sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Perguntar não ofende...

Gosto de rir, muito. Uma vez li, não sei onde nem quando, há pessoas que tem um defeito genético ( considero defeito) e apresentam mau humor crônico. Não é meu caso, felizmente. Longe de saber sobre genética, mas tenho um mínimo de informação para pronunciar essas palavras. Aproveito cada ocasião que tenho pra dar boas gargalhadas. Ontem, tive um encontro com a médica, ginecologista, que visitamos todo ano, eu e minha filha É no Rio o consultório dela. Um transtorno para quem mora do lado de cá da ponte, já que  moro em Niterói. Como de praxe, ela pediu vários exames, fez o preventivo ( essa parte é bem chata) e trouxemos nas respectivas bolsas o famoso recipiente com o material colhido. Detalhes perfeitamente contornáveis. Só que, em dado momento, já atravessando a baía  que, apesar da lotação excessiva da barca, estava uma delícia, com brisa suave soprando, temperatura normal, eu imaginava ( coisa  de gente meio doida) que se houvesse um problema, digamos que a barca afundasse... eu iria, com certeza, boiar, pois nadar não é meu forte, mas boiar, gente, sei muito bem. Podem rir. Mas penso coisas assim. Mas, em dado momento, continuando o que dizia, percebi um cheiro forte de amônia, ou sei lá o quê. Seria  o pequeno frasco da doutora?
Tive esperanças que fosse um outro, com álcool; peguei mania de carregar. Mas, não. Não é que o danado do recipiente estava com problemas! Preocupei-me. Teria que voltar à médica, depois da verdadeira Odisseia por que passara - ônibus até as barcas, outro ônibus no terminal, este para Copacabana, um táxi até o lugar que me reembolsam ( plano de saúde), de novo a barca ( já voltando) e mais outro ônibus até em casa. Não. Chegando a Niterói, pertinho de seis horas, corri até o laboratório mais próximo que achei. Estava com as portas já fechadas. O outro, na mesma calçada, a dois quarteirões. Corri o mais que pude, virei o pé, xinguei, baixo, pra ninguém ouvir. Cheguei a tempo, as portas estavam ainda abertas. Mas não fui muito feliz, a recepcionista havia fechado os computadores e me informou que só no dia seguinte. Entretanto, disse a ela da preocupação com líquido derramado, etc, etc, e ela me tranquilizou, dizendo que não havia dano ao material. Hoje, fui aos exercícios rotineiros pela manhã, tomei meu café com pão, e na volta, a primeira coisa foi levar o  "frasquinho" ao laboratório. Assim o fiz. A atendente, jovenzinha, parecendo iniciante no trabalho, tirava dúvidas com a vizinha ao lado quanto a  alguns procedimentos. Então, perguntou-me algumas coisas para preencher as lacunas do papel à nossa frente. Aí, conto a vocês a primeira delas: " - Quando foi sua última menstruação?"  Ri, na verdade, gargalhei. Como gosto de rir, gente! E respondi pra ela: "-Acho que há uns quinhentos anos ". Depois de escrever meu endereço e confirmar outras anotações, ela veio com outra pergunta: "- Toma algum anticoncepcional?" Outra boa risada. Afinal, perguntar não ofende, né? 

domingo, 19 de outubro de 2014

Três episódios para rir...ou chorar.

