Morei na fazenda São Tomé até os dez anos, pelo que me lembro. Éramos cinco: quatro irmãs e meu único irmão, o Chico. A irmã mais velha, Teresa Maria, pediu e vou tentar colocar nesta pequena crônica, alguns acontecimentos daquela época da nossa infância. Nas férias, tínhamos o privilégio de receber duas primas da cidade em nossa casa: Lívia e Branca. Faziam parte da "troupe", já que nos intitulávamos artistas. Sim, artistas de teatro, que significava a escola, ao lado da casa da fazenda, como base das nossas apresentações. Então a pretensa diretora seria a irmã que, desde muito cedo apresentava uma enorme tendência artística, digamos assim. Lembro-me dela contando histórias para nós, que a rodeávamos, encantados com suas invenções. Como Teresa sabia descrever ambientes, lugares, casas deslumbrantes, com piscinas,como as dos artistas de cinema, de cujas revistas ela copiava as idéias e colecionava: Revista do Rádio, Cinelândia, Filmelândia e tantas mais. Sentados a sua volta, hipnotizados, viajávamos em suas fantasias. De leitura acho que nossa mãe foi a incentivadora maior. Teresa era a neta queridinha da vó Doninha, mãe de meu pai. Nosso teatro encontrava público que nossa avó, generosamente, nos enviava. Fretava ônibus, recolhendo todos os possíveis colonos, amigos e quem mais ela achasse conveniente. Junto com a assistência, tínhamos doces, bolos,latas com sonhos e iguarias que ela acrescentava para animar a plateia. A confecção das fantasias era uma festa também, Lembro-me muito de uma delas ( capim do Grande Otelo) que Vania, a segunda das irmãs costurou. Tudo tirado dos filmes brasileiros que nosso pai nos permitia, às vezes, no cinema Monte Líbano de Bom Jesus. A "diretora" costumava ficar brava comigo porque não conseguia cantar alto, como seria de se esperar. "Chiquita bacana" eu teria que interpretar galhardamente, mas não acontecia. E ela gritava comigo. Mas em compensação havia outras "artistas" que eram um espetáculo à parte. Vania e Branca. Uma, vestida de calças compridas e camisa, com um cavanhaque feito a lápis, e a outra encenando a mocinha, de saias longas, femininas. A música "Oh", nem sei se era esse o título, só sei que começava assim:- " Eu digo oh! Que coisa louca quando vejo meu bem..." e seguiam, caminhando sobre dois longos bancos escolares, que se uniam de ponta a ponta. O palco, na verdade, a mesa da professora. Foi colocado um galho grande de um arbusto qualquer para enfeitar, bem atrás do nosso tablado. As carteiras escolares, serviam para acomodar a plateia. E os outros primos também assistiam ao nosso teatro. Teresa era sem dúvida a principal atração. Devia interpretar músicas de nossa musa, Emilinha Borba, de quem éramos fãs. No final do espetáculo, quando a regente desse acontecimento anunciava que a "sessão" havia acabado, o primo Marco Antônio, que sempre adorou uma festa, gritava lá de trás: -" Mentira, não acabou nada!" Devo lembrar que ele era irmão das primas, Lívia e Branca que nos prestigiavam com suas participações. Foram momentos inesquecíveis. A memória não capta tudo, lógico, mas nos dá a dimensão de uma infância sadia, de muita festa improvisada, da arte que sempre nos encantou e que não vamos esquecer jamais!
segunda-feira, 16 de dezembro de 2019
domingo, 15 de dezembro de 2019
Uma camisa estampada.
