Verdadeira Odisseia, a ida. Andei alguns quarteirões até a praia. Dali, pegaria um ônibus que me deixaria próximo ao Reserva Cultural. Ia me encontrar com a irmã para assistirmos a um bom filme. Este, uma nova versão do que já vira há um bom tempo:" O estranho que amamos",cujo ator, na primeira versão,Clint Eastwood, lindo, jovem, era o protagonista. Aí, o telefone toca, justo na hora em que ia contar sobre a ida, com a intenção de me divertir um tantinho. O filho mais novo sentiu-se mal. Parece que a pressão alterada causou transtornos, ele reclamava de estar meio zonzo. De longe, é uma agonia saber que alguém está em apuros, ainda mais se esse alguém é seu filho. Graças a Deus, tudo se resolveu, ele tomou um chá, se levantou e a situação ficou sob controle. Gostaria de saber a receita certa para viver a vida sem me envolver com problemas familiares. Tenho certeza, estou há anos luz de descobrir. Mas volto à narrativa de ontem: ia ao cinema, sem muita vontade, mais como terapia para o desânimo que sinto. Quando mocinha, a tela do cinema era mágica para mim. Eram outros tempos. Eu" viajava", amava os artistas, pura admiração. Encaixava-me nos lugares das heroínas e os sonhos povoavam a minha mente. Há uma livraria no andar térreo, livros e autores mil. Dá gosto e vontade de comprar todos. Só vontade porque o bolso não comporta tanta despesa. Enfim, eu e a irmã nos encontramos, ela comprou os ingressos e adentramos a sala de número dois. Já escura. Acho aqueles degraus, iluminados com pequenas lâmpadas, uma verdadeira armadilha para idosos. Havia pouca gente, talvez por ser sessão de 15.50 h. Cedo, sol brilhando no céu.O filme valeu a pena, sim. Saímos e precisei dar um telefonema em resposta a uma mensagem enviada antes. Liguei o celular e quando terminei de digitar e texto, vem em minha direção uma das primas queridas, que assistira a outro filme, naquele mesmo horário, em outra sala, naturalmente. Ela é uma daquelas pessoas que nos fazem bem, bom papo, alegre, sempre com um sorriso, bom humor. Até aí, tudo de bom. Ela se despediu, alegando ter que pegar a filha no Conservatório de Música,já que a menina se entusiasmou ao assistir a vida de João Carlos Martins, no cinema; quer estudar piano. Talentosa, alma de artista, a garotinha precoce,já fez um livro. Se candidatou a representante de turma e venceu a disputa. Como veem, tem um futuro brilhante. Quem sabe daqui a um tempo, presidente do nosso país?...Precisamos de gente assim. É preciso rolar muita água debaixo da ponte até que aconteça. Espero os filhos e o meu neto vejam pessoas dignas, compromissadas com o povo e não com seus próprios bolsos a tomarem a frente do Brasil.Voltei para casa melhor do que saí, claro. O difícil é me armar de coragem, mudar uma roupa qualquer e correr atrás. Atrás do que? Alguns irão perguntar. Não tenho resposta por enquanto. Talvez, atrás de um pouco de vida. Terapia ocupacional. Trabalhar em casa, arrumar os quartos, ir ao mercado também ajudam. Mas não trazem a satisfação que merecemos. O telefone já tocou duas vezes, enquanto escrevo. Agora, o interfone. Pensei que fosse a revista que chega aos sábados. Ledo engano. Era o entregador do mercado. Tarefas, tarefas e mais tarefas. Devo agradecer a Deus que, na minha idade, ainda sou útil, capaz, enfrento com bravura as dificuldades do corpo, já meio gasto, que teima em doer nas horas mais impróprias. Enfim, devo admitir que o assunto de hoje está meio monótono. Vou aliviar meus pretensos leitores. Até breve, gente... Ah! em tempo: o telefone tocou novamente. Era a irmã, convidando-me para assistir a outro bom filme. Vou ou não vou? Hoje, meio Agatha Christie... Adivinhe se for capaz!
sábado, 26 de agosto de 2017
segunda-feira, 21 de agosto de 2017
Chove chuva...