Estava dando umas voltas pela rua e, na calçada, parei junto ao camelô que vende óculos, relógios, coloca bateria, essas coisas. Levei um reloginho que tinha parado para colocar "combustível". Nada a ver com o da Petrobrás. Encantei-me com um relógio "Hugo Boss", de correia vermelha e com um mostrador grande, dourado, onde os números apareciam bem, sem ter que colocar óculos para enxerga-los.  Perguntei o preço e me espantei...baratíssimo! Não direi quanto, pois me verão com ele. Mulher chique não anda com relógio de camelô, gente. Minha filha estava comigo e olhava tanta coisa que pensei em abandonar bem rápido o local, sempre acabo pagando, quando ela se engraça com alguma coisa. Antes, havia perguntado se podia pagar com cartão. A resposta afirmativa. A mocinha que me atendeu já havia posto a bateria no outro relógio prateado que uso mais que os outros. Devo ter uns três ou quatro, que hoje tive de rodar os ponteiros, devido ao horário de verão ( que curto muito).Então, eu dizia, tinha certa pressa. Saí e só percebi o rapaz que também era um dos donos da barraca me dizendo, educadamente: " Senhora, tem que pagar!" Uau! Ainda bem que não fiquei roxa de vergonha, afinal não sou caloteira... Rimos muito e me dirigi a uma banca de jornais que era onde se pagava com o dito cartão de débito. Idade? Os dois neurônios, Tico e Teco, falhando...
Aí, nesta mesma semana, foi ontem, para ser mais exata, vinha eu passando por uma rua do Ingá, trazendo meu netinho, de táxi, ( às vezes, de ônibus, que ele gosta), e vi um anúncio de loja que faz cortinas e persianas. Anotei mentalmente o telefone, porque o número era fácil...2622-2222. Não é? E vim animada pois preciso com urgência tirar uma persiana no quarto da filha que, com mais de 10 anos de uso, se encontra em péssimo estado, e também, ela prefere uma cortininha. Ando meio agitada e como sou eu quem faz tudo, no frigir dos ovos, passando por outra rua, já bem próximo a minha casa, avistei um outro telefone, desta vez do "frango assado da vovó Bebel", em Icaraí. Pensei em encomendar um, para me facilitar o almoço. Já em casa, cuidei de telefonar para saber preço, essas coisas. Liguei aquele número fácil que já mencionei. " Alô,( disse eu animada) é do frango assado? - Nâo, respondeu o homem, aqui é a casa de cortinas..." Perceberam? Troquei alhos por bugalhos e misturei o frango da vovó, com a persiana da filha... Idade? Tico e Teco andam cansados...
Não acabou ainda. Desditas de uma senhora  com os anos pesando nos ombros. E desta vez, com a participação do meu amado netinho. Coisa de criança... Afinal, chegávamos em casa depois que voltávamos do restaurante de nome sugestivo, Carpe Diem; fomos eu meu filho e a namorada para animar o meninozinho que estava meio chateado de estar no apartamento. Na portaria, se encontravam o porteiro no seu posto, e dois vizinhos, bons camaradas e amigos meus. Nos cumprimentamos e eles brincaram com o meu neto ( que, não é por nada, não, é um menino lindo de cabelos pretos, muito lisos e olhos vivos, corujice à parte...) e ele, num gesto abrupto, talvez, acanhado, puxou minha blusa de malha e se enfiou debaixo dela! Uau! que susto! Todos rimos muito e entrei correndo no elevador com o netinho ainda enfiado sob minha blusa, donde não queria sair. Idade, não! Agora, não. Mas foi bom para nos alegrar o sábado.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Quem me ensinou a ler...