Uma aragem fresca e suave entrando pela porta da varanda. Hora da preguiça. Deitada no meu sofá, como ontem. Na pequena estante, onde habita meu aparelho de TV, há também alguns porta-retratos. Eu com a filha, eu com as irmãs, eu com a prima, eu com o amigo de infância e vizinho. Aí, olhei para a camisa estampada que meu colega de mocidade usava: branco no fundo, com flores de um azul escuro e minúsculas ramagens amarelas. Nossa, gente! O que acontece? Meu passado de volta. Ai, ai, de novo? Sim! De novo. Hoje, quando há uma festa comemorando casamentos ou aniversários, os gastos são imensos. Não me conformo com o desperdício. É coisa demais para um ser humano normal degustar...! O bolo majestoso, a mesa com os mais variados doces, além do jantar e salgados, na saída, uma mesa de café, chocolates, chás, biscoitos e tudo o mais que se possa imaginar. Música contratada é outro gasto imprescindível. Por que falo disso? Explico. A camisa de verão, estampada do meu amigo me lembrou um vestido com a estampa bem parecida : usei nos meus quinze anos. Minha mãe costurou um modelo bem simples. Uma saia rodada, um pequeno decote na blusa e sem mangas. Minha terra natal é quente! Quente demais! O tecido não posso afirmar de onde ela comprou. Havia uma rua de maior comércio. A loja do Zé Salim, me lembro bem, tinha de tudo um pouco: sapatos, algumas roupas na vitrine, roupa de cama e mesa, sombrinhas e tecidos. Na loja dos Borges ( me esqueci o primeiro nome do dono), eram vendidos os mais variados tecidos também. A loja da Enid era de aviamentos, botões, fechos, colchetes de gancho e de pressão, fitas, rendas, e muita coisa que se precisasse para a confecção de uma costura. A loja era do seu Dario Borges, me veio, de repente - aquele de quem não lembrava o nome - e algumas lojinhas mais que não vem ao caso. Voltando aos meus quinze anos: não faltou um bolo de camadas ( uma com anilina rosa ou azul) e confeitado por dona Inah. Alguns docinhos, canudos, doces de leite e cajuzinhos ( aqueles que o Falabella costuma debochar) e doces de coco. Os convidados não havia tantos. Apenas as minhas irmãs e meu irmão. Não me lembro se soprava velinhas. Que diferença dos aniversários de agora...! Éramos mais felizes? Também não sei. O fato é que me lembrei de uma época da vida (por um simples gatilho, a camisa estampada no retrato) quando eu ansiava pelo meu príncipe encantado. E confesso,já havia um, sim. Não vou contar quem era, só sei que, uns dias antes do meu aniversário, fui convidada para a comemoração de quinze anos de uma amiga e colega de escola. Ela ganhou quinze presentes e foi uma festa e tanto. Darei uma pista: seu irmão era quem fazia meu coração acelerar, descompassadamente. Pena que este meu órgão, tão sofrido, só bate mais forte quando me esqueço do remédio de pressão ou a ansiedade vem me visitar. Enfim, " Cést la vie" !
sexta-feira, 13 de dezembro de 2019
O passado me encontrou.
Veio de mansinho. Deitada no sofá, lutando com a lombar, que mal me deixava virar de lado, acessei pelo celular uma mensagem e que grata surpresa: com quem me deparo!? André Rieu e seu mágico violino, orquestrando um Danúbio Azul. As imagens de tirar o fôlego! Dançarinas com seus vaporosos vestidos brancos rodopiavam num salão iluminado, nos braços de seus pares, todos vestidos para uma noite de gala. Aí, gente, fui invadida por lembranças do tempo de adolescente. Costumava ler romances. As histórias eram envolventes. Os mocinhos, perfeitos ( risos) ... naquela ocasião era possível de se acreditar. Eu podia sentir até os cheiros da infância, dos tempos teenagers. Sim, foi o que me aconteceu. O inconsciente ou sei lá que nome dar ao que me causava esta estranha sensação. O passado se alojou e atingiu a corrente sanguínea... Era assim mesmo. Desnecessário dizer, mas lágrimas brotaram com facilidade. A música sublime e bem tocada era um bálsamo recebido. E me deixei ficar. A idade não representava o sentimento que pude experimentar. Naquele descanso, no meio da tarde, consegui rever aquela menina cheia de ilusões, de sonhos. Foi bom. Estou aprendendo a tirar alegria das menores coisas, e me agarrei num tempo longínquo para desfrutar recordações que me fizeram bem. Que venham outras tardes como esta. Acabei dormindo ali.
quinta-feira, 12 de dezembro de 2019
¨Deus escreve certo...
