Uma das coisas que descobri, depois de ter deixado escapar um tempo enorme: gosto de escrever. Quantas vezes, lá se vai um bom tempo,quando cartas ainda eram enviadas e tínhamos que esperar pela resposta, isto se elas chegassem...dias e dias. Mas indescritível a alegria de ver o correio chegando, um envelope lacrado, com nosso nome, nosso endereço. Bom demais. Já recebi uma carta, escrita por um namorado da mesma cidade. Era claro o uso de idéias, frases copiadas, mais poderosas, que sei não me despertaram emoção. Artificial, copiada,com certeza, de algum gênio da literatura. Mesmo assim, valeu a pena. Quando se é jovem, adolescente, os sonhos ocupam nossa mente de forma indiscreta,avassaladora. As músicas sempre serão fonte de inspiração, arrancam suspiros, sim. Hoje, não considero o funk e seus derivados propriamente música. Que me perdoem seus adeptos. Música é outra coisa. Mas volto a analisar o que se deu comigo. Antes, a dificuldade para escrever uma simples carta; era difícil. Saía tudo com jeito de frases feitas, aquelas habituais, que não transmitem os sentimentos. Então, passado um período que considero mais que a metade da minha existência, através de um anúncio de jornal ( agora, digital) que eu tinha a assinatura, renomado jornal, observei um anúncio sobre um curso: "Meu primeiro livro". Fiquei curiosa. Arrisquei, não sei bem o que me moveu mas liguei para o telefone, que continha endereço também. No Centro do Rio, na rua do Amarelinho, na Cinelândia. Falei com a dona da sala, mulher culta, viajada e que promovia o tal curso. Tive a coragem de me inscrever, seriam só oito semanas, todas as terças-feiras. O início às dezoito horas. Achei tarde. Na época, a violência ainda estava adormecida naquele bairro do Rio, pelo menos, não como agora, quando temos medo de ir até a esquina. Perguntei se haveria alguém de Niterói que pudesse me fazer companhia. E, sim, coincidência ou não, coisa do destino, sim, havia um senhor que se inscrevera. Mais tarde, ele me contou que trabalhara com um delegado de polícia, o Tito. Gente, o mundo é mesmo uma aldeia mínima pois descobri ser um primo muito querido o delegado. Poucas eram as pessoas ali, apenas seis ou sete, se bem me lembro. Resumindo, alistei-me. Senti-me inovando. Quando supus que tomaria um ônibus, sozinha para o Centro do Rio, já no final da tarde para estudar...Voltávamos tarde, depois de nove ou dez, e pegávamos o último ônibus pra casa, isso depois de atravessar as ruas já escuras e não tão bem frequentadas. Aí, descobri que tinha um certo talento para as letras... O professor, jovem ainda, talentoso e além de tudo bonitão, me incentivou ao máximo. Dava-nos tarefas árduas como escrever um mesmo texto oito vezes mas de maneira diferente. Pensei não conseguir. E me enganei. Hoje, graças aos elogios e estímulo daquele professor, escrevo crônicas, fiz até um livro. Coisa impensável. Agora, escrever se tornou rotina. Encontro-me feliz, quando posso passar idéias, coisas da minha cabeça que saem aos borbotões. Muitas amigas, e principalmente, a irmã mais velha, são incentivadoras, quando leem e elogiam. Quero me dedicar a essa tarefa.Passo tempos sem escrever nada. Já tentei outras atividades mas não tão prazerosas como esta. Outro dia, via um programa na TV onde o ator Lázaro Ramos lançava seu primeiro livro, que levou dez anos para terminar. Antes, segundo a entrevistadora, ele já escrevera algumas histórias infantis. Leva tempo. É difícil. Quero me arriscar novamente. Na verdade, já tenho uma história começada. É romance, não só crônicas. Quero terminar essa obra e ver no que dará. Acho interessante a ideia inicial. Fiz um bom pedaço, muitas e muitas páginas. E falta inspiração. Parei, muito tempo, mesmo. Aí, um dia pensei num personagem que criara, sem tanta importância, em relação aos protagonistas; me deu um "estalo" e resolvi encaixá-lo. Ficou bom. Só que não é simples voltar no tempo e deixar verídica a trama. Mas não vou desistir. Será que terei tempo para engatar uma marcha de novo? Será que estarei cheia de inspiração para desenvolver o que quero? Coisas inacreditáveis acontecem, sim. O programa sobre nosso país vizinho, a Colômbia, terra do grande escritor Gabriel Garcia Marques, transformou-se num lugar de paisagens escandalosamente lindas, apesar de mais de cinquenta anos de guerra, de lutas contra o narcotráfico, e mostrou um povo sem amargura, ao contrário, solícito, solidário. Tudo pode acontecer. Espero que o nosso país, com tantas riquezas naturais, tantos homens de valor, um povo também acolhedor, receptivo, encontre sua verdadeira face, como num belo livro de histórias, com final feliz.
Um comentário:
Neuza..fico feliz por vc!!!
Tb gosto de escrever...e as vezes flui tão fácil...outras demora...persista...adoro suas crônicas...Grande beijo!!!!
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