Do meu quarto, ouço o que quero e o que não quero. Quando me mudei para essa rua, pensei que nunca mais fosse dormir. Engraçado como tudo acontece. A gente se acostuma, se adapta a coisas inimagináveis. Hoje, sinto falta de barulho? Não é bem essa a explicação. Acho que, na verdade, não existe lógica para uma definição melhor. Nem vou tentar. O fato é que,no ginásio esportivo, bem próximo ao meu apartamento, um conjunto toca em decibéis que ensurdecem qualquer um. A música até que é boa, apesar de não ser meu gênero predileto.De algumas até gosto. Fui à missa e o som se misturava com as palavras do padre e atrapalhava um tantinho. Mas a palavra de Deus sempre soa mais forte. Agora, sozinha, digitando esse texto meio sem nexo, espero um novo dia. Só que com esperanças de que seja melhor. A expectativa de consulta médica é, digamos assim, uma ameaça à tranquilidade de cada um. Encaro como a possibilidade de descobrir a causa do desconforto que venho sentindo há algum tempo. Resolvi criar coragem e investigar. Fiz exame e o cara do laboratório foi generoso na quantidade de vidrinhos que encheu com meu sangue. Quero muito recuperar a alegria perdida. A compra de um sapato ou bolsa, dar uma volta no shopping, atrás de um vestido milagroso que emagreça, andar pelas ruas de comércio farto, ir ao cinema, ir ao teatro, tudo era motivo para me animar. Hoje, não. Não devo ao fato de ter envelhecido. Não. Sempre tive um humor de causar inveja, reconheço. Agora, procuro por ele como o Peter Pan à procura de recolocar sua sombra, que teimava em fugir.A banda toca Lulu Santos, que amo, neste momento. Já tocou várias músicas, repito, das quais gosto muito. Dava vontade de dançar, pular e sonhar.Os sonhos se transformaram em pesadelo. A vontade de pular ou dançar fica prejudicada pela dor na lombar que me persegue. "Eu perguntava to wanna dance"...estão tocando essa... A mocidade escorreu entre os dedos como água da bica. E aí, gente, vejo que adiar a vida é um péssimo negócio. O tempo não perdoa, muito menos espera, principalmente,pelos indecisos. A vida é uma piada de mau gosto. Não estou achando nenhuma graça do que ela vem me aprontando. "Abra suas asas, solte suas feras"...tocam agora. Estou acompanhando o show daqui e passo para vocês. Amo a música, me faz bem. Pedi a Deus para me dar, neste Natal, um presente caro: minha saúde de volta. Quero ser feliz ainda.
domingo, 18 de dezembro de 2016
quarta-feira, 30 de novembro de 2016
Pela terra, pelo céu...
De todas as formas, caminhamos para o infinito, melhor, para o eterno. Pensar assim nos faz mais tristes, nervosos ou, para alguns, alegres, visualizando, talvez,a solução. Os problemas que nos afligem parecem menores diante do que assistimos ontem, por todos os canais da mídia. Eram jovens, muito jovens, com a alegria natural da idade, viajando para um outro país. Um país do qual não sabemos do nome, dos governos, da qualidade de vida, dos prazeres ou sofrimentos. Pela fé, cremos que há um sonho realizável para todos. Deus mandou seu filho para nos ensinar. Há os ateus que têm nenhuma convicção sobre a vida após a morte.Mistério insondável... Entretanto ela é certa. Vai chegar a qualquer momento, disso, nenhuma dúvida. Chegou para aqueles "meninos" que enviavam suas últimas mensagens. Fiquei perplexa, como a maioria das pessoas. Soube muitas horas depois. Estava fazendo os exercícios habituais, com o grupo de amigos que amealhei pela vida. Sempre ligo o rádio, enquanto faço meu café, para ouvir as palavras do padre Marcelo. São orações, depoimentos, além da bênção da água, dos objetos, de qualquer coisa. Faz bem. Então estranhei ao ouvir, não a voz do padre, mas a do locutor que vem logo após o programa religioso. Ele informava sobre o acontecido, sobre o acidente aéreo. Mas, como peguei " o bonde andando", não sabia de que time ele dizia, só sabia que eram brasileiros. Liguei para minha irmã e ela me contou da tragédia que ocorrera nas primeiras horas e que era anunciada aos quatro ventos. Comecei minha crônica dizendo do caminho que, um dia, percorreremos. Eles, aqueles meninos risonhos, brincalhões, com a vida inteira pela frente, encontraram o seu destino pelo céu. Voavam em direção ao nada, ao descanso eterno. Havia outras