Acordo cedo, normalmente. Costumo ouvir o trinar de um passarinho, quase todas as manhãs. Fico imaginando se ele estaria preso numa gaiola, no edifício em frente ao meu. Não gosto de gaiolas, muito menos de pensar que um ser criado por Deus, com asas, fique confinado a um espaço mínimo, quando poderia estar alçando voos pelo mundo afora. Costumo, já faz um bom tempo, rezar o terço, pedindo pelos filhos, neto, irmãs e irmão, cada dez ave-marias nesta ordem e o Pai Nosso rezo pelos amigos doentes e todos que se encontram com dificuldades. Virou um momento de paz, de entrega. Aí, hoje, olhei para o céu, de um azul claro e desejei poder avistar aquele passarinho que com o seu canto, me traz alegria. Ele parece repetir para mim: "bem-te-vi, bem-te-vi..." No apartamento de cobertura,à frente do meu, tem uma antena de TV. Olhei ali, pensando ver o pássaro. Avistei-o, sim. Peguei meus óculos para longe e confirmei a presença daquele pequeno ser. Chorei...lágrimas desceram de maneira agradecida pelo que considerei uma dádiva dos céus. E ele repetia o seu mavioso canto: "bem-te-vi, bem-te-vi"... As poucas nuvens brancas se afastavam e o azul celeste me faz crer que Nossa Senhora se veste com essa cor. Lá de cima, envolve meus filhos e os protege.Faço isso, há tempos, visualizo a imagem da Mãe de Deus com seu manto celeste. Isso me dá confiança. E, continuando, eu ainda ouvia o cantar do passarinho, apoiado na antena de televisão. De repente, ele voou, e pousou de novo na beira da murada. E voou de novo, sumindo no espaço. Espero revê-lo amanhã, acordando com a sensação de que Jesus me mandou um pequeno anjo, em forma de pássaro, para me acalmar e me dar alento, nos momentos de dor, com seu gorjeio abençoado.
quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
sexta-feira, 8 de dezembro de 2017
Pequenas alegrias.
"Escreve, Neuza!" Li essa frase enviada por Sonia, hoje. Longe, pelo espaço que nos separa, se olharmos no mapa. Mas muito perto, sempre, quando a olho pela Internet ou mesmo durante minhas orações porque,de dez em dez ave-marias, divido mais ou menos assim: para os filhos ( que são tres),
para o neto e as dez últimas para cada uma das irmãs e único irmão.Minha filha costuma se admirar quando compro um balde, super prático ( porque não preciso me abaixar e nem torcer o saco esfregão) já que, na minha idade, facilita muito. Quando coloquei rodinhas na mesa usada de cabeceira, ou comprei panela nova. "Só você, mãe"! Acho que sou premiada. Adoro consertar coisas. Já mudei muita tomada de ferro elétrico, sei arrumar a descarga quando o dispositivo que segura a água dá defeito, e outras coisas desse gênero. Esta semana, peguei um quadro que já pintei há tempos. Tirei-o da parede, e, na pequena área de serviço, coloquei-o sobre a máquina de lavar roupa, devidamente forrada, e retoquei a imagem da moça nua, à beira do rio. Há tempos, queria fazer isso. Ficou bem melhor, a moça, até mais magra. Joguei luzes onde precisava e flores no caminho. Achei bom. Passo pela sala e olho orgulhosa para o trabalho que refiz. Sei que minha irmã, pintora talentosa que é, vai me entender. Hoje, é também dia de ficar com meu neto. Fim de semana com a família do pai. Na verdade, sou eu quem fica com ele, desde pequeno. Aguardo a sua chegada com grande alegria. Esta é grande mesmo...! Não é só a compra de um ventilador novo! Ele, quinze dias atrás, me ajudou a compor a árvore de Natal. Aproveito aquela planta linda que minha mãe me deu, a "árvore da felicidade", para colocar as bolas vermelhas. Quem me ajudou? Meu netinho querido. " Aqui está bom?" Pergunto eu. Ele se sente valorizado e escolhe cada galho onde a bola fica em evidência. Outra coisa deliciosa vou dizer a voces, meus leitores. Ele tem um estrado que mandei fazer para quando ele viesse dormir aqui. Fica sob minha cama.Quando bate o sono, ele, que já se aboletara em minha cama, pede que eu conte uma história e mais, que faça massagens nas costas. Tem coisa mais fofa? Pela manhã, quem é o "hóspede" na cama da vovó? Adivinhem...! O contato com essa pessoinha querida me dá um trabalho danado! Jogo partidas de futebol no X box, e ajudo a escolher o time do Neymar ou do Messi. Gosto de futebol, é verdade mas tem hora que estou cansada. Outro dia, ele comentou com entusiasmo: " Vó, devia ter futebol para idoso, voce joga bem!" Pode, gente? A vida nos dá grandes rasteiras, muitas vezes, mas também grandes alegrias!terça-feira, 31 de outubro de 2017
DIA DAS BRUXAS.
O mês de outubro traz essa pecha horrenda: ser o tempo das bruxas, pelo menos na América do Norte, quando crianças saem às ruas, de porta em porta pedindo prendas, doces e tudo a que tem direito: "gostosuras ou travessuras", segundo o costume de lá. No Brasil, como de costume, imitamos os americanos do Norte. Macaquice de brasileiros, querendo um modernismo que não é nosso.Enfim, cada terra com seu uso, melhor seria. Mas não é. Para mim esse não é um mês de alegrias. Perdi meu pai num fatídico dia nove. A bruxa, passeando pelo apartamento, no prédio dos Bancários, levou com sua vassoura obscena aquele homem tão querido, o meu pai, tão novo, tão precocemente que nem esperou meu primeiro filho chegar. Eu, grávida, ali pelo quarto mês, recebi a pior notícia, naquele momento.Agora, no último dia deste outubro, andei sentindo uma tristeza grande, que, mesmo depois de tanto tempo, me faz doer a alma( aprendi que ela dói,sim) porque não é físico é emocional, é um sentimento indefinível de perda. O tempo anda correndo demais pro meu gosto. A vida machuca a todos, independente de raça, cor ou condição financeira.Convalescente ainda, não me acostumo com a incapacidade física, aquela que me restringe os movimentos, que não me dá o direito de dar uma arrumadinha na casa ( antes, reclamava tanto, hoje sinto saudades das faxinas, troca de móveis de lugar, um almoço a fazer, compras no mercado) e tudo o mais que fazia. Repouso é uma coisa de gente velha e doente. Voltei a fazer ginástica, forçando um pouco a barra. O encontro com os amigos na pracinha, os abraços, as palavras de incentivo, tudo me faz muito bem. Só que, hoje, senti-me um tanto fraca e voltei antes do alongamento final. Depois, haveria a comemoração dos aniversariantes do mes, as "moças" levam quitutes, bolos, salgadinhos e os "meninos" levam sucos ou refrigerantes, e cantamos parabéns, numa roda onde de mãos dadas, pedimos a Deus por cada um deles, além das lembrancinhas distribuídas. Amanhã, quero ir e me sentir reconfortada, mais segura. O feriado de dois de novembro, vão emendar com a sexta-feira, que até parece o Tiradentes, tamanha a forca que costumam estipular para esse último dia, imprensado. Ainda bem que o Dia de Todos os Santos vem compensar a celebração nefasta do Dia das Bruxas. Que eles nos afaguem com suas intercessões pedindo a Jesus por nós...Em tempo, meu aniversário cai, justo, no dia de Araribóia. E o coitado do índio deve estar envergonhado com tanta corrupção no país que ele ajudou a erguer. As prais sujas e poluídas da baía, são a demonstração de que o homem moderno devia voltar a procurar a sabedoria indígena para manter o nosso planeta. O país mais evoluído, poderoso, dos mais ricos vota pior que nós, povo deseducado e pobre: quem não estremece ao observar o seu presidente, um tal Trump, que parece aparentado com as bruxas das quais eu falava no comecinho deste texto? Talvez, seja de mau augúrio um presidente, cuja primeira letra seja o T... Pra quem sabe ler um pingo é letra...
quinta-feira, 12 de outubro de 2017
Herança.
Hoje, queria ser criança. Comemora-se o dia da Mãe de Deus,Nossa Senhora Aparecida e das crianças: a pureza representada em todas as medidas. Aí, me lembrei de dois presentes que minha mãe me deu. Um árvore da felicidade, que trouxe num pequeno saco de plástico com muita terra molhada, meio barrenta e que resiste ao tempo, há quase dezessete anos.Plantei-a num vaso grande e já alcança o teto da sala. No Natal, coloco, ali, bolas coloridas para comemorar o nascimento de Jesus. O outro presente ela me deu para a casa de Búzios. São pratos e uma bandeja com o desenho de um peixe azul. Guardo-os como relíquia. Mas a melhor lembrança da minha mãe, seu exemplo. Mulher dócil, de fácil convivência, amante dos livros, de cinema, de arte, enfim. Da infância na fazenda, veio-me a imagem da janela de madeira, pintada de vermelho, quando aproveitando a luz do dia que se apagava, ela lia contos de fadas para mim. Eu olhava o contorno dos morros que rodeavam a casa e voava alto com as histórias. Acho que, pela idade, eu era a companhia mais constante quando íamos a Bom Jesus, de ônibus. Andávamos mais ou menos um quilômetro da casa até o ponto de ônibus, à beira da estrada. Para mim, uma alegria; mas tinha o lado ruim: eu sentia enjoo: o cheiro do combustível, misturado à poeira da estrada me faziam mal. Costumava levar um limão pra ir cheirando. Diziam ser bom. Mesmo assim, chegava "mareada" ao destino final. Ainda que a condução não fosse um navio. Três vestidos de minha mãe ficaram das mais tenras recordações. Um estampado de azul e branco, saia godê mangas curtas, outro bege com um tipo de bainha enfeitada, em toda a volta e ainda o verde claro. Todos de muito bom gosto, que assentavam lindamente na mulher elegante e bonita que foi. Lá na cidade, ela me comprava sandálias brancas na loja do Zé Cabeça. Era a melhor hora...eu saía pisando como se fosse a gata borralheira no sapatinho de cristal. As sessões de cinema, no Cine Monte Líbano, eram indescritíveis. O sonho maior. Como eu e as irmãs, nos regalávamos com os filmes românticos, as séries de domingo! Era um tempo mágico. Minha mãe recebia as nossas amigas com muito carinho, ouvia os assuntos e confidências como ninguém. Numa época em que as mães não eram tão participativas, ela tinha um comportamento diferenciado. Nossas roupas ela as costurava. Aprendi a fazer bainhas, arremate tudo com ela,vendo-a cortar os moldes sobre a mesa da copa. Tenho saudades, sim. Sou nostálgica ao extremo. Agradeço a minha mãe o fato de gostar de novelas ( naquela época, do rádio.) Não herdei dinheiro dos pais. A maior dádiva é pensar que, se me fosse dado escolher, seriam eles os escolhidos - seus defeitos irrelevantes, diante de tanta alegria que souberam me proporcionar. Liberdade. Ela, principalmente, soube dar sentido a esse substantivo nada abstrato, visto que posto em prática e concretizado pela mãe excelente que Deus me deu.
sexta-feira, 6 de outubro de 2017
De volta para casa.
