normal. Mas o que me deixou comovida, ao observá-los, foi o comportamento, eu acho. Era um aconchego puro; ele com uma atitude de quem protegia aquela mulher, apenas com as mãos dadas, de forma carinhosa, firme. Ela, feminina, mostrando prazer naquele encontro de mãos, de corpos, caminhando com passos definidos, numa conversa  ( que nunca saberei o que era), troca de idéias, sei lá. Mas eram um homem e uma mulher. Não sou preconceituosa, não mesmo. Acho que devemos aceitar a escolha de cada um, até porque, não se trata de escolha mas de uma realidade que acontece. Uns nascem negros, outros homossexuais. Faz parte da vida e todos são dignos de respeito e consideração, já estamos mais civilizados, quando aceitamos isso,sem tanto espanto.E devem ser colocados no mesmo patamar dos que não são assim, claro. Mas ficou mais raro nos deparamos com pessoas heterossexuais se amando, convivendo como um casal. Isto é fato. Entretanto, ontem, quando olhei aquele casal, não sei o que me deu. Senti saudade de ver coisa tão corriqueira, tão normal mas que se torna cada vez mais rara de se ver. O homem, no seu papel protetor, másculo, pelo simples fato de estar caminhando ao lado daquela mulher, deixando transparecer sua função de macho. Ela, segura, feminina, encostada no homem que lhe dava tanta força, apenas com um aperto de mãos. Não sei se me expresso bem e nem sei se me entenderão, mas senti uma volta no tempo. Senti  como se tivessem colocado  algo nos trilhos. E vim pensando no casal, tão comum,tão completo, enquanto eu, recebendo gotículas de chuva no rosto,  meditava sobre o amor.Era notório o que um sentia pelo outro. Não os conhecia, nem jamais saberei quem são. Só sei que percebi naquele caminhar seguro dos dois, um infinito carinho e me lembrei de que, um dia, o romantismo existiu e ainda persiste em aparecer, vez em quando, numa calçada qualquer, debaixo  de uma chuvinha fina, unindo casais que se completam de maneira tão bonita...

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

QUEM VÊ CARA NÃO VÊ CORAÇÃO

Quanta coisa se pode dizer, partindo dessa premissa.Tirei uma foto há uns seis dias e fiquei bem: arrumada para uma festa, vestido bonito, cabelo arrumado, maquiada, enfim, caprichei no visual.A filha, que adora fotos não fez por menos e bateu umas quatro ou mais  com o celular e, além de tudo, colocou no facebook pra quem quisesse ver. Devo reconhecer que fiquei bem. Sorria. Sim, eu estava com um sorriso estampado no rosto. Parecia feliz. Parecia- este é o verbo- não a realidade.Hoje, com o estado de ânimo em que me encontro, fico pensando... Por que  nos acostumamos a passar uma imagem de felicidade, quando na verdade, o que realmente acontece é bem o contrário. Por que temos a obrigação de dizer a todos o quando estamos bem, o quanto estamos nos divertindo, o quanto a vida é bela! Ilusão ou o quê? Não sei, só sei que é de praxe essa demonstração de felicidade; nos retratos, então, é obrigação. Eu não fico bem se não sorrio, acho que fico melhor e com menos rugas, digamos assim, quando esparramo um sorriso no rosto, ainda que forçado. A vida costuma ser uma comédia em que os atores dão um belo espetáculo, com enorme talento. Por que devo sorrir quando entro no elevador para um vizinho que mal diz bom dia? Educação, claro. Por que  chego na casa de alguém parecendo que o dia está ótimo e que tudo vai bem  e lá venho, esbanjando mais sorrisos.Por que cumprimento a todos com um meio sorriso, só porque adentrei o ônibus? Sorrio ainda para a moça que me dá o troco no mercado. Sorrio, sorrio e sorrio. Por que, gente? Será que sou falsa? Será que me sinto na obrigação de ser agradável, gentil, educada? Por que, me pergunto eu. Acho que vou adquirir novo comportamento, só pra ver no que vai dar. Passarei a ser tachada de antipática, com certeza. Comecei bem cedo a me comportar civilizadamente. Lembro-me de, brincando de boneca com minhas irmãs e a prima, o braço da linda boneca de louça de minha prima se desprendeu do corpo. Eu então,  mantendo a gentileza e com certeza um sorriso educado, olhei pra ela e disse:   " Estalou?" Vejam bem a sutileza da pergunta. Toda cerimoniosa, ao invés de rir, debochar ou achar bem feito o fato de aquela boneca linda tivesse um problema, eu sorri, educada e levei a sério a brincadeira. Quanta ironia! A vida está me parecendo um caldeirão de água fervente, com uma dose cavalar de ironia, maldade, fingimento, hipocrisia , temperando esse guisado. Ando cansada de ser boazinha, simpática, suave. Acho que preciso colocar mais tempero no meu comportamento,talvez, pimenta, quem sabe? Parece que as pessoas mais respeitadas são aquelas que estão sempre desafiando, ou que não demonstram medo em responder à altura quando maltratadas, ou se vêem ameaçadas e se defendem; também não ficam espargindo sorrisos solícitos para que sejam bem aceitas. Parece que se impõem na sua franqueza desmedida. Voltando a falar daquela minha foto bonita ( recebi até alguns elogios) creio que devo dizer, como quando era criança:Enganei meu burrinho com uma pedrinha de sal, comendo capim, no meu quintal!" Porque a minha alma, ou seja lá como  se denomine meu sentimento,naquela foto,sorridente, tão bonitinha, não estava  com vontade de rir e nem queria sair...Tenho ouvido, quase todas as manhãs, o padre Marcelo, até comprei o livro dele Philia. É bom, e ajuda a quem sofre de depressão. Que Deus me ajude e aumente a minha fé. Espero voltar a ser aquela menina boba, que tinha vergonha dos outros e que ria por delicadeza ou só por educação. Eu era feliz, sim, Mesmo com os problemas pelos quais passei, mesmo assim, sorria com vontade. Tinha uma alegria espontânea e sentia prazer em muitas coisas, como por exemplo, ouvir uma boa música, rir de uma piada, ir ao cinema, dançar, me arrumar, para sair bem na foto. Esse tempo passou. Aparência, não é tudo. Meu coração anda doente, Se pudesse ser visto, perceberiam que, como a boneca da minha prima, "estalou" e agora ficou difícil de  consertar...

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Uma salada de frutas.

Há pedidos para que eu escreva mais. É o que mais gosto de fazer. Mas parece que esgotei todas as  esperanças que mantenho, naquela caixinha secreta, que cada um de nós tem. Não falo dos problemas particulares. Não, mesmo. Eles continuam me perturbando, incomodando, mas ando reagindo e dando uma banana pra cada um deles, até porque o que não falta na minha fruteira são bananas. ."Abacaxi" gosto deles.Sabe,gente, é uma das frutas que mais aprecio. É fresca, saborosa, diurética, faz bem à digestão, só é difícil de descascar. Mesmo assim, tenho um macete: corto em rodelas grossas e vou descascando devagar. E se me dão um limão, vira limonada. Ontem, assistia a uma peça teatral com Paulo Betti.  Me fez ver alguma coisa da minha infância.Que nasceu pobre, muito.Falou das maçãs importadas que, naquela época,  ele nem sonhava comer, ainda que estivesse doente. Falou de outras, que crianças da roça, pobres costumam comer, entre elas mexerica, banana e uma que não me lembro mas que, hoje, faz parte das indicadas pelos médicos como das mais saudáveis e ótima para a saúde.Pois então.Tudo uma questão de saber aproveitar. Não queria falar de política. Mas chegamos a um ponto de preocupação que não dá pra fechar os olhos. O que será de nossa gente, falo de uma grande maioria que trabalha duro, que não rouba , que tem vergonha na cara e paga impostos. Não é justo o que vem ocorrendo. Caminhamos para o fundo do poço que, por mal dos pecados está ficando sem água. Já no Sul parece que a inundação tomou conta dos pertences e das  vidas das pessoas. Há um desacerto total. Procuro ver programas onde economistas e entendidos falam e analisam a situação do nosso Brasil. É de se arrepiar. O que acho,de fato, é que deviam jogar as frutas podres que estão por toda parte , jogá-las em cova bem grande pra fazer adubo. E , aí, sim plantar uvas escolhidas que dessem um bom vinho para brindarmos com a chegada de gente de verdade, que não sequestra nossas riquezas e as envia para outros países distantes. O hino Nacional, quando cantado, me causava emoção, vontade de chorar, tamanho o orgulho sentido. Ando meio pra baixo, meio sem alegria, sim. Mas pensei nos motivos e encontrei, além dos que qualquer pessoa comum possa ter, me deparei com essa falta de perspectiva, de saída para nossos problemas. É uma nação inteira sendo derrotada por um bando de mequetrefes,ardilosos e sem o mínimo de vergonha na cara.Plantamos bananeiras, descascamos abacaxis, esprememos limões, juntamos até frutas importadas mas não conseguimos uma sobremesa saborosa, uma salada de frutas de verdade. O que vemos é um bando de brasileiros engolindo sapos, que jamais se transformarão em príncipes, até porque a princesa que os comanda já virou uma bruxa, faz tempo...!