pessoas, sim: jornalistas, médicos, treinadores, a tripulação, enfim, seres humanos, carregando seus anseios, suas frustrações, seus desejos. Mas aqueles jogadores, os mesmos que celebravam a vitória inusitada, já que um time único, da pequena cidade e que já alçava grandes feitos em sua classificação, estes, jamais, cogitariam estar voando o seu último vôo. Quem como eu gosta de assistir a uma boa partida de futebol, deve estar imaginando o que estarão aqueles "garotos" driblando e mostrando suas qualidades de craques da bola, além do goleiro, que tentou defender a bola que ameaçava o gol, mas que sucumbiu diante do chamado de Deus. Lá no céu, deve haver um grande gramado, de um verde como nunca visto, com platéia divina, aquela que só se alegra, que vibra e que recebeu de braços abertos um time inteiro, e que terão sempre a saudade dos que, aqui na Terra, ficaram chorando mas aplaudindo também.
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
Uma mulher mais ou menos.
É engraçado como nos definimos, às vezes. Hoje, estou assim. Não consigo ter uma avaliação da pessoa que sou. Não só hoje, volta e meia me analiso. Estava revendo algumas crônicas e algumas já foram lidas por mais de 600 pessoas: um espanto! Não sabia que muitos me acompanham no meu blog...Gostei, evidente! Nossa vaidade dá pequenos saltos, fica toda boba! E aí, em contrapartida, me pego do outro lado da moeda. Não estou com essa bola toda.Tem escritos meus, quando resolvo reler, que me orgulham, o tempo passa e fico pensando que estava inspirada quando os produzi. É verdade. Mas apesar de algumas qualidades positivas, tenho aquelas que derrubam. Por exemplo:não raro, tenho uma recaída, compro linhas e barbantes para executar um trabalho de crochê. Aconteceu esta semana.Encontrei um barbante colorido, azul bebê, com um preço razoável. Ali estava a salvação da lavoura, ia deitar e rolar com o meu novo tapete. Só que não tenho o cuidado de contar os pontos, ou mesmo verificar se não tem algo dando errado. E deu, gente...de repente, vou fazendo uma "cinturinha" não programada no crochê, que, antes, seria uma distração. E aí? Até desmanchei um bom pedaço. Ainda assim, não ficou bom. Terminei o trabalho. Ficou bem torto e cinturado, como já disse. Mas serve pro gasto... Sou uma pessoa que sabe fazer muitas coisas, vou listar para quem quiser entender: sei cozinhar, sei costurar, sei pintar, sei até dirigir um carro, sei arrumar a casa (essa, tarefa medonha), passar roupa, sei lavar, sei escrever crônicas, sei bordar e fazer "bicos" em panos de prato, sei tricotar ( fiz um agasalho para meu neto e ele adiou a estréia,acho que não gostou) , como podem perceber, faço muitas coisas. Mas há um detalhe que me incomoda. Nada é muito bem feito. Aprendi a lidar com o computador, entrei no Whatsapp, chamar o Uber ( isso aí, virou uma missão quase impossível, mas é muito mais barato), sei jogar baralho, o que faço, quase sempre, frequentando a casa da irmã. Dançar, adoro! Mas não tenho gingado suficiente: quando consigo mexer os pés, a bunda não acompanha o rebolado, fundamental para um samba legal. Música, que é a minha paixão, tentei com o violão. Tive aulas e um professor paciente. Mas não segui, a voz de taquara rachada atrapalhou um pouco. Tem uma coisa que faço bem: gosto de seguir o que Jesus pregou, exaustivamente, que é amar ao próximo. Faço com a maior dedicação. Tento minimizar o que as pessoas mais difíceis "aprontam" comigo. É chato ter que aceitar o meu problema maior: _" Vai viver a sua vida!" Ouço muito isso. Mas não me corrijo. A preocupação com os filhos e com o neto, são mais constantes que as próprias amigas. Disso posso me gabar, tenho boas amigas. Daqui a cinco dias, vou comemorar meu aniversário. Mentira, gente! Não vou fazer nada. Prefiro ficar quieta no meu canto. Vou ler dois livros que me olham da prateleira, vou comprar mais linhas e insistir num novo trabalho. Com a sobra dos barbantes azul-clarinho, fiz um jogo americano...até que ficou bom. Outra coisa que poderia me distrair ( ou irritar, quando não acerto) é comprar uma tela e tintas novas para arriscar um novo quadro. Tem coisas boas pra fazer, sim. É preciso ter coragem para começar. Que Deus me ajude e me dê mais talento!