Hoje, amanheceu chovendo muito. Não pude ir à ginástica já que é ao ar livre, numa praça, próxima de onde moro. Projeto importante, implantado por alguém que não está mais entre nós. A idéia vai permanecer viva. Mas o dia está triste. Pelo menos, para mim. Nasci num lugar onde o calor impera durante o ano inteiro, o inverno é ameno. Talvez seja por isso o incômodo que me traz essa friagem e chuva. Gosto de banho frio, de pessoas na rua, reclamando do calorão insuportável, de dezembro a março; é mesmo difícil, sei que sim. Mas é mais alegre. As pessoas estão mais próximas pela Internet. As distâncias ficaram menores, quando vemos pela telinha do computador os entes queridos que moram longe. É bom. Mas sinto saudades do tempo em que as cartas eram esperadas com ansiedade. Esse substantivo, agora, tem um significado pior. Ao pé da letra, mostra quem não suporta o caminhar rápido da vida. Todos temos pressa. Todos sem tempo. Os encontros verdadeiros encurtados pela forma veloz que nos impõe abreviar as palavras e diminuir as frases, enfim, todos sem tempo para tudo. Por que? Só o que aumentou foi a violência, aquela que nos força prisão domiciliar...não aquela dos governantes, descobertos em falcatruas, para "inglês ver" mas o medo de estarmos à mercê de bandidos que povoam nossa cidade. Alastrou-se pelo mundo todo. Países da Europa, tidos como oásis de cultura, estão sendo violados por assassinos cruéis. Não há lugar seguro.Muitos querem abandonar seu país de origem em busca de paz. Este substantivo cada vez mais abstrato! Escrevo daqui, no interior do meu lar. Estarei em segurança? Até porque, só de imaginar a rua molhada, fria, céu encoberto por nuvens, tudo me traz vontade de um cobertor quentinho, lendo mensagens dos amigos ou fazendo orações. E a chuva não dá trégua. É importante que ela venha, precisamos de água. Assim, fecho essa pequena crônica. Os pés estão gelados, preciso de meias, o coração também deve ser aquecido. Esperança é o mais bonito dos substantivos, aliás o segundo porque, em primeiro, vem o amor - este, sim, o mais significativo, o mais abrangente o mais completo. Dele se derivam as mais belas páginas da vida. Ontem, pediram-me para ler um texto da bíblia, na hora da missa. Havia pouca gente na capela. Sou tímida, devo dizer. Mas naquele momento, me senti tão honrada, microfone na mão,dizendo sobre os dogmas da Igreja. Eu, tão pequena, tão pecadora, na casa do Pai, onde costumo estar com mais frequência com mais alegria!
sexta-feira, 18 de agosto de 2017
O TEMPO PASSA...
Costumo dizer que somos como carro velho, dando sempre oficina! Mas não quero ser pessimista, pelo menos os meus contemporâneos preferem não encarar a realidade. Assim, não leem. Tem razão. O fato de envelhecermos é natural, faz parte. Mas há os que não dão bola e tocam a vida sem transtornos e reclamações. Invejo-os.Muitos entram para cursos, aula de dança. Embora eu ame dançar e mais ainda ouvir música, não me sinto estimulada a encarar essa opção. Uma vez, devo admitir, tentei. Estava acompanhada de alguém que, naquela época, me fez bem. Era animado e me levou a um lugar onde um professor de dança, com toda a paciência, tentava um "milagre": fazer um burro velho dançar. Primeiro, ele me anunciou alguns passos e eu custei a acompanhá-lo. Depois, eu esperei, sentada numa cadeira, o mesmo professor se abraçar ao meu companheiro, guiando-o para os passos que o fariam dançar...pronto! Pra quê? Só me lembro de ter saído correndo, à procura de um banheiro mais próximo porque quase fiz xixi "nas calças" de tanto rir. Aquela cena foi melhor que qualquer comédia que já assisti no cinema! Foi bom me lembrar disso para contar a quem for ler essas pequenas crônicas que escrevo, vez em quando. Hoje, nem me lembro mais de quando me via no espelho posto, lá longe no meu quarto e que eu avistava da sala. Quantas vezes liguei música e me aventurei passos de samba ( uma das danças mais difíceis para mim) e que, apesar das inúmeras tentativas, nunca aprendi. Ando desanimada para qualquer atividade; ir ao cinema era uma das que eu mais gostava. Agora, a preguiça de me arrumar, pegar condução para ver um bom filme, me impede de sair. Não quero estar assim. Acho que o motor anda cansado, o mecânico não é dos melhores e não deu jeito na " rebimboca da parafuseta" se é que me entendem...O tempo passou mesmo. Deixou a alma desgastada. Invejo as pessoas que continuam suas atividades, sem dar bola para esse relógio cronológico. Vivem o tempo que definem, são donos da própria sorte e enfrentam a vida com uma garra que dá gosto! Conto com a esperança de que isto vai passar. Faz tempo, luto para encontrar o bom humor e coragem de antes. Era um tanto inconsequente, como deve ser o nosso posicionamento diante desta vida, tão incerta e tão efêmera. Sei que, um dia, vou acordar mais animada. Sei que a fé move montanhas. E eu, afinal, não sou feita de pedras. Sou um ser humano a espera de dias melhores...
sábado, 12 de agosto de 2017
Sem palavras...
