A idade chega. Dá uma certa aversão ao espelho que não tem culpa de nada. As rugas aparecendo, destruidoras da pele e da autoestima. Por que não nos conformamos em aceitar que a velhice se instalou? A lembrança de um rosto bonito, liso e jovem, ao ver retratos, inevitável a comparação. Mas a luta continua, pelo menos, para uma saúde melhor. O arsenal de cremes e receitas "salvadoras" estão à mão. E daí, perseguimos o sol, pela manhã, no horário que fixa a vitamina D. Caminhamos, nos exercitamos da melhor forma. Subir a escadinha de quatro degraus, proibitivo. Vai que numa queda quebramos algum osso precioso! E as limitações crescem. Outro dia, semana passada, resolvi ir ao armarinho, no Centro da cidade, onde há possibilidade de encontrar linhas e tudo para o meu crochê. Não me envergonho de dizer que faço todos os dias, o que considero terapia e não, coisa de velha. É muito bom. Então, voltando, precisava comprar material para meus trabalhos. O calor estava assustador. Em torno de 44 graus, com sensação térmica de 50. Meus filhos aconselhavam a ficar quieta em casa. " Você é idosa, mãe! Não vai!" Mas, teimosa que sou, fui. Peguei carona com o outro filho. Já dentro do carro, senti enorme arrependimento. Pensei voltar. Mas segui. " Você tá muito medrosa e maluca". Dizia pra mim mesma. Consegui chegar à loja e comprei tudo o que precisava. Voltei com uma bolsa cheia ( não muito pesada) e me senti feliz por ter sido corajosa. Mas a cada passo, pensava na aventura arriscada. Cheguei ao estacionamento e encontrei o carro do filho. Cheguei em casa a reboque, confesso... Mas comecei com o título "Vaidade". E falo disso também. Andava por uma calçada, perto de casa. Era para aproveitar o sol e me certificar de que a vitamina D estaria sendo armazenada. Avistei à minha frente, um senhor que caminhava em direção contrária. Devia ser mais velho que eu. Vestia uma camisa de mangas, calça comprida, cabelos brancos, bem brancos. Então achei que ele me admirava. Pensei nas pernas, que ainda estão em forma. Eu vestia bermudas, usava máscara, claro. Ele só podia ver meus olhos , os cabelos e reparar no meu andar. Pensei assim. E fiquei toda prosa, me "achando". Afinal, a máscara servia para alguma coisa, além de proteger contra o vírus, podia disfarçar, meu rosto, as bochechas um tanto caídas. Segui animada. Não aconteceu nada demais. Apenas me senti apreciada. O pobre homem nem deve ter me notado. Nunca saberei. Mas a vaidade me fez imaginar um suposto olhar do sexo oposto. Coisa de velha...devo voltar aos trabalhos de crochê, que, de fato, me dão prazer e são reais!
segunda-feira, 5 de outubro de 2020
terça-feira, 22 de setembro de 2020
Filho herói.
Chove forte, a temperatura caiu e venta muito. Lembrei-me de um fato acontecido há anos. Não me perguntem quando, não saberia mas não importa. Com a idade me tornei muito chorona. Já era, mesmo quando jovem, mas agora...gente! Que horror! Choro demais. Estava mastigando o meu crochê, porque acerto, de vez em quando e faço obras lindas, mas noutras, fica ruim e desmancho, tentando melhorar. Como quando comemos coisas sem graça e ficamos mastigando, daí a comparação meio esdrúxula. Naquele sofá, onde passo grande parte da vida, contava as carreirinhas e pontos e senti frio. Olhei para fora, o tempo feio ( apesar de necessária a água, que veio como maná, enviado por Deus, já que tantas queimadas, e desastres naturais) e me veio o pensamento que me recordou outro "dilúvio" como acontece agora. Eu e uma amiga querida passeávamos pelos Shoppings da rua mais movimentada de Icaraí. A diversão era certa. Duas mulheres vendo lojas. Imaginem! Mas veio a chuva. Encheu ruas e mais ruas. Pena o Noé não estar por aqui. Talvez, bolasse outra Arca. Ficamos presas numa das muitas lojas. Minha amiga chegou a ligar para seu filho, que não estava muito distante de nós, em sua casa. Pediu socorro, que nos buscasse. Ele ,ponderadamente, achou que devíamos esperar, até que o volume de água baixasse. E lá ficamos, vendo o tempo passar e as horas se tornando perigosas, para continuarmos sozinhas, sujeitas a outros perigos da noite. Então, o medo já se instalava. Meu filho morava num bairro afastado, na região Oceânica. Não me lembro como ele ficou sabendo da nossa encrenca. O fato é que, apesar de todos os riscos, avistamos seu carro, com água cobrindo as rodas, avançando em nossa direção. Sinceramente, não sei como ele conseguiu. Quase não se via mais pessoas pelas ruas. Ele, corajosamente, nos colocou a salvo. Então, voltando ao meu sofá, chorei a cântaros. Só a lembrança daquele feito do meu valoroso e solidário rapaz, de quem me orgulho de dizer que sou mãe, me fez debulhar lágrimas. Seu nome é José Frederico. Que Deus o abençoe em qualquer tempo!