sexta-feira, 28 de outubro de 2016
Dissabores, decepções e vida que segue...
Há algo que foi criado como sendo a criatura mais inteligente sobre a Terra: o ser humano. A maioria há de concordar. Errado, acho eu.Não vou viver o suficiente para entender o que se passa na cabeça de cada um. Falar de políticos, governos corruptos, isso já ficou cansativo, trivial. É constante na mídia. Então, quero me referir ao homem comum, sem cargos ou missões governamentais que podem mudar os nossos destinos. Falo do homem no sentido geral, abrangendo as mulheres e demais gêneros (aqueles que estão conseguindo "sair do armário") porque são tão humanos quanto qualquer outro, apesar das dificuldades que enfrentam, já que cada um de nós se arvora em juiz e dá a sentença conforme seu humor ou pensamento do momento. Pois é, gente. A cada dia, seguramos nossa cruz de um jeito. Às vezes, ela se torna leve e conseguimos, nesses raros intervalos, nos alegrar e pensar na beleza desta casa em que vivemos provisoriamente. Quero crer que haverá uma recompensa na próxima morada. Tenho me sentido mais ligada às coisas da Igreja. Passei a frequentar a casa de Deus com gosto. Sinto falta da proximidade, ou melhor, da intimidade com Ele. De me sentir na casa do Pai, aquele que tudo e a todos perdoa. Deus é bondade. Não creio em um castigo eterno. Talvez, um "purgatoriozinho", onde iremos corrigir os erros aqui cometidos. Tenho lido sobre catástrofes e possíveis invasões aqui, neste país maravilhoso, o Brasil. A Internet tem esse poder. Tanto nos aproxima das pessoas queridas e que estão longe, quanto nos amedronta com notícias desse calibre. E tocam a mostrar previsões que foram feitas há algum tempo e confirmadas. Videntes, magos são responsáveis por isso. Crer ou não crer é problema de cada um. Mas dá um friozinho na barriga, se imaginamos um Tsunami , terremoto ou coisa parecida acontecendo na nossa terra,afinal dizem, Deus é brasileiro. Mas fora esse apanhado geral, onde todos são vistos como os seres inteligentes do planeta, vemos entes queridos, aqueles nos quais depositamos nossa inteira confiança, nos surpreendendo, no mínimo, com uma injustificada agressão. Se falhamos num pequeno detalhe, somos massacrados como o ser mais omisso e desatento da face da Terra. Isso dói, gente." Em cada cabeça uma sentença", não é assim o ditado popular? Pois é. Para seguir os ensinamentos de Cristo, devemos dar o outra face, devemos ser humildes, devemos amar ao próximo e até com os inimigos , devemos ser complacentes. Mas é difícil, gente. E como! Quando erramos com alguém, é bonito nos redimirmos, pedindo perdão, afinal, somos todos imperfeitos. Acontece que, quando somos acusados injustamente, fica difícil deixar o amor-próprio escondido em alguma gaveta e sairmos pedindo perdão. Qual foi o erro cometido? Qual a falha tão grande? Durante anos a fio, tenho tentado ser igual, solícita e, dentro do possível, estar presente nos bons e nos maus momentos. Mas não é suficiente. Precisamos aprender a não cometer erros, mesmo que digam que somos humanos, sujeitos a falhas. É preciso que se cubra com armadura para levar os safanões da vida. Tomar seu ansiolítico receitado e esperar que, na outra vida, sejamos PERFEITOS...!