As imagens se multiplicam. São tantas informações que fica difícil precisar a hora e em que situação aconteceram. Só sei que, em seis dias, pude avaliar de verdade o quanto é bom gozar de boa saúde. A rotina de nossa vida passa a ter uma importância que não via antes. O fato de ter alta do hospital parecia ser meta inalcançável, quando você se percebe num emaranhado de fios, agulhas, soro, antibióticos, remédios para a dor, exames, furos de todos os lados para exames de sangue , na ponta dos dedos para glicose e outras coisas desagradáveis. O fato de não se ter os movimentos livres, de dormir na mesma posição ( se é que se dorme amarrada a um leito de Unidade de Terapia Intensiva) é insuportável.Voltando, de quando tudo começou: a sugestão do médico era que deveria procurar a Emergência do hospital para exames. Fui. Como eu, várias pessoas a espera de atendimento, numa sala que parecia o freezer de geladeira. Horas de angústia e apreensão. Finalmente, meu nome gritado pelo funcionário: tomografia. O soro já fincado numa das veias me espiava, incrédulo. Até que não foi tão desgastante, não demorou muito. Aí, a espera dos resultados. Depois, já passadas horas de friagem, fui chamada para a "sentença" final. Pelo menos era o que eu esperava; um laudo para me orientar e esclarecer o que me acometera de forma cruel.Não quero descrever. Nisso tudo, sempre há pessoas amáveis, solidárias; uma jovem que se encontrava na mesma "sala verde"e terminara sua avaliação e tomografia, me vendo tiritar de frio, ofereceu-me uma manta que usava, cobrindo-me gentilmente. Deu-me seu endereço para quando fosse devolver, sem pressa, simples assim. Aí, meu nome foi ouvido, já no final da fila. Fui para uma outra sala, muito bem equipada, computadores à frente dos jovens médicos, movimento de técnicos de enfermagem, algumas camas, separadas por cortinas. Fiquei ali, já com a atenção do cunhado médico e minha irmã. Ouvi o resultado: -" A senhora vai ter que ficar em observação. Há alguns problemas detectados pela tomografia. Tem que se manter no CTI por esta noite, para melhor avaliação e cuidados". Pareceu-me um pesadelo. Quando imaginei que ficaria retida!? Meu ex-marido e meu filho acabavam de chegar na Emergência. Conversaram com o técnico da enfermaria, um gentil homem que não media esforços para não me constranger. Mesmo depois de certa idade, há esse fator, não sei se de vaidade ou de pudor mesmo. Talvez, as duas coisas juntas. Mas me colocaram aquela vestimenta horrenda que declara: você virou uma paciente ( não é à toa essa denominação). Daí a algum tempo, subiram para o andar de atendimento intensivo. Deitada na maca, corri pelos corredores enormes, gelados. Depois de acomodada naquela cama que sobe e desce, ferramenta essencial para convalescentes ou incapacitados de se mexer. Aí, avistava, de um lado, o soro pingando devagar, de outro, aparelho que mediria a pressão, " enforcando" meu braço de tempos em tempos. Verdadeira armadilha. Ainda por cima, aliás, por baixo, uma fralda descartável que era trocada a cada precisão. Coisa horrível, gente!Humilhante para quem nunca havia passado por tal experiência. Médicos, enfermeiras, técnicos, ajudantes, todos eram vistos de onde eu estava. Eles falavam alto, falavam de tudo. Por um lado, sentia-me protegida. Entretanto, cedo demais, percebi que não estaria confortável diante daquela falação toda. Não nego que o atendimento era de primeira; a todo e qualquer chamado meu alguém acorria. Quando criança, fui ensinada, a duras penas, que na cama, não devia fazer minhas necessidades. Agora, diante de médicos ( alguns charmosos e bem jovens) teria que liberar minhas fisiologias...Dá pra acreditar!? Dois dias, sem dormir, sem comer, só com o soro me sustentando e antibióticos, remédios pra dor. Toda hora, um apertão no braço direito, acoplado ao medidor de pressão.:Uma notícia alvissareira, finalmente:-" Hoje, a senhora vai para o quarto." Parecia animador. Pensei que, dali, seria liberada. Ledo engano, ainda permaneci mais quatro dias. O braço, em petição de miséria, com furos e furos. Uma enfermeira, preocupada em voltar para sua casa, longe, em Itaboraí, saía do seu plantão e me garantiu que tudo estava bem. Os dedos da mão apresentavam enorme inchaço. Resumindo, as substitutas do plantão detectaram que a veia estava sem o silicone que conduzia o soro e remédios. Outra Odisséia: procurar uma veia mais prestativa. Não foi fácil. Agora, a mão direita, comprometida, sem seus movimentos, ficou mais difícil. Foram mais três noites insones. Escovar dentes com a esquerda é tarefa para heroínas. Cada vez que ia a banheiro, uma confusão daquelas... Enfim, quando o doutor cirurgião que me daria alta adentrou o quarto, parecia a visão do Criador! Só ele poderia autorizar a saída. A notícia boa ele trouxe mais uma: não seria necessário cirurgia. No dia seguinte, a libertação. Quando me foi tirado aquele fio da mão, senti-me liberta. Como era bom poder usar as duas mãos! Tomei um banho, agora normal, sozinha. Diferente daquele dado na própria cama, com um saco de água morna, álcool sem poder me mexer, quando estava na terapia intensiva. Sentia-me limpa. Liberta.Agora, em casa, conto com o auxílio da filha que me acompanhou o tempo todo. Verdade que, algumas vezes, teimando comigo. Mas ela ficou firme. Difícil ficar num quarto de hospital, trancafiada. Hoje, já em casa, continuo com muitos remédios, sim, ( substituídos por comprimidos ao invés da veia, por mais sete dias)o que me deixou muito enfraquecida. Mas um sonho, o caminho de volta. Chegar em casa foi um presente de Deus. Agradeço por cada momento usufruindo a rotina da minha vida, tendo contas a pagar, compras a fazer e tudo o mais. Só damos valor à saúde, de verdade, quando a vemos nos abandonar. Afinal ela também gosta de férias...Quero continuar sua amiga, sempre.
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quinta-feira, 14 de setembro de 2017
25 centavos.
Já falei várias vezes sobre o projeto Gugu que frequento.Há espaços ao ar livre, nas praças, nas areias da praia, nos espaços alternativos de uma empresa, que patrocina, pagando aos professores.Então, estava eu driblando as dores do corpo e me exercitando bravamente, na pracinha, perto de casa. Temos um pequeno cofre, onde quem quer, deposita uns trocados para celebrarmos datas festivas, aniversariantes do mês, colocação da borracha nas pontas dos bastões ( são utilizados para realçar os movimentos).Aí, olhando para o chão, avistei uma pequena moeda de vinte e cinco centavos. No final da aula, resolvi pegar a moeda e colocá-la no dito cofrinho. Fiz isto achando não ter importância maior do que o valor da minúscula quantia que representa tal moeda. Depois, fiquei me sentindo mal. Afinal, não era minha aquela moeda, mesmo sabendo ser difícil descobrir quem a perdera. Mas não era minha...repetia minha consciência culpada. Vim pensando na corrupção, constante nos noticiários, que surgem a cada dia de todas as formas: aparecem propinas e mais propinas. Preocupei-me tanto que vinha pensando no fato de eu não ter tentado achar o dono da moedinha de vinte e cinco. Como faria eu? Qual a maneira correta de me redimir? Já na esquina de casa, na volta, clareou a solução: colocaria outra moeda igual, no mesmo lugar em que achara a outra. Penso que alguns irão achar exagero de minha parte. Mas já diz o ditado: " Quem rouba um tostão, rouba um milhão"! A causa é nobre, sei disto. O cofrinho é uma contribuição espontânea de cada um. No final, são compradas pequenas lembranças para os que comemoram seus aniversários. Há valores altíssimos que são roubados pelos nossos dirigentes, pelos políticos, empresas e mais empresas participando das falcatruas diárias. Sabemos disso. Mas o que sei mesmo é que amanhã, assim que chegar à praça onde encontrei os vinte e cinco centavos, vou deixar, como quem não quer nada, a pequena moeda de vinte e cinco centavos lá, caída no chão, como a encontrei. E o meu travesseiro, de novo, vai amparar a cabeça, com consciência tranquila!
sexta-feira, 1 de setembro de 2017
Ocaso e Acaso...
Gosto de escrever. Aquelas duas palavras estão circulando no meu inconsciente ( ou será subconsciente? Sei lá); só sei que deu vontade de dizer algo relativo a essas duas palavrinhas tão contraditórias já que são parecidas e que, apenas com a mudança da primeira letra, o seu sentido se transforma.Ocaso é o desaparecer de um astro no horizonte, diz o dicionário - uma das explicações - e acaso, dizem alguns, pode ser uma coincidência do destino. Há uma corrente, pessoas que expressam com veemência, não existem coincidências, então não deveria dizer que foi obra do destino. Está confuso. Existe um programa para nós? Somos ou não o resultado do que pensamos, de nossas escolhas, do livre arbítrio? Queria ter mais consistência naquilo que penso. Na verdade, deixo fluir o que vai saindo, aleatoriamente, dessa minha cabeça um tanto cansada. Mas, desde ontem, quando observava o sol se escondendo, lá atrás do morro, fiquei imaginando coisas. É a hora do dia de que mais gosto. Não dá pra encarar a nossa estrela de frente, dá cegueira, tamanha a sua claridade. O que me dá gosto é ver as cores alaranjadas, vermelhas, contrastando com o azul do céu, esta cor linda que também vai se esvair, dando lugar ao escuro da noite.Aí, me veio um pensamento comparativo: somos como cada dia que acontece quando, primeiro, vem a manhã; passamos pela tarde e por fim, vemos a noite chegar. Então me dei conta de que estou no ocaso dessa passagem pela Terra. Assim como o sol. O tempo é infinitamente menor, se me refiro ao dia. Devia me alegrar, sendo parecida com o astro Rei. E deveria ainda me vangloriar por ter atingido um tempo tão maior do que ele gasta ao ver esse planeta azul dando voltas ao seu redor. Só por acaso arranjei este assunto. Só por acaso desejei escrever essa pequena crônica. Só por acaso também, ontem, fui ver um filme brasileiro que ganhou alguns prêmios: pela atuação de grandes atrizes e atores, assim como a criadora da história. Saí do cinema com uma sensação estranha. Não vou contar o filme, claro, porque, como eu, há quem não goste de estragar a surpresa de uma bela encenação cinematográfica." Como nossos pais", o nome do filme.Acho, quem puder, deve assistir. Saí meio triste. É só o que posso dizer. A vida tem um aspecto intrigante. Acabo de receber um telefonema. Não importa quem tenha ligado. Só que, ao me levantar para atender a ligação, percebi que a hora de hoje é a mesma em que observava o por do sol de ontem. Parei. Cheguei da porta da varanda e olhei de novo aquela enorme bola amarelada, brilhante, me olhando lá de cima. Que lindo! Não me canso de admirar...!Acaso, eu ter sentido a mesma sensação de ontem? Não sei. Prefiro acreditar que foi mera coincidência...
sábado, 26 de agosto de 2017
Indo e vindo...