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

"UM CORPO QUE CAI"

Alfred Hichcock lançou esse filme em 1958, eu devia ter meus 14 anos, faz tempo isso. Não sei contar a história tim-tim por tim-tim. Lembro-me apenas  do suspense que foi  e da linda,loura Kim Novak, que estrelava o filme. Até aí, tudo bem. Hoje, penso com saudades da época em que ir ao cinema era um programa genial: sair de casa, acompanhar pelas telas do cinema, algo incrível, mágico. Costumo pensar na efemeridade da vida, do tempo que nos é dado e que , se pudéssemos adivinhar, teríamos aproveitado mais. Não me lembro mesmo quem caía, no transcorrer da história, se era a mocinha ou se alguém era empurrado. Sei lá. Se alguém consegue, me desculpe pois  do que quero falar, não é exatamente do roteiro do autor daquele filme. Não.Então qual o  porquê? Caiu do cérebro para a tela do computador, onde digito coisas, o título aí de cima. Às vezes, coisas alegres, leves, me ocorrem e noutras o contrário. Um certo fel vem amargar a minha escrita. Ando percorrendo vales, sombrios espaços que não tem trazido muitas coisas boas.Me lembro do salmo da Bíblia: acho que 22 ou 23:" O Senhor é meu pastor nada me faltará.Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum , porque tu estás comigo;" além das palavras do psicólogo que me ajuda a enfrentar os problemas:ele costuma me dizer que há muita vida ainda para ser vivida e que tenho muitas coisas boas para aproveitar. Insiste em que eu me ame mais e dedique mais tempo a mim mesma. Ele tem razão. Mas é fácil, eu pergunto? E já sei a resposta.  O corpo que cai agora, já não diz respeito ao do famoso filme  do  senhor Hitchcock. Agora, é o meu, que vejo despencar. Não falo só das carnes mais flácidas, das celulites e estrias, não mesmo. Até as rugas que teimam em me deixar mais feia e mais velha, não são coisas que incomodam tanto quanto o sentimento devastador que vem se entranhando em minha alma. Ou naquela massinha cinzenta que nos dá enormes rasteiras. Qual é ?! Pergunto nervosa, chateada. O que anda fazendo comigo que me deixa inerte, sem vontade, sem alegria? Tem um nome pomposo e intrigante: depressão. Lute contra isso, faça coisas que gosta tanto de fazer, ler, pintar, escrever, dançar, ouvir música. Sim, Amo fazer tudo isso, gente.Mas estou parecendo aquele jogador de futebol que sofreu falta e caiu no chão. Olha aí, gosto de futebol também, ontem, vi o Brasil ganhar da Venezuela. Não quero ser substituída por ninguém, preciso me levantar e deixar que o juiz da partida, dê um cartão amarelo para o agressor. Dependendo da falta, que seja expulso, cartão vermelho nele! Vou me arvorar em técnico ou mesmo bandeirinha e sinalizar para o juiz que ele precisa expulsar esse cara que pratica o "anti-jogo". Fora depressão! Fora, golpes baixos, em campo, não!!! Vou massagear o meu ego, colocar um gelinho na contusão e vou partir para a luta, afinal a partida ainda não acabou!

sábado, 10 de outubro de 2015

Tristeza e depressão - serão primas...serão irmãs?

O que se sente num dia em que o sol brilha e nada de extraordinário acontece não é apropriado pra esse tipo de pergunta. Ou é? Não depende de fatores externos, de tempo bonito, de nada, nada. Explicação, tem, sim. Mas não pode ser feita através de palavras. Não pode, mesmo. E porque escrevo então? Sei, não. Talvez para não explodir ou, melhor dizendo, não implodir. Porque o que se sente não é vontade nenhuma de estourar, de gritar; nem mesmo chorar adianta. É esse desejo mórbido de não ser. De não ter sido alguém. Pra que nasci?A modificação que venho sofrendo no meu comportamento não é normal. A morte é inevitável mas sinto que ela anda me rondando de perto. Nunca alcancei os objetivos que sonhava. Pelo menos fui enganada com  uma falsa esperança. Dias e anos se passavam e nada da tal felicidade chegar. Dizem que é abstrata essa daí. Tive provas cabais disso. Porque, gente, lutei a vida inteira para manter o sorriso no rosto, a alegria, com pequenos desejos realizados mas aqueles, aqueles que realmente não se concretizaram e que me importam, aí, sim, me sinto frustrada.Querem me consolar as pessoas queridas que estão próximas, minha irmã por exemplo, me aponta coisas mais tristes, mais graves, problemas maiores que os meus e sei que ela tá certa. Há cruzes extremamente mais pesadas que as minhas. Mas quem as carrega são mais fortes que eu. Deve ser isso. Ontem, meu filho mais velho, que mora com o pai, veio com mala e cuia dizendo que iria ficar uns dias comigo. Que alegria! Vejo-o tão pouco...Armei tudo para que ele se sentisse confortável. Transferi minha televisão para o quarto do meio  ( que é reservado para o filho que vem ) a poltrona do meu quarto ele também a carregou pra lá e tudo o que ele quis, eu concedi, com o peito aberto. Saímos para umas compras. Ele é o tipo de pessoa solidária, me ajudou com tudo e sem reclamar. Acho que é o mais parecido comigo. Comprei algumas roupas pra ele, consertei seu pijama, coloquei elástico, enquanto ele se acomodava com seus jogos, de que gosta tanto. A filha reclamou de tudo. Não a culpo, apenas vejo no seu comportamento uma das falhas minhas. Ela é boa, muito boa comigo mas não tem paciência com os irmãos. E suas razões ela quer me convencer, são legítimas, só que eu não entendo a vida sem amor, sem paciência, sem compreensão. Hoje, acordei mais tarde, já que é sábado e não havia nenhum compromisso. Percebi os passos do filho, indo e vindo até que abri os olhos e me deparei com ele já vestido, dizendo que iria embora. Disse ainda que voltaria na semana que vem e ficaria de novo. Ele se esconde no quarto da casa que mora, onde passa a maior parte do tempo. É lá que se sente bem. Escondido do mundo real, se apega ao virtual através dos seus games, filmes. Senti-me decepcionada, pois contava com ele   por mais alguns dias. Meio eremita, se esquiva da realidade dura da vida. Vejo-o muito pouco, já disse. Moramos há mais de dez anos em casas separadas, já que assim ficou decidido, quando nos separamos, eu e o pai dele. Não foi escolha minha. O apego pelos filhos se tornou maior à medida em que me sinto envelhecer e o tempo encurta meu registro aqui neste planeta. Ando de tal modo sensível que amanheci num choro convulsivo, só de pensar na distância que sofrerei de novo, com a ida do filho, que volta para seu reduto solitário mas onde ele se sente melhor. Não tenho gosto pra mais coisa alguma. Escrever é mais uma saída do que satisfação. Gosto, sim de espalhar minhas idéias e colocá-las ao alcance daqueles que me leem. Mas neste momento, sirvo-me das palavras para desentocar toda essa tristeza que me devasta. Não estou bem. Não estou feliz, Não estou nada.Esse vazio que me impede de ir até a esquina, a qualquer lugar é que deve ser a tão falada depressão. Ela não é só tristeza, é algo que te desmonta, que te faz imaginar o percurso até o mercado, um martírio, visualizo, antes de sair, cada rua, cada esquina, o sinal de trânsito que devo obedecer, cada pedra e buraco das calçadas, já meio decorados por mim, passados por ali, tantas vezes. Antes, animada em comprar uma roupa ou sapato, até utensilio prático para a cozinha, tudo isso me incentivava a sair. Hoje, tudo se transformou em desânimo, em sacrifício. Talvez, nem sejam parentes, essas duas,a tristeza e a depressão. Mas a conclusão a que chego é que ambas estão sócias e querem me derrubar. Por que? Não tenho a menor idéia...

terça-feira, 6 de outubro de 2015

A primavera chegou apressada.

Hoje, ensolarado dia, já com ares de primavera. O tempo anda trocando as pernas de tanto que corre. Os humanos, acho, influenciando a natureza com sua desabalada correria. As flores devem surgir nesta época, perfumando e encantando os apreciadores da Natureza, não é o que esperamos ? Mas tudo mudou um pouco. Há seca em regiões onde sempre chovia o suficiente e o contrário, às vezes acontece e um temporal súbito acontece em lugares áridos. Por mais que se estude a Meteorologia, somos surpreendidos por essa inversão.Mas nós também precisamos nos acautelar diante das mudanças do nosso tempo. Há que se sofrer por antecipação? Não. O presente é o tempo certo de se viver e de se resolver as pendengas. O presente pode ser um dia inteiro ou mesmo uma fração dessas vinte e quatro horas de que é composto o que ficou combinado pelo homem, através da observação, quando o sol se vai e dá lugar à escuridão da noite. A lua clareia um pouco, no seu devido tempo. E como é bem vinda e bela. Promove canções, inspirando os mais românticos cancioneiros e nos faz  suspirar, olhando sua claridade mágica. O outono é que deveria ser um tempo mais apreciado, com amenas temperaturas, mas não é. Pode ser a marca do tempo que  passou- tão depressa - e como costumamos dizer - " a vida é curta". E não é que temos razão!? Olho pra trás e vejo a montoeira de coisas que ainda não fiz.Olho espantada porque perdi um tempo precioso, adiando atitudes que deixei de tomar, talvez por covardia ou mesmo esperando que tudo se resolvesse por si só. No outono da vida  (advérbio de tempo né, gente?) - que frase bonita - pena que seja para indicar uma fase de envelhecimento.Cada vez mais observo o tempo apressado, mal acabou o inverno e a primavera dá as caras, ainda que suas flores se atrasem um pouco e custem mais a aparecer. Logo, logo, o quentíssimo verão surgirá todo afobado, levando pessoas às praias, onde impera a alegria, corpos sarados e outros nem tanto mas apreciando as delícias da água: outras procurando o alívio em terras altas, onde a temperatura é amena. Mas depois dele, surge, de novo, o nosso famigerado outono.  O inverno parece estar envergonhado porque não realiza o que se espera dele: frio, muito frio. E pra não dizer que não veio, dá uma "esfriadinha",vez em quando. E só. Ando me identificando com essa estação onde não há muitas flores, nem muita chuva, parece a mais insossa. Entretanto vem demonstrar que devemos aproveitar o que a vida ainda nos oferece: vamos sorrir mais, vamos correr na praia,vamos dançar e cantar e se possível, vamos nos cercar de pessoas e vamos abraçá-las mais, vamos espargir amor, vamos nos amar muito, muito mais; vamos enfrentar esse outono com galhardia. Afinal, sempre podemos contar com aquela amiga, meio tímida, às vezes, mas fiel: a esperança.

sábado, 3 de outubro de 2015

Enquanto "seu" lobo não vem...

