segunda-feira, 30 de novembro de 2015
REENCONTRO.
Através da tecnologia, imensamente avançada, posso, hoje, me encontrar com amigas de infância, aquelas que serão amigas para sempre. Não se apaga a infância. Impossível desejo me vem de repente de voltar a brincar com elas, e ser criança de novo. Não falo por acaso. Colegas da escola também entram no rol de pessoas queridas com quem gostaria de estar novamente. Me deu uma saudade danada. Quando a vida te pressiona com muita gana, acontece. Dá vontade de esconder. Ontem, me lembrava de uma vez, quando choveu granizo em Bom Jesus. Coisa rara. Revivi o quintal coberto de pedras de gelo, grandes até, e me via correndo, naquele chão branco, depois de passada a "tormenta". Não sei se minhas amiguinhas de infância vão se lembrar. Eu nunca pude esquecer a beleza que encontrei sob as grandes mangueiras, pé de jambo, e tantas árvores que formavam um pomar enorme, com direito a pé de jabuticaba, cheio de frutinhas pretas desde o chão até galhos altos. Um muro coberto por uma vegetação espessa ( havia algumas aranhas que moravam por ali) separava uma grande parte de uma outra área , vizinha. Ali, bananeiras, mamoeiros, abacateiro, era um lugar menos visitado por nós. Quantas vezes eu e minhas amigas, vizinhas, moradoras da mesma rua, fazíamos teatro, sob um ressecado galho de parreira, que não resistia ao calor daquele vale quente, onde estava plantada nossa cidade. Era um tipo de caramanchão em que as uvas pretensas, jamais apareceram, já que precisam de um clima mais parecido com o que vemos ao sul do país. Sei que no Nordeste estão conseguindo bons resultados, sempre a famosa tecnologia avançando. Mas não quero saber de modernismo, agora. Gostaria de estar brincando de novo, com as meninas da minha rua. Que saudades, gente! Se elas lerem o que escrevo aqui, neste momento nostálgico, vão me compreender perfeitamente. O tempo, dizem, seria a quarta dimensão. Gostaria de ter estudado Física Quântica para entender isso melhor ( exagero meu, não entenderia uma matéria dessas, só alcançada por grandes gênios da humanidade - podem rir...) Mas se eu pudesse girar, ao contrário do que roda, esse nosso planeta, tão maltratado pelos homens e conseguisse reaver aquele tempo maravilhoso, quando andava descalça, suja das brincadeiras no quintal, tenham certeza de que o faria, sim!
domingo, 29 de novembro de 2015
Medo,irmandade...e susto.
Entremeada de alegrias e tristezas assim é a vida. Novidade nenhuma. Mas, às vezes, há momentos em que se misturam coisas, independentes de nossa vontade e compreensão. Volto no tempo, para contar um fato onde a tônica era a tristeza, sem clima para coisas engraçadas, já que naquele dia, acabávamos de enterrar uma tia muito querida, que nos deixava tão precocemente. Eu viajara de Volta Redonda, onde morava,acompanhada do filho mais velho, adolescente ainda,levados por um chofer, contratado pelo meu marido. Viagem longa, com uma finalidade desagradável, ver pela última vez, pessoa tão querida, minha madrinha, além de tia.Depois que voltamos do cemitério, fomos todos para a casa da irmã mais velha, Teresa, que nos acolheu com uma farta refeição e cercou-nos com todo o conforto de que se precisava na ocasião. Vânia, como todos nós que tivemos de viajar pelas longas estradas, resolveu tomar um banho para descansar sua tristeza e aliviar a perda. Relembrando hoje, ela me dizia que, enquanto se banhava, pensava em quantas coisas aquela tia alegre, jovem ainda e que partira cedo demais, gostaria de ter dito e não disse. Era uma mulher especial, muito amada pela família e pelos numerosos amigos que amealhara vida afora. Na sala, em forma de L encontrávamos eu e Pitota, sentados bem em frente à porta do banheiro, num pequeno sofá. Do outro lado, onde o cômodo se alargava mais, o chofer que nos conduzira, minha irmã, e mais outras pessoas da família que não me lembro agora.Ouvia-se o barulho da água do chuveiro. De repente, um grito. A porta do banheiro abriu-se, repentinamente; minha irmã, completamente nua, corria, em nossa direção,água escorrendo pelo corpo , olhando-nos ainda mais confusa e espantada. Levantei-me o mais rápido que pude e fui em sua direção, mesmo sem entender o que acontecia. Queria cobrir sua nudez com o meu corpo. O que teria acontecido para aquela exposição incrível, logo ela tão cheia de pudores? Teria se sentido mal, não entendia mesmo. A sala cheia de gente e ela completamente desorientada, com o medo estampado na face. Depois do susto inicial, e devidamente coberta, minha irmã explicou o que a deixara apavorada. Ouviu pela vidraça do banheiro um barulho sinistro, como se alguém arranhasse a janela. Chegou a pensar que seria uma brincadeira do cunhado brincalhão, que gostava de aprontar esse tipo de coisa, mas, ao avistá-lo bem em frente à porta do banheiro, não teve dúvidas, só podia ser mesmo alguma assombração. O terror foi mais forte que o pudor... Depois, meu filho adolescente, voltando do quintal, glorioso,ria a valer, afinal o susto que pregara na coitada da tia tinha surtido o efeito desejado. Coisa de adolescente... Hoje, ela se lembrava também de que apesar de serem " cordiais inimigas " quando menininhas, costumavam dormir abraçadas, ela e Teresa, quando morria algum conhecido, algum parente. Lembrou-se de quando a madrinha Alzira, uma negra muito querida por toda a família e que ajudara a cuidar das crianças da casa partia desse mundo de Deus. Suavam em bicas, mas se escudavam da morte e do medo incontrolável, abraçadas, uma protegendo a outra.
Alegria aula de natação e Jesus.
Hoje, domingo, estou, a manhã inteira, ouvindo através de um microfone altíssimo, um rapaz,nominando as crianças, que comemoram a chegada do Papai Noel, numa exibição, onde, em cada raia da piscina, elas mostram o que aprenderam durante o ano: nadam como peixinhos. Pode parecer meio chato ter que ouvir os "gritos" e músicas da Xuxa durante tanto tempo. Mas, não. Preferi celebrar a presença deles, como amigos que me acompanham e me deixam menos solitária. Isso não é bom?...
Estava ouvindo músicas como aquela que expressa uma vida melhor, "Imagine the people..." de um dos famosos do conjunto, Os Beatles, que queria passar mensagem de amor e foi assassinado,assim como o nosso Deus, que se fez homem para mostrar que o Amor é o único caminho e foi crucificado. Que mundo é esse, gente, onde os que querem levar vantagens, são corruptos e que deviam estar há muito na cadeia, continuam imperando? Ouvi ainda aquela canção de Natal, que todo ano costumamos ouvir, nas lojas, nas ruas, nos carros de som, mas que nos traz uma pequena esperança, além das facilidades e vantagens oferecidas pelo Comércio. Gosto desse substantivo e muito: esperança. Se não fosse a última que morre, repetindo o que o povão diz, o que seria de nós, pobres mortais, que, cada vez mais nos decepcionamos com a crueldade dos homens que matam em nome de Deus!... Ontem, assistia ao programa do Serginho Groissman; tinha a presença do Fábio Júnior que, já meio "passado" continua charmoso e chorando ao cantar "Pai" a música triste e linda que compôs em homenagem ao seu pai. Confessou que seus pais não viviam bem, ante as indagações do apresentador do programa. Mas o que de mais interessante aconteceu foi a apresentação de um jovem cantor negro. Por que? Seu exemplo foi magnífico, pois fora abandonado pela mãe e recolhido a um orfanato. Perguntaram -lhe se isso trazia inconformismo, tristeza. Ele respondeu que com a arte, a música ( sua voz magnífica) atravessou os anos de menino, adolescente até atingir a maturidade, com esperança e confirmou mais: a arte lhe dera a oportunidade de ser feliz e ele aproveitou essa dádiva, ao invés de se lamentar por não ter mãe, nem pai, nem família. Deus olhou por ele e o abençoou...eu acho, foi adotado por Jesus
Estava ouvindo músicas como aquela que expressa uma vida melhor, "Imagine the people..." de um dos famosos do conjunto, Os Beatles, que queria passar mensagem de amor e foi assassinado,assim como o nosso Deus, que se fez homem para mostrar que o Amor é o único caminho e foi crucificado. Que mundo é esse, gente, onde os que querem levar vantagens, são corruptos e que deviam estar há muito na cadeia, continuam imperando? Ouvi ainda aquela canção de Natal, que todo ano costumamos ouvir, nas lojas, nas ruas, nos carros de som, mas que nos traz uma pequena esperança, além das facilidades e vantagens oferecidas pelo Comércio. Gosto desse substantivo e muito: esperança. Se não fosse a última que morre, repetindo o que o povão diz, o que seria de nós, pobres mortais, que, cada vez mais nos decepcionamos com a crueldade dos homens que matam em nome de Deus!... Ontem, assistia ao programa do Serginho Groissman; tinha a presença do Fábio Júnior que, já meio "passado" continua charmoso e chorando ao cantar "Pai" a música triste e linda que compôs em homenagem ao seu pai. Confessou que seus pais não viviam bem, ante as indagações do apresentador do programa. Mas o que de mais interessante aconteceu foi a apresentação de um jovem cantor negro. Por que? Seu exemplo foi magnífico, pois fora abandonado pela mãe e recolhido a um orfanato. Perguntaram -lhe se isso trazia inconformismo, tristeza. Ele respondeu que com a arte, a música ( sua voz magnífica) atravessou os anos de menino, adolescente até atingir a maturidade, com esperança e confirmou mais: a arte lhe dera a oportunidade de ser feliz e ele aproveitou essa dádiva, ao invés de se lamentar por não ter mãe, nem pai, nem família. Deus olhou por ele e o abençoou...eu acho, foi adotado por Jesus
domingo, 8 de novembro de 2015
Sem preconceito mas com romantismo.
Vinha andando pela calçada, uns pingos de chuva, bem fininhos, teimavam em me molhar...voltando do mercado. Reparei num casal que passava por mim, seguindo em direção contrária. Não era propriamente um casal bonito. Mas achei-os lindos. Contemplá-los me fez bem. Ele, estatura mediana, uma calva teimando em aparecer e ela, nem reparei bem no seu físico: pessoa comum, bem vestida, normal. Mas o que me deixou comovida, ao observá-los, foi o comportamento, eu acho. Era um aconchego puro; ele com uma atitude de quem protegia aquela mulher, apenas com as mãos dadas, de forma carinhosa, firme. Ela, feminina, mostrando prazer naquele encontro de mãos, de corpos, caminhando com passos definidos, numa conversa ( que nunca saberei o que era), troca de idéias, sei lá. Mas eram um homem e uma mulher. Não sou preconceituosa, não mesmo. Acho que devemos aceitar a escolha de cada um, até porque, não se trata de escolha mas de uma realidade que acontece. Uns nascem negros, outros homossexuais. Faz parte da vida e todos são dignos de respeito e consideração, já estamos mais civilizados, quando aceitamos isso,sem tanto espanto.E devem ser colocados no mesmo patamar dos que não são assim, claro. Mas ficou mais raro nos deparamos com pessoas heterossexuais se amando, convivendo como um casal. Isto é fato. Entretanto, ontem, quando olhei aquele casal, não sei o que me deu. Senti saudade de ver coisa tão corriqueira, tão normal mas que se torna cada vez mais rara de se ver. O homem, no seu papel protetor, másculo, pelo simples fato de estar caminhando ao lado daquela mulher, deixando transparecer sua função de macho. Ela, segura, feminina, encostada no homem que lhe dava tanta força, apenas com um aperto de mãos. Não sei se me expresso bem e nem sei se me entenderão, mas senti uma volta no tempo. Senti como se tivessem colocado algo nos trilhos. E vim pensando no casal, tão comum,tão completo, enquanto eu, recebendo gotículas de chuva no rosto, meditava sobre o amor.Era notório o que um sentia pelo outro. Não os conhecia, nem jamais saberei quem são. Só sei que percebi naquele caminhar seguro dos dois, um infinito carinho e me lembrei de que, um dia, o romantismo existiu e ainda persiste em aparecer, vez em quando, numa calçada qualquer, debaixo de uma chuvinha fina, unindo casais que se completam de maneira tão bonita...
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