Verdadeira Odisseia, a ida. Andei alguns quarteirões até a praia. Dali, pegaria um ônibus que me deixaria próximo ao Reserva Cultural. Ia me encontrar com a irmã para assistirmos a um bom filme. Este, uma nova versão do que já vira há um bom tempo:" O estranho que amamos",cujo ator, na primeira versão,Clint Eastwood, lindo, jovem, era o protagonista. Aí, o telefone toca, justo na hora em que ia contar sobre a ida, com a intenção de me divertir um tantinho. O filho mais novo sentiu-se mal. Parece que a pressão alterada causou transtornos, ele reclamava de estar meio zonzo. De longe, é uma agonia saber que alguém está em apuros, ainda mais se esse alguém é seu filho. Graças a Deus, tudo se resolveu, ele tomou um chá, se levantou e a situação ficou sob controle. Gostaria de saber a receita certa para viver a vida sem me envolver com problemas familiares. Tenho certeza, estou há anos luz de descobrir. Mas volto à narrativa de ontem: ia ao cinema, sem muita vontade, mais como terapia para o desânimo que sinto. Quando mocinha, a tela do cinema era mágica para mim. Eram outros tempos. Eu" viajava", amava os artistas, pura admiração. Encaixava-me nos lugares das heroínas e os sonhos povoavam a minha mente. Há uma livraria no andar térreo, livros e autores mil. Dá gosto e vontade de comprar todos. Só vontade porque o bolso não comporta tanta despesa. Enfim, eu e a irmã nos encontramos, ela comprou os ingressos e adentramos a sala de número dois. Já escura. Acho aqueles degraus, iluminados com pequenas lâmpadas, uma verdadeira armadilha para idosos. Havia pouca gente, talvez por ser sessão de 15.50 h. Cedo, sol brilhando no céu.O filme valeu a pena, sim. Saímos e precisei dar um telefonema em resposta a uma mensagem enviada antes. Liguei o celular e quando terminei de digitar e texto, vem em minha direção uma das primas queridas, que assistira a outro filme, naquele mesmo horário, em outra sala, naturalmente. Ela é uma daquelas pessoas que nos fazem bem, bom papo, alegre, sempre com um sorriso, bom humor. Até aí, tudo de bom. Ela se despediu, alegando ter que pegar a filha no Conservatório de Música,já que a menina se entusiasmou ao assistir a vida de João Carlos Martins, no cinema; quer estudar piano. Talentosa, alma de artista, a garotinha precoce,já fez um livro. Se candidatou a representante de turma e venceu a disputa. Como veem, tem um futuro brilhante. Quem sabe daqui a um tempo, presidente do nosso país?...Precisamos de gente assim. É preciso rolar muita água debaixo da ponte até que aconteça. Espero os filhos e o meu neto vejam pessoas dignas, compromissadas com o povo e não com seus próprios bolsos a tomarem a frente do Brasil.Voltei para casa melhor do que saí, claro. O difícil é me armar de coragem, mudar uma roupa qualquer e correr atrás. Atrás do que? Alguns irão perguntar. Não tenho resposta por enquanto. Talvez, atrás de um pouco de vida. Terapia ocupacional. Trabalhar em casa, arrumar os quartos, ir ao mercado também ajudam. Mas não trazem a satisfação que merecemos. O telefone já tocou duas vezes, enquanto escrevo. Agora, o interfone. Pensei que fosse a revista que chega aos sábados. Ledo engano. Era o entregador do mercado. Tarefas, tarefas e mais tarefas. Devo agradecer a Deus que, na minha idade, ainda sou útil, capaz, enfrento com bravura as dificuldades do corpo, já meio gasto, que teima em doer nas horas mais impróprias. Enfim, devo admitir que o assunto de hoje está meio monótono. Vou aliviar meus pretensos leitores. Até breve, gente... Ah! em tempo: o telefone tocou novamente. Era a irmã, convidando-me para assistir a outro bom filme. Vou ou não vou? Hoje, meio Agatha Christie... Adivinhe se for capaz!
segunda-feira, 21 de agosto de 2017
Chove chuva...
Hoje, amanheceu chovendo muito. Não pude ir à ginástica já que é ao ar livre, numa praça, próxima de onde moro. Projeto importante, implantado por alguém que não está mais entre nós. A idéia vai permanecer viva. Mas o dia está triste. Pelo menos, para mim. Nasci num lugar onde o calor impera durante o ano inteiro, o inverno é ameno. Talvez seja por isso o incômodo que me traz essa friagem e chuva. Gosto de banho frio, de pessoas na rua, reclamando do calorão insuportável, de dezembro a março; é mesmo difícil, sei que sim. Mas é mais alegre. As pessoas estão mais próximas pela Internet. As distâncias ficaram menores, quando vemos pela telinha do computador os entes queridos que moram longe. É bom. Mas sinto saudades do tempo em que as cartas eram esperadas com ansiedade. Esse substantivo, agora, tem um significado pior. Ao pé da letra, mostra quem não suporta o caminhar rápido da vida. Todos temos pressa. Todos sem tempo. Os encontros verdadeiros encurtados pela forma veloz que nos impõe abreviar as palavras e diminuir as frases, enfim, todos sem tempo para tudo. Por que? Só o que aumentou foi a violência, aquela que nos força prisão domiciliar...não aquela dos governantes, descobertos em falcatruas, para "inglês ver" mas o medo de estarmos à mercê de bandidos que povoam nossa cidade. Alastrou-se pelo mundo todo. Países da Europa, tidos como oásis de cultura, estão sendo violados por assassinos cruéis. Não há lugar seguro.Muitos querem abandonar seu país de origem em busca de paz. Este substantivo cada vez mais abstrato! Escrevo daqui, no interior do meu lar. Estarei em segurança? Até porque, só de imaginar a rua molhada, fria, céu encoberto por nuvens, tudo me traz vontade de um cobertor quentinho, lendo mensagens dos amigos ou fazendo orações. E a chuva não dá trégua. É importante que ela venha, precisamos de água. Assim, fecho essa pequena crônica. Os pés estão gelados, preciso de meias, o coração também deve ser aquecido. Esperança é o mais bonito dos substantivos, aliás o segundo porque, em primeiro, vem o amor - este, sim, o mais significativo, o mais abrangente o mais completo. Dele se derivam as mais belas páginas da vida. Ontem, pediram-me para ler um texto da bíblia, na hora da missa. Havia pouca gente na capela. Sou tímida, devo dizer. Mas naquele momento, me senti tão honrada, microfone na mão,dizendo sobre os dogmas da Igreja. Eu, tão pequena, tão pecadora, na casa do Pai, onde costumo estar com mais frequência com mais alegria!
sexta-feira, 18 de agosto de 2017
O TEMPO PASSA...
Costumo dizer que somos como carro velho, dando sempre oficina! Mas não quero ser pessimista, pelo menos os meus contemporâneos preferem não encarar a realidade. Assim, não leem. Tem razão. O fato de envelhecermos é natural, faz parte. Mas há os que não dão bola e tocam a vida sem transtornos e reclamações. Invejo-os.Muitos entram para cursos, aula de dança. Embora eu ame dançar e mais ainda ouvir música, não me sinto estimulada a encarar essa opção. Uma vez, devo admitir, tentei. Estava acompanhada de alguém que, naquela época, me fez bem. Era animado e me levou a um lugar onde um professor de dança, com toda a paciência, tentava um "milagre": fazer um burro velho dançar. Primeiro, ele me anunciou alguns passos e eu custei a acompanhá-lo. Depois, eu esperei, sentada numa cadeira, o mesmo professor se abraçar ao meu companheiro, guiando-o para os passos que o fariam dançar...pronto! Pra quê? Só me lembro de ter saído correndo, à procura de um banheiro mais próximo porque quase fiz xixi "nas calças" de tanto rir. Aquela cena foi melhor que qualquer comédia que já assisti no cinema! Foi bom me lembrar disso para contar a quem for ler essas pequenas crônicas que escrevo, vez em quando. Hoje, nem me lembro mais de quando me via no espelho posto, lá longe no meu quarto e que eu avistava da sala. Quantas vezes liguei música e me aventurei passos de samba ( uma das danças mais difíceis para mim) e que, apesar das inúmeras tentativas, nunca aprendi. Ando desanimada para qualquer atividade; ir ao cinema era uma das que eu mais gostava. Agora, a preguiça de me arrumar, pegar condução para ver um bom filme, me impede de sair. Não quero estar assim. Acho que o motor anda cansado, o mecânico não é dos melhores e não deu jeito na " rebimboca da parafuseta" se é que me entendem...O tempo passou mesmo. Deixou a alma desgastada. Invejo as pessoas que continuam suas atividades, sem dar bola para esse relógio cronológico. Vivem o tempo que definem, são donos da própria sorte e enfrentam a vida com uma garra que dá gosto! Conto com a esperança de que isto vai passar. Faz tempo, luto para encontrar o bom humor e coragem de antes. Era um tanto inconsequente, como deve ser o nosso posicionamento diante desta vida, tão incerta e tão efêmera. Sei que, um dia, vou acordar mais animada. Sei que a fé move montanhas. E eu, afinal, não sou feita de pedras. Sou um ser humano a espera de dias melhores...
sábado, 12 de agosto de 2017
Sem palavras...
