quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Quem me ensinou a ler...

Inevitável. Sei que todos vão se fartar de ler homenagens aos professores. Merecidamente. Como sou saudosista extremada, me veio à memória a cantoria da escola, onde aprendi que as letras  se misturam que, na verdade, formam sílabas e palavras: onde aprendi a ler, gente. Algumas pessoas aprendem sozinhas, autodidatas, ou com o pai ou a mãe, primeiro. Eu estudei na fazenda, onde a professora chegava a cavalo, calças compridas sob a saia, sombrinha, protegendo-a do sol ou chuva. Alguns alunos, meus colegas, a acompanhando de perto, seguindo o passo lento do animal. Ela não costumava faltar. Lembro-me, nitidamente, de observá-la,  trocando de roupa atrás do armário no quarto do meio, como costumávamos dizer. Dona Zandir, seu nome. Não me importa se volto ao passado, numa época em que a tabuada era obrigatória, e numa única sala, as quatro séries eram ensinadas e uma não atrapalhava a outra. A professora tomava a lição de todos, sem exceção. Enquanto o fazia, os outros "cantavam" os verbos ou a tabuada, numa cantilena que causava  sono: dois mais um três, dois mais dois quatro...ou Eu canto, tu cantas, ele canta, nós cantamos, vós cantais, eles cantam. Mas aprendemos. Antiquado? Improdutivo? Não, com certeza. Senão, médicos , advogados, engenheiros e outras profissões não existiriam. Acreditem, nem a famosa palmatória foi uma coisa negativa, quem errasse a tabuada...ui! Palmatória na certa! Mas nada que ofendesse, nem machucasse, o efeito, apenas moral. E como funcionava!... Na hora do almoço, a mestra observava a posição do sol nos degraus da escada, e íamos para a mesa posta, com muita honra, já que ela, a nossa professora nos dava a alegria de sua presença. Depois, hora do recreio. Tudo começava cedo na roça. Ali pelas duas e meia, não tenho certeza, e as brincadeiras sadias, de "barra bandeira", rodas e cantigas e os meninos jogando bola.  Tempos idos, mágicos, que guardo no coração, bem lá no fundo e que, às vezes, me fazem chorar de saudades! Tive outras grandes professoras, outros ótimos mestres, mas  é  à  minha primeira professora a quem dedico esta singela crônica. Eterna, inesquecível dona Zandir!

Um comentário:

ECLB disse...

Que bela homenagem a Profª Zandir.
Também fui aluna dela,no colégio Francisco Borges Sobrinho, na Barra, onde morávamos. Aprendi com ela o livro de Admissão.Além de minha professora era minha madrinha.Fui visitá-la algumas vezes em Itaperuna, onde passou a residir.
Realmente era um tempo muito bom.
Cristina Borges