Cantiga de ninar, ou uma história infantil, sei lá. Aconteceu e pronto. Veio essa frase e os neurônios a fixaram nessa massa cinzenta que é o cérebro.De repente, muitos são os motivos que nos levam a escrever. Muitos também são os que nos levam a calar. Melhor não  expor os sentimentos. Sei, não. Dizem que faz bem falar, botar pra fora. Dá alívio. Será mesmo? E quando há um sentimento de inutilidade, de que dizer o que nos fere é inútil e que não há nada que possamos fazer para mudar esta ou aquela situação. Hoje, estou meio assim: não dizer, me calar porque não vai adiantar nada. Brincar de roda, dançar, ouvir música, ler, ir ao cinema, ver televisão. Todas essas opções não me apetecem nesse momento. Li uma reportagem numa revista que gosto muito que dizia, cientificamente : ficar de pé faz muito bem à saúde, que não é à toa que o "homo erectus"  percebeu intuitivamente ou mesmo por necessidade. Ganha-se horrores se ficarmos em pé. Há explicações.Um outro físico importante diz que, se não sairmos da Terra, não sobreviveremos. Por que será?Prevê a destruição  do planeta pelo próprio homem, imagino. Viagens  para outras galáxias são motivo de se gastar muitos milhões, não importa se de dólares  ou qualquer que seja a moeda do país pesquisador.Quantos problemas a serem resolvidos, meu Deus! E eu aqui falando, falando.É que me dou conta de que sempre estaremos à mercê de alguma coisa aterradora. Há um problema nos espreitando em cada esquina. Por isso, muitos aconselham: "viva o presente!"É a melhor forma de se esconder ou ignorar esse "lobo" que vem, não sabemos a que horas e nem se virá mesmo. A verdade é que há lobos, sim, nos espreitando, de verdade e quando menos esperamos eles dão as caras. Não mordem, nem atacam fisicamente mas fazem um tremendo estrago, apenas com  iminente ameaça... Ele nos olha, nos rodeia e...enquanto "seu" lobo não vem, finjo que não estou nem aí pra ele...Se não o encarar, ele vai embora, vai, sim. Não vou dar confiança.Vou  me fingir de morta.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Pelos mesmos caminhos.

Somos cinco irmãos. Apenas um é do sexo masculino; além de ter sido o último a nascer, recebeu o nome de Francisco. Há muitos Franciscos em nossa família. É um bonito nome. Era o do avô paterno, de um tio, de dois primos. Minhas irmãs também tem nomes bonitos. O meu, não gosto muito. Ia me chamar Cecília, já que nasci no dia da Santa, vinte e dois de novembro. Mas foi trocado a pedido de  minha madrinha. Deixa estar. Não gosto mesmo, mas era tão sem noção nessa ocasião,que não dei nenhum suspiro, nem gritei na pia batismal, normal, não podia mesmo retrucar,a não ser que eu fosse superdotada, com poderes mágicos. Amanhã é aniversário da irmã mais velha; essa já veio dando trabalho na hora do parto, já que de cócoras, dificultando muito a hora da chegada.Foi a única que nasceu na cidade, em Niterói. Todos os outros, eu inclusive, nascemos em uma fazenda. Mas o que quero dizer é que, apesar de termos "habitado" durante nove meses o mesmo útero materno, somos criaturas totalmente diversas. Eu, fui a terceira locatária desse cantinho privilegiado. Gostei tanto de estar ali que me acomodei e acho que é por isso sou tão caseira.Não sou afeita a mudanças e gosto de estar no meu canto, sempre que possível. Nem imaginava o quão árduos seriam os caminhos da nova morada. É engraçado, comecei falando dos partos mas o que queria mesmo era falar das irmãs e do irmão único," bendito fruto entre as mulheres ".Queria mesmo falar é do amor imenso que tenho por eles. Falar de como é possível amarmos com a mesma intensidade pessoas tão diferentes. O mesmo pai, a mesma mãe. E aí, conseguem gerar personalidades totalmente díspares.Cada um com suas nuances, suas mazelas, suas características. Como é possível? Seria mais lógico, todos fossem cópias uns dos outros. Sei da história dos espermatozóides, que numa corrida desabalada, se juntam aos óvulos e fecundados então,produzem seres; sei de tudo isso, mas a vida é muito mais misteriosa do que qualquer explicação científica.Mas continuo me alongando e não falo do que realmente quero: meu desejo é falar da incrível capacidade que temos de sentir amor, do mesmo modo, com a mesma intensidade, apesar das brigas, divergências, ( algumas vezes até alguns de nós tem um certo ciúme, verdadeira pinimba , inveja) mas com todas essas manifestações tenho entranhado, no mais profundo do meu íntimo, um amor verdadeiro pelo irmão ou irmã, não importando nada do que foi citado na frase entre parênteses). Comigo, pelo menos, acontece assim. Não importam as mágoas, ou decepções. Amanhã, repito, é aniversário da irmã mais velha. De certa forma ela é meio  um ídolo para os mais novos que a vêem como exemplo, até porque chegou primeiro e aprendeu a caminhar pelas trilhas difíceis dos primeiros anos ( dos últimos também). Quero que essa minha irmã seja muito feliz, ainda que trilhando sendas profundas, às vezes árduas, como são os caminhos da vida.Quero que ela continue a nos mostrar a sua garra, a sua alegria de viver. Tenho plena convicção do meu amor pelos quatro irmãos que ganhei. Hoje, falo da mais velha, daquela que sabia contar tantas histórias bonitas, que tão bem fantasiava nossos sonhos e que nos abriu novos caminhos, aquela que saiu do mesmo cantinho, que se abrigou no mesmo útero mas, como disse antes, tão diferente de cada um. A aparência nos denuncia. Somo parecidas fisicamente. Mas é só. E vai um recado para essa irmã querida: parabéns pelo seu aniversário, que Deus a proteja sempre e , não se esqueça: amo voce!

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

SEM PECADO E...SEM JUÍZO.

Existe uma música, acho que Baby Consuelo canta,tem essa frase ;"...Sem pecado e sem juízo... no paraíso..." Ontem, fui à missa das 6 horas, na Porciúncula. Fazia muitos anos não recebia a comunhão. Faltava coragem de me confessar.Uns não aceitam se desnudar e falar das suas faltas, pecados diante de um padre. Eu, ao contrário, não me sentia confortável, recebendo a hóstia, sem uma confissão. O padre é um homem, sim, como qualquer outro, mas representa Jesus. Disso não abro mão. Eu queria mandar um recado a Ele pedindo que me desse a graça de me comungar. Há anos, vinha olhando a hóstia, o corpo de Jesus, com um olhar pedinte, como cachorro de rua. Não tenho vergonha de dizer. Muitos me diziam ser uma bobagem, que eu devia, sim, me comungar. Eu não consegui durante muitos anos. Ficava me sentindo burlando a própria consciência, se o fizesse, e assim passei tanto tempo sem a graça de receber Jesus. Então, recapitulando, ontem fui á missa das seis. De repente, me levantei e me encaminhei até a capela, onde se encontra um padre, sempre meia hora antes da missa para receber as pessoas e ouvir seus pecados, lhes concedendo o perdão, instituído por Deus. Foi fácil; assim que a porta se abriu, vi uma moça, jovem ainda, saindo. A porta se abriu um tanto mais e avistei o padre, um senhor bem velhinho que parecia sair também. Adiantei-me, e lhe pedi a benção. Acho que Jesus me olhava. As palavras fluíam, como se eu falasse de fato com Jesus. Ele me ouviu e me perdoou. Saí dali, com a alma lavada. Sentia-me, de novo, fazendo parte das ovelhas de Deus, não mais aquela desgarrada, rejeitada. Como fiquei feliz naquele momento. Chorei, num misto de alívio e felicidade. Sentir a pequena fatia branca de pão, no céu da boca, me deu uma graça maior do que eu merecia. Ajoelhada, rezei o Pai Nosso e uma Ave Maria, como penitência sugerida pelo padre...Agora, sem pecado mas com juízo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Coração sossegado - ajuda divina.