Cem palavras ou sem palavras? Quanta diferença pode fazer uma única letra! Pois é. Se fosse enumerar alguma coisa, usaria a letra c; entretanto,tantas palavras seriam insuficientes para explicar o sentimento que, algumas vezes, não tem explicação. Por outro lado, se empregasse a letra s, também seria usada inutilmente. Há coisas que não tem lógica.Não me é dado exprimir apenas com algumas frases, independente da letrinha a ser aplicada, essa agonia.Escrever um texto sem cometer erros é difícil. Gramática pode ser corrigida, mas aquela dorzinha implantada na alma, não. O local certo, onde adormece o sofrimento, desconheço. Usei o que me veio primeiro. A mente é um mistério insondável, pelo menos para mim. Mentira, é para todos.Disso tenho certeza. Os estudiosos que me perdoem se me falta informação. Talvez, eu prefira que ninguém leia esse meu texto. Apenas, tento colocar o que se passa comigo nesse momento estranho; eu mesma não entendo o que me causa essa essa dor que não é física, mas é doída tanto quanto.Remédios há para esse transtorno? Alguns até conseguem serenar, acalmar essa enorme angústia, misturada com tristeza, uma pontinha de ansiedade e ausência total do desejo.Lia outro dia, numa revista de renome, um texto que me deixou mais animada. Falava de uma potencial cura para a depressão. Nada de novo, apenas um remédio usado há tempos, com outra finalidade. Parece ser a salvação da lavoura para os que, como eu, são acometidos dessa disfunção cerebral, ou defeito de nascença, sei lá o que mais... não explica como surgiu e exatamente quando e/ou se houve algo que detonou o gatilho me atingindo de forma brutal. Faz tempo, venho lutando com as armas que possuo para derrotar esse inimigo traiçoeiro. Os médicos responsáveis pelas receitas de tarja preta também não podem afirmar nada de concreto. Aí, me pego escrevendo sobre o fato de estar assim. Não falo alto, de forma que eu mesma possa me escutar.É lamento. É choro, lágrimas derramadas para que ninguém veja. Olho-me no espelho, nariz inchado, uma face sombria, tão diferente da minha. Oro a Deus, peço à Virgem, mãe de Jesus, minha intercessora. Quero ter mais fé. Acreditar numa força lá do alto, Divina, que, num piscar de olhos, me livre de tudo isso. Sou a sombra do que fui. Não sinto mais ânimo para nada. Não tenho mais alegrias...Queria ter uma pitada a mais de egoismo, além do usual. Queria usufruir dos prazeres de antes. Hoje, nada mais me restou daquela pessoa alegre que fui; apesar dos problemas, apesar dos pesares...eu ria, eu corria atrás de pequenas futilidades, tinha vontade de me enfeitar, de comprar roupas novas, de viajar. Estou atolada num lamaçal, onde o que me puxa pra baixo é o medo, areia movediça que não me deixa submergir. Sinto-me fraca, sem vontades. Que Deus me ajude.
quinta-feira, 10 de agosto de 2017
Pai e o seu dia.
Contar sonhos nos faz reviver as imagens do inconsciente. Ninguém tem muita paciência para ouvi-los.Assim, não vou entrar em detalhes e muito menos relatar o sonho que tive. Mas há umas coincidências estranhas; para os psicólogos,analistas, seguidores do Freud, Lacan, os grandes da psicanálise e tantos mais talvez fosse possível entender. A proximidade do Dia dos Pais me fez sonhar com o meu. Acho que foi o que aconteceu essa noite. Amanheci com a imagem nítida do homem que, um dia, cuidou de mim, me deu vida.Não foi um sonho alegre. A expressão do pai era de tristeza, angústia mesmo. Ele não se alegrou ao me ver, preparando uma surpresa para ele. Vinha acompanhando minha mãe. Isto posso visualizar, antes que, como os muitos sonhos que temos, se desvanecem, à medida em que o tempo corre.Parecia envelhecido, barba por fazer. E mais não vou dizer. Só que, na vida real, o significado fica expresso, guardado num ponto qualquer deste cérebro incrível com o qual fomos agraciados. É um mistério insondável. Dizem que o utilizamos com o mínimo de sua capacidade. Desejo reprimido ou medo. As duas opções me parecem pobres, inaceitáveis. Simplista demais. Há mais do que isso, imagino. A fé nos faz acreditar que muitas indagações serão respondidas e coisas aclaradas. Isto, depois da morte. Da saída do corpo físico, quando deixarmos a morada terrena, tão passageira e rápida. O tempo de estada neste planeta não nos é dado saber. Como será depois da vida instalada neste corpo? Como será que o espírito, repleto de sentimentos, encontrará, num outro plano, o que tanto queremos saber. Não há respostas. Mas o Dia dos pais está aí, marcando a homenagem que se faz aos homens que contribuíram para nossa formação física, moral e que, tentando acertar, nos deram limites, educação.Pessoas também não tem a figura do pai, já nascem, por vários motivos, sem esse privilégio. Essas estarão sempre cultuando um ser incompleto pois o corpo de carne o osso não conheceram. Aí, pergunto eu, como seria a imagem desse pai para elas? Nós, que convivemos com um pai, vindos de uma família, dita completa, com pai, mãe, até irmãos, comemoramos a data com certa regalia. Somos afortunados. As lojas,o comércio em geral, também tem o privilégio de contribuírem com a venda de ilusões visando o lucro imediato, com as vendas sendo aumentadas, como em todas essas datas,já que o ano todo tem que usufruir dessas vastas comemorações. Mal acaba uma, vem a próxima. Sonhei com meu pai,sim. Sonhei como há tempos não acontecia. Quero crer que não foi apenas uma coincidência, nem influência, vendo tantas promoções para se presentear os pais. Talvez, ele esteja mesmo querendo me encontrar,ainda que em sonhos...Saudades, pai!
terça-feira, 25 de julho de 2017
Conveniência.
Há muitos postos de conveniência espalhados pela cidade. Ainda bem. Hoje, fui para a habitual aula de ginástica. Ando um pequeno trecho, ao lado do Ginásio Caio Martins. A rua, a essa hora,já bem movimentada, até porque há pontos de ônibus e vejo pessoas indo outras vindo. Umas para o trabalho e outras, como eu, procurando, através dos exercícios, mais saúde. E lá ia eu...Tenho uma mania que não devia falar aqui. Preciso "visitar o Miguel"alguns sabem o que quero dizer, antes de me arrumar, passar meu protetor solar e comer uma banana para aumentar o potássio. Fui. Ontem à noite, vendo a novela, que anda bem interessante, bateu uma vontade louca de um mingau de aveia. Num intervalo, corri até o fogão. Exagerei na dose de aveia, gente.Voltei com o prato bem quente. Depois, bateu arrependimento, eu já havia degustado um prato bem volumoso de macarrão e, não satisfeita, comi um pão com presunto. O inverno ( tempo frio que odeio) traz essa desvantagem. Dá uma fome danada. Vontade de enroscar no edredom, meia nos pés. E, aí, vem o perigo: comer demais e ficar encolhida de frio. Uma bomba para o organismo.Mas voltando um pouco, segui um tanto insegura, achando que devia voltar. Uma dorzinha de barriga irritante continuava a me incomodar e eu maldizia o mingau, dando náuseas só de lembrar.Há um posto de gasolina,bem em frente à pracinha onde os amigos e amigas iniciavam o alongamento, a música tocando alto ( gosto demais) e eu na dúvida atroz: volto pra casa? Será que daria tempo? Aí, resolvi entrar na Loja de Conveniência, do Posto de gasolina. Sorte minha. Havia um banheiro estupidamente limpo,grande, coisa rara de se achar. Só deu tempo de fechar a porta e me aliviar...Riam, podem rir, pois este não seria assunto para uma crônica que se preze. Mas, gente, um socorro, na hora certa tem seu valor. E quem já nunca passou por isso? Saí dali, atrasada para a aula, olhei para a turma toda já se exercitando. Atravessei a rua, juntei-me ao grupo e encarei o medo de uma próxima "peça" do meu intestino.;ou do destino, se preferirem. Deu certo. E voltei feliz, lutei o medo e venci. Parece não ser nada para algumas pessoas,mas com a idade, a insegurança se torna uma constante. Não somos mais os mesmos. E com esse episódio, me vem à lembrança uma vez que viajava de Bom Jesus a Niterói, no ônibus da Empresa Brasil ( bons tempos) para as férias, na casa do meu avô Salles. Quando paramos em Campos, o motorista avisou do tempo permitido para ficarmos livres para alguma necessidade ou para comermos alguma coisa. Lembro-me que uma boa amiga, Maria Helena, viajava conosco. Só sei dizer que, quando o ônibus retomou o percurso, a próxima parada seria Macaé. Um bom pedaço. Aí, gente, aconteceu a vontade de ir ao w.c. (water closet) coloquei em inglês para enfeitar um pouco esse texto que não cheira muito bem. Então, imaginem o sufoco. Rezei para todos os santos que chegássemos logo. Os quilômetros pareciam infindáveis. Há momentos como este que nos deixam traumatizados. Estou sendo inconveniente? Que me perdoem meus leitores mas às vezes, precisamos nos aliviar, até mesmo contando essas peripécias da vida. E que as lojas de "conveniência"se proliferem, cada vez mais!
segunda-feira, 10 de julho de 2017
Festa junina e medo.
