domingo, 30 de agosto de 2015

Um livro, uma árvore.. pessoas.

Já fiz muita coisa nesta vida. Já,sim. Entretanto, por mais que se faça, que se construa, sempre parece estar faltando algo;  não"plantei bananeiras" porque é difícil ficar de ponta cabeça. Já furei muito chão e enterrei sementes, isto, sim, fiz muito. Gosto de plantas, de árvores ( só não gosto de escalar nenhuma delas já que sou  medrosa por excelência). Confesso que uma vez, ainda numa idade há anos luz, ali pelos  dez ou onze, subi numa mangueira ( o tronco era baixo) e fiquei presa, não sabia se descia de frente ou colocava os pés, de costas para o chão. Levei algum tempo pra descer. Como me arrependi de ter subido! Fiquei pensando sobre o lançamento do meu primeiro livro e me dei por satisfeita. Foi um belo gol, devo admitir. Não faz muito tempo, não me via capaz de escrever nada. Comecei timidamente, depois de um mini-curso, no Rio, quando li no Jornal do Brasil, que seriam oito aulas, todas as terças-feiras; "Meu primeiro livro". Criei coragem, liguei pra lá. Uma senhora delicada me atendeu e me informou ainda ( depois que  indaguei sobre um possível aluno de Niterói - alguém que me fizesse companhia na volta) que, sim, havia um senhor que também pretendia fazer o tal curso. Fui. Ia de frescão ali pelas cinco, que chegaria ao meu destino, ao lado do Teatro Municipal, na rua do Amarelinho.Começava às seis da tarde e terminava ali pelas nove, se não me engano. Foi a melhor coisa que fiz. O professor, homem inteligente, capaz, jovem ainda pra tanta sabedoria, me incentivou de tal forma que criei asas e voei. Ganhei meu diploma, que guardo com o maior orgulho. O que mais fiz, desde então, foi escrever. Amo. É como faço agora. Do nada, vou tirando idéias. Bate aquela vontade, sento de frente para o computador e só paro de digitar quando completo algum texto, por mais insignificante que possa parecer. Falei das árvores, do livro e faltam as pessoas. Dizem que alguém para ter sua tarefa cumprida nesta Terra deve ter feito as três coisas. Discordo. Há pessoas fantásticas que nunca tiveram um filho e nem escreveram nada. Enfim, quero dizer que completei o meu ciclo de "atividades importantes" porque tive três filhos. São a alegria maior que pude ter e, ao mesmo tempo, a preocupação para o resto dos suspiros...E como uma árvore frondosa, onde os ramos se espalham, ainda esses mesmos filhos nos presenteiam com netos. Só tenho um, por enquanto. É o pequeno galho que dará continuidade ao nosso nome. É um novo amor que surgiu e que me envolveu completamente. Que Deus me dê coragem para escrever outro livro; subir em árvores, nem pensar...plantar mais algumas, até gostaria. As pessoas que amamos, estas, sim, queremos que sejam felizes, que se reproduzam e que deem bons frutos.Quem sabe um deles virá a ser um grande escritor?!

domingo, 16 de agosto de 2015

O tempo e suas mazelas.

Depois de tudo, vem o tempo. Quando ele nos acompanha de perto, em épocas, já agora tão longínquas, só prestamos atenção a ele se esperamos uma ocasião festiva; dizem que "o melhor da festa é esperar por ela", concordo plenamente. Há muitas maneiras de se observar o tempo. Há ainda outras fases, nem tão boas, por exemplo, se estudamos para uma prova, concurso ou coisa que o valha e ansiosos, aguardamos um  bom resultado. Há inúmeras formas de se observar o tempo, repito. Hoje, o tempo de alguém aqui na Terra se deu por encerrado. Falo de uma pessoa que fez diferença, foi útil, foi importante, implantou um projeto que levou seu apelido " Gugu" e que marcou positivamente o "entardecer"   de muitas pessoas. Faço parte desse grupo que já alcançou uma idade, onde a contagem regressiva acontece de forma inevitável, nada agradável. Vemos, principalmente nos tempos atuais, pessoas muito jovens morrendo porque escolheram um caminho errado, aquele que encurta a vida de tantos jovens que imaginaram que o crime compensa. Não. Sabemos que não. Dá pena  ver esses meninos, influenciados, tão precocemente inseridos na arte do mal, enganados e envolvidos por pessoas inescrupulosas e bandidas. Difícil entender o porquê de tantas tragédias. "É a vida!" Ouvimos...  Estamos convivendo com pessoas que comandam os destinos do nosso país de forma repugnante. Pra dizer o mínimo. O desencanto toma conta da maioria dos homens dignos, que trabalham, pagam impostos, educam os filhos para serem também dignos, pessoas do bem. Hoje, é tempo de manifestações, nas praças, nas calçadas, nas avenidas, em todos os lugares, nas principais capitais e cidades. É tempo de combater a corrupção que recrudesceu de forma assustadora. Houve um tempo de manifestações, quando se acreditou que o país seguiria seu rumo, com a expulsão de  um presidente, o povo nas ruas, solicitando medidas mais justas, aconteceu  um tempo atrás, sim.  De que adiantou? Nunca se roubou tanto e a impunidade virou moda. Não sei se verei alguma coisa mudar. Como disse antes, o tempo não espera por ninguém, é a lei natural da vida. Uns vão, outros ficam. Uns mais velhos, outros ainda tão jovens. Uns em que o corpo se gastou, naturalmente, pela idade avançada, outros pela infeliz escolha, de um caminho que os ceifou precocemente a vida. Então. As pessoas seguem o chamado destino; mas o tempo, esse senhor  indiferente, não quer saber.  Doa a quem doer, ele passa,  segue em sua trajetória desconcertante, não sei se ele é bom ou mau. Só sei que  é real.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Baile na pracinha.

