segunda-feira, 30 de março de 2015

ESCREVER, SIM, MAS NUNCA DURANTE UMA VIAGEM DE AVIÃO.

Falta assunto... o mundo amanhece o mesmo, as mesmas funções me impulsionam. Acordar com o despertador ainda que seja música suave, pra quem estava dormindo se torna incômodo. Venho tomando alguns remédios que jamais imaginava teria que tomar. Antidepressivo era para aquelas pessoas que não tem humor ou que fazem da vida uma tarefa tão árdua e insuportável que devem se sujeitar ao tal "remédio". O fato de desconfiarem de que o avião que caiu nos Alpes, na França, ter acontecido por iniciativa do co-piloto em crise de depressão e desespero diante do sofrimento é apenas uma hipótese, ainda que baseada em algumas evidências. Quis dar fim à vida. Será? Pensou  nos outros que não tinham nada com isso? Não. Provavelmente, não. Afinal, o egocentrismo de alguém é assim. Não se importa com o outro. Nada pode ser afirmado com certeza. São suposições ou interesse da Companhia Aérea de livrar-se de acusações outras: a nave estaria segura, teria sido vistoriada em tempo hábil? Nunca saberemos  o que se passou de fato. Esta e outras notícias já cansam de tanto exploradas. É o mais novo assunto, ainda que trágico. Mas volto a falar dos tais remédios antidepressivos. Tenho percebido que eles me favorecem em um ponto: não amanheço querendo dar pulos de alegria, nem sair saltitante para a ginástica que faço diariamente ( aliás, devo confessar que vou meio grogue e morta de preguiça) mas vou. Deve ser bom pra minha saúde. Todos afirmam. Então vou. De uns tempos pra cá, entretanto, venho percebendo que os sonhos que tenho são os melhores possíveis. Ninguém quer saber de sonhos, é chato ouvir o sonho dos outros, sei disso e não vou contar nenhum deles pra vocês, fiquem tranquilos. Mas acordo e lembro nitidamente do sonho que tive. Sonhos que me trazem alegria, me remetem a uma condição de pessoa muito feliz, realizada e  talvez ainda jovem. A cada noite, tomo os remédios prescritos pelo doutor e me deito esperando o "desmaiar noturno" que vem rápido. Voces acreditam nisso? Torço para que cada um dos meus sonhos venham suprir o que não tenho na vida real. Gente! Que delícia! Não pensem que estou maluca mas costumo me lembrar dos detalhes de cada um...Fico horas pensando nas façanhas e alegrias que acontecem, uma verdadeira bela adormecida. Não tão bela e jovem mas bem esperta, pelo menos quando sonho. Será o remédio ou diriam os especialistas, psicólogos e psiquiatras: é seu inconsciente trabalhando, trazendo à tona os seus desejos. Pode ser que estejam certos...pode ser que não. Não temos certeza de nada. O fato é que me dou por satisfeita...ainda que "inconscientemente".

sexta-feira, 27 de março de 2015

Jogando baralho.

A pedidos, volto a escrever. Quanta presunção! Estou ficando meio metida, faz bem ao ego,quando sou lida por alguém. Até pareço escritora. Hoje, lembrei-me de uma coisa que me fez rir e muito. Com aquela vontade de verdade, sem artifícios. É diferente de sorrir por educação, quando vê alguém ou escuta o que diz uma pessoa e por pura delicadeza oferece um sorriso meio amarelo, com a mesma palidez da anemia. Fomos eu e minha irmã jogar baralho na casa de uma sobrinha muito querida ;comemoramos  também o aniversário de uma criatura maravilhosa que trabalha na casa dela; fizemos um lanche com bolo de banana e canela, café e ainda tinha pudim de leite para mais tarde. Então, reunidas na mesa e por pura determinação da sorte, eu ganhava das duas. Reparem que isso é raro. Jogo mesmo pra passar o tempo e aproveito pra falar de qualquer assunto ou mesmo,  entre uma embaralhada e outra, conto uma piada que li ou ouvi de alguém. Essa  foi tirada daqui do Face. Eram muitas,enviadas por outra grande amiga. Só que, depois de ler várias, uma delas me fez rir de verdade, sozinha, sem testemunhas. A irmã de quem falei não costuma rir muito de piadas, na verdade, sempre quer explicação ou fica com pena das "pequenas maldades"  e que nos fazem rir: -"Coitado, gente"! É o que ela costuma acrescentar. Rimos quando alguém leva um tombo; é engraçado, ainda que  seja um grande constrangimento para quem se estabacou no chão. Desta vez, contei uma que mexeu com o humor dela. Riu à beça. Devo contar? Melhor não. Deixo vocês na expectativa. Afinal, chegou  a hora de irmos embora. Precisaríamos  de um táxi, já que o tempo voa quando jogamos umas partidinhas de buraco e não é bom dar mole pra sorte. Duas coroas depois de nove horas, à noite,  andando pela rua, impensável. Ouvia minha irmã explicando para a atendente da companhia de táxi que costumamos chamar. "- É, dizia, ela, perto do Museu, o MAC, (evidente que todos em Niterói sabem onde é) e ela continuava, dando o endereço para onde iríamos: "-Vou ficar primeiro, depois minha irmã segue pra Icaraí." Entretanto, parecia que a moça queria mais detalhes. E minha irmã continuou a explicação. "- Sim, é na subida, do lado direito porque do outro lado tem o mar"! Pode parecer sem graça, mas me dobrei de rir. E disse:"- Claro, você devia ter pedido um Catamarã para nos levar!" Foi bom. Rimos bastante e como isso faz bem!...

segunda-feira, 23 de março de 2015

PRISIONEIRA DO CORPO

PRISIONEIRA DO CORPO.