Ontem, depois da missa, resolvi matar a fome: deu vontade de comer um cachorro-quente. A capela de São Lucas é na minha rua.O padre que celebra as missas, um verdadeiro homem de Deus, me faz ter gosto de ir à igreja! Antes, na meninice, adolescência, enfim, quando jovem, ia à missa por obrigação, estudei em colégio de orientação religiosa, católica. Tinha um verdadeiro medo do padre Francisco. Na hora de confessar, eu até inventava pecado, dizia xingar, por exemplo, mentir, coisas que, realmente, eu não era muito adepta...mas tinha outro que era mais difícil contar. Voces imaginem o que podia ser. Enfim, voltando, hoje gosto de rezar, gosto de comungar, me sinto na casa do Pai. E agradeço por isso. Mas, pegando de onde parei, resolvemos eu e minha filha dar um pulo até a próxima igreja, na outra rua, que não é longe, Santuário das Almas, quem conhece Niterói sabe. Primeiro, teríamos que correr a um posto de conveniência, a bolsa não tinha um "tostão". Quase em frente à Álvares de Azevedo há um Posto de gasolina e, lá fomos nós. Atravessamos quase correndo, torcendo para o sinal abrir logo. Pouca gente na rua, exceto nas escadarias e entorno da Igreja. Ainda passamos pela farmácia para a filha comprar uma necessidade. Corremos, de novo, e finalmente,alcançamos a festinha da igreja. Muita gente, muita música, barraquinhas, alegria geral; fila pra comprar pizza, cachorro-quente, e tudo o mais. Esta semana tive problemas com os dentes pois tive que subtrair um deles. Ainda bem que é bem atrás, não aparece, quando sorrindo. Pois bem, não é que tive antibióticos e anti- inflamatórios no cardápio!? Eu, que já ando meio sem apetite, fiquei um tanto enfraquecida. Mas, hoje, melhor, vou ao dentista para tirar os pontos. Devo implantar um dente, ali, naquela "vaga". Não ficamos muito tempo lá, apenas o suficiente para comprar e degustar as delícias da Festa Junina. Voltamos pra casa, ainda com o enorme pastel de queijo na boca.O sinal abriu para nós e atravessamos correndo. Já na calçada, aparece, do nada, um rapaz. Imaginem o susto. Ele nos olha e com voz "melodiosa" pergunta se teríamos como ajudá-lo a voltar a São Gonçalo. E completava: -" Sou do bem, tenho vergonha mas preciso da ajuda para voltar pra casa". Essas suas palavras ou parecido com isso. Eu carrego sempre uma bolsa minúscula, que cabe na palma da mão. De propósito, para espantar os "menores infratores". Idosa com bolsa grande é um alvo fácil. A filha, já parecendo sensibilizada, respondia com palavras delicadas. Eu tremi na base. Ainda bem que ela não mostrou a bolsa que também era pequena. Menor que a compaixão dela. Adiantei-me quase correndo. A vida nesta cidade "Sorriso" virou essa: medo de ir a uma festinha da igreja, de atravessar a rua, de falar com pessoas. Até para se dar esmola, temos que pensar dez vezes. Talvez, se tivéssemos aberto a bolsa, numa hora dessas, poderíamos estar arrependidas pela boa ação.
sábado, 8 de julho de 2017
Escrevendo, vivendo...
Uma das coisas que descobri, depois de ter deixado escapar um tempo enorme: gosto de escrever. Quantas vezes, lá se vai um bom tempo,quando cartas ainda eram enviadas e tínhamos que esperar pela resposta, isto se elas chegassem...dias e dias. Mas indescritível a alegria de ver o correio chegando, um envelope lacrado, com nosso nome, nosso endereço. Bom demais. Já recebi uma carta, escrita por um namorado da mesma cidade. Era claro o uso de idéias, frases copiadas, mais poderosas, que sei não me despertaram emoção. Artificial, copiada,com certeza, de algum gênio da literatura. Mesmo assim, valeu a pena. Quando se é jovem, adolescente, os sonhos ocupam nossa mente de forma indiscreta,avassaladora. As músicas sempre serão fonte de inspiração, arrancam suspiros, sim. Hoje, não considero o funk e seus derivados propriamente música. Que me perdoem seus adeptos. Música é outra coisa. Mas volto a analisar o que se deu comigo. Antes, a dificuldade para escrever uma simples carta; era difícil. Saía tudo com jeito de frases feitas, aquelas habituais, que não transmitem os sentimentos. Então, passado um período que considero mais que a metade da minha existência, através de um anúncio de jornal ( agora, digital) que eu tinha a assinatura, renomado jornal, observei um anúncio sobre um curso: "Meu primeiro livro". Fiquei curiosa. Arrisquei, não sei bem o que me moveu mas liguei para o telefone, que continha endereço também. No Centro do Rio, na rua do Amarelinho, na Cinelândia. Falei com a dona da sala, mulher culta, viajada e que promovia o tal curso. Tive a coragem de me inscrever, seriam só oito semanas, todas as terças-feiras. O início às dezoito horas. Achei tarde. Na época, a violência ainda estava adormecida naquele bairro do Rio, pelo menos, não como agora, quando temos medo de ir até a esquina. Perguntei se haveria alguém de Niterói que pudesse me fazer companhia. E, sim, coincidência ou não, coisa do destino, sim, havia um senhor que se inscrevera. Mais tarde, ele me contou que trabalhara com um delegado de polícia, o Tito. Gente, o mundo é mesmo uma aldeia mínima pois descobri ser um primo muito querido o delegado. Poucas eram as pessoas ali, apenas seis ou sete, se bem me lembro. Resumindo, alistei-me. Senti-me inovando. Quando supus que tomaria um ônibus, sozinha para o Centro do Rio, já no final da tarde para estudar...Voltávamos tarde, depois de nove ou dez, e pegávamos o último ônibus pra casa, isso depois de atravessar as ruas já escuras e não tão bem frequentadas. Aí, descobri que tinha um certo talento para as letras... O professor, jovem ainda, talentoso e além de tudo bonitão, me incentivou ao máximo. Dava-nos tarefas árduas como escrever um mesmo texto oito vezes mas de maneira diferente. Pensei não conseguir. E me enganei. Hoje, graças aos elogios e estímulo daquele professor, escrevo crônicas, fiz até um livro. Coisa impensável. Agora, escrever se tornou rotina. Encontro-me feliz, quando posso passar idéias, coisas da minha cabeça que saem aos borbotões. Muitas amigas, e principalmente, a irmã mais velha, são incentivadoras, quando leem e elogiam. Quero me dedicar a essa tarefa.Passo tempos sem escrever nada. Já tentei outras atividades mas não tão prazerosas como esta. Outro dia, via um programa na TV onde o ator Lázaro Ramos lançava seu primeiro livro, que levou dez anos para terminar. Antes, segundo a entrevistadora, ele já escrevera algumas histórias infantis. Leva tempo. É difícil. Quero me arriscar novamente. Na verdade, já tenho uma história começada. É romance, não só crônicas. Quero terminar essa obra e ver no que dará. Acho interessante a ideia inicial. Fiz um bom pedaço, muitas e muitas páginas. E falta inspiração. Parei, muito tempo, mesmo. Aí, um dia pensei num personagem que criara, sem tanta importância, em relação aos protagonistas; me deu um "estalo" e resolvi encaixá-lo. Ficou bom. Só que não é simples voltar no tempo e deixar verídica a trama. Mas não vou desistir. Será que terei tempo para engatar uma marcha de novo? Será que estarei cheia de inspiração para desenvolver o que quero? Coisas inacreditáveis acontecem, sim. O programa sobre nosso país vizinho, a Colômbia, terra do grande escritor Gabriel Garcia Marques, transformou-se num lugar de paisagens escandalosamente lindas, apesar de mais de cinquenta anos de guerra, de lutas contra o narcotráfico, e mostrou um povo sem amargura, ao contrário, solícito, solidário. Tudo pode acontecer. Espero que o nosso país, com tantas riquezas naturais, tantos homens de valor, um povo também acolhedor, receptivo, encontre sua verdadeira face, como num belo livro de histórias, com final feliz.
sexta-feira, 30 de junho de 2017
Faroeste em Icaraí.
Gostaria de escrever sobre amenidades. Por exemplo, fui, terça-feira, ver um filme no Cine Arte da UFf, espaço cultural próximo à praia. Tão bom. Minha irmã e cunhado me acompanharam; encontramos também um casal amigo deles e ainda, de quebra, apareceu uma conterrânea que, há tempos, não víamos. O filme foi bom, apesar de meio lúgubre, em preto e branco, dependendo da cena e a cores para dar uma conotação mais alegre. Filme francês, com o uso do alemão também. Mas, infelizmente, temos a realidade mais crua dos últimos tempos: além da pobreza, de um Estado falido pela ganância dos governantes, autoridades e todos aqueles que já cansamos de ver pela TV, sendo presos, investigados. Só a grana fartamente roubada não é devolvida na medida em que o povo "depenado" se vê sem como quitar suas dívidas, pessoas honestas, de bem, que sempre honraram seus compromissos...e o governador que devia se chamar "Mãozona"ou Manopla, sei lá, ao invés de Pezão, diz, na maior cara de pau, que tem certeza, até o fim de 2018, terá pago tudo o que deve aos Servidores do Estado. Piada? Não!!! E ontem, mais notícias que nos transformam em reféns de bandidos, que andam soltos pelas ruas nobres da cidade, causando pânico e morte. Houve um tiroteio, filmado por câmeras de Segurança ( palavra que perdeu o sentido para nós), um bandido, menor de idade, com certeza drogado, invadindo um pequeno comércio, e alvejando a moça, que, em defesa de seu familiar que reagiu, foi baleada no abdômen. Triste vermos, como numa série de TV, onde impera a violência. Mas é o que vemos, todos os dias. E sobre policiais corruptos? Meu Deus! Os melhores, que nos defendem, são mortos, invariavelmente, na luta diária, sem o apoio merecido, com salários ínfimos, atrasados, em confronto com marginais, armados até os dentes!A vontade que dá é de sair da cidade, procurar um refúgio mas onde??? E temos que nos transformar em super heróis, pelo simples fato de sairmos para trabalhar ou fazer compras, ou como dizia, apavorado, o rapazinho que a tudo assistiu, quando parou em frente ao mercadinho para tomar uma cerveja. Eram oito horas da noite. Cedo, pessoas chegando em casa, depois da luta diária pela sobrevivência, literalmente. Outro dia, eu mesma senti na pele: ia atravessar a rua que é transversal à rua em que moro, e alguns jovens faziam uma algazarra enorme. Tentei atravessar. Um deles olhou para mim e disse: -" Não somos bandidos, não, "tia", não vamos te roubar!" Olhei para o "garoto" e respondi, com certa raiva e surpresa: -" E eu disse alguma coisa?" E nada aconteceu, felizmente. Mas a minha reação foi inusitada, sou tranquila, na medida do possível; me espantei com a atitude que tomei. Não tive medo, naquela hora... Que Deus nos ajude a atravessar nossas Avenidas e nos livre do mal que nos ronda, "em qualquer lugar, em qualquer hora, seja onde for...!" Não é a letra da música bonita do nosso cancioneiro...Pena!