Quem não tiver religião talvez não se anime a ler o que escrevo agora. Pois é, gente. Depois de muito tempo sem digitar uma linha, resolvi reativar meu blog. Não sem um "empurrãozinho". Acreditem se quiser. Estava eu no meu canto, enfrentando um rotavírus que está a fim de me derrubar ( mas que pretendo não permitir: vou nocauteá-lo), quando recebo mensagem de uma amiga da ginástica; ela me lembrava do curso que fiz, no Rio: "Meu primeiro livro". Foi através deste anúncio, no Jornal do Brasil, em folhas de papel, ainda não digital, que me atrevi a me inscrever. Consegui. Foi a melhor coisa que fiz. Encontrei um jovem professor, cultura saindo pelos poros ( e ainda lindo, charmoso) que me jogou lá pras alturas, que me incentivou e deu coragem para escrever. Aprendi, no pouco espaço de tempo, muita coisa útil. Resultou, no primeiro livro que escrevi, sim. Volto a colega da ginástica: ela precisava do endereço ou informações para ajudar sua amiga, aposentada, poeta. Procurei em agendas ( guardo todas) e lá encontrei tudo. Arrisquei o telefone que havia e acrescentei um 9 ao número. Deu certo. No WhatsApp veio a resposta. A dona da sala me respondeu. Ficou feliz de saber do meu livro e até me pediu um volume - queria comprar. Daí, resumindo, me animei a reabrir meu blog. É o que faço e por isso, escrevo. Deus tem seus caminhos, né? Foi preciso andar pela estrada com curvas, sem saber o que haveria, se descidas ou subidas, para uma das poucas coisas que gosto de fazer e aqui estou " de volta pro meu aconchego!" Como diria o cantor... Em tempo: a dona do curso, Cristina, me convidou para um café, quando for ao Centro do Rio. E claro, não vou cobrar o livro pois, sem aquele cursinho maravilhoso não teria virado escritora, mesmo que só tenha uma obra em forma de livro. Quem sabe me animo e faço outro!?
terça-feira, 23 de abril de 2019
Buraco negro ou luz?
Foi incrível a fotografia feita por cientistas: um buraco negro. Tenho nenhum conhecimento de ciências, a não ser aquele mínimo de quando estudei. Um pouco sobre o corpo humano, um pouco do Universo... Mas, com a tecnologia avançada dos tempos atuais vemos e aprendemos muito. Entretanto, fiquei pensando com meus botões... Se disseram que tudo que é "tragado" por um desses imensos buracos negros não tem volta, quem sabe não seria lá a "terra prometida"!? Desculpem os mais cultos, aqueles que sabem das coisas! Não seria o descanso eterno, aquele que Jesus nos ensinou que alcançaremos!? Só tenho indagações, como todos os menos letrados, digamos assim. Aliás, a humanidade inteira não tem as respostas. Penso, sim, que a alma tem um destino, depois de abandonar esse corpo, que dizem, é pura energia. E aí, gente? Essa mesma energia vai ser sugada por um buraco, seja ele negro ou de luz? Quero acreditar que a Terra, esse lindo planeta que habitamos, é um paraíso mas que veio com um enorme defeito: o povo que o está povoando. Apesar do extraordinário avanço em termos tecnológicos as pessoas retrocedem o tempo todo. Há casos graves. A matança dos cristãos, a destruição de Igrejas, a vingança por questões banais, o fanatismo, tanto religioso quanto político, tudo isto me faz pensar. Deve haver um lugar mais civilizado que esse nosso minúsculo planeta, com certeza! Desta vez, acho que extrapolei nas minhas maquinações. Deve haver, sim, (gente?) rindo das minhas bobagens. Mas me deu vontade e pronto! Tem coisa pior, fala a verdade!
sábado, 16 de março de 2019
O jogo da amarelinha.
Quando criança, era uma brincadeira divertida. Fazia-se um desenho no chão, dependendo do solo, com uma varinha qualquer que demarcasse os limites. Eram quadradinhos em escada, depois mais outros enfileirados e mais outro até que se chegasse ao espaço circular que chamávamos de céu. É meio parecido com a vida.Vamos pulando, ora com um pé só, ora com os dois, e vamos nos equilibrando da melhor maneira. Vivemos sem saber o prazo de validade, mas queremos um final feliz, contanto que seja bem distante da época em que vivemos. A idade, quando nos aproximamos do fim começa a partir do primeiro choro, ao nascermos. Parece que adivinhando não será