sábado, 23 de janeiro de 2016
Trabalhar faz bem.
Amanheci, sábado sem chuva e o sol brilhando no céu. Presumo que o calor vai chegar com força total, que bom... Acho que a maioria prefere tempo frio. Eu, não. Amo o verão. É desconfortável, sim, dá moleza, preguiça mas reflete, com os raios do sol, uma alegria que estou buscando. Já fui uma pessoa mais confiante, mais feliz.A juventude tem a esperança como companheira. Sei que a idade nos coloca num patamar em que preferíamos adiar. Claro, estamos visualizando a chegada final, mesmo que vivamos uns vinte ou trinta a mais. Se for com saúde, tomara! Acordei tentando me lembrar do sonho estranho que tive. Tinha muita água, muito mar e cenas insólitas. Mas foi um sonho bom. Ouvir ou ler o sonho dos outros é chato, só os psicanalistas aguentam, por obrigatoriedade de seu ofício. Então, como dizia, acordei melancólica. Vontade de nada. Ouço o padre Marcelo diariamente, suas orações e principalmente, pensando na dádiva concedida a ele e milhares de pessoas que leram seu livro, onde ele fala da depressão, esta praga que assola a humanidade e de como conseguiu sair dela.Já li o livro, e volto a ler, às vezes. A ginástica matinal, de segunda a sexta,me foi negada, pois é feita ao ar livre e com chuva não deu.Gosto muito da fala e das orações do padre;calam fundo. Depois, o programa que segue é do Canazzio ( ouvi um pequeno trecho, onde ele reprovava o governo, o discurso da "presidenta", etc,etc...) Mas me levantei, desliguei tudo. E tentei me ligar na vida que se apresentava. Meio que ligo o automático: louças de ontem pra lavar, roupas também, varrer, passar pano no chão, a varanda da frente que mistura poeira com a água da chuva, que se manteve toda a semana. Trabalhei muito, aos poucos, fui arrumando o que estava precisando e no final de tudo, estava bem menos triste. Não cabe esse adjetivo, aí atrás, mas foi o que arranjei. Na verdade, há sentimentos que não conhecemos uma boa definição pra eles, apesar da pujança da língua Portuguesa. " O trabalho dignifica". Cansamos de ouvir. Talvez seja um poderoso antídoto para amenizar a depressão ou mesmo a ansiedade. Só sei que suei por todos os poros. Preciso de um bom banho, pintar meu cabelo, que anda me deixando mais velhinha, uma aparência que me faz abreviar a ida aos espelhos. Comprei a tinta há dois dias. Falta coragem para começar. Se o cérebro ficasse mais bonito ou mais alegre com a química nos cabelos, aí, sim!!!
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
El niño, menino brincalhão?
Janeiro costuma ser um mês de calor intenso. Ano passado, foi assim. Só que as contas de energia ainda eram camufladas e o preço não era real. Mazelas de um governo do qual não cansamos de descobrir escândalos, falcatruas, tudo que já não é mais nenhuma novidade.Então, há dias, vimos um frio, no mínimo, estranho, já que o nosso verão apresenta temperaturas altíssimas. Tem chovido muito também, o que é bom e ruim ao mesmo tempo. Os reservatórios, antes vazios, secos, no limite de suas reservas, estão agradecendo a água bendita que desce do céu.Em algumas cidades há enchentes e milhões de desabrigados. Dizem que o El niño é o causador de tudo. Em espanhol, significa o menino. Este nos faz lembrar os garotinhos de antigamente, que eram levados da breca, faziam suas "artes" a aprontavam muito. Já não são assim, nos dias atuais.Comum é vermos nossas crianças com um tablet, computador, celular e tantos aparelhinhos modernos em suas diminutas mãos, destreza acima do normal. Acelerados, em demasia, eu acho.Olhando pela janela a chuva que não para, há mais de cinco dias, vem-me um sentimento esquisito. A economia que faço em não ligar o ar condicionado é real.