quarta-feira, 21 de junho de 2017
Paço Imperial
Ontem, precisei ir ao Rio. Fomos eu e minha filha de companhia.Depois que resolvi as pendencias
que precisava, fomos fazer um lanche na livraria instalada no prédio majestoso, no Paço Imperial. Foi a primeira vez da filha, naquele espaço. Ela ficou encantada. Eu amo as construções antigas, da época dos príncipes e princesas. Quanto da nossa história abrigam aquelas paredes, janelas enormes, portas gigantescas e paredes e pedras seculares. Há um seriado na TV que retrata, não fielmente os acontecimentos da época de D. João, sua mal-humorada Carlota Joaquina, que detestava nossas terras e tudo o mais por aqui. A realeza trouxe inúmeros benefícios para o Brasil, em termos culturais, principalmente. Sempre fomos roubados e nossos tesouros confiscados pelos governantes, "piratas" e outros tantos estrangeiros, em detrimento dos habitantes de nossa terrinha, os índios, expulsando-os, aqueles com sua própria cultura e costumes. Faço aniversário no mesmo dia de Niterói ( que significa terra escondida, eu acho, ou seria água? Sei, não ) e acho que tenho muito amor a essa cidade, talvez por isso. Mas volto a dizer sobre os bônus e ônus deste país, destinado a ser explorado por corruptos, ladrões e aqueles que só "observam" a Lei para seu próprio benefício. Uma terra rica, selvagem, desbravada por corajosos e ambiciosos( esses, sim, em maior número) homens, a mando dos governos ou de aproveitadores e aventureiros. Hoje, nada mudou. Talvez, para pior, sim. Cada vez mais a cidade, antes maravilhosa, se vê alvo de bandidos e nada se é feito de fato para conter a barbárie, as facções que são os verdadeiros governantes, já que a Segurança não existe mais. Fomos dominados. Estamos à mercê de traficantes e assassinos que nos comandam, fora e dentro dos presídios. Que pena! Antes, na minha juventude, a travessia de barcas era um passeio sem sobressaltos. Ìamos eu e minhas irmãs, levadas por nossa querida mãe assistirmos a um bom filme, ou fazer compras no centro da cidade, sem a menor preocupação com assaltos. Era um tempo mágico. As barcas iam abarrotadas, pessoas se espremendo e algumas do lado de fora, observando a paisagem por absoluta falta de lugares sentadas, no interior da barca antiga e mal conservada. Mas como era bom! Ontem, fiz a travessia numa barca bem cuidada, com telas de TV, todos bem acomodados, limpa, lugares reservados para idosos e deficientes, tudo bem melhor do que antes, daqueles anos atrás. Enfim, a diferença fundamental é que o sossego de antanho( palavra meio antiga... mas combina com a época, lá no tempo de minha infância), quando nem havia a mínima preocupação de que seríamos atacados por pivetes, menores ferozes, impunes, comandados pelos chefes do tráfico. Depois do lanche, voltamos na mesma barca. O balançar suave proporcionado pelas águas da Baía, me fizeram um bem enorme. Aproveitei para rezar o meu rosário, fazendo de cada dedo uma oração. Pedi pelos filhos, pelo neto, pelos irmãos, amigos e chegamos do lado de cá. Antes, havia desbloqueado o meu cartão de idosos, aquele que nos dá direito a passagens nos ônibus e barcas. Fiquei sabendo que se não usá-lo por mais que três meses, o cartão fica bloqueado. Ou porque morremos ou fomos assaltados, duas opções horrorosas...fazer o quê?!!! A luta agora é para devolver ao mundo, ao nosso país, às nossas cidades a paz que todos desejam...A modernidade nos trouxe os horrores da guerra urbana, vemos tudo pelos meios de comunicação, a maioria deles nem alcanço mais. Quando penso estar adaptada a um aparelho celular ou coisa que o valha, aparecem denominações várias. As pessoas não conseguem mais ter tempo para sonhar, para andar pelas ruas, para dar uma ida ao Rio de Janeiro, desfrutando suas maravilhas. E, para mal dos pecados, ontem, aconteceu a Natureza devastando e castigando a cidade com uma chuva desproporcional, inundando ruas, deixando desabrigados, pessoas nadando contra a correnteza das ruas, aquelas na zona Sul, sobretudo. Parece um aviso dos céus. Ou o homem cria vergonha na cara, para de se apropriar do que não é seu, daquilo que é do povo, porque Deus anda envergonhado, cansado de nós, povo brasileiro, que se gabava quando afirmava que Ele é brasileiro!
sábado, 10 de junho de 2017
Sapo ou príncipe?
Só nos contos de fadas há príncipes e princesas, a não ser alguns que conhecemos, de países da Europa e outras bandas, claro, tão humanos e falhos quanto eu e você.Mas, esta noite, sonhei com um desses rapazes, hoje, não tão jovem, como eu. Então, me deu vontade de falar um pouco sobre aquele sonho dos tempos idos e também do abstrato, contraditório, inconsciente sonho que nos traz o dormir.Por que tantos adjetivos? Sei, não. Contraditório porque é o nosso desejo reprimido...será? Inconsciente, já que estamos noutra esfera do cérebro, quando nos entregamos nos braços de Morfeu, figura mitológica, eu suponho.Abstrato que, mal nos levantamos, já o esquecemos. Por isso, resolvi escrever para me lembrar de tão esdrúxulo sonho. Vamos a ele: o meu amado rapaz se jogava de uma altura razoável, sobre um balão branco ( me lembro bem da união de cores) e isto tudo só para nos encontrarmos diariamente, de certa forma, meio que escondidos, um caso de amor proibido. Não aquele que foi real, quando meu pai dificultava, durante a juventude, nas praças e cinema da cidade pequena, de onde vim.Não, repito. Esse moço sempre o cobicei. Sempre o via como alguém inatingível, culto, jovem, lindo ( que dentes, que sorriso!). Nos bailes e "brincadeiras"( dancinhas programadas em casa de amigas) dançávamos muito, isso durante as férias, já que ele tinha parentes importantes no interior, a grande maioria de sua família era conterrânea desta "princesa" que vos conta essa passagem onírica. E continuo. Eram encontros que duraram muito tempo, ele já com alguns fios de cabelo brancos. E eu sentia estranho a estabilidade daquele amor. Até em sonhos, sou reprimida. Por que ele ainda me visitava? Por que corria riscos ao saltar sobre a bola de couro branco, inflada, para amenizar sua queda? Vai entender... Outro dia, encontrei-o numa das calçadas da vida. Agora, falo da vida real. Senti uma aflição danada. Esperei que ele terminasse a ligação ao celular e nos falamos, animadamente ( eu, na verdade, bem nervosa com o inesperado encontro) e falei-lhe do livro que eu escrevera, de crônicas. Mas ele desconversou e passou a relembrar um tempo que eu não esperava ele fosse recordar. Falou de uma noite romântica, quando voltando de uma festinha, eu algumas amigas e minha irmã, ali pela Pedra do Índio, nos beijamos.Fiquei maravilhada, digo com sinceridade. Ele insinuava que poderíamos repetir a façanha. Mas é outro sonho que não repetiremos. Há vários motivos para que não aconteça. Mas foi bom...passei dias e dias saboreando as palavras do meu "príncipe"que podia ter sido o sapo, desbancando o príncipe, se tivéssemos convivido, alimentado aquele amor; o tempo se incumbiu de desmanchar tudo e nos separou. Cada um seguiu seu rumo, sua vida. Não sei se valeu a pena. Mas o sonho foi muito bom....
sexta-feira, 9 de junho de 2017
Hoje, amanhã e depois?
Pergunta difícil de ser respondida.É como nos capítulos de novelas, apostando no Ibope, escolhendo um autor capaz de interessar e fazer histórias mirabolantes, mas com um conteúdo que tenha um mínimo de realismo. Acontece, às vezes, a vida faz-nos crer em surrealismo total. Parece coisa de filme, de novela. Janete Clair colocou no seu sobrenome o título da música que ouvia sempre: Clair de lune. Tinha bom gosto a escritora e quanta imaginação! Seu marido, Dias Gomes, ajudou-a, sim, apesar de criticar o seu tom dramático, excessivo. Mas ela conseguiu 100% de audiência em uma de suas mais incríveis novelas: Selva de Pedra. Há autores, como Manoel Carlos, que conseguem fazer do trivial, do dia a dia, histórias instigantes, que prendem o telespectador, pois vê em cada personagem um pouco de sua vida, de sua trajetória, neste planetinha, medito a besta, chamado Terra.E aí, vem a pergunta que sempre nos fazemos sobre nosso futuro, o que nos angustia, ou nos deixa felizes. Explico: primeiro, vem o medo do amanhã, a preocupação pelo pão de cada dia, ou pela ferida a ser curada, pela doença a ser vencida. Do outro lado, há aquela festa pela qual esperamos ansiosos, felizes, fazendo planos fúteis tais como a roupa que se vai usar. Se alguém especial também vai comparecer, se a música nos fará rodopiar pelos salões ou se aquele dinheiro inesperado vai chegar. Se aquele governador safado vai encontrar uma fórmula mágica e pagar aos servidores que, por enquanto, enfrentam um dilema: ou comparecem ao emprego,pagam as passagens dos dois ou mais ônibus ou compram o básico para sua subsistência. Mas e o depois? Aí, o bicho pega. Não sabemos nada, de fato. Se temos fé e acreditamos no Deus criador, fica mais fácil. Será que teremos nova chance? Será que haverá um lugar além desse minúsculo planeta onde visualizaremos um jardim, com flores nunca vistas, com a mais completa paz? Jesus veio à Terra para ajudar aos mais pobres, salvar os doentes, livrando-os de doenças incuráveis, convivendo com os mais pecadores, ressuscitando mortos. Quero ter fé, quero acreditar que, sim. Tudo isto é o que nos espera.Só os remedinhos de ansiedade para os depressivos, não são o suficiente. Hoje, encontrei algumas amigas e também um amigo, lá na aula de ginástica, que me fizeram ouvir palavras alentadoras. Voltei com uma dose de reforço, como a das vacinas infantis. É importante ter amigos, e como!!!
sábado, 3 de junho de 2017
CARRO USADO
Colocar anúncio para vender um carro usado não é difícil. Agora então, com a Internet, sempre tem alguém que se aventuraria, ou por não poder comprar um novo, ou porque tem mania de mecânico, aquele que gosta de fuçar até encontrar o problema ou os muitos que se apresentam. É incrível, mas há gente assim. Meu tio e padrinho Paulo, me lembro dele sempre lambuzado de graxa, enfiado sob os carros, trocando peças, tentando o impossível: colocar nos "trilhos" a lata velha recém adquirida. Mas era do que gostava. A idade vem chegando, devagarinho, sorrateira, e as engrenagens ficam cada vez mais enferrujadas. Antes, não se vai tão longe o tempo em que me levantava correndo para ir fazer o primeiro xixi. Fácil, só dar uma corridinha. Agora, gente, tem toda uma preparação. Primeiro, imagino se vai dar tempo, passo uma primeira, piso na embreagem e o que acontece? Trava. Uma dor danada nos quadris, peça chave para o primeiro movimento. E olha que já dobrei as pernas, mexi com os dois pés, pra lá e pra cá. Há uma cômoda bem colada à cabeceira. É meu apoio para ficar de pé. Não riam. Há muitas companheiras com o mesmo ritual. Sei disso. Hoje, não amanheci muito disposta. Exagerei no bolo de limão ( já percebo que açúcar se tornou um vilão) e senti cólicas. Muitas. Preparei-me para correr. Até que consegui.Mas foi difícil a volta. Como doem esses ossos, quando estão de má vontade...Para completar, o frio veio forte para me derrubar. Agasalhei-me com a blusa velha e quente e me enfiei, de novo, sob o edredom. Melhorei. Precisava colocar meias nos pés mas preferi não me mover, já que o alívio chegou, pelo menos a dor de barriga parecia ter desaparecido. Rezei meu terço, o que faço diariamente. Isso, antes; percebo que me tem feito um bem enorme. Tinha preguiça de rezar. Confesso. Hoje, é um tipo de remédio para ansiedade. Agora, vem a pergunta que não quer calar: - Alguém se habilita a comprar um carro usado? Há quem queira pelo menos, concordar comigo, quando descrevo as aflições dessa máquina usada mas que ainda quer percorrer muitos caminhos, trilhar algumas estradas desta vida, tão curta, tão cheia de atropelos mas que ainda vale a pena?...
quinta-feira, 1 de junho de 2017
AGRADECENDO...