o único lamento. Choramos, sim, desde que sejamos ouvidos. Os pais delirantes, naquela euforia do primeiro contato com aquele ser indefeso, tão carente. E não é que continuamos assim pela vida afora? Peraí, pessoal, falo por mim.Sei que há gente mais resoluta, mais forte, mais lutadora, ou mais não sei lá o quê. Mas o fato é que passamos o tempo todo dando pequenos saltos, até atingirmos o céu. Quem não quer? Até os mais descrentes, os ateus que teimam em negar a fé no Deus, aquele ser indecifrável que criou esse Universo gigantesco.Quando avisto uma pequena estrela brilhando, tenho dúvidas de que seja uma estrela ou um satélite lançado ao espaço pelo homem.Esse mesmo que nasce gritando mas que se torna um ás das criações e descobertas. Mas há aqueles que não se tornam nada. Pelo menos são assim analisados pelos vencedores. Estamos vivendo mais que noutros tempos atrás. É evidente. Aprendemos a nos precaver de algumas doenças, há vacinas, muitos estudos, muito avanço na Medicina e muitos anos mais nos foram dados. Quando alguém alcançava a casa dos cem anos, aparecia notícia nos jornais, em revistas em todos os meios de comunicação. Agora, há muita gente centenária, não é novidade. Mas o corpo envelhecido, dá mostras de que não se conseguiu muitas vantagens... Então, quando alguém adoece e a alma abandona o corpo ali pela faixa dos oitenta mais ou menos, acreditamos que ainda era cedo para aquela figura hedionda, que nos causa tanto medo, ter chegado tão precocemente. Será, gente? Ontem,vi uma amiga que se despedira da vida. Abandonara este nosso planeta, tão lindo e jazia naquela caixa de madeira, sem nenhuma expressão. Apenas um corpo esperando para ser afastado, definitivamente, do convívio físico com os parentes, amigos. E aí, nos perguntamos: onde estarão aqueles sonhos, aqueles desejos, aquele sofrimento, aquela alegria ou tristeza que nos acompanham desde que nos tornamos conscientes? É um mistério insondável. É uma resposta inalcançável que nos fazemos diante do jogo da vida, como aquele da amarelinha mas bem diferente que, neste, conseguimos, aos trancos e barrancos alcançar o "céu". E é bom imaginar que, de verdade, segundo os ensinamentos bíblicos encontraremos a paz, viveremos o nirvana, segundo os budistas, ausência total do sofrimento. A felicidade, gotas que recebemos de brinde para suavizar a passagem pela Terra é tão fugaz quanto o joguinho infantil que, no menor descuido, tropeçamos e perdemos a partida. A partida, repetindo a palavra num outro contexto é para nós um momento de dor, quando a certeza de que jamais veremos aquela pessoa,não mais sentiremos o seu abraço, o calor do seu amor isso nos machuca sobremaneira, fazendo-nos pensar que o céu da amarelinha pode estar muito próximo e que, apesar de ser um lugar de prazer, como o recém-nascido, choramos por medo do desconhecido. Mas o jogo continua...vivamos a vida enquanto nos for dado esse privilégio.
sábado, 23 de fevereiro de 2019
Os mistérios da vida.
Por que escrever sobre a vida? Sei lá...me deu vontade. O sol bonito lá fora não representa nossa realidade, às vezes, tão feia, tão sem brilho! Os caminhos que trilhamos nos são dados aleatoriamente. Sim...não escolhemos nada, na maioria das vezes. Não me digam que é diferente, porque não é. As pessoas que são mais fortes, com personalidades marcantes, cheias de verdades definitivas, também tropeçam nos degraus desta escada. Descemos ou subimos? Se temos fé, esperamos, lá do alto, uma recompensa pelos sofrimentos e aflições. Se não, parece não haver nenhum sentido em viver. Há porquês demais! Basta nos ligarmos em qualquer meio de comunicação para constatarmos as desgraças do mundo. Ontem, via uma reportagem onde o repórter indagava às pessoas se teriam alguma notícia boa. A maioria dizia não. Antes de crescer, de "virar gente" como se costumava dizer, eu achava que a vida seria boa. Acho que li muitos contos de fadas. Naquela época, a gente lia mais, sim. Não havia nem TV! Hoje, continuo lendo. Hábito saudável que herdei da minha mãe. A irmã mais velha então é obcecada. Se não estiver lendo, o dia não rende, sempre foi assim.