E aí, estava eu digitando um novo texto e num piscar de olhos ou numa clicada falsa, desapareceu tudo na telinha. Não é de hoje, acontece isso, uma tremenda mancada, um clicar na tecla errada e pronto, lá se vai um texto que não era para sumir, assim, como assombração. Cruzes, gente, nunca vi nenhuma delas, mas tenho um medo danado. Ao mesmo tempo, gostaria de presenciar alguma coisa sobrenatural pra ter mais certeza de que há outras esferas, outros lugares e principalmente, o céu, essa promessa de Cristo que nos dá alento, quando por aqui as coisas não vão bem.  Imaginar um lugar onde se possa viver feliz para sempre, como nos livrinhos de histórias infantis, é mais do que bom, é ótimo.Ontem, eu ia buscar meu neto e meu filho mais velho, que é prestativo, solidário e sempre se oferece para pegar o sobrinho na escola; então eu ouvia dele uns "casos estranhos". Ele me contava que nossa tia que morava em Petrópolis, dizia ouvir "coisas".Algumas batidas na janela, barulhos no quarto da filha morta, e sempre à noite. Não era mulher de inventar histórias macabras. Lia muito e vivia sozinha. A faxineira vinha pra ajudar nos serviços da casa e ia embora. Então ela, na maioria das vezes, estava sozinha. E meu filho afirmava que a tia não era de imaginar coisas e não costumava mentir. Isso, um fato. Hoje, eu ouvia no radio, o padre dizendo que há, sim, anjos, Comecei a pensar em pessoas que aparecem às vezes, e nos ajudam, nos protegem e dão força. Uma vez, não faz muito tempo, esse filho me ligou aflito: estava sobre o viaduto, perto das saídas que  dão à Ponte, com o pneu furado. Era tarde, muito. Fiquei desesperada, Ele não tem nenhuma habilidade para trocar um pneu. Assustei-me só de pensar nele, sozinho, sem socorro. O pai e o irmão  que moram distante, na região Oceânica, não manifestaram vontade de socorrê-lo. Desesperada, só de pensar no filho naquela situação apelei para o serviço de táxi; iria buscá-lo. Quando o carro chegou, perguntei ao jovem taxista se poderia ir até meu filho e expliquei o que acontecia.Ele prontamente:" eu troco o pneu pra ele", O nome do rapaz era Rafael. Não é mesmo o nome de um anjo?! E lá fomos nós. Pensar que há pessoas como o anjo, que me apareceu num momento difícil, me faz acreditar nas palavras do padre: "há anjos, sim, e eles andam por aí" nós é que não percebemos. ..Logo, logo ele localizou o carro parado e meu filho. O anjo Rafael não só trocou o pneu furado como veio acompanhando-o, por precaução. Atravessamos a ponte e chegamos sãos e salvos de qualquer perigo.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

A mulher que vendia livros.

Não faz muito tempo, li um livro muito bom: "A menina que roubava livros" que se transformou num filme também. Gostei imensamente, quando li aquele livro. Hoje, me inspirei no título que o autor escolheu para sua história e dei um título semelhante. Só o título, porque a história é bem diferente, claro. Sou uma pretensa escritora que vem se arvorando nesse ofício - escrever. Gente do céu, como gosto disso! Como me dá enorme prazer, ver as letrinhas se juntando, formando palavras, frases e a escolha de sinônimos e verbos atraentes, que venham iluminar qualquer texto. Parece vício até. Quando resolvi encarar o desafio de "fabricar" um livro, confesso que não esperava obter grande retorno; achei que alguns amigos iriam me prestigiar. O que aconteceu. Só que tomou vulto bem maior do que o esperado. Consegui vender muitos livros. É claro que sobraram alguns. Pra dizer a verdade só encomendei cem volumes; era o que podia dispor sem me desgastar financeiramente. Cada vez que vendo um exemplar, fico meio tímida. Acho esquisito lidar com essa transação - cobrar de amigos o que eu, de fato, gostaria de doar, como presente. Ao mesmo tempo em que observo o"barco afundando", quando a economia do nosso Brasil vai se esgarçando, como pano velho,  consegui reaver quase o total do que gastei para realizar esse sonho bom: meu primeiro livro, tão bem aceito, tão bem recebido e muitas vezes elogiado. Daqui a um tempo, espero prosseguir nessa tarefa de fabricar outros. Quero muito aproveitar o tempo que me resta, escrevendo. E quem sabe, ser apontada como aquela corajosa mulher que se jogou, confiante, independente da idade, e colocou algumas ideias, ou mesmo histórias nas prateleiras das livrarias...! 

Amigas, distância, saudades.

Ontem, quando recebi a mensagem no celular, não reconheci o número, até porque a dificuldade de enxergar os dígitos tão minúsculos é um fato. Depois, fui informada por minha filha que atendera a ligação; uma amiga que não vejo há tempos, dizia da saudade e pedia que eu ligasse. Só hoje, posso atender ao chamado, ainda não o fiz, para bem da verdade.Não há pressa. Havia ainda um outro convite para almoçar na casa de outra amiga e conterrânea. Ontem, tive um dia cheio de horários. Nem abri o computador. Perdi a oportunidade de estar com as ditas amigas de longa data e que se encontravam ali, naquele almoço que perdi. Uma pena. Além dos afazeres de sempre ( chatos, como arrumar a casa e cozinhar) precisei ir ao mercado, pegar meu neto na escola e ainda fui visitar a neta de minha irmã que resolveu "dar as caras," neste mundo conturbado e cheio de incertezas. Corri para comprar uma lembrancinha e escolhi um bonito vestidinho de malha rosa e branco, além da calcinha onde se podia ler; " a primeira calcinha nunca se esquece". Suponho que só  usará quando abdicar das fraldas... Entretanto, percebemos que a distância, os diferentes rumos que tomamos, são empecilho para maior convivência com pessoas que já foram tão próximas, tão amigas, tão íntimas. Antes, os assuntos eram tão outros. Hoje, nos preocupamos com o futuro do país ( que parece tão sombrio) e até nos arriscamos  em analisar a economia que anda com pernas bambas e ameaçada por tanta corrupção. Sinto saudades, sim, não só das amigas mas das conversas descontraídas, à beira da calçada e na mureta do meu edifício. Os risinhos, as brincadeiras, a descontração eram a tônica dos papos de adolescentes. Normal.Os namoros e paixonites da época ocupavam todos os nossos assuntos daqueles  encontros memoráveis. Hoje, a amiga que me deixou recado, deve estar se ocupando de corridas aos bancos, papelada, dívidas, essas coisas que nos tornam inevitavelmente, maduros, adultos, enfim. Como será diferente o possível encontro com as mesmas pessoas do tempo que se foi, que não volta e que nos traz tantas saudades...!

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Recompensada.

Fiquei surpresa diante do resultado  do meu livro. Sempre temos a expectativa de algo bom, claro, quando nos arriscamos  fazendo alguma coisa fora dos padrões a que estamos acostumados. Não tinha ideia de que teria um retorno tão prazeroso, surpreendente mesmo. Não falo do aspecto financeiro, pois gastei alguns "tostões" para editar o meu primeiro livro. Falo, primeiro, sim. Pretendo ser ousada o suficiente para fabricar mais um e quem sabe,mais outros?! O que me deu maior satisfação  entretanto,foram os comentários de quem  o leu.Não imaginei que teria um retorno tão favorável ( agora falo de dinheiro,sim) porque vendi muitos  exemplares e ainda há quem queira alguns.É lógico, receber por um trabalho feito é muito bom, sim. Não há como negar. Mas a alegria me invade mesmo é quando ouço elogios e mais que isso, comentários de trechos em que pessoas se identificaram e se mostraram, de fato, entusiasmadas com minha forma de escrever. Ontem, um dos primos queridos recebeu o livro e me telefonou, encantado, chegando a me comparar com um grande autor. Fiquei pra lá de feliz, até porque sei que ele é alguém que costuma ler muito e é familiarizado com bons autores. Tenho muitos textos, crônicas ( é o que tenho feito mais) que dariam mais dois livros. Até comecei um romance, que acho difícil  terminar. Pretendo investir mais no que faço agora: escrever. Olho para trás e vejo quanto tempo perdido. Poderia ter aprendido muito mais. Mas as coisas acontecem na medida em que somos capazes de, inconformados por alguma situação,  encorajados a nos reinventar. É meio assim que me sinto. Preciso continuar nesta seara que tem me trazido tanto gosto, que tem me levado a reagir, diante das peripécias da vida. Disse sobre um romance começado e que não é tão simples, como escrever as crônicas  de que gosto tanto. Estas, acontecem, simplesmente, sem muito esforço. Mas vejo, como verdadeiro desafio, o desenrolar da estória que comecei. Os personagens que criei precisam ter vida, personalidade e se apresentarem interessantes para que possam prender o leitor. Não vou desistir tão fácil assim. Ousadia não me faltou, disseram  alguns que compraram meu livro. Desnudei-me, de certa forma, escancarei muitas verdades que estavam guardadas bem fundo. Quero me dedicar a essa nova tarefa. Quero acreditar que serei capaz. Quero, da próxima vez, convidá-los para o lançamento de mais uma obra: que venha o meu romance; terei criatividade para tanto? Não sei. Mas vou arriscar novamente.

domingo, 30 de agosto de 2015

Um livro, uma árvore.. pessoas.