Como agradecer a Deus tantas bênçãos?Obrigada, Senhor! Acho pouco. Mas sei que o coração que faz preces para alcançar uma graça, é olhado por Ele que pode perceber a imensa gratidão, além das palavras. Ontem, passei por uma situação de muito estresse. O resultado veio hoje, pela madrugada, quando perdi o sono por horas e bem cedo, depois de um breve estado de sonolência, acordei com o estômago embrulhado. Corri para a cozinha, enchi uma xícara para medir a quantidade certa para o chá de boldo, meu salvador. Mas foi difícil...parecia estar num estado de torpor e vontade de vomitar, fui enfraquecendo e rezei para me manter de pé. A filha, que também dormira mal, veio em meu socorro, como sempre. Tomei o chá fervente. Aos poucos e me preparando para correr ao banheiro para "botar o caroço pra fora"! Mas, não. Consegui me acomodar no sofá da sala, respirava fundo e a filha ia falando palavras, procurando me incentivar: " Calma, mãe, respira fundo, procura dormir, vai relaxando, respira fundo..." E não é que tenha passado o mal estar mas, pelo menos, diminuiu a sensação horrenda de enjoo. Mesmo sem acento...acho que é assim pela nova Nomenclatura. Aí, só pensava em fazer orações, pedindo à Nossa Senhora Aparecida que me aliviasse daquele mal estar. E fiquei ali, por um tempo, a filha trouxe um edredom ( aqui está frio - detesto) e o calor devagar aqueceu o corpo e fez bem para a alma. Estar sadia, podendo trabalhar, ter as atividades normais é uma dádiva. Damos valor a isso, quando passamos por qualquer distúrbio. Por isso, agora, já podendo tomar o meu café da manhã, que só consegui bem tarde, venho dizer a Deus que Ele é bom. Quero agradecer com palavras mas elas são insuficientes. Depois, abri pelo celular umas mensagens do What´sApp e fiquei pasma com a história de um milagre ocorrido com alguém que desafiou a Deus. Era um programa da TV, do Ratinho ( que todos conhecem) e a moça dava um depoimento que me deixou de queixo caído. O câncer que ela enfrentava era terminal, mas não só isso: estava deformada, com marcas de bolhas enormes pelo rosto, o olho esquerdo cego, dores insuportáveis e já na Santa Casa de Misericórdia, esperava a morte e pelos médicos que a entubariam. Ela relata um tipo de sonho que teve: flutuava por lugares estranhos, sentia a mão de Deus quando ela pedia por ajuda, por sua cura, se é que Ele existia, realmente. Estou resumindo mas o relato dela foi impressionante. Amanheceu, chegavam os jovens doutores para lhe aplicar um sonífero, uma injeção na veia para que não sofresse mais. Entretanto, ela percebeu que eles a olhavam espantados. Sua face dilacerada pelas chagas e ferimentos cancerosos havia se restaurado, espantosamente, olhou o céu azul pela janela e pode enxergar novamente com o olho esquerdo, antes, cego. E ela gritou: Deus existe!!!
sábado, 27 de maio de 2017
Eu e o Universo.
Solidão é uma palavra forte. Entretanto, é ela que nos torna fracos. Ou lutadores? Sei, não. Sei mesmo é que não há nenhum "molde" para se costurar a vida. É isso. Por mais que se esforce, ninguém sobrevive a um problema se não lutar muito. É preciso esforço enorme. Não queria escrever sobre a tristeza, depressão, essas coisas...mas me deu aquela vontade louca de escrever. Louca, exagero. Mas deu vontade, sim. Por isso, me dei o trabalho de religar o notebook.Há algumas tarefas a fazer: varrer o chão, limpar banheiros, espanar, todas essas chatices de dona de casa. Estou sozinha, hoje, não devo explicar o porquê, poucas pessoas se interessariam em saber, então, pulo este pedaço. Aí, olhando o céu azul, dádiva que o sol nos oferece, quando aparece, penso na vida. Detesto tempo frio, já nos aproximamos do inverno.Não gosto de ver nuvens carregadas, pesadas como a existência. A alma se ressente e fica fria também, pelo menos a minha. Mas o céu é apenas um mínimo do que podemos observar a olho nu. O resto do Universo, mistério insondável, me faz matutar sobre o que somos, se há de fato um lugar melhor, ondo o famoso "Et", com sua carinha verde, tem caráter ou se como os políticos da Terra, é corrupto...Ando enojada de tanta notícia sobre as falcatruas, verdadeira hecatombe, que vem destruindo nossas esperanças de um país melhor. Regredimos a um ponto tal que não ficam dúvidas sobre a afirmação de que " vai passar muita água debaixo da ponte" até as coisas tomarem o rumo certo. Então, minha gente, olho, sim para o Infinito, além de nossas fronteiras, saltando sobre buracos negros, meteoros e outras maravilhas do espaço sideral, e me pergunto se não é muita pretensão querermos um lugar seguro, onde o amor e a ética sejam a expressão da verdade. Hoje, li pela Internet, sobre um milagre: um menininho com câncer terminal, se vê curado com a intervenção da Virgem Maria, a Mãe de Jesus, que não veio à Terra a passeio. Veio nos pregar a Salvação, dar-nos a chance do Shangri-lá...onde seremos eternamente felizes...A medicina não soube explicar. Então, acredito que há, sim, um lugar no Universo, que estamos longe de conhecer, mas que nos trará paz, alegria, ausência da dor e alcançaremos a merecida recompensa.
terça-feira, 16 de maio de 2017
Um ponto de encontro.
Não sei como o ser humano tem a capacidade tão grande de enfrentar o desconhecido. É verdade, sinto assim. Não temos a menor noção do que nos acontecerá daqui a um minuto. Intrigante e ao mesmo tempo, demanda coragem. Só temos a certeza de que um dia, tudo acaba, no plano terrestre. É apavorante, no mínimo. Ontem, soube da morte de um amigo e colega de escola, quando o curso era denominado ginásio, com a minha idade. Hoje, não quero ter o trabalho me atendo a essas nomenclaturas novas. O que quero dizer é que a vida é uma estrada, um caminho que percorremos, sem tempo estipulado, apenas caminhamos rumo ao infinito, ao eterno. Uns, jovens ainda, crianças, acabadas de nascer, nas fraldas, não há nada definido, não há raça, cor ou credo Todos iremos um dia, apagar, como a vela bruxuleante ao vento. Compartilhei com um grande amigo, professor e que me ajudou na confecção do meu livro, foi supervisor e postou um vídeo sobre a imensidão do Universo e a pequenez do nosso planeta, a Terra. Se olharmos para a imensidão do Cosmo, precisamos reconhecer o total desconhecimento de outras galáxias, e a medida da nossa importância se torna ridícula. Há os que não tem religião, não acreditam em nada além da morte. Sei, não. Diante da grandeza desse Universo, dessa pequena partícula que divisamos, quando olhamos o firmamento, é que nos vem não a certeza, mas a mais completa dúvida ou esperança, melhor dizendo, de que pode haver, sim, um céu, um lugar que Jesus nos reservou, onde o sofrimento, a angústia, as dores, sejam banidos. Somos um grão de areia, cercados de seres ou de estrelas com dimensões inimagináveis. Por que os homens brigam tanto, por que há crianças passando fome, por que tantas guerras e injustas proporções divididas, pessoas tão pobres e outras tão ricas, tantos homens de caráter, outros que não se envergonham, não se incomodam se sua consciência é inexistente, sem culpa por atingirem os mais necessitados? Ficaria horas, enumerando o que há de controvérsias, de contrastes. Lá no fim da linha, onde só descobriremos depois de nos despedirmos da vida, neste nosso pequeno planeta, se há um encontro verdadeiro, onde a paz seja a tônica. Onde o amor seja o sentimento único que nos fará iguais, sem preconceitos, sem a ilusão de que somos melhores uns que os outros. Tivemos um homem, um Deus que se fez carne e tentou ensinar essa mensagem: amar ao outro como a si mesmo. Não é difícil. Basta querer.
quinta-feira, 4 de maio de 2017
Amigos
Gosto de pensar que tenho muitos amigos. E como devo classificá-los? Hoje, me veio essa indagação. Não sei. Talvez, naquele momento em que até o sol nos incomoda, se ficamos mais que o suficiente sob seus raios. Tem hora, que são saudáveis, preciosos para nossos ossos. Tem hora, que são devastadores, causadores de câncer de pele e outros males. Mas não quero medir o Sol. Gosto dele demais. Prefiro o calor ,além da conta, ao frio tristonho de sua ausência. Neste momento, gostaria de ter um medidor para detectar a importância dos amigos. E aí, percebi que não é possível. Há pessoas que nos esbarram todos os dias e não nos dizem nada até que, por uma frase qualquer, uma pequena atenção, nos dá vontade de abraçá-los, e vemos que o que me incomoda tem eco nas palavras daquele mais novo componente, no rol dos amigos. Pois é. Hoje, no intervalo da água, durante os exercícios, num curtíssimo tempo, medido pelos segundos do relógio, ouvi daquela pessoa, todos os dias ao meu lado, uma reclamação em tom de desabafo, uma coincidência que nos aproximou. Não viemos à Terra, esse planeta tão lindo, tão azul (quando visto do alto, além das camadas de ar) a recreio. Pagamos um preço para usufruir desse "quintal colorido". Acho que há um caminho a ser seguido, florido também, com cores as mais diversas e que ainda não podemos perceber. Quero muito crer em outra morada, aquela que nos prometeu o nosso Pai, " o homem mais inteligente que existiu". Ele nos ensinou a amar, antes de tudo. Os amigos, ainda que adquiridos há tão pouco tempo, sempre têm algo a nos acrescentar. Agradeço por essa dádiva. " Eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar..." Muitos vão reconhecer esses versos do nosso cancioneiro. Não há medida, volto a dizer. Amigos são aquela flor que colhemos,num lindo jardim e que vêm alegrar nossos olhos e perfumar nossa existência.
quarta-feira, 19 de abril de 2017
Aprendendo uma lição.