terça-feira, 25 de outubro de 2016
A VIDA NÃO PODE SER PROGRAMADA
É impressionante como, às vezes, nos sentimos como aqueles bonequinhos de teatro infantil, que são comandados por linhas, fantoches, me veio o nome! E como acontece também esquecer a palavra mais simples de algo que queremos lembrar. Dizem:" - não se preocupe, é o acúmulo de informações". Estamos à mercê de computadores, internet, essas maquininhas traiçoeiras que resolvem nos atormentar, quando mais precisamos delas. Eu pretendia, aleatoriamente, escrever um texto, como de costume. Não foi o que aconteceu.Hoje, esperava a visita de alguém,um funcionário da Sky, que traria um novo aparelho com a função de gravar algum programa, filme ou seja lá o que for. Não veio. Eu, na verdade, o esperei ontem, naquele horário "comercial", que me deixou presa toda a tarde. E o cara não veio. Pode isso? Não. Mas num país onde o ex-presidente, os políticos e grandes empreiteiros andam visitando a carceragem em Curitiba, o que esperar de uma simples operadora da Internet? Fiquei mais irritada, quando telefonei e fui ouvida pela mocinha robótica; ela ( o robô) me informava que sim, havia um registro de visita, mas para o dia seguinte. Tudo bem, pensei. Talvez eu tenha me confundido. E esperei mais uma tarde inteira pelo moço, que não veio. Liguei para a "simpática robozinha". Ela me deu os mesmos números. Aí, disquei o dois e , por sorte, a voz do outro lado me concedeu o privilégio de falar com alguém de carne o osso, depois de discar o número zero. Aí, ele agendou para amanhã, à tarde. Três dias, vejam bem!!! E se tiver um cineminha, ou uma compra urgente, ou qualquer coisa que eu queira fazer? Não posso, claro, vou receber visita. Só que arrumei muitas prateleiras, onde tenho alguns livros ( inclusive os volumes restantes do meu livro - o único, mas que me dá um orgulho danado de ter escrito), porta-retratos dos filhos, neto e das irmãs além de algumas caixas para guardar tanta tralha. Cansei, limpei vidros de janelas, a cômoda ao lado da cama, uma bagunça danada e, deitei-me no sofá da sala, não antes de ter guardado a roupa lavada. Ah, fiz um mexidinho com arroz e frango de ontem, já que a filha ia trabalhar e comer pela rua. Sim, dormi um bom pedaço. Acordei, a preguiça tomando conta do corpo e o medo de não dormir à noite. Relaxada o bastante, tomei um banho gostoso e me dispunha a escrever esta crônica. Não exatamente esta, como já disse. Meu filho me ligou pedindo que pagasse um boleto para ele. Peguei pelo whatsapp o código de barras e digitei a data agendada: seria para doze de dezembro. Até aí, tudo bem. Mas já não era o que eu havia programado. Resultado: não poderia ser para a data que estava expressa no bendito documento porque ele precisava para amanhã. Tive que cancelar tudo. Liguei para o banco ( nem sabia que podia). A irritação quase me provocou um enfarto. Liguei o número enorme que se estampava na tela. Finalmente, consegui falar com o funcionário do banco. Ele falava baixo, calmamente, diferente de mim. Pedi que ele falasse mais alto. Não adiantou, ele continuava longe. Mas disse que eu ficasse tranquila e me ensinou o passo a passo. Eram três maquininhas: o meu celular, de onde eu lia o código de barras, com a data agendada, eu ( me incluo entre as máquinas) e o telefone fixo e o computador ( notebook) para fazer toda a operação. Como podem ver...foi um final de tarde daqueles! Não programei, gente. A crônica seria outra. Não me perguntem qual. Talvez, mais agradável, pois um amigo e conterrâneo deu em escrever curiosidades sobre nossos antepassados, como eram" porcos", não tomavam banho e fediam à beça. Era sobre isso que escreveria. Ele falava dos índios brasileiros, asseados, que tomavam banho várias vezes ao dia. E tantas coisas mais. E assim, lá se foi a minha crônica sobre a falta de higiene dos portugueses e demais habitantes da Europa. Na próxima, prometo ser mais leve. Até lá...!