É bom, devo confessar. Durmo com janela fechada e um vento ameno, suave mesmo é visita constante. Imagino que fevereiro deva ser mais quente e o calor talvez se alongue nos próximos meses, sei não. Esperemos pra ver. Ontem, ouvi pela TV a noticia de que mais um planeta foi descoberto no sistema solar. Cada vez mais, os cientistas vão aprendendo mais e mais. Só sei que o nosso pequeno mundo, se comparado com a grandeza do Universo, anda cada vez mais estranho. O homem seria o causador de muitas mudanças, sabemos bem. Não é à toa que se promovem encontros das maiores e mais expressivas potências para se discutir esse assunto: a conservação e sobrevivência da humanidade. Enquanto isso, a natureza nos acena sorrateira, e esse menino levado, o El niño, vai fazendo suas traquinagens, deixando os turistas decepcionados; no Rio de Janeiro, esperava-se um calor medonho com praias lotadas. E a que assistimos? Pessoas de várias partes do mundo e mesmo de outros estados reclamando, afinal, frio não era o que queriam encontrar por aqui. E das crianças, o que podemos dizer? Já não são mais as mesmas. A rápida modernidade, vem mexendo com o comportamento delas. Pobrezinhas...! Outro dia, num restaurante de massas, após termos saído do cinema, eu, minha irmã e meu cunhado, presenciamos uma cena insólita: um menino, ali pelos seus três ou quatro anos, atingiu sua avó com uma palmada no rosto. A família inteira tentando controlar o destempero da criança até que, finalmente, entendemos o motivo: deram-lhe, após colocada no carrinho de bebê, um tablet. A partir daí, ela se acalmou, apreciando a família da Peppa Pig no pequeno aparelho. Em outros tempos, já seria hora de estar dormindo, depois de um dia estafante, com brincadeiras físicas, como jogar bola, brincar de esconde-esconde, correr muito, subir em árvores e tantas outras...Agora, a avó, ainda jovem, é premiada com tapas, os pais não conseguem educar com facilidade. Lembro-me: antes, um olhar do pai ou da mãe era freio suficiente para deter um mal feito. Um beliscão fininho, por debaixo da toalha, quem já não sentiu? Ficar de castigo, adormecer atrás da porta, até que alguém nos liberasse. Educação à moda antiga, sim, mas educação.
sábado, 16 de janeiro de 2016
Um dia de cada vez.
A capa da revista Veja trouxe estampada a figura de David Bowie, bonito, de cara limpa, diferente do que costumava mostrar.Sei que marcou gerações inteiras e deixou um legado enorme de obras,à frente do seu tempo,apreciadas pelos jovens ( agora, não mais tão jovens) e que causou furor por décadas. Morreu, mais novo que eu, um ano apenas. Sempre inovando, mesmo nos últimos momentos, deixando mais uma composição, ainda que agonizante, abatido por um câncer. Vida e morte. Para todos, não há como escapar. Nascemos e morremos. O que se faz durante a travessia é o que vai nos marcar para o bem ou para o mal. Daqui a uns tempos, mesmo o grande cantor e compositor vai ser não esquecido, mas ficará adormecido na memória. Vez ou outra, lembrado, homenageado, imitado. É assim. Amanhecer, andar por aí, ou se divertindo, ou trabalhando, não importa; o que temos de definitivo é a certeza da morte. Somos condenados, assim que damos o primeiro grito, o primeiro choro, com o susto do nascimento. É aterrador pensar assim. Mas é realidade pura. Então, penso em aproveitar os minutos, as horas, todo o tempo de que ainda disponho ( que não sei quanto é - afinal, ninguém sabe) e nutrir a cada segundo, a vida,tornando-a agradável, feliz, degustando cada momento. Fazemos assim? Não. Alguns, tem mais disposição para alongar essa dádiva que é viver. Eu disse dádiva? Sim, eu disse. Comecei falando da capa da revista, que me chega todo sábado - fiz uma assinatura anual. Gosto de ler, revistas também. Ai, gente, o que vem estampado nas páginas da dita revista? Morte. Morte por desassistência nos hospitais. Corrupção generalizada em todas as áreas públicas. Os nossos suados impostos sendo desviados para bolsos e obras superfaturadas, bandidos nos comandando. Tem a parte cultural essa revista, tem, sim. Mas como me animar a sair, ver uma boa peça, ou filme ou exposição se a saída de casa se tornou um risco iminente, real?Há um provável assaltante, assassino em cada esquina. Agradecer pela saúde, vem em primeiro lugar. Acordar animada, ainda