     " Se  arrependimento matasse"...Sempre pensamos assim, quando deixamos de fazer alguma coisa ou o oposto, se optamos por uma coisa desastrosa e nos damos mal. Ontem, fui à casa de uma amiga para que ela me fizesse um favor: já que ia para a nossa cidade, curtir a festa do ano, pedi que levasse um livro para minha irmã. Ela me contou, toda animada que haveria um baile na praça ( coisa que faz tempo não acontecia) com direito a DJ e tudo o mais, aliás, seriam dois dias de "arrasta-pé", debaixo do "Pau-ferro" uma árvore que é testemunha de mil histórias, na mesma praça. Ando numa fase de desânimo pra qualquer empreendimento que tenha que viajar. A idade me trouxe muita insegurança e maluquice, digamos assim. Acho que vou ter dor de barriga, se estiver no ônibus ou coisa parecida. Caduquice mesmo, sei bem. Analiso, penso e me dá muita raiva porque estou assim. Frustração é a palavra certa. Estaria com meus irmãos  e primos a quem amo de paixão. Principalmente, seria um encontro festivo, já que falamos muitas bobagens, entre uma piada e outra e viramos crianças, atropelando um ao outro pra contar uma "fofoca" ou escutar um caso engraçado. Festa de Agosto. Faz tempo que, só de pensar nessa data, me dava uma alegria sem medida. Já falei algumas vezes sobre isso. Não devo ficar repetitiva, senão vão pensar no "alemão famoso" que deixa os idosos um tanto esquecidos ou meio esquisitinhos... Deus me livre! Mas volto a pensar que estarei perdendo uma festa recheada de  encontros, papos com amigos que vejo tão pouco, devido à distância e ...gente, esses bailes na praça! Quando era jovem e havia os inesquecíveis bailes no Aero Clube, a timidez era a tônica em minha vida. Fui tachada de metida, ou antipática, posso adivinhar, pois era uma característica que poderia  ser confundida. Hoje, com a idade, aprendemos a dominar e enfrentar melhor essas dificuldades. Hoje, com certeza, não teria vergonha de dançar na praça ( ainda que me considere uma péssima dançarina) porque o tempo passou e me ensinou que somos o que somos e não é feio se danço meio sem jeito. As coisas acontecem independentes de nossa vontade. Isso é velho. Todos sabemos. Mas hoje, volto a dizer, como me arrependo de não ter ido à Festa de Agosto...

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

À procura da mãe.