sábado, 15 de outubro de 2016
Açores, o vulcão de cada um.
Quero falar sobre um programa, o Globo Repórter, que sempre costumo assistir. Há sempre coisas novas. Acho, nunca irei viajar para ver.Uma pena, bem sei. Mas não me encontro o suficiente capaz. Já viajei algumas vezes, enfrentei o avião que detesto mas acabava indo.Hoje, não me sinto capaz de tamanha estripulia. Ando impossibilitada, não direi o porque, não agora. Mas o que é real, quero dizer é que fiquei maravilhada com o que pude presenciar.Açores são ilhas, recheadas por vulcões, prestes a qualquer momento soltar labaredas ardentes, muitos deles capazes de explodir ou soltar fumaça, pedras incandescentes, algo imprevisível, sem mais nem menos. As inúmeras ilhas são indescritíveis. Um encantamento, algumas lagoas com cores azuis, verdes, uma quantidade de lugares que parecem estar em outro planeta, como a beleza indescritível. Como se os habitantes fossem criaturas diferentes. A beleza das inúmeras ilhas, onde os moradores falam a nossa língua portuguesa. Ao mesmo tempo, há praias coloridas, praias onde a areia preta e água quente, oferecem remédios.É como se as pessoas alcancem, em pouco tempo,um milagre. Há uma beleza e grandes diferenças: vulcões, lagoas, plantações, flores, lugares onde os habitantes se acreditam seguros, ainda que haja grandes vulcões. Somos pessoas que temos a mesma disposição, aqueles que se sentem com o corpo interno, a sensação das lavas vulcânicas.Pessoas situadas com força interior, que se nega a explodir, ainda que, algumas vezes, nos transformemos através de explosões. Há tempos, houve vulcões lançando suas lavas, jogando pedras ao mar, formando ilhas e praias fantásticas. As paisagens avistadas no topo das montanhas são o que de mais bonito acontece. Caminhos tortuosos, subidas difíceis que valem a pena. Algo interessante ainda é a maneira de utilizarem o cozimento de alimentos, enterrados na natureza: pelo vapor pratos são feitos , cozidos em panelas protegidas, embrulhadas; alimentos deliciosos são experimentados. Me deu vontade de falar de Açores, porque o ser humano é meio assim: formado pela natureza, cada um com suas particularidades, verdadeiro vulcão, considerado extinto, com suas lavas escondidas sob a terra mas que, sem muita explicação, surpreendem, causando estragos, lançando labaredas incandescentes pra todos os lados. Com o passar do tempo, o que parecia destruidor nos torna saudáveis. Há o lado profundo do nosso íntimo, como as águas termais, areias negras, que se transformam numa "erupção vulcânica"...mas que é compensador, curativo e saudável.
terça-feira, 4 de outubro de 2016
A PRIMAVERA.
Chegou a estação mais bonita do ano. Mas chove, faz frio. Prefiro calor, banhos frios, e o verão, ao contrário dos que preferem estar debaixo das cobertas, lendo ou fazendo coisa melhor ( mais apropriada para jovens, principalmente; não tenho preconceitos, velho também é gente),se é que me entendem...