Mas volto à vida enquanto ela não me é tomada, sem a menor cerimônia. Com todos acontece. Ninguém ficará pra semente, não é mesmo? Envelhecer é uma dádiva. Todos repetem esse chavão. Senão, estaria do outro lado, claro, morta e enterrada ou cremada. As duas opções são horrorosas, eu acho. Talvez, pelas crises de asma que adquiri ( vejam bem, não pedi!) mas herdei do avô materno, se não me engano, sinto falta de ar, só de pensar. Não tenho tanto medo da morte, como antes, tenho mais medo da doença que nos transforma em fantoches dependentes de remédios, de médicos, de todos. Está ficando meio tenebrosa essa minha escrita! Cruzes! Mas continuo achando um mistério total a nossa existência. Falo do óbvio. Quem não quer descobrir o porquê de nascermos em uma família e não na outra. Alguns, abastados, ricos, saudáveis e outros cheios de problemas, o contrário dos primeiros citados. Pois é assim. Olhar no espelho é outro mistério, gente! Quando aquelas rugas safadas apareceram e nem me deram tempo de retrucar? Não pedi, nem mesmo o bigode chinês e a catarata que me custou caro e duas operações,uma de cada vez, tendo o incômodo de não poder fazer o que gosto. Mas valeu a pena,devo dizer. Depois de um mês, por insistência da irmã cinéfila total, fui ver um filme, no Reserva Cultural. Muito bom, por sinal, "Todos já sabem" com artistas maravilhosos, já ficando um tantinho coroas mas charmosos demais: vou contar o nome deles, não resisto : Javier Bardem e Ricardo Darin, além de Penélope Cruz, uma diva! Então tirei a prova dos nove, porque a tela estava mais nítida do que nunca e a legenda sem a menor necessidade dos óculos pra longe! Valeu cada centavo gasto com a Oftalmologia! Mas reclamar do preço é um direito meu e do meu bolso que anda meio combalido...Deu vontade de parar o texto. Nem sei se alguém vai ler...mas é bom quando dá essa desejo - digitar e mostrar os sentimentos também.
Mas volto à vida enquanto ela não me é tomada, sem a menor cerimônia. Com todos acontece. Ninguém ficará pra semente, não é mesmo? Envelhecer é uma dádiva. Todos repetem esse chavão. Senão, estaria do outro lado, claro, morta e enterrada ou cremada. As duas opções são horrorosas, eu acho. Talvez, pelas crises de asma que adquiri ( vejam bem, não pedi!) mas herdei do avô materno, se não me engano, sinto falta de ar, só de pensar. Não tenho tanto medo da morte, como antes, tenho mais medo da doença que nos transforma em fantoches dependentes de remédios, de médicos, de todos. Está ficando meio tenebrosa essa minha escrita! Cruzes! Mas continuo achando um mistério total a nossa existência. Falo do óbvio. Quem não quer descobrir o porquê de nascermos em uma família e não na outra. Alguns, abastados, ricos, saudáveis e outros cheios de problemas, o contrário dos primeiros citados. Pois é assim. Olhar no espelho é outro mistério, gente! Quando aquelas rugas safadas apareceram e nem me deram tempo de retrucar? Não pedi, nem mesmo o bigode chinês e a catarata que me custou caro e duas operações,uma de cada vez, tendo o incômodo de não poder fazer o que gosto. Mas valeu a pena,devo dizer. Depois de um mês, por insistência da irmã cinéfila total, fui ver um filme, no Reserva Cultural. Muito bom, por sinal, "Todos já sabem" com artistas maravilhosos, já ficando um tantinho coroas mas charmosos demais: vou contar o nome deles, não resisto : Javier Bardem e Ricardo Darin, além de Penélope Cruz, uma diva! Então tirei a prova dos nove, porque a tela estava mais nítida do que nunca e a legenda sem a menor necessidade dos óculos pra longe! Valeu cada centavo gasto com a Oftalmologia! Mas reclamar do preço é um direito meu e do meu bolso que anda meio combalido...Deu vontade de parar o texto. Nem sei se alguém vai ler...mas é bom quando dá essa desejo - digitar e mostrar os sentimentos também.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2019
Olhando a lua...