Já fiz muita coisa nesta vida. Já,sim. Entretanto, por mais que se faça, que se construa, sempre parece estar faltando algo;  não"plantei bananeiras" porque é difícil ficar de ponta cabeça. Já furei muito chão e enterrei sementes, isto, sim, fiz muito. Gosto de plantas, de árvores ( só não gosto de escalar nenhuma delas já que sou  medrosa por excelência). Confesso que uma vez, ainda numa idade há anos luz, ali pelos  dez ou onze, subi numa mangueira ( o tronco era baixo) e fiquei presa, não sabia se descia de frente ou colocava os pés, de costas para o chão. Levei algum tempo pra descer. Como me arrependi de ter subido! Fiquei pensando sobre o lançamento do meu primeiro livro e me dei por satisfeita. Foi um belo gol, devo admitir. Não faz muito tempo, não me via capaz de escrever nada. Comecei timidamente, depois de um mini-curso, no Rio, quando li no Jornal do Brasil, que seriam oito aulas, todas as terças-feiras; "Meu primeiro livro". Criei coragem, liguei pra lá. Uma senhora delicada me atendeu e me informou ainda ( depois que  indaguei sobre um possível aluno de Niterói - alguém que me fizesse companhia na volta) que, sim, havia um senhor que também pretendia fazer o tal curso. Fui. Ia de frescão ali pelas cinco, que chegaria ao meu destino, ao lado do Teatro Municipal, na rua do Amarelinho.Começava às seis da tarde e terminava ali pelas nove, se não me engano. Foi a melhor coisa que fiz. O professor, homem inteligente, capaz, jovem ainda pra tanta sabedoria, me incentivou de tal forma que criei asas e voei. Ganhei meu diploma, que guardo com o maior orgulho. O que mais fiz, desde então, foi escrever. Amo. É como faço agora. Do nada, vou tirando idéias. Bate aquela vontade, sento de frente para o computador e só paro de digitar quando completo algum texto, por mais insignificante que possa parecer. Falei das árvores, do livro e faltam as pessoas. Dizem que alguém para ter sua tarefa cumprida nesta Terra deve ter feito as três coisas. Discordo. Há pessoas fantásticas que nunca tiveram um filho e nem escreveram nada. Enfim, quero dizer que completei o meu ciclo de "atividades importantes" porque tive três filhos. São a alegria maior que pude ter e, ao mesmo tempo, a preocupação para o resto dos suspiros...E como uma árvore frondosa, onde os ramos se espalham, ainda esses mesmos filhos nos presenteiam com netos. Só tenho um, por enquanto. É o pequeno galho que dará continuidade ao nosso nome. É um novo amor que surgiu e que me envolveu completamente. Que Deus me dê coragem para escrever outro livro; subir em árvores, nem pensar...plantar mais algumas, até gostaria. As pessoas que amamos, estas, sim, queremos que sejam felizes, que se reproduzam e que deem bons frutos.Quem sabe um deles virá a ser um grande escritor?!

domingo, 16 de agosto de 2015

O tempo e suas mazelas.

Depois de tudo, vem o tempo. Quando ele nos acompanha de perto, em épocas, já agora tão longínquas, só prestamos atenção a ele se esperamos uma ocasião festiva; dizem que "o melhor da festa é esperar por ela", concordo plenamente. Há muitas maneiras de se observar o tempo. Há ainda outras fases, nem tão boas, por exemplo, se estudamos para uma prova, concurso ou coisa que o valha e ansiosos, aguardamos um  bom resultado. Há inúmeras formas de se observar o tempo, repito. Hoje, o tempo de alguém aqui na Terra se deu por encerrado. Falo de uma pessoa que fez diferença, foi útil, foi importante, implantou um projeto que levou seu apelido " Gugu" e que marcou positivamente o "entardecer"   de muitas pessoas. Faço parte desse grupo que já alcançou uma idade, onde a contagem regressiva acontece de forma inevitável, nada agradável. Vemos, principalmente nos tempos atuais, pessoas muito jovens morrendo porque escolheram um caminho errado, aquele que encurta a vida de tantos jovens que imaginaram que o crime compensa. Não. Sabemos que não. Dá pena  ver esses meninos, influenciados, tão precocemente inseridos na arte do mal, enganados e envolvidos por pessoas inescrupulosas e bandidas. Difícil entender o porquê de tantas tragédias. "É a vida!" Ouvimos...  Estamos convivendo com pessoas que comandam os destinos do nosso país de forma repugnante. Pra dizer o mínimo. O desencanto toma conta da maioria dos homens dignos, que trabalham, pagam impostos, educam os filhos para serem também dignos, pessoas do bem. Hoje, é tempo de manifestações, nas praças, nas calçadas, nas avenidas, em todos os lugares, nas principais capitais e cidades. É tempo de combater a corrupção que recrudesceu de forma assustadora. Houve um tempo de manifestações, quando se acreditou que o país seguiria seu rumo, com a expulsão de  um presidente, o povo nas ruas, solicitando medidas mais justas, aconteceu  um tempo atrás, sim.  De que adiantou? Nunca se roubou tanto e a impunidade virou moda. Não sei se verei alguma coisa mudar. Como disse antes, o tempo não espera por ninguém, é a lei natural da vida. Uns vão, outros ficam. Uns mais velhos, outros ainda tão jovens. Uns em que o corpo se gastou, naturalmente, pela idade avançada, outros pela infeliz escolha, de um caminho que os ceifou precocemente a vida. Então. As pessoas seguem o chamado destino; mas o tempo, esse senhor  indiferente, não quer saber.  Doa a quem doer, ele passa,  segue em sua trajetória desconcertante, não sei se ele é bom ou mau. Só sei que  é real.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Baile na pracinha.

     " Se  arrependimento matasse"...Sempre pensamos assim, quando deixamos de fazer alguma coisa ou o oposto, se optamos por uma coisa desastrosa e nos damos mal. Ontem, fui à casa de uma amiga para que ela me fizesse um favor: já que ia para a nossa cidade, curtir a festa do ano, pedi que levasse um livro para minha irmã. Ela me contou, toda animada que haveria um baile na praça ( coisa que faz tempo não acontecia) com direito a DJ e tudo o mais, aliás, seriam dois dias de "arrasta-pé", debaixo do "Pau-ferro" uma árvore que é testemunha de mil histórias, na mesma praça. Ando numa fase de desânimo pra qualquer empreendimento que tenha que viajar. A idade me trouxe muita insegurança e maluquice, digamos assim. Acho que vou ter dor de barriga, se estiver no ônibus ou coisa parecida. Caduquice mesmo, sei bem. Analiso, penso e me dá muita raiva porque estou assim. Frustração é a palavra certa. Estaria com meus irmãos  e primos a quem amo de paixão. Principalmente, seria um encontro festivo, já que falamos muitas bobagens, entre uma piada e outra e viramos crianças, atropelando um ao outro pra contar uma "fofoca" ou escutar um caso engraçado. Festa de Agosto. Faz tempo que, só de pensar nessa data, me dava uma alegria sem medida. Já falei algumas vezes sobre isso. Não devo ficar repetitiva, senão vão pensar no "alemão famoso" que deixa os idosos um tanto esquecidos ou meio esquisitinhos... Deus me livre! Mas volto a pensar que estarei perdendo uma festa recheada de  encontros, papos com amigos que vejo tão pouco, devido à distância e ...gente, esses bailes na praça! Quando era jovem e havia os inesquecíveis bailes no Aero Clube, a timidez era a tônica em minha vida. Fui tachada de metida, ou antipática, posso adivinhar, pois era uma característica que poderia  ser confundida. Hoje, com a idade, aprendemos a dominar e enfrentar melhor essas dificuldades. Hoje, com certeza, não teria vergonha de dançar na praça ( ainda que me considere uma péssima dançarina) porque o tempo passou e me ensinou que somos o que somos e não é feio se danço meio sem jeito. As coisas acontecem independentes de nossa vontade. Isso é velho. Todos sabemos. Mas hoje, volto a dizer, como me arrependo de não ter ido à Festa de Agosto...

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

À procura da mãe.

"Eia pois, advogada nossa e esses olhos misericordiosos a nós volvei e, depois deste desterro mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre,..." Linda essa oração. Chegou-me à mente, não sei bem porque. Dia dos pais aconteceu, faz pouco. Quem perdeu o seu, como o eu e tantos mais, fica mexido e comovido, com a saudade apertada, com maior intensidade. Mas, hoje, pensei na mãe. Naquela que também, há anos, me deixou órfã. É que a vida vai nos cobrando cada vez mais. É violência de todos os lados, o tempo todo: ontem  mesmo, aconteceram mortes em plena rua, onde  há  comércio e pessoas transitando obrigatoriamente e nem esperam um acontecimento desses. No miolinho da cidade, onde se imagina estar a salvo de tal barbaridade. Oração faz bem, comprovado cientificamente. Contar com a proteção da Virgem Maria é uma opção que traz consolo. Contar que, apelando para a mãe de Deus, seremos atendidos, dá segurança. Afinal, Jesus não vai deixar de acatar um pedido de Sua Mãe. Aí, me apego à Mãe, que é de todos nós. Somos irmãos, não somos? E, apesar das atrocidades cometidas pelos "bandidos", compreendo bem quando escuto alguém dizer que sente pena deles também, e principalmente da mãe de cada um desses marginais. Escolheram o caminho errado, sim. Mas isso não é um castigo para quem os criou,  que os pariu, na esperança de que seriam  homens de bem? Há culpados, sim, há os responsáveis por um país melhor, onde se possa educar uma criança, onde se encontre um leito de hospital, decentemente equipado, há segurança falha e omissa,  de tudo isso já temos consciência. Mesmo assim, dá vontade de apelar para nossa Mãe Santíssima para que nos olhe com misericórdia e peça a Seu Filho que amenize o coração dos homens, que dê paz a esse mundo tão belo e paradoxalmente, tão maltratado!

domingo, 2 de agosto de 2015

Sumindo...sumindo...sumiu.