Então, gente, vem o desejo de escrever estas pequenas crônicas que tem sido o que mais gosto atualmente. Acontece que, depois de ter escrito meia dúzia de frases, apagou tudo. Deu um treco no computador e perdi todo o texto. Voltei a escrever e tentei repetir as idéias, mas inútil. O que digo agora é bem parecido mas não, exatamente, igual.Incrível como não consegui dizer algo de agora, há pouco.Pessoas que dão depoimentos na Justiça caem em contradição, não são capazes de dizer as mesmas coisas do interrogatório de antes. Dá pra entender, se não são culpados.Mas eu dizia sobre a primavera, flores que brotam das árvores, arbustos, nos jardins, enfim, de beleza, da alegria. Ninguém tem muita paciência para ler ou ouvir o que se diz da primavera. Já se falou tanto em versos, em prosa, os poetas não se cansam. Queria ser um deles. Alguma coisa vai mudar, depois das eleições, que ainda deixaram umas cidades a espera de um segundo turno. O candidato que venceu na cidade mais importante do país, ganhou no grito. Campanha feita com seus próprios recursos, alguém que não se considera político, não como os que temos, nos Poderes que nos representam. Nos representam? Eu disse? Sim, eu acabei de digitar. Infelizmente, não é o que acontece. Não queremos ser roubados, ludibriados. Isto é outra coisa que já cansamos de saber pela mídia, etc, etc... Não é disso que quero falar. Mas é preciso que brotem candidatos assim como brotam as flores, na primavera. Há que se ter esperança de encontrar gente de verdade para nos representar. Gente colorida, gente cheirosa que encontrarão espinhos, assim como as rosas, no mesmo galho em que seguram a beleza, sustentam as folhas e os espinhos. Este homem que ganhou fácil as eleições na capital paulista, traz novas idéias, não se acovardou, diante da pergunta insidiosa da candidata daquele partido político que me recuso a colocar na minha pequena crônica. Todos sabem de cor o nome do vergonhoso complô para a destruição que nos assolou, pessoas que o apoiaram, ou infelizes seguidores, alguns fanáticos, outros no "cabresto". Mas falemos de flores, outra vez...Espero estar entre os vencedores, os que não tem medo de plantar o bem para todos. Pela primeira vez, não votei. Alcancei a idade em que não sou mais obrigada, como todo brasileiro. Houve muito voto nulo, muito voto branco. Espero estar ainda assistindo, no próximo ano, o renascimento da primavera. Desta vez, com cores fortes, com o cheiro suave das flores e com a alma lavada por ver a justiça funcionando, verdadeiramente, no país em que tenho o orgulho de ser uma de suas filhas. E viva o Brasil!
Então, gente, vem o desejo de escrever estas pequenas crônicas que tem sido o que mais gosto atualmente. Acontece que, depois de ter escrito meia dúzia de frases, apagou tudo. Deu um treco no computador e perdi todo o texto. Voltei a escrever e tentei repetir as idéias, mas inútil. O que digo agora é bem parecido mas não, exatamente, igual.Incrível como não consegui dizer algo de agora, há pouco.Pessoas que dão depoimentos na Justiça caem em contradição, não são capazes de dizer as mesmas coisas do interrogatório de antes. Dá pra entender, se não são culpados.Mas eu dizia sobre a primavera, flores que brotam das árvores, arbustos, nos jardins, enfim, de beleza, da alegria. Ninguém tem muita paciência para ler ou ouvir o que se diz da primavera. Já se falou tanto em versos, em prosa, os poetas não se cansam. Queria ser um deles. Alguma coisa vai mudar, depois das eleições, que ainda deixaram umas cidades a espera de um segundo turno. O candidato que venceu na cidade mais importante do país, ganhou no grito. Campanha feita com seus próprios recursos, alguém que não se considera político, não como os que temos, nos Poderes que nos representam. Nos representam? Eu disse? Sim, eu acabei de digitar. Infelizmente, não é o que acontece. Não queremos ser roubados, ludibriados. Isto é outra coisa que já cansamos de saber pela mídia, etc, etc... Não é disso que quero falar. Mas é preciso que brotem candidatos assim como brotam as flores, na primavera. Há que se ter esperança de encontrar gente de verdade para nos representar. Gente colorida, gente cheirosa que encontrarão espinhos, assim como as rosas, no mesmo galho em que seguram a beleza, sustentam as folhas e os espinhos. Este homem que ganhou fácil as eleições na capital paulista, traz novas idéias, não se acovardou, diante da pergunta insidiosa da candidata daquele partido político que me recuso a colocar na minha pequena crônica. Todos sabem de cor o nome do vergonhoso complô para a destruição que nos assolou, pessoas que o apoiaram, ou infelizes seguidores, alguns fanáticos, outros no "cabresto". Mas falemos de flores, outra vez...Espero estar entre os vencedores, os que não tem medo de plantar o bem para todos. Pela primeira vez, não votei. Alcancei a idade em que não sou mais obrigada, como todo brasileiro. Houve muito voto nulo, muito voto branco. Espero estar ainda assistindo, no próximo ano, o renascimento da primavera. Desta vez, com cores fortes, com o cheiro suave das flores e com a alma lavada por ver a justiça funcionando, verdadeiramente, no país em que tenho o orgulho de ser uma de suas filhas. E viva o Brasil!
