ESCREVER, SIM,
MAS NUNCA DURANTE UMA VIAGEM DE AVIÃO.
segunda-feira, 30 de março de 2015
sexta-feira, 27 de março de 2015
Jogando baralho.
A pedidos, volto a escrever. Quanta presunção! Estou ficando meio metida, faz bem ao ego,quando sou lida por alguém. Até pareço escritora. Hoje, lembrei-me de uma coisa que me fez rir e muito. Com aquela vontade de verdade, sem artifícios. É diferente de sorrir por educação, quando vê alguém ou escuta o que diz uma pessoa e por pura delicadeza oferece um sorriso meio amarelo, com a mesma palidez da anemia. Fomos eu e minha irmã jogar baralho na casa de uma sobrinha muito querida ;comemoramos também o aniversário de uma criatura maravilhosa que trabalha na casa dela; fizemos um lanche com bolo de banana e canela, café e ainda tinha pudim de leite para mais tarde. Então, reunidas na mesa e por pura determinação da sorte, eu ganhava das duas. Reparem que isso é raro. Jogo mesmo pra passar o tempo e aproveito pra falar de qualquer assunto ou mesmo, entre uma embaralhada e outra, conto uma piada que li ou ouvi de alguém. Essa foi tirada daqui do Face. Eram muitas,enviadas por outra grande amiga. Só que, depois de ler várias, uma delas me fez rir de verdade, sozinha, sem testemunhas. A irmã de quem falei não costuma rir muito de piadas, na verdade, sempre quer explicação ou fica com pena das "pequenas maldades" e que nos fazem rir: -"Coitado, gente"! É o que ela costuma acrescentar. Rimos quando alguém leva um tombo; é engraçado, ainda que seja um grande constrangimento para quem se estabacou no chão. Desta vez, contei uma que mexeu com o humor dela. Riu à beça. Devo contar? Melhor não. Deixo vocês na expectativa. Afinal, chegou a hora de irmos embora. Precisaríamos de um táxi, já que o tempo voa quando jogamos umas partidinhas de buraco e não é bom dar mole pra sorte. Duas coroas depois de nove horas, à noite, andando pela rua, impensável. Ouvia minha irmã explicando para a atendente da companhia de táxi que costumamos chamar. "- É, dizia, ela, perto do Museu, o MAC, (evidente que todos em Niterói sabem onde é) e ela continuava, dando o endereço para onde iríamos: "-Vou ficar primeiro, depois minha irmã segue pra Icaraí." Entretanto, parecia que a moça queria mais detalhes. E minha irmã continuou a explicação. "- Sim, é na subida, do lado direito porque do outro lado tem o mar"! Pode parecer sem graça, mas me dobrei de rir. E disse:"- Claro, você devia ter pedido um Catamarã para nos levar!" Foi bom. Rimos bastante e como isso faz bem!...
segunda-feira, 23 de março de 2015
PRISIONEIRA DO CORPO
PRISIONEIRA DO CORPO.
