quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

A árvore da felicidade.

Tenho um vaso na minha sala. É bem velho, pintado de verde e azul, duas cores que acho combinam, afinal, retratam o céu e as matas. Adoro a natureza. Anda meio descascado, precisando de uma boa "reforma". Mas o que há plantado aí, é de uma beleza e valor inestimáveis: há mais de quinze anos, minha mãe me presenteou com uma muda, tirada de sua árvore da felicidade. Trouxe-a numa das últimas idas a Bom Jesus, quando ela ainda gozava de boa saúde. Me lembro que estava embrulhada num plástico grande onde a terra, muito molhada, era mais lama  que tudo. Mas plantei-a ao chegar em casa. Pegou e cresceu, na medida em que o tempo passava. Quando me mudei para Icaraí, carreguei-a comigo, já bem maior e recomendei aos rapazes da mudança que tivessem muito cuidado, já que era uma preciosidade. Minha mãe, faz tempo nos deixou. Mas a pequenina muda, está ainda firme, linda e cresceu tanto que já alcança o teto. Minha boa vizinha, uma vez, colocou adubo e ela se desenvolveu de maneira espantosa. É a minha árvore de Natal. Coloco bolas vermelhas nas pontas dos galhos e só. Fica lindo, eu acho. Minha filha costuma dizer que a árvore tem a ver com o meu estado de ânimo. Se estou mais feliz a árvore resplandece. No Dia de Reis, retirei as bolas e guardei o pequeno presépio numa caixa. No mesmo lugar, na prateleira mais alta do armário do meu quarto, encontrei um álbum de retratos, bem antigo, fotos amareladas, algumas coloquei no Facebook. Vieram-me lembranças. Quando menina, ainda morando na roça, tinha medo da folia de reis, quando passavam pessoas,  fantasiadas, pelas estradas; não entendia bem aquela encenação, representativa dos reis magos que homenageavam o nosso Deus. Volto à minha sala. Olho sempre para aquela árvore e me vem à mente a figura da minha mãe. Sinto saudades. Mas não é só. De certa forma, ela reproduz a presença daquela mulher que tanto amei. Apesar de sua fragilidade e doçura, passava-me segurança. Quando telefonava pra ela, quando reclamava das minhas desditas e contava com sua presença acalentadora. Era tão bom vê-la chegar... uma festa. Sempre querida por todos, cobrada sua visita, que ela tentava dividir da melhor maneira: ver seu irmão, sua irmã de Petrópolis, a outra irmã daqui, e os dias insuficientes para acolhê-la. Ela plantou e nós colhemos todo o seu amor. Assim, olhando os galhos amarelados da minha árvore, penso que, apesar do calor escaldante, tenho que dar um pulo a uma florária qualquer e comprar adubo. Não há fertilizantes para a felicidade mas para a minha árvore, sim. Enquanto viver, quero cuidar dela. O carinho da mãe fincado na terra e no meu coração.

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