terça-feira, 27 de setembro de 2016
Gritos, pobres e gente no chão.
Quero escrever sobre coisas alegres...o tempo não ajuda, está frio, um frio danado e surpreendente, já que a primavera acontece, desde vinte e dois deste mês de setembro. Aliás, é o mes (dizem que não mais com acento, na dúvida, escrevi um com e outro sem) de muitos aniversários na família. Isso é bom. O normal seriam flores em profusão, um ar morno, ou temperado. O planeta dá suas cambalhotas. O homem e a Natureza se enfrentam. Acho, é o que acontece. Enquanto alguns lutam para salvar o planeta, outros pretendem ou não se importam se o destroem : em primeiro, seus interesses, o preço a pagar é incalculável.Mas a vida não é feita só de flores, sabemos, há os espinhos. Hoje, apesar do frio indesejável, fui à ginástica. Na calçada, o que vejo todos os dias? Pessoas deitadas no chão, sujas, enroladas em cobertores imundos, rodeadas de seus amigos fiéis, uns dois cachorros vira-latas. Ficam alojadas num dos portões grandes, sempre fechados, do Estádio Caio Martins. Há um vão ali que parece acolher aquele morador de rua. A miséria o acolhe também. Triste de se ver...o que fazer pra ajudar? A quem recorrer, num país de desigualdades tamanhas? Segui meu trajeto, fiz exercícios, encontrei-me com amigos queridos do Projeto Gugu e já não me incomodava o frio, a professora acelerava nos exercícios e a música animada nos fazia bem. Depois do alongamento, finalizadas as atividades, cada um tomou o seu rumo. De repente, ouvi gritos. Olhei como todos os colegas e passantes da rua; eram gritos desesperados. Havia alguém gritando: " Pai, pai, pai! Não eram gritos, simplesmente, eram a tragédia explícita naquela voz enlouquecida. A moça, ainda jovem, não olhei muito pra trás, confesso que por medo. Ela parecia drogada ou coisa assim. Olhava para o céu, para o chão e dizia, repetindo " pai e também Deus"! Aquilo me deixou mal. Por que alguém passa por esse sofrimento, vinha pensando. O motivo não saberei. Continuei andando, mais rápido. E, aos poucos, os gritos cessaram ou a distância os ia apagando. Passei, de novo, pelo local costumeiro, pela calçada do Caio Martins. Não havia mais ninguém deitado naquele canto do portão. Tampouco, vi os cães. Onde estaria o homem pobre, desamparado e com aparência doentia? E, aí, meus problemas ficaram pequenos. Agradeci a Deus pelas dádivas que tenho. É preciso olhar para os lados, e muito mais para o céu. Cheguei em casa, mesa do café posta, com pão esquentando no forninho elétrico, feitos por minha filha. Coisa boa, pensei. E me lembrei das palavras do padre Fábio de Melo que,no mesmo Caio