Quarto crescente? Sei não. Parece que sim. Deitei-me na varanda, acomodada no pequeno sofá. O céu, de uma beleza incrível. O calor continua desafiando nosso humor. Não gosto de frio mas está além do desejado por mim. Ideal o outono, temperado. Só o nosso "OUTONO" anda meio destemperado, diferente daquele das quatro estações. Estou às vésperas de operar catarata. Eu que amo as cores, aprecio mais que ninguém o por do sol colorido, vibrante, vejo tudo tornar-se esfumaçado. Olhando para o alto, avistei aquela paisagem encantada: a lua clara, começando a se mostrar, emoldurada pelo azul do céu, entremeado de poucas e claras nuvens. Só que a visão do nosso satélite natural estava com um brilho espalhado, digamos assim. Reflexos ao redor da lua crescente, já que parece a letra C maiúscula. Olhei também para o lado oposto. Um edifício mais baixo deixava a imagem do por do sol, ou o que restava dele, com uma mistura de rosa e alaranjado. Lindo de se ver, aquela faixa colorida dividindo espaço com o azul ainda teimando em não ir embora. Horário de verão. São oito horas e a claridade permanece. Quanta beleza! Moro numa cidade linda, praiana. Eu que amo uma praia, não posso aproveitar das delícias de um banho de mar. tão poluído, massacrado pelo homem. O céu, ainda não conseguiram. A tarde, majestosa, me mostrava isso. Acomodei-me melhor para vislumbrar a beleza daquele momento especial. A possibilidade de voltar à visão de antes me anima, apesar da ansiedade que qualquer ida a uma clínica nos provoca. Dizem que é banal, dura poucos minutos para se colocar a lente milagrosa e cara. Se Deus quiser, dará tudo certo e assim, pretendo a cirurgia no lado direito, pois preferi começar pelo olho esquerdo que me parece mais vulnerável. Ficar uma semana sem poder me abaixar e mais alguns incômodos também não vai ser fácil. Poder fazer tarefas, na hora que me dá na telha, só agora, valorizo mais, diante da impossibilidade de que isso aconteça. Perguntei à médica se seria prejudicial, se acaso eu chorasse. Ela alegou que era natural eu perguntar qualquer coisa (meio envergonhada, quando indaguei) já que era leiga, afirmou com delicadeza. Por que eu perguntei tal coisa, alguém há de ficar curioso em saber. Explico .Costumo conversar com Jesus, todas as manhãs; acho que ele me ouve porque sempre me envia muitos passarinhos para me acalentar. São anjos, com certeza. E choro também. É uma forma de aliviar as tensões. Fico bem melhor depois, já comentei isso. Outro dia, vi, pelo Facebook, uma imagem linda de um menininho dizendo, em oração: " Deus, se você não me atender vou contar pra Sua Mãe!"Coisa pura, de uma criança, em sua linguagem espontânea e direta. Creio firmemente, que Nossa Senhora é intercessora junto ao Nosso Pai, por isso, roga a Ela que peça a Jesus me devolver a alegria de ver melhor. E já agradeço: obrigada, Senhor!
sábado, 5 de janeiro de 2019
Escovando os dentes e a vida.
Olhei para o espelho, enquanto brigava contra as cáries e tártaros: escovava os dentes. De repente, me lembrei da época em que comecei a estudar no Grupo Escolar Pereira Passos. Um dia, ganhei um tubo de pasta de dentes, eu e todos os alunos, acredito. Era amarelo com letras verdes com a marca Kolynos. Não é propaganda, apenas me recordei nitidamente.Voltei pra casa encantada. Parece foi ontem, revivendo o carinho com que guardei na pasta escolar tão precioso presente.
Na idade provecta ( ainda se usa esse termo?)em que me encontro, é muito bom ainda conservar quase todos os dentes. Naquela época, que já vai longe, não havia tantas informações como as das crianças de hoje. Meu pai teve um amigo, me lembro do nome, Temildo que me elogiou, quando sorri para ele, eu acompanhava meu pai, no Aero Clube, ainda menina, nos meus doze ou treze anos, sei lá. Ele disse que meu sorriso era bonito. Acreditei. Acho que não mentiu; apesar de não ter uma dentição perfeita, como os que usaram aparelhos para alinhar os dentes. O fato é que, às vezes, me vem essas lembranças inexplicáveis. Aí, outros pensamentos acabam povoando essa maquininha que não para. Revivi os tempos da quarta série primária, quando via a professora, muito brava, dando com uma régua na cabeça dos meninos mais levados da turma. Era normal. Ninguém se feria de verdade.Eles até mereciam. As escadas eram muitas até atingirmos a sala de aula. Antes, em fila, cantávamos o Hino Nacional e o da Bandeira. Houve também o dia da vacinação ( catapora ou varíola, sei não) e eu e a grande amiga e colega de colégio, Sara Celeste, corríamos para os últimos bancos até que o funcionário da Saúde nos alcançasse. E depois, a casquinha no braço, que desaparecia logo. "Que saudades da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais"...plagiando o poeta. Agora, me vem essas lembranças, tiradas do fundo do baú, sei lá porque...Relembrei o amor infantil por aquele menino lindo, de calças curtas ainda, é claro! O nome dele era Wilson. Como era bonito e como levava reguadas da professora Nilce... Nunca ninguém ficou sabendo da minha paixonite pelo garoto. Já posso contar, gente, afinal o tempo passou e é tão bom poder relembrar essas coisas tão bonitas, tão puras, que me fizeram tão bem...!
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