"Eia pois, advogada nossa e esses olhos misericordiosos a nós volvei e, depois deste desterro mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre,..." Linda essa oração. Chegou-me à mente, não sei bem porque. Dia dos pais aconteceu, faz pouco. Quem perdeu o seu, como o eu e tantos mais, fica mexido e comovido, com a saudade apertada, com maior intensidade. Mas, hoje, pensei na mãe. Naquela que também, há anos, me deixou órfã. É que a vida vai nos cobrando cada vez mais. É violência de todos os lados, o tempo todo: ontem  mesmo, aconteceram mortes em plena rua, onde  há  comércio e pessoas transitando obrigatoriamente e nem esperam um acontecimento desses. No miolinho da cidade, onde se imagina estar a salvo de tal barbaridade. Oração faz bem, comprovado cientificamente. Contar com a proteção da Virgem Maria é uma opção que traz consolo. Contar que, apelando para a mãe de Deus, seremos atendidos, dá segurança. Afinal, Jesus não vai deixar de acatar um pedido de Sua Mãe. Aí, me apego à Mãe, que é de todos nós. Somos irmãos, não somos? E, apesar das atrocidades cometidas pelos "bandidos", compreendo bem quando escuto alguém dizer que sente pena deles também, e principalmente da mãe de cada um desses marginais. Escolheram o caminho errado, sim. Mas isso não é um castigo para quem os criou,  que os pariu, na esperança de que seriam  homens de bem? Há culpados, sim, há os responsáveis por um país melhor, onde se possa educar uma criança, onde se encontre um leito de hospital, decentemente equipado, há segurança falha e omissa,  de tudo isso já temos consciência. Mesmo assim, dá vontade de apelar para nossa Mãe Santíssima para que nos olhe com misericórdia e peça a Seu Filho que amenize o coração dos homens, que dê paz a esse mundo tão belo e paradoxalmente, tão maltratado!

domingo, 2 de agosto de 2015

Sumindo...sumindo...sumiu.

Agora, estou doente de verdade. Gripe. Malvada gripe que me entope o nariz, dá dor de garganta e não satisfeita, provoca esse desânimo. Tira o apetite também. E ainda tem o incômodo de intestino meio destrambelhado. Mas vai passar...espero. Todos os remédios já tomei, e engoli uma banana, na marra. Vou ver se o pão com aquela margarina que ajuda o coração ( prefiro não dizer o nome)e café conseguem me animar. Lembro-me dos dias de missa, em Bom Jesus, na minha infância e juventude. Acordava, preguiçosa, mas faltar à missa das nove...nem pensar. Costumava só tomar café e nem sei se comia o pãozinho costumeiro. Ia enfrentando o calor e a saia muito mais comprida do que se usava na época porque o padre não permitia minissaia, de jeito nenhum. Mangas compridas também, obrigatório. O sol batia forte e atravessar a praça para alcançar a Igreja se igualava à travessia do  deserto de Saara, só que sem camelo nenhum. Mas era assim. Engraçado como se resiste melhor a essas dificuldades quando se é mais jovem. Hoje é domingo e tem missa. É um tantinho longe, entretanto, pode-se usar a roupa que der na telha, decotada, curta, até já vi gente de short. Não compactuo com essas liberdades que chegam com todo o modernismo. É melhor se manter o respeito, afinal é a casa de Deus. A vida vem em etapas. As coisas ocorrem no devido tempo, não é? Me pergunto. Nem sempre, respondo. Há pessoas que não dão bola pro tempo e o enfrentam com galhardia, com um certo deboche mesmo. Sinto inveja. Sou sincera quando falo dessa inveja porque é um modo de sentir vontade de reagir, de assumir que não é uma completa tragédia se estar além do prazo que foi estipulado para se ter uma vida boa. Tudo é relativo diriam uns. Tenho uma irmã que é exemplo de tenacidade, coragem. Lida com os problemas da idade como se fossem seus lacaios. Nem dá confiança. Ela está certa. Será porque saímos tão diferentes se a barriga que nos gerou é a mesma e os genitores também? Não sei. Outro dia, uma mulher jovem, bonita e inteligente ( olha  a sorte dessa donzela!) disse, num programa de TV, uma coisa que me calou fundo, apesar da pouca vivência dela, não com essas exatas palavras mas parecido: "as pessoas perdem a perspectiva de fazerem planos e realizar sonhos, quando a velhice já as alcançou." É verdade. Ou talvez, seja diferente. Tudo o  que seria a longo prazo, para o futuro, se torna urgente. E aí vem um tipo de ansiedade misturada com frustração. Ou os sonhos e desejos são irrealizáveis ou se cometeu erros demais e agora o tempo ficou muito curto. Sinto-me assim. Dizem que uma pessoa completamente realizada  é a que plantou uma árvore, gerou um filho e escreveu um livro; até isso já fiz, acreditam? Vou lançar o meu livro daqui a uns dias. Esses ditos populares!... Eu posso dizer que já fiz as três coisas.  Lembro-me de ter jogado muita semente na terra também. Filhos, são três. Como podem ver, não economizei na receita. Então. Não explicaram o que é mais importante: como fazer para driblar o tempo e mostrar a ele que ainda há um tantinho a ser cumprido. Como diria o compositor famoso: "Quero paz no meu coração, se tiver um amigo, que me dê a mão...!"