              Nem sei se alguém ficará sabendo sobre o que escrevo agora. Há sempre conselhos ou até mesmo um ar de  recriminação se escrevo coisas tristes, em forma de lamento. Desabafo. Isto, sim. Mas é tão intenso e íntimo que acho precisaria usar um confessionário. Que não fosse repreendida, que não fosse cobrada. Na igreja, costumo observar, na hora da Comunhão, as pessoas recebendo Cristo, na hóstia, o conforto de Deus e sendo, de certa forma,  recompensadas, acalentadas. Sinto enorme frustração em não poder receber aquela fatia mínima de pão, que representa Jesus. Há normas e preceitos que devemos seguir. Sou separada do meu marido faz muito tempo. A Igreja não aceita. Jesus perdoou as pessoas e com elas conviveu, apesar de suas falhas. É hora de dizer coisas pra  mim  mesma. É hora de perceber que ninguém pode ajudar. É hora do desalento total. Ando preocupada, as  palavras não estão se ajustando ao sentimento que quero expressar. Usei preocupada. Não é só isso. Pensei em verdadeiro pânico o que me acomete por vezes. A alma, espírito  ou seja lá o que for que rege nossas atitudes, nos incita a viver dessa ou daquela maneira; é mistério para todos. É preciso ter fé para imaginar uma vida melhor após a morte. É preciso acreditar em alguma  coisa que nos mova para sermos bons seres humanos. Ontem, ouvia um autor famoso, não me  lembro o nome, numa entrevista pela TV, era sobre um filme que ele orquestrara  sobre religiões, logo ele, um ateu convicto. Dizia que, talvez por isso, pelas cobranças que recebia, tinha se motivado a investigar cada uma das religiões e como num documentário, mostrava as facetas de algumas delas que, no fundo, em algum ponto, tinham se alinhavado, convergindo para os mesmos dogmas. Independente de ser religioso, afirmava ser correto e se conduzia de modo digno. Eu me aproximo de idade avançada. Há pessoas morrendo e que foram meus contemporâneos, até mais novos que eu. Tenho medo de ficar doente, sim. De morrer, menos. Já fui mais apegada à vida na Terra. Se outra há, deveria ser uma  compensação para todos. Ando me sentindo tão fragilizada que me espanto por ter chegado a esse estado de espírito caótico. Tento de todas as formas me  reerguer  e olhar a vida por outro ângulo. Não consigo. Mostras de cansaço. Os ossos, músculos e todas as partes do corpo andam fracos. Talvez, seja a mente, essa traidora que, volta e meia, nos dá rasteiras. Invejo as pessoas que lutam bravamente e dão uma banana pra idade. Vivem a plenitude e vigor de cada fase. Eu, não. Fui uma pessoa que adiou a vida. O sentimento era de esperança e os problemas eu achava que o tempo traria a solução. Enganei-me. Sinto-me prisioneira do meu corpo. Ele não acompanha os meus desejos e mal intencionado me confunde e infunde um grande medo de ficar doente. Não quero visualizar momentos sobre um leito, em casa ou num hospital, não importa. Tive uma experiência estranha faz poucos meses e ainda não me sinto confiante. Tomo remédios que me deixam menos ansiosa. Em contrapartida, me derrubam. São os famosos efeitos colaterais.  O que antes me alegrava e impulsionava, perdeu a graça. 

quinta-feira, 12 de março de 2015

AS PERDAS.

Já devíamos estar acostumados: todo o tempo da vida, andamos ganhando coisas boas, aquelas que não contabilizamos suficientemente (  e devíamos mas nos passam despercebidas) e perdendo também. É assim para todos, claro. Por mais que julguemos que alguém é mais feliz, bem mais aquinhoado, mais sortudo, sabemos que, por trás de cada um de nós, há algum inconveniente, tristeza, decepção. O jardim do vizinho é mais florido e bonito que o nosso. Às vezes, são  esses os pensamentos que temos. Natural; afinal, imperfeitos que somos. Mas não resistimos bem quando acontece a perda, quando morre alguém querido. Não quero ser mórbida. Na verdade, me considero uma pessoa que, apesar dos pesares, venho resistindo bravamente aos infortúnios da vida. Vez em quando um tropeço, uma queda. Esta semana, entretanto, foi marcada por algumas perdas de pessoas queridas com as quais pouco convivi nos últimos anos mas que são conterrâneas e contemporâneas. Uma mulher linda, de fibra, irmã de uma grande amiga e ontem, um amigo que se foi e que me deixou mais triste. Sou do interior, de uma cidadezinha que nunca vai deixar de ser o meu berço, onde vivi os melhores anos da meninice e juventude. Então, as pessoas de lá, mesmo as que não nasceram ali como esse amigo que se foi, mas nascido em cidade vizinha e que morou e conviveu com  bonjesuenses ,como se um deles fosse. Os conterrâneos viram uma espécie de irmão emprestado. Saber que não mais os veremos é cruel. Moro há anos afastada da minha cidade natal. Mas a  raiz continua plantada lá. Ando triste, vendo essas pessoas queridas partindo. É uma geração da qual participei. Os dois eram mais jovens que eu. Mas parece que foi ontem, vejo a figura deles nos cantos da cidade, na pracinha, nas ruas e em suas casas, cujas famílias são como se fossem parte da  nossa. São parentes por afinidade. Hoje, estou de luto.