Agora, estou doente de verdade. Gripe. Malvada gripe que me entope o nariz, dá dor de garganta e não satisfeita, provoca esse desânimo. Tira o apetite também. E ainda tem o incômodo de intestino meio destrambelhado. Mas vai passar...espero. Todos os remédios já tomei, e engoli uma banana, na marra. Vou ver se o pão com aquela margarina que ajuda o coração ( prefiro não dizer o nome)e café conseguem me animar. Lembro-me dos dias de missa, em Bom Jesus, na minha infância e juventude. Acordava, preguiçosa, mas faltar à missa das nove...nem pensar. Costumava só tomar café e nem sei se comia o pãozinho costumeiro. Ia enfrentando o calor e a saia muito mais comprida do que se usava na época porque o padre não permitia minissaia, de jeito nenhum. Mangas compridas também, obrigatório. O sol batia forte e atravessar a praça para alcançar a Igreja se igualava à travessia do  deserto de Saara, só que sem camelo nenhum. Mas era assim. Engraçado como se resiste melhor a essas dificuldades quando se é mais jovem. Hoje é domingo e tem missa. É um tantinho longe, entretanto, pode-se usar a roupa que der na telha, decotada, curta, até já vi gente de short. Não compactuo com essas liberdades que chegam com todo o modernismo. É melhor se manter o respeito, afinal é a casa de Deus. A vida vem em etapas. As coisas ocorrem no devido tempo, não é? Me pergunto. Nem sempre, respondo. Há pessoas que não dão bola pro tempo e o enfrentam com galhardia, com um certo deboche mesmo. Sinto inveja. Sou sincera quando falo dessa inveja porque é um modo de sentir vontade de reagir, de assumir que não é uma completa tragédia se estar além do prazo que foi estipulado para se ter uma vida boa. Tudo é relativo diriam uns. Tenho uma irmã que é exemplo de tenacidade, coragem. Lida com os problemas da idade como se fossem seus lacaios. Nem dá confiança. Ela está certa. Será porque saímos tão diferentes se a barriga que nos gerou é a mesma e os genitores também? Não sei. Outro dia, uma mulher jovem, bonita e inteligente ( olha  a sorte dessa donzela!) disse, num programa de TV, uma coisa que me calou fundo, apesar da pouca vivência dela, não com essas exatas palavras mas parecido: "as pessoas perdem a perspectiva de fazerem planos e realizar sonhos, quando a velhice já as alcançou." É verdade. Ou talvez, seja diferente. Tudo o  que seria a longo prazo, para o futuro, se torna urgente. E aí vem um tipo de ansiedade misturada com frustração. Ou os sonhos e desejos são irrealizáveis ou se cometeu erros demais e agora o tempo ficou muito curto. Sinto-me assim. Dizem que uma pessoa completamente realizada  é a que plantou uma árvore, gerou um filho e escreveu um livro; até isso já fiz, acreditam? Vou lançar o meu livro daqui a uns dias. Esses ditos populares!... Eu posso dizer que já fiz as três coisas.  Lembro-me de ter jogado muita semente na terra também. Filhos, são três. Como podem ver, não economizei na receita. Então. Não explicaram o que é mais importante: como fazer para driblar o tempo e mostrar a ele que ainda há um tantinho a ser cumprido. Como diria o compositor famoso: "Quero paz no meu coração, se tiver um amigo, que me dê a mão...!"

terça-feira, 28 de julho de 2015

A escrita, os pensamentos e a dificuldade diante das incongruências.

Escrever não é fácil. Quando dá o  branco,  fica muito difícil.E ainda dizem que é a junção de cores. Deve ser, sim. A experiência pode ser feita, colocando-se todas as cores num disco e rodando-o    rapidamente. Fica tudo branco mesmo.  Mas se esse branco acontece com os neurônios, sei não... Ciência é uma coisa importante que traz progresso, principalmente se nos referimos à medicina salvadora. Outro dia, tive a imensa alegria de ver um ente muito querido sendo salvo pelas muitas experiências e investigações  que chegaram a um tipo de antídoto contra uma doença tida como incurável. Ele se livrou dela. Isso não tem preço. Ao mesmo tempo, vai nos deixando descrentes, duvidando das afirmações que só   quem tem muita fé pode sustentar. Andam dizendo por aí, na mídia, que se descobriu um planeta, fora do nosso sistema solar, que é bem possível que seja habitado. Olhando para o infinito, podemos supor que há outros seres, com certeza, mais inteligentes ou menos que nós. O que nos deixa tristes ( pelo menos eu me sinto assim) é que não veremos, tão cedo, a confirmação disso. Anos luz nos separam dessas prováveis galáxias. E isso é tempo demais, gente. Somos criaturas com tempo muito curto de vida. As descobertas através de pesquisas e de muita grana( que deveria ser gasta, sim, com esse fim) deveriam ser a meta das grandes potências, aquelas onde sobra dinheiro e são comandantes do nosso mundinho( tão nanico diante da grandeza do Universo). Ao invés disso, são feitas bombas atômicas e muita arma para que se destruam entre si. O poder sendo exercido de forma irracional. Quanta coisa melhor e mais útil poderia estar sendo preservada ou estudada pra que tivéssemos uma vida mais produtiva. Conseguimos viver mais, se comparamos o tempo dos nossos avós. E daí? Vale a pena? A evolução se deu no campo da tecnologia, sim. Mas e na parte emocional, aquela que nos faz mais humanos, mais solidários, mais felizes, enfim... Nada, mesmo. Ao contrário, vemos evoluir e se alargar assustadoramente, a violência. A tônica é se levar vantagem em tudo e possuir bens, além do que seria permitido; que bom se todos tivessem a decência de se contentar com menos para que se repartisse igualitariamente, entre todos. Ontem, vi pela TV o anúncio de mais um enorme desperdício com obra que se diluiu no ar, países desfazendo planos conjuntos, depois de terem gasto verdadeiras fortunas, material se perdendo no tempo e os políticos e responsáveis por tais acontecimentos, apenas dizendo palavras que não explicam nada,  nada além de "conversa " pra boi dormir". E fica do mesmo tamanho. Há investigações, processos sendo formados contra os contraventores, aqueles que roubam o nosso dinheiro mas o tempo gasto é imenso. Não verei nada chegar a bom termo, penso eu. Há um bandido entre tantos, um que foi dos principais responsáveis por esse grande retrocesso de nossa terra- esse Brasil que poderia estar entre os grandes, por suas belezas, suas terras "em que se plantando tudo dá", suas imensas riquezas naturais- esse, a quem me refiro, saiu na capa de uma revista famosa e séria, que seria o próximo. Mas quando? A distância entre as acusações e as decisões de se castigar esses malfeitores me parece tão grande quanto a daquele planeta, nosso provável "primo interplanetário", há anos luz...Haja paciência!

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Num certo apartamento.

Ontem, vi o pedido da minha irmã pelo Facebook: que eu "retratasse" um encontro nosso, através de uma crônica, quando nos juntamos no apto. dela. Morei ali, durante a melhor fase da vida - adolescência, mocidade, me casei naquela mesma sala ( no civil) e passei por tantas coisas que não daria para enumerar. Aí, como é sempre um desafio, fiquei matutando; como faria para contar uma cena de "hospício"( no bom sentido), que é o que ocorre quando a família se junta, de tempos em tempos, às vezes, só acontece uma vez por ano, e difícil todos se juntarem. Sempre falta um membro, uma irmã, porque mora muito longe, noutra América, ou o irmão, porque tem a melhor Cantina de Grussaí e vive ocupado com suas massas e graças. Nunca vi alguém tão bem humorado! Quando ele e meu cunhado querido, o Pitota ( chamar o Pitota de querido devia ser pleonasmo! Quem não gosta dele?) se juntam, é alegria garantida. As piadas que os dois contam, de um modo que só eles sabem contar, vale a pena. Eles sabem que eu morro de rir, ao contrário da segunda irmã que analisa a piada e fica com pena dos personagens. Isso, quando ela entende! Mas deixa estar... A sobrinha linda e querida é sempre a primeira a chegar para o café da manhã, que não é nada mais nada menos que um falatório sem fim, todas falando alto e na mesma hora, afinal, gente, é muito assunto para por em dia! E as roupas, as modas? Pura futilidade, bem sei, mas mulher sem falar de bolsas, sapatos, vestidos novos, não é uma verdadeira mulher, hão de convir! Esse verbo haver é fogo! Mas acho, empreguei certo! O que importa é que a fofoca corre solta, e o encontro é algo inexplicável, indescritível, mesmo, só sei que é a melhor hora. Parente, apesar dos pesares, ainda é a melhor coisa que temos, além dos amigos, claro!

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Tocando a viola.