sexta-feira, 14 de agosto de 2020
Vestido amarelo
São três dias de festança. Estamos em plena época de alegria. Neste mes, agosto, celebramos a vida. É meio assim. Dizendo melhor, é assim mesmo. Ontem, dia treze, fui presenteada com imagens da banda de música, aquela mesma que nos acordava na madrugada, marcando que a festa já começava. E me veio também à lembrança um vestido amarelo-mostarda que minha mãe costurou para mim, afinal, como todo ano, roupa nova para a jovem à espera de alegrias, coração transbordando de emoção. Desfile escolar, bailes, barraquinhas, missa, tudo era motivo para desejar que a festa durasse mais e mais. O modelo consistia em um decote em V de onde nesgas brotavam, afinadas na cintura e soltas e leves até a bainha. Não esperava para estrear a indumentária. Já pela manhã, me engalanava, me sentindo bonita, corria para a praça, onde a Igreja, linda, imponente, nos lembrava que era a casa de Jesus. Aliás, o nome da minha cidade, nada menos que Bom Jesus. Lindo, não é? Orgulho e saudade. É o que posso definir como sentimento por aquele lugar mágico. E tantas outras lembranças me acorrem... Personagens, pessoas que marcaram minha vida. Os amores da mocidade seriam obviamente, ao que deveria me ater. Mas deixo para depois. E volto a pensar nas pessoas, aquelas que me são preciosas. Por exemplo, minha irmã mais velha, que, ontem, completou mais um ano de casamento, de uma união duradoura e bonita. Coisa rara. Sempre foi adiante do seu tempo. Os preconceitos, ela nunca os respeitou. Havia uma bela mulher, cabelos claros, rosto suave, lábios desenhados com boa vontade por Deus, que lhe proporcionavam um sorriso cativante. Não direi seu nome. Não era casada com o parceiro que escolheu para pai de seus filhos. Um escândalo na sociedade da época, mal vista para os mais exigentes da moral. Contudo, minha irmã aproximou-se dela e a visitava e também a recebia em sua casa. Se tornaram grandes amigas, até hoje. Vejo nisso um modelo bonito a ser seguido. A bela mulher que citei costurava para se manter e era mais digna do que muitas que se arvoravam em pregar bom comportamento. Deixemos as duas e vamos continuar a festa. Hoje, a pandemia destruiu a beleza deste momento tão especial para nossa pequena cidade, típica interiorana mas acolhedora ao receber seus visitantes. Há um hino maravilhoso que ressalta as qualidades dessa querida terra: "Ò, Bom Jesus, terra de hospitalidade, longe de ti, quase morro de saudade! Tua garota é formosa e gentil, ò Bom Jesus, pedaço do meu Brasil! Tens os montes verdejantes, lá no alto do Calvário, todos nós juntos em festa, venerando o Santuário..." um pequena parte, só para dizer que chorei demais ao receber o vídeo com a "Furiosa" tocando pelas ruas por onde andei. O amarelo do vestido nem seria minha cor predileta, mas me reconduziu a um tempo mágico, quando o sol, pintando os caminhos de amarelo forte, já imperava, esquentando as mesmas ruas e os corações dos habitantes da minha terra natal, com calor humano, coisa deficiente, nos dias atuais, quando vemos um ditador esquizofrênico, psicopata, tentando destruir com uma terrível guerra biológica, o que o Criador nos deu de bandeja. Tenho fé em que tudo vai passar, que teremos dias brilhantes, de um amarelo ouro, como o meu vestidinho de Festa de Agosto.
quarta-feira, 15 de julho de 2020
TEMPO DE DESAMOR.
sábado, 27 de junho de 2020
São Tomé e Teresa.
domingo, 26 de abril de 2020
Horta de idéias.
sexta-feira, 20 de março de 2020
Um vírus e a humanidade.
domingo, 9 de fevereiro de 2020
POR DETRÁS DAQUELES MORROS.
: