domingo, 8 de novembro de 2015
Sem preconceito mas com romantismo.
Vinha andando pela calçada, uns pingos de chuva, bem fininhos, teimavam em me molhar...voltando do mercado. Reparei num casal que passava por mim, seguindo em direção contrária. Não era propriamente um casal bonito. Mas achei-os lindos. Contemplá-los me fez bem. Ele, estatura mediana, uma calva teimando em aparecer e ela, nem reparei bem no seu físico: pessoa comum, bem vestida, normal. Mas o que me deixou comovida, ao observá-los, foi o comportamento, eu acho. Era um aconchego puro; ele com uma atitude de quem protegia aquela mulher, apenas com as mãos dadas, de forma carinhosa, firme. Ela, feminina, mostrando prazer naquele encontro de mãos, de corpos, caminhando com passos definidos, numa conversa ( que nunca saberei o que era), troca de idéias, sei lá. Mas eram um homem e uma mulher. Não sou preconceituosa, não mesmo. Acho que devemos aceitar a escolha de cada um, até porque, não se trata de escolha mas de uma realidade que acontece. Uns nascem negros, outros homossexuais. Faz parte da vida e todos são dignos de respeito e consideração, já estamos mais civilizados, quando aceitamos isso,sem tanto espanto.E devem ser colocados no mesmo patamar dos que não são assim, claro. Mas ficou mais raro nos deparamos com pessoas heterossexuais se amando, convivendo como um casal. Isto é fato. Entretanto, ontem, quando olhei aquele casal, não sei o que me deu. Senti saudade de ver coisa tão corriqueira, tão normal mas que se torna cada vez mais rara de se ver. O homem, no seu papel protetor, másculo, pelo simples fato de estar caminhando ao lado daquela mulher, deixando transparecer sua função de macho. Ela, segura, feminina, encostada no homem que lhe dava tanta força, apenas com um aperto de mãos. Não sei se me expresso bem e nem sei se me entenderão, mas senti uma volta no tempo. Senti como se tivessem colocado algo nos trilhos. E vim pensando no casal, tão comum,tão completo, enquanto eu, recebendo gotículas de chuva no rosto, meditava sobre o amor.Era notório o que um sentia pelo outro. Não os conhecia, nem jamais saberei quem são. Só sei que percebi naquele caminhar seguro dos dois, um infinito carinho e me lembrei de que, um dia, o romantismo existiu e ainda persiste em aparecer, vez em quando, numa calçada qualquer, debaixo de uma chuvinha fina, unindo casais que se completam de maneira tão bonita...
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