Nem sei se alguém
ficará sabendo sobre o que escrevo agora. Há sempre conselhos ou até mesmo um
ar de recriminação se escrevo coisas
tristes, em forma de lamento. Desabafo. Isto, sim. Mas é tão intenso e íntimo
que acho precisaria usar um confessionário. Que não fosse repreendida, que não
fosse cobrada. Na igreja, costumo observar, na hora da Comunhão, as pessoas
recebendo Cristo, na hóstia, o conforto de Deus e sendo, de certa forma, recompensadas, acalentadas. Sinto enorme
frustração em não poder receber aquela fatia mínima de pão, que representa
Jesus. Há normas e preceitos que devemos seguir. Sou separada do meu marido faz
muito tempo. A Igreja não aceita. Jesus perdoou as pessoas e com elas conviveu,
apesar de suas falhas. É hora de dizer coisas pra mim
mesma. É hora de perceber que ninguém pode ajudar. É hora do desalento
total. Ando preocupada, as palavras não
estão se ajustando ao sentimento que quero expressar. Usei preocupada. Não é só
isso. Pensei em verdadeiro pânico o que me acomete por vezes. A alma, espírito ou seja lá o que for que rege nossas atitudes,
nos incita a viver dessa ou daquela maneira; é mistério para todos. É preciso
ter fé para imaginar uma vida melhor após a morte. É preciso acreditar em
alguma coisa que nos mova para sermos
bons seres humanos. Ontem, ouvia um autor famoso, não me lembro o nome, numa entrevista pela TV, era
sobre um filme que ele orquestrara sobre
religiões, logo ele, um ateu convicto. Dizia que, talvez por isso, pelas
cobranças que recebia, tinha se motivado a investigar cada uma das religiões e
como num documentário, mostrava as facetas de algumas delas que, no fundo, em
algum ponto, tinham se alinhavado, convergindo para os mesmos dogmas. Independente
de ser religioso, afirmava ser correto e se conduzia de modo digno. Eu me
aproximo de idade avançada. Há pessoas morrendo e que foram meus
contemporâneos, até mais novos que eu. Tenho medo de ficar doente, sim. De
morrer, menos. Já fui mais apegada à vida na Terra. Se outra há, deveria ser
uma compensação para todos. Ando me
sentindo tão fragilizada que me espanto por ter chegado a esse estado de
espírito caótico. Tento de todas as formas me
reerguer e olhar a vida por outro
ângulo. Não consigo. Mostras de cansaço. Os ossos, músculos e todas as partes
do corpo andam fracos. Talvez, seja a mente, essa traidora que, volta e meia,
nos dá rasteiras. Invejo as pessoas que lutam bravamente e dão uma banana pra
idade. Vivem a plenitude e vigor de cada fase. Eu, não. Fui uma pessoa que
adiou a vida. O sentimento era de esperança e os problemas eu achava que o
tempo traria a solução. Enganei-me. Sinto-me prisioneira do meu corpo. Ele não
acompanha os meus desejos e mal intencionado me confunde e infunde um grande
medo de ficar doente. Não quero visualizar momentos sobre um leito, em casa ou num
hospital, não importa. Tive uma experiência estranha faz poucos meses e ainda
não me sinto confiante. Tomo remédios que me deixam menos ansiosa. Em
contrapartida, me derrubam. São os famosos efeitos colaterais. O que antes me alegrava e impulsionava, perdeu
a graça.
quinta-feira, 12 de março de 2015
AS PERDAS.
Já devíamos estar acostumados: todo o tempo da vida, andamos ganhando coisas boas, aquelas que não contabilizamos suficientemente ( e devíamos mas nos passam despercebidas) e perdendo também. É assim para todos, claro. Por mais que julguemos que alguém é mais feliz, bem mais aquinhoado, mais sortudo, sabemos que, por trás de cada um de nós, há algum inconveniente, tristeza, decepção. O jardim do vizinho é mais florido e bonito que o nosso. Às vezes, são esses os pensamentos que temos. Natural; afinal, imperfeitos que somos. Mas não resistimos bem quando acontece a perda, quando morre alguém querido. Não quero ser mórbida. Na verdade, me considero uma pessoa que, apesar dos pesares, venho resistindo bravamente aos infortúnios da vida. Vez em quando um tropeço, uma queda. Esta semana, entretanto, foi marcada por algumas perdas de pessoas queridas com as quais pouco convivi nos últimos anos mas que são conterrâneas e contemporâneas. Uma mulher linda, de fibra, irmã de uma grande amiga e ontem, um amigo que se foi e que me deixou mais triste. Sou do interior, de uma cidadezinha que nunca vai deixar de ser o meu berço, onde vivi os melhores anos da meninice e juventude. Então, as pessoas de lá, mesmo as que não nasceram ali como esse amigo que se foi, mas nascido em cidade vizinha e que morou e conviveu com bonjesuenses ,como se um deles fosse. Os conterrâneos viram uma espécie de irmão emprestado. Saber que não mais os veremos é cruel. Moro há anos afastada da minha cidade natal. Mas a raiz continua plantada lá. Ando triste, vendo essas pessoas queridas partindo. É uma geração da qual participei. Os dois eram mais jovens que eu. Mas parece que foi ontem, vejo a figura deles nos cantos da cidade, na pracinha, nas ruas e em suas casas, cujas famílias são como se fossem parte da nossa. São parentes por afinidade. Hoje, estou de luto.
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