Desde pequena, meu sonho era tocar algum instrumento. O fascínio em ver alguém tocando era precoce. Comecei pelo acordeom. Tanto insisti que minha mãe arranjou uma professora. Não consegui. Ontem, estava " inspirada" e tocava uma linda música no violão: Epitáfio. Consegui tirar uns acordes maneiros. Não sei tocar nenhum deles, tanto acordeom quanto piano  ou violão; então, quando falo que tocava uma música, entendam que eu perseguia a tal canção, me valendo das cifras e de um professor que me acatou, com tanta paciência, que chego a acreditar que tenho futuro. Contudo, passo horas batendo nas cordas com uma insistência que dá gosto. Os vizinhos que não me ouçam. Lá atrás, falta de persistência foi a causadora. Nunca me empenhei de verdade, apesar de amar música. Mas devo dizer que, a de ontem, estava uma beleza! Eu cantava, soltava a voz já que  o sol,( pelo menos era com a letra G) que tirei a dita canção, era bom para minha falta de talento com a voz. Gostaria de ser uma cantora, ainda que só fosse no banheiro, na sala, ou em qualquer lugar. Não tive o privilégio de ser uma soprano ou coisa que o valha. Só sei que acertei uns dedilhados e me senti bem, tocando o meu violão. Fico imaginando o porquê real de não ter aprendido música. São várias as coisas que me remetem a uma "desculpa amarela". O fato é que sou meio preguiçosa para estudar com persistência. Na escola, nunca perdi um ano letivo e nem fiquei de "segunda época", mesmo que tivesse que decorar vinte teoremas, aqueles que o professor de matemática nos ensinava e um deles, teria que ser repetido na prova.  Odeio matemática. Sempre preferi estudar Português, ou qualquer outra matéria. Música, eu amo de paixão. Então, não entendo essa dificuldade em aprender. Mas a vida nos faz participar de algumas audições. Não de piano ou de outro qualquer instrumento. Às vezes, somos chamados para uns acordes dos quais não queremos participar. É o que acontece, depois de um tempo em que olhamos para trás e revisamos a perda  desse dom que temos. Alguns talentos ficaram adormecidos. Gosto de pintar, por exemplo. Aprendi algumas lições mas não passou disso. Cheguei então a perceber que o violão é a única forma de me expressar, ainda que precariamente, no trato com a música. E, enquanto a vida passa, vou tocando a minha viola.

domingo, 28 de junho de 2015

COTIDIANO.

Acordou, levantou-se. Precisava se aliviar dos líquidos e também  de alguns sólidos, naquela manhã. Abriu, primeiro, a cortina fina, e avistou o sol batendo nas varandas dos apartamentos em frente ao seu. Melhor, dia frio, sim, mas com sol; pelo menos isso. A persiana e o vidro também foram abertos para arejar. Limpar o ambiente e dar um susto nos possíveis vírus que se acomodam, sem a menor cerimônia e atacam, quando menos se espera, essa era a ideia.  Acordava com o mau humor de sempre. Um paradoxo: pessoa bem-humorada, normalmente, mas que acordava irritada? Costumava se interrogar. Foi até a cozinha, tomou os dois comprimidos, um para a pressão e o outro pra inquietação, digamos assim. Remédios eram para  velhos e doentes; uma afirmativa que imaginava há tempos. "A vida é curta, passa depressa". Todos repetem isso com frequência. Mas não é verdade. A vida tem o mesmo tempo de sempre. Apenas aproveitamos mal. Adiamos decisões e não valorizamos as muitas horas de paz, de saúde, por exemplo, matutava. Esquentou o pão no pequeno forno elétrico, colocou água pra fazer café. Não dispensou a banana prata, que virou rotina em sua mesa. Como os macacos, não dispensa aquela fruta. Morou tanto tempo numa fazenda que, alguns costumes arraigados, são definitivos. Pensou em escrever mais um ou dois capítulos do livro começado. O celular tocou. Seu médico respondia aos chamados sem respostas, de ontem e combinava uma consulta para daí a dois dias. Tudo bem. Sentiu-se aliviada, de certa forma; sem receita, fazia uma semana que, arbitrariamente, se permitira não tomar o antidepressivo. Não notou grande diferença. Excetuando, hoje, quando percebia aquele aperto no peito, nada muito forte, mas que incomodava. Toda droga vicia. Afinal, o nome drogaria não é à toa. Usava uma saia longa e meia nos pés. Pensou que não seria a melhor hora para seguir na história do seu romance. Conseguiria terminar a qualquer custo. Mas adiou a iniciativa. Pensou nos grandes escritores e seus inúmeros livros. Invejou-os. Sentiu-se medíocre. Agora, entrava uma aragem tímida pela janela, balançando a cortina leve e  gasta. Na véspera, realizara tarefas inadiáveis, como trocar a lâmpada do seu quarto, queimada. Resolveu por aquela mais econômica e que dura mais. Com certeza, duraria mais que ela. Dez anos, vinte, quantos mais ainda teria?  Jovens também perdem a vida, como aquele cantor famoso num acidente de carro. É fato. Mas a lei natural é que, depois de certa idade, meu tempo diminua e muito, enveredava ela por este sombrio pensar.  Lembrou-se da escritora de Goiás, que dizia coisas lindas e que, só após os sessenta, ficou mais conhecida. Era otimista, não pensava na morte, dizia ela. Pensamentos positivos, sempre. Acrescentava.
Acabou decidindo pintar os cabelos  sujos (sempre adiava lavá-los, na hora do banho, por causa do frio) e brancos. É isso, animou-se, apesar de sentir a garganta arranhada. Faltavam algumas compras a fazer: a banana, por exemplo, fora a última da cesta. Essa, imprescindível, cheia de potássio. Pensou numa de suas crônicas, onde relembrava  sua infância;  macacos que pulavam dos galhos das árvores para o parapeito da varanda, pegando bananas ou ovos que lhes eram oferecidos. Lembrou-se ainda de suas descobertas, das alegrias infantis, ao debulhar paina, ao formar leiras de café, no grande terreiro da fazenda. Tão distante da morte, que nem pensava nela, essa figura traiçoeira que chega para todos, sem avisar. Este, um assunto que não ocupava seus pensamentos. Tinha medo, sim, de muitas coisas; de cachorros, por exemplo, de andar a cavalo; todos costumavam galopar, seus irmãos, primos. Ela, entretanto, odiava subir naquela sela, raramente, se equilibrava. A sensação era de que o animal comandava tudo. As rédeas, um acessório inútil. Altura e velocidade, grandes inimigos. Não era dada a aventuras. Viajava, sim, lendo livros de histórias, ouvindo novelas pelo rádio. Levantou-se, já agora, decidida a por em prática as tarefas do dia. Precisava disso. A menina sonhadora, fazia tempos, não se encontrava mais naquele corpo. Mas a vida, sim. Ela devia aproveitar aquele dia bonito e torná-lo  agradável. Por que, não ? Uma caminhada no calçadão da praia. Quem sabe? "Navegar é preciso"; pensou no português culto e seu antecessor, não foi isso o que ele disse? Não se aventuraria no mar, nenhum catamarã, nada disso. Apenas, daria um mergulho na sua realidade. Fernando Pessoa inspirou-se nesta frase, que foi também a causadora de um lindo poema seu: "Navegar é preciso; viver não é preciso". E mais: Quero para mim o espírito desta frase, assim como ele: Viver não é necessário; necessário é criar... O fato é que tem mais de dois mil anos esta frase. E seguiu, lendo mais um trecho do poema: "Não conto gozar a vida; nem gozá-la penso. Só quero torná-la  grande.Ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e ( a minha alma) a lenha desse fogo".

sábado, 27 de junho de 2015

Uma senhora que não foi convidada.

Apesar do grande avanço na Medicina, ainda não descobriram como tirar a gripe de cena. Há vacinas, bem sei. Não tomei, devo confessar, já que quase não tenho essa péssima companhia - a tal da dona gripe. Ultimamente, entretanto, devo dizer que esse danado desse vírus, insiste em me premiar. Sempre acontece quando o tempo frio se aloja. Não é à toa que reclamo do inverno. Faz três dias, ou mais, que a garganta anda arranhada  e dói. Hoje, acordei pior. O meu celular me acorda, durante a semana, avisando da hora em que devo pular da cama para a ginástica. Hoje, é sábado. Mesmo assim, ele tocou.Não devia. Já acordada, com o incômodo de estar engolindo com dificuldade, apertei a tecla,  parando o sinal do celular. E ainda pensei: que burro esse aparelhinho! Hoje, não é dia! Não era ele que me chamava e, sim, meu netinho, cobrando minha presença. Este fim de semana  não estava marcado para pegá-lo. Do outro lado, ouvi a voz infantil e querida, me pedindo para ir buscá-lo. Eu expliquei que só não iria porque estava meio "dodói", com gripe e garganta ruim e que  não queria  contaminá-lo. Ouvi-o chorando, depois que  passou o fone para a outra avó que, como eu, o ama de verdade e cuida dele tão bem ou melhor que eu. Meu coração se partiu em dois. E mais uma vez, senti saudade do tempo quente, do calor excessivo, até dos gastos enormes com ar condicionado, mas de uma estação do ano que me deixa mais saudável: o verão. Não convidei essa velha e indesejável senhora para minha casa - a gripe. Quem disse a ela que é bem vinda? Quem disse que ela pode me privar de um momento com o meu neto? Quem disse? No próximo inverno, vou colocar uma placa na minha porta; espero que ela leia, bem assim: " Não incomode, não bata na porta, estou ocupada, brincando com o meu neto"! Ou será melhor ir a um posto de saúde e tomar a vacina? Sei não...!

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Frio ou calor?

Já disse, em outras ocasiões, que não gosto de frio. Sei lá. É uma mistura de preguiça com tristeza. Prefiro o calor, diferente da maioria. Sempre que encontro pessoas ou no elevador ou em qualquer outro lugar, reclamam : " Ai, que calor insuportável!!" E eu, contra todas as opiniões, retruco que prefiro esse tempo. É mais alegre, sim. Desconfortável, é verdade. Tudo  o que se faz no verão é mais fácil. Gera uma preguiça danada, não devo negar.Os baianos, toda a turma do nordeste e norte tem razão: não é fácil ter ânimo com tanto sol. Mas tomar banho com água fria, lavar roupas ou a louça não dá tanta gastura como nesse tempo "invernoso". As mãos não se aquecem. Os pés, ai de mim, se me deito sem calçar meias. E a hora de levantar então, envolvida no macio dos edredons, é dureza, gente. Compras a fazer, adiadas. Lavar os cabelos, deixo pra amanhã, afinal, durmo sozinha...quem vai notar!? Outro dia, não me julguem uma Peppa Pig mas adiei o banho. O sono gostoso no sofá, nem me deixou ver o fim da novela. Tudo bem. Mas, tomar banho, meio grogue de sono, nem pensar! No dia seguinte, tomei uma boa chuveirada, lavei os cabelos e me senti  melhor, limpinha da silva, claro! Depois, vem a primavera. Esta, sim! Linda, cheia de flores e o calor se chegando," devagar, é devagar, devagarinho", como canta o Martinho da Vila. Junto às flores, vem uma época de amor. Uma dose de alegria, o sol brilhando no espaço, antes encoberto por nuvens. Quando chove, então,(ainda pensando no frio) é uma lástima! Tudo mais triste, desolador! Escrevo esse texto com os pés pra cima, na poltrona (usando meias, claro) e pensando que vai chegando a hora do banho, afinal, hoje, é outro dia. Coragem, mulher!