Outro dia, escrevi num outro blog ( tinha criado mais um porque este, agora, resolveu voltar, nem sei como nem porque) sobre um personagem que quase todos os dias eu via, quando voltava dos exercícios, no Grupo Projeto Gugu. Lembro-me de que falei sobre aquele ser humano, uma mulher, sendo mais exata, que esperava a morte, já que jogada na calçada, imunda, com cigarro na mão, a roupa encardida e tão suja quando suas unhas enormes, duras. Eu dizia da pena que me causava olhar para a pessoa pobre, quase um lixo, e o pior de tudo, eu dizia que me sensibilizava por não poder fazer nada por ela. Hoje, voltava da ginástica, acompanha por uma das amigas, a Inês, mulher elegante, simpática, muito educada e vínhamos conversando animadamente, quando nos deparamos com aquela mulher maltrapilha, já agora, totalmente deitada, parecendo dormir. Minha colega de Grupo, simplesmente parou, se abaixou e dizendo suaves palavras, acordou a pobre coitada e lhe recomendou que se sentasse, para que não fosse pisada. O carinho e amor com que se dirigiu a ela me fez corar de vergonha. Antes, eu dissera que não podia fazer nada que estivesse ao meu alcance por aquela pobre alma. Mas percebi, com vergonha que algumas palavras e um pouco de humanidade são, sim uma ajuda real. Senti inveja daquela mulher fina, elegante e que se importou com a situação caótica daquele ser ali estendido. Fiquei com um nó na garganta, quando saímos dali. Eu apenas falei com a pobre mulher que largasse o cigarro, que não lhe faria bem. Só isso. Aprendi com a amiga, que passo a admirar mais e mais que um pouco de atenção e afeto são ajuda, sim...aprendi que só o amor é a arma mais forte para se praticar uma boa ação. Eu senti nojo das roupas da mulher. Inês, não. Já tentava levantar aquela senhora, independente da sujidade de suas vestes. Hoje, estou envergonhada e tocada por aquele grande exemplo de humanidade explícita.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2017
Varandas.
Outro dia, estava mudando os canais da TV, procurando alguma coisa que fosse mais consistente, que me fizesse sair do marasmo em que me encontro. Filmes, programas, canais de futebol e esportes, nada parecia me interessar, até que cliquei um canal que já deve ter repetido muitas vezes o que apresentava mas parei e vi: nosso planeta é acometido das mais variadas mudanças nos milhões de anos de sua existência. Meteoros caem sobre o nosso planeta causando alguma destruição, varrendo da face da Terra animais e quase total foi sua destruição. Contudo, ele se recompôs. As explicações sobre o perigo iminente que corremos, confesso me deixou entre curiosa e preocupada. Aí, me deixei ficar; aprendi algumas coisas sobre o Universo, sobre buracos negros e admirei aqueles homens que, apesar das poucas técnicas e aparelhamento suficiente para estudar as inúmeras, incontáveis galáxias, se aprofundavam em conhecimentos que só os grandes gênios seriam capazes. Há coisas interessantes na mídia, sim. É só ter vontade e lá encontramos assuntos que valem a pena. Nas grandes cidades, já não conseguimos avistar a beleza que é um céu estrelado; a lua redonda e brilhante ainda é um prazer que observamos. Fiquei maravilhada em saber que há uma força magnética, no centro do nosso minúsculo planeta, que nos defende do ataque solar, e que,verdadeiros guerreiros empurram os incandescentes e destrutivos raios solares para não sei onde. E então é hora de pensarmos na grandeza de tudo que existe neste Universo misterioso onde somos um quase nada, se nos compararmos a outros astros e com tudo que desconhecemos. Certeza de que devem existir outras criaturas? Probabilidade, sim. Como nessa imensidão, tão pouco conhecida e explorada, temos a pretensão de sermos os únicos?! E noutros momentos, me vejo olhando para as varandas, tão próximas, apenas separadas por uma rua nem tão larga, do edifício em frente. Há uma mulher recolhendo roupas, ao mesmo tempo que segura uma criança, muito pequena ainda, equilibrando-se nas duas tarefas. Tantas varandas como aquela e tantas vidas não reveladas. Desconheço as pessoas vizinhas, que moram na mesma rua, no mesmo bairro e me dou conta de que viver é mesmo intrigante. Quanto mistério para mim, quanta vontade de saber o que acontece de fato com cada pessoa que nunca chegarei a descobrir. Fico imaginando estórias e me vem um desejo enorme de produzi-las, formando um livro de muitas páginas. Haverá um ser inteligente, pensante como eu, que mora numa daquelas galáxias, distantes anos luz, que tem sentimentos, que sofre, que se alegra e que gostaria de compor música, pintar um quadro, com as mesmas sensações dos terrestres? Saberei um dia? Quantas varandas existirão além da minha, de onde, mesmo sem visualizar outros seres, fico criando-os. Há pessoas que afirmam ter tido contato com seres extraterrestres. Gostaria de me encontrar face a face com um deles. Morreria de medo, mas gostaria, sim...
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017
Armadilha.
Nem sei se deveria escrever agora. Não é um momento dos melhores. Há um sentimento, mais exato seria me expressar se dissesse sobre uma sensação inexplicável que vem tomando conta de mim. Antes, não havia a menor possibilidade de me acontecer tal coisa: era o que eu imaginava. Difícil uma pessoa alegre, de bem com a vida, que gosta de piadas, de música, de cinema, teatro, novelas, de ler, até de escrever, se ver nesse emaranhado de pensamentos tortuosos. Chego a pensar que pode ser contagioso.Por que não? É absurdo, diriam os psiquiatras...ou médicos. Mas acho que tem alguma coisa a ver com a convivência com alguém que apresentava tais sintomas. Tenho ouvido por vários canais, que o número crescente de depressivos é enorme. A tendência, aumentar. Pois é. Mas o mais lógico dos motivos seria o aproximar da casa dos cem...exagero? Não, gente! Estamos vivendo muito mais que nossos pais e avós, claro. As estatísticas não mentem. Podemos observar o grande número de idosos pelas ruas, ainda que amparados por muletas, ou por acompanhantes, parentes, mas estão lá, formando um número,cada vez mais crescente de velhos e velhas. Não vou abrandar com termos delicados. Cabelos brancos, faces enrugadas, pernas cambaleantes, andar inseguro. E o olhar? Ai, meu Deus! Comecei dizendo, neste meu texto meio caótico, que nem deveria ser o momento propício para uma crônica. Mas quero botar pra fora tudo que parece estar entalado, como em conservas; livrar~me da angústia que me envolve. Aí, penso no fato de termos nascido, sem o nosso consentimento. Dizem que a vida é uma dádiva de Deus. Que Ele me perdoe. O sofrimento pelo qual todos passamos é a cruz que cada um tem que, obrigatoriamente, carregar. Não importa se temos mais ou menos conforto, quando é chegada a hora. Estava lendo sobre a morte cerebral da ex-primeira dama que aconteceu tão recentemente. Muitos com alegria, com um sentimento de vingança do qual não participo. A opinião que tenho sobre o comportamento dela é o que menos importa. Talvez, eu a enxergue como grande vítima. Tiraram do povo o direito de morrer com dignidade; espalhados pelos corredores dos hospitais, falidos pela irresponsabilidade daqueles que detêm o poder. De qualquer modo, sabemos que a passagem para o outro lado, tão misterioso, é certa. Daí, me vem a definição mais cabível sobre o ato de nascer: uma armadilha, sim. Quem quer morrer? Ninguém, a não ser aqueles que, oprimidos por alguma razão ou até pela falta dela, abreviam o tempo que lhes foi dado. Suicídio: falta de coragem para enfrentar a vida. Só que é preciso coragem também para tomar essa decisão. Qual a maneira menos dolorida? Como será do outro lado? A fé nos torna mais esperançosos. A religião, não importa qual seja, nos traz um alento. Seremos recompensados ? Viveremos a felicidade eterna? Quem sabe? As pessoas doentes precisam de remédios para continuar vivendo e recorrem a todos os meios para que a saúde volte. É normal. Lutar, sempre, para encontrar a felicidade. Esta palavra tão abstrata quanto a própria existência!
quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
O choro, o riso, tristeza e alegria.
Chora-se de dor ou de alegria. Verdade incontestável. Chorar faz bem. Faz? Sei não. O sentimento transborda, em certos momentos, como se a alma da gente quisesse sair do corpo, quem sabe pra tomar um ar, ou para mostrar que também tem limites. É isso, acho eu. Tanta coisa acontece ao mesmo tempo. Às vezes, a vontade de transmitir idéias vem aos borbotões, mas nem sempre nos permitimos contar toda a verdade. A vida segue como nos trilhos de um trem. Talvez, essa imagem esteja defasada, já que o trem deixou de ser um meio de transporte dos mais modernos. Enfim, é a imagem que me ocorre. Há estações, há paradas, há encontros, há bagagens a serem entregues, há tanta coisa neste caminho! Estações como as que vivenciamos na divisão do ano, são as quatro que todos sabemos de cor. Mas, quando chega o outono, avistamos um espaço exíguo de tempo, quando imaginamos a média dele que nos resta. A primavera já se foi, fagueira e lépida, deixando para trás, sonhos, esperanças e acenando um lencinho, lá bem longe, relembrando um passado do qual sentimos saudades, na maioria das vezes, acho que para todos, apesar de não ter sido sempre um "mar de rosas", como deveria. Esse nó enrustido me ataca, por vezes e me faz pensar que ando meio fora dos padrões. Pra que tanto choro? Tudo me comove ao extremo: ou uma canção antiga, dos tempos de outrora, ou uma frase carinhosa de alguém, um pequeno gesto de carinho... O corpo parece o vilão da história, sempre aprontando das suas. É uma dor aqui, outra complicação ali, e vai-se vivendo como Deus quer. Ando à procura de dias mais amenos, de alegrias incontidas, de pequenos sabores. Será que ainda voltarão? Tomara que sim!
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