Inevitável. Sei que todos vão se fartar de ler homenagens aos professores. Merecidamente. Como sou saudosista extremada, me veio à memória a cantoria da escola, onde aprendi que as letras  se misturam que, na verdade, formam sílabas e palavras: onde aprendi a ler, gente. Algumas pessoas aprendem sozinhas, autodidatas, ou com o pai ou a mãe, primeiro. Eu estudei na fazenda, onde a professora chegava a cavalo, calças compridas sob a saia, sombrinha, protegendo-a do sol ou chuva. Alguns alunos, meus colegas, a acompanhando de perto, seguindo o passo lento do animal. Ela não costumava faltar. Lembro-me, nitidamente, de observá-la,  trocando de roupa atrás do armário no quarto do meio, como costumávamos dizer. Dona Zandir, seu nome. Não me importa se volto ao passado, numa época em que a tabuada era obrigatória, e numa única sala, as quatro séries eram ensinadas e uma não atrapalhava a outra. A professora tomava a lição de todos, sem exceção. Enquanto o fazia, os outros "cantavam" os verbos ou a tabuada, numa cantilena que causava  sono: dois mais um três, dois mais dois quatro...ou Eu canto, tu cantas, ele canta, nós cantamos, vós cantais, eles cantam. Mas aprendemos. Antiquado? Improdutivo? Não, com certeza. Senão, médicos , advogados, engenheiros e outras profissões não existiriam. Acreditem, nem a famosa palmatória foi uma coisa negativa, quem errasse a tabuada...ui! Palmatória na certa! Mas nada que ofendesse, nem machucasse, o efeito, apenas moral. E como funcionava!... Na hora do almoço, a mestra observava a posição do sol nos degraus da escada, e íamos para a mesa posta, com muita honra, já que ela, a nossa professora nos dava a alegria de sua presença. Depois, hora do recreio. Tudo começava cedo na roça. Ali pelas duas e meia, não tenho certeza, e as brincadeiras sadias, de "barra bandeira", rodas e cantigas e os meninos jogando bola.  Tempos idos, mágicos, que guardo no coração, bem lá no fundo e que, às vezes, me fazem chorar de saudades! Tive outras grandes professoras, outros ótimos mestres, mas  é  à  minha primeira professora a quem dedico esta singela crônica. Eterna, inesquecível dona Zandir!

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

VENDO VELHICE.

Frase de duplo sentido. Duas palavras apenas. Vendo velhice significa, ao mesmo tempo, que estou reconhecendo que o tempo passou e enxergo, estou velha. Ou quer dizer ainda que estou passando pra frente a minha idade, que negocio,  o meu tempo aqui na  Terra. Quem vai querer? A resposta já imagino. A verdade é que fui escovar os dentes, apesar da preguiça, e olhei-me no espelho. Todo dia faço isso, óbvio. Hoje, entretanto, pude observar um certo "craquelê" no meu rosto. Embaixo dos olhos, naquela  região que já anda meio devastada pelas olheiras; me dei conta de que, a cada dia, rapidamente, minha pele vai mudando.
Lembro-me, nitidamente, da época em que me sentava diante da penteadeira, no apartamento em que morava, na minha cidade natal. Hoje, virou moda restaurar esses móveis de quarto. A dita penteadeira se compunha de um espelho fixo central e duas "bambinelas" móveis em cada lado. Eu me olhava e via uma moça bonita. Dobrava as janelinhas e podia me ver de perfil, o cabelo penteado, quando fazia um pequeno coque, ou mesmo solto, liso, até a cintura. Chegando de uma sessão de cinema ou depois de infindas voltas na praça, costumava, antes de me deitar, ficar me olhando no espelho. Era agradável observar um rosto liso, olhos vivos, pele macia. Na flor da idade, fica fácil. E pensava nos jovens pretendentes que me olharam, dos flertes e se eles estiveram me admirando como eu fazia agora, de frente para o espelho. Sonhava acordada. Os devaneios me envolvendo. Naquela época, umas conhecidas da cidade vizinha já ousavam e haviam feito uma plástica no nariz. Eu confesso que não estava muito feliz com o meu. Preferia que fosse menor, tipo Elizabeth Taylor, pequeno, arrebitado como os de minhas irmãs. Eu era a única menina cujo nariz não tinhas as características ideais. Que burra! Quanto complexo infundado, afinal era compatível com o feitio do meu rosto e não me fazia mais feia. Hoje sei disso. Mas, de volta ao presente, vejo-me correndo em busca do creme milagroso que pode melhorar as rugas e adiar um tiquinho a velhice. Não gostei do que vi. Tem umas velhinhas por aí que estão piores, bem sei. Só que tenho um consolo: quando jovenzinha, era mais insegura e me colocava defeitos onde não existiam. Prefiro homenagear meus neurônios com alguns elogios, na minha idade, mais vale a pena reconhecer que Deus me deu outro dia com saúde e posso escrever um texto com certa lógica.