Transgredir



Transgredir.


Segundo uma grande escritora, poetisa, cronista, Lya Luft, pensar é transgredir. O título de um dos muitos livros dela é esse. Há mais  definições no dicionário. Mas hoje, amanheci com a musiquinha do meu celular, avisando da hora de levantar para a ginástica. Meu corpo todo se recusava a obedecer. Transgredir é também dar asas à preguiça e deixar de dar limites a ela, como fazia com os filhos, diante de uma teimosia, ou qualquer outra situação que precisasse  corrigi-los. Mostrar a eles que a vida tem momentos de dificuldades e que nem tudo que queremos  é o que podemos, apesar da afirmação pontual : “Querer é poder”. Sei  não.                                                                                                                                                                                                                                 
                                                                                                                                                                                                 Me dei (o pronome não devia vir antes do verbo mas estou me lixando para o Português; hoje, estou com este espírito de porco) o direito de ficar na cama, todos os ossos de férias, como se não pudessem obedecer ao chamado do cérebro. É preciso ter coragem. É preciso não se entregar. É preciso se exercitar. É preciso mexer o corpo para que continuemos vivos. Mas dei asas à transgressão. Não tão grave assim. Apenas me deixei ficar. Só não fiquei confortável com a decisão e olhava para o relógio, vez em quando, imaginando cada uma das amigas e amigos, suando a camisa, literalmente, fazendo as acrobacias, subindo as pernas (essas que parecem pesar toneladas quando precisam subir e descer). Sim, hoje transgredi as leis, fui infratora contra meu próprio corpo. Ando meio esquisita. O fato de lançar um livro mexeu um pouco com os meus neurônios. Medo de gastar dinheiro, a época não parece propícia, diante de um governo que só nos achaca de todos os modos. Querem que paguemos o pato por suas falcatruas. Não é justo. Aliás, nada é justo. Preciso me cuidar, cuidar um tantinho da minha aparência. Segundo meu netinho estou velhinha. Ele olhava meus cabelos brancos ( um mês sem tinta), as rugas, mãos envelhecidas e  ainda comentou que os dentes estavam amarelos. Em todo o caso, ainda os tenho. Talvez, pelos dois anos de leite materno do qual não abri mão. Cálcio e proteção. Criança tem a franqueza natural que lhes acompanha, antes de serem teleguiados por nós, adultos. O sol brilha forte lá fora. Disso eu gosto e muito. Tem coisas boas acontecendo, sim. Vamos lá, preciso me animar. Comecei um livro ontem, voltei a ler. Isso também é muito bom.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Medo e preconceito.

Cada  vez que ando num ônibus, aproveito para escrever sobre alguém ou mesmo falar de uma situação. Ontem, fui buscar o neto na escola. O ônibus não estava no ponto, mas parado, obedecendo ao sinal de trânsito, fechado. Saia de casa e  o edifício  em que moro fica na  esquina com a rua onde  trafegam os ônibus. Olhei para o motorista e fiz sinal mostrando que pretendia entrar. Ele respondeu com outro sinal, autorizando minha entrada. Que bom, pensei. Passei o cartão de idoso, já agradecendo ao motorista. Sentei-me, percebendo que havia quase ninguém. À medida em que apareciam os pontos com paradas, um número grande de pessoas aumentava e o carro ia se enchendo. A maioria, idosos ou crianças saídas das escolas. Um grupo grande delas entrou, acompanhadas por um rapaz que nomeavam "tio". Uma menina maior alcançou um banco, logo atrás do chofer. O "tio" gritou para que se juntasse às outras crianças: -"Vem  ficar atrás!" Ela resistia. Todos que entravam preferiam um lugar no fim do ônibus. A saída é localizada bem ao meio do veículo, com largas portas, onde há ainda o "elevador" dos cadeirantes. Logo que entrei, na primeira rua com o "ponto" entrou um homem, mulato, carregando um tipo de canudo de papel, e se desequilibrava pois havia alguns pacotes na outra mão. Sentou-se  no banco à frente do meu. E as pessoas continuavam a superlotar o veículo a cada parada. Percebi que ninguém se aventurava a escolher o lugar vago, ao lado do homem com o canudo de papel. Era um dos melhores assentos. Até que entraram duas moças, uma lourinha de cabelo encaracolado, comprido e cheia de bolsas e embrulhos. A primeira, antes dela, preferiu ficar de pé, ao meu lado, ainda que o lugar estivesse vago, ao lado do moço mulato. A lourinha olhou, pensou alguma coisa que nunca vou saber, mas suponho o que seria. Finalmente, sentou-se. Pegou o cabelo comprido e o enrolou, num coque. Ajeitou as trezentas coisas que carregava. Fiquei pensando que, apesar de muitos e muitos anos passados desde que a Princesa Isabel libertou, definitivamente, os escravos negros, ainda o preconceito é um substantivo difícil de ser substituído por outros, como confiança, respeito e coragem. Este último, o que demonstrou a menina loura, ao se sentar ao lado do negro que, de bandido, não tinha nada. Apenas sua cor denotava alguém em quem não se deve confiar. A violência é um fato em nossa cidade e em muitas outras. Mas é muito triste ver um homem do povo sendo discriminado, apenas por não ser branco. E há tantos deles que são verdadeiros bandidos, independente da cor e do cargo que ocupam. Aliás, há um negro, que mereceu a confiança dos americanos,  charmoso, bonito e que de branco só tem os cabelos, que já se tornam brancos pela responsabilidade do cargo. No Brasil, há um negro que admiro muito, acho que sabem de quem falo. Pena que se aposentou.Esse assunto daria pano pra manga. Mas paro por aqui.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Uma estranha viagem.

De ônibus, muito cansativa. Viajava acompanhada pela filha. Usava uma blusa de mangas compridas que me deixava com calor. Arregacei as mangas. Chegávamos, finalmente. Avistei a casa da antiga lavadeira e imaginei que iria deixá-la contente com uma visita. Anunciei com entusiasmo: - Vim tomar  café com vocês e trouxe pão. Algumas crianças estavam ali, algumas ainda com uniforme escolar. Ela olhou-me apenas. Vi algumas xícaras usadas e peguei uma delas para lavar. Ouvi-a dizer que precisava ir ao médico, no Rio. Estranhei sua forma fria de me receber. Um cachorro grande apareceu na minúscula sala. Não senti medo, apenas uma certa aflição. Já mais tarde, via-me na rua do  antigo apartamento, onde mora minha irmã. Avistei a janela onde todos pareciam me esperar. Parecia mais larga. Uma enorme alegria me invadiu. Acenei eufórica, sentindo as dobras das mangas se desfazendo. e logo subia a escada mais parecida com a da casa onde morei, na Av. Fassbender.
Minha avó me seguia, querendo acompanhar meus passos rápidos, o que a deixava cansada. Minha mãe, a primeira a me receber com um afetuoso abraço. Sentia seu corpo que me apertava, matando as saudades. Todos nos esperavam. Cumprimentava-os com calor. Até que percebi meu pai e seu irmão, sentados num canto, em cadeiras tão baixas que se aproximavam do chão. Olhei meu pai com certa culpa. Deveria ter falado com ele primeiro. E me aproximei. Ele tinha uma aparência frágil, a barba por fazer. Eu me abaixei e o envolvi num abraço longo. Daí a pouco não havia mais ninguém no quarto. Dirigi-me até a janela e olhei para fora. Avistei um grupo de casas sendo construídas ao longo do morro pequeno que circunda a cidade. Minha irmã, a segunda na ordem de nascimento, parecia não me ouvir, mudava as estações de um rádio, ignorando minha presença. Saí dali e me deparei com a irmã mais velha. Sentia, fortemente, um desejo de desabafar. Disse para ela, entre soluços e lágrimas que nunca abraçara meu pai antes. Ela chorava também. Aí, acordei.
O relógio despertou, me avisando que era chegada a hora de me arrumar para a ginástica. Levantei-me preguiçosa, fui até a varanda e percebi uma chuva fina. Não haveria aula, com certeza, já que os exercícios são feitos ao ar livre. Voltei para a cama e me aconcheguei. O edredom, ainda quente do meu corpo. Acordei mais tarde com o sonho impregnado em minha memória. Aproveitei para fixa-lo em minhas anotações, como faço agora, antes que ele se dissipasse. Se começasse dizendo que contaria um sonho, ninguém provavelmente, teria lido o que acabo de escrever. Para mim, essa "viagem" ainda que em sonho me fez reviver. Foi como se, de fato, tivesse me encontrado com aquelas pessoas queridas: meus pais, minha avó e meu tio, não menos querido. Que venham outros encontros como aquele...!