que para uma faxina, organizar melhor as gavetas, doar roupas que já não me servem, consertar a torneira da cozinha, que pinga a gota que não deve ser desperdiçada, tudo isso é bom. Prefiro a ficar inerte, jogada no sofá, ou na cama, esperando um bom programa na TV( tão raro, cada vez mais) e esperar as horas passarem. Viver um dia de cada vez, o passado não volta (só na memória, claro) e o futuro também é irreal. Não sei se chegará. Qual seria a medida do que dizemos ser futuro: o amanhã, a semana seguinte, o ano que vem? Depende do que planejamos e esperamos acontecer. Estou no estágio de querer mais para os filhos do que pra mim. Vivi o que tinha que viver. Já tenho um neto. Penso neles com a preocupação que todos os pais e avós tem. O mundo correu mais depressa do que devia. Tecnologia absurdamente rápida governa nossas vidas. Estamos melhor assim? Não sei. Só o que sei é que, se não me apressar, nem mesmo vou passar a ser uma figura de museu (já que sou bem menos que David Bowie), ou mesmo um ser defasado, alienado, que não acompanhou a vida, essa senhora miserável, que me deixou sem fôlego, rindo de mim, porque estou "batendo pino", enquanto ela se afasta, matreira, voando na minha frente. Porque o tempo não para, nem ela.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
A árvore da felicidade.
Tenho um vaso na minha sala. É bem velho, pintado de verde e azul, duas cores que acho combinam, afinal, retratam o céu e as matas. Adoro a natureza. Anda meio descascado, precisando de uma boa "reforma". Mas o que há plantado aí, é de uma beleza e valor inestimáveis: há mais de quinze anos, minha mãe me presenteou com uma muda, tirada de sua árvore da felicidade. Trouxe-a numa das últimas idas a Bom Jesus, quando ela ainda gozava de boa saúde. Me lembro que estava embrulhada num plástico grande onde a terra, muito molhada, era mais lama que tudo. Mas plantei-a ao chegar em casa. Pegou e cresceu, na medida em que o tempo passava. Quando me mudei para Icaraí, carreguei-a comigo, já bem maior e recomendei aos rapazes da mudança que tivessem muito cuidado, já que era uma preciosidade. Minha mãe, faz tempo nos deixou. Mas a pequenina muda, está ainda firme, linda e cresceu tanto que já alcança o teto. Minha boa vizinha, uma vez, colocou adubo e ela se desenvolveu de maneira espantosa. É a minha árvore de Natal. Coloco bolas vermelhas nas pontas dos galhos e só. Fica lindo, eu acho. Minha filha costuma dizer que a árvore tem a ver com o meu estado de ânimo. Se estou mais feliz a árvore resplandece. No Dia de Reis, retirei as bolas e guardei o pequeno presépio numa caixa. No mesmo lugar, na prateleira mais alta do armário do meu quarto, encontrei um álbum de retratos, bem antigo, fotos amareladas, algumas coloquei no Facebook. Vieram-me lembranças. Quando menina, ainda morando na roça, tinha medo da folia de reis, quando passavam pessoas, fantasiadas, pelas estradas; não entendia bem aquela encenação, representativa dos reis magos que homenageavam o nosso Deus. Volto à minha sala. Olho sempre para aquela árvore e me vem à mente a figura da minha mãe. Sinto saudades. Mas não é só. De certa forma, ela reproduz a presença daquela mulher que tanto amei. Apesar de sua fragilidade e doçura, passava-me segurança. Quando telefonava pra ela, quando reclamava das minhas desditas e contava com sua presença acalentadora. Era tão bom vê-la chegar... uma festa. Sempre querida por todos, cobrada sua visita, que ela tentava dividir da melhor maneira: ver seu irmão, sua irmã de Petrópolis, a outra irmã daqui, e os dias insuficientes para acolhê-la. Ela plantou e nós colhemos todo o seu amor. Assim, olhando os galhos amarelados da minha árvore, penso que, apesar do calor escaldante, tenho que dar um pulo a uma florária qualquer e comprar adubo. Não há fertilizantes para a felicidade mas para a minha árvore, sim. Enquanto viver, quero cuidar dela. O carinho da mãe fincado na terra e no meu coração.
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