terça-feira, 22 de setembro de 2020

Filho herói.

 Chove forte, a temperatura caiu e venta muito. Lembrei-me de um fato acontecido há anos. Não me perguntem quando, não saberia mas não importa. Com a idade me tornei muito chorona. Já era, mesmo quando jovem, mas agora...gente! Que horror! Choro demais. Estava mastigando  o meu crochê, porque acerto, de vez em quando e faço obras lindas, mas noutras, fica ruim e desmancho, tentando melhorar. Como quando comemos coisas sem graça e ficamos mastigando, daí a comparação meio esdrúxula. Naquele sofá, onde passo grande parte da vida, contava as carreirinhas e pontos e senti frio. Olhei para fora, o tempo feio ( apesar de necessária a água, que veio como maná, enviado por Deus, já que tantas queimadas, e desastres naturais) e me veio o pensamento que me recordou outro "dilúvio" como acontece agora. Eu e uma amiga querida passeávamos pelos Shoppings da rua mais movimentada de Icaraí. A diversão era certa. Duas mulheres vendo lojas. Imaginem! Mas veio a chuva. Encheu ruas e mais ruas. Pena o Noé não estar por aqui. Talvez, bolasse outra Arca. Ficamos presas numa das muitas lojas. Minha amiga chegou a ligar para seu filho, que não estava muito distante de nós, em sua casa. Pediu socorro, que nos buscasse. Ele ,ponderadamente, achou que devíamos esperar, até que o volume de água baixasse. E lá ficamos, vendo o tempo passar e as horas se tornando perigosas, para continuarmos sozinhas, sujeitas a outros perigos da noite. Então, o medo já se instalava. Meu filho morava num bairro afastado, na região Oceânica. Não me lembro como ele ficou sabendo da nossa encrenca. O fato é que, apesar de todos os riscos, avistamos seu carro, com água cobrindo as rodas, avançando em nossa direção. Sinceramente, não sei como ele conseguiu. Quase não se via mais pessoas pelas ruas. Ele, corajosamente, nos colocou a salvo. Então, voltando ao meu sofá, chorei a cântaros. Só a lembrança daquele feito do meu valoroso e solidário rapaz, de quem  me orgulho de dizer que sou mãe, me fez debulhar lágrimas. Seu nome é José Frederico. Que Deus o abençoe em qualquer tempo!