Cem palavras ou sem palavras? Quanta diferença pode fazer uma única letra! Pois é. Se fosse enumerar alguma coisa, usaria a letra c; entretanto,tantas palavras seriam insuficientes para explicar o sentimento que, algumas vezes, não tem explicação. Por outro lado, se empregasse a letra s, também seria usada inutilmente. Há coisas que não tem lógica.Não me é dado exprimir apenas com algumas frases, independente da letrinha a ser aplicada, essa agonia.Escrever um texto sem cometer erros é difícil. Gramática pode ser corrigida, mas aquela dorzinha implantada na alma, não. O local certo, onde adormece o sofrimento, desconheço. Usei o que me veio primeiro. A mente é um mistério insondável, pelo menos para mim. Mentira, é para todos.Disso tenho certeza. Os estudiosos que me perdoem se me falta informação. Talvez, eu prefira que ninguém leia esse meu texto. Apenas, tento colocar o que se passa comigo nesse momento estranho; eu mesma não entendo o que me causa essa essa dor que não é física, mas é doída tanto quanto.Remédios há para esse transtorno? Alguns até conseguem serenar, acalmar essa enorme angústia, misturada com tristeza, uma pontinha de ansiedade e ausência total do desejo.Lia outro dia, numa revista de renome, um texto que me deixou mais animada. Falava de uma potencial cura para a depressão. Nada de novo, apenas um remédio usado há tempos, com outra finalidade. Parece ser a salvação da lavoura para os que, como eu, são acometidos dessa disfunção cerebral, ou defeito de nascença, sei lá o que mais... não explica como surgiu e exatamente quando e/ou se houve algo que detonou o gatilho me atingindo de forma brutal. Faz tempo, venho lutando com as armas que possuo para derrotar esse inimigo traiçoeiro. Os médicos responsáveis pelas receitas de tarja preta também não podem afirmar nada de concreto. Aí, me pego escrevendo sobre o fato de estar assim. Não falo alto, de forma que eu mesma possa me escutar.É lamento. É choro, lágrimas derramadas para que ninguém veja. Olho-me no espelho, nariz inchado, uma face sombria, tão diferente da minha. Oro a Deus, peço à Virgem, mãe de Jesus, minha intercessora. Quero ter mais fé. Acreditar numa força lá do alto, Divina, que, num piscar de olhos, me livre de tudo isso. Sou a sombra do que fui. Não sinto mais ânimo para nada. Não tenho mais alegrias...Queria ter uma pitada a mais de egoismo, além do usual. Queria usufruir dos prazeres de antes. Hoje, nada mais me restou daquela pessoa alegre que fui; apesar dos problemas, apesar dos pesares...eu ria, eu corria atrás de pequenas futilidades, tinha vontade de me enfeitar, de comprar roupas novas, de viajar. Estou atolada num lamaçal, onde o que me puxa pra baixo é o medo, areia movediça que não me deixa submergir. Sinto-me fraca, sem vontades. Que Deus me ajude.
quinta-feira, 10 de agosto de 2017
Pai e o seu dia.
Contar sonhos nos faz reviver as imagens do inconsciente. Ninguém tem muita paciência para ouvi-los.Assim, não vou entrar em detalhes e muito menos relatar o sonho que tive. Mas há umas coincidências estranhas; para os psicólogos,analistas, seguidores do Freud, Lacan, os grandes da psicanálise e tantos mais talvez fosse possível entender. A proximidade do Dia dos Pais me fez sonhar com o meu. Acho que foi o que aconteceu essa noite. Amanheci com a imagem nítida do homem que, um dia, cuidou de mim, me deu vida.Não foi um sonho alegre. A expressão do pai era de tristeza, angústia mesmo. Ele não se alegrou ao me ver, preparando uma surpresa para ele. Vinha acompanhando minha mãe. Isto posso visualizar, antes que, como os muitos sonhos que temos, se desvanecem, à medida em que o tempo corre.Parecia envelhecido, barba por fazer. E mais não vou dizer. Só que, na vida real, o significado fica expresso, guardado num ponto qualquer deste cérebro incrível com o qual fomos agraciados. É um mistério insondável. Dizem que o utilizamos com o mínimo de sua capacidade. Desejo reprimido ou medo. As duas opções me parecem pobres, inaceitáveis. Simplista demais. Há mais do que isso, imagino. A fé nos faz acreditar que muitas indagações serão respondidas e coisas aclaradas. Isto, depois da morte. Da saída do corpo físico, quando deixarmos a morada terrena, tão passageira e rápida. O tempo de estada neste planeta não nos é dado saber. Como será depois da vida instalada neste corpo? Como será que o espírito, repleto de sentimentos, encontrará, num outro plano, o que tanto queremos saber. Não há respostas. Mas o Dia dos pais está aí, marcando a homenagem que se faz aos homens que contribuíram para nossa formação física, moral e que, tentando acertar, nos deram limites, educação.Pessoas também não tem a figura do pai, já nascem, por vários motivos, sem esse privilégio. Essas estarão sempre cultuando um ser incompleto pois o corpo de carne o osso não conheceram. Aí, pergunto eu, como seria a imagem desse pai para elas? Nós, que convivemos com um pai, vindos de uma família, dita completa, com pai, mãe, até irmãos, comemoramos a data com certa regalia. Somos afortunados. As lojas,o comércio em geral, também tem o privilégio de contribuírem com a venda de ilusões visando o lucro imediato, com as vendas sendo aumentadas, como em todas essas datas,já que o ano todo tem que usufruir dessas vastas comemorações. Mal acaba uma, vem a próxima. Sonhei com meu pai,sim. Sonhei como há tempos não acontecia. Quero crer que não foi apenas uma coincidência, nem influência, vendo tantas promoções para se presentear os pais. Talvez, ele esteja mesmo querendo me encontrar,ainda que em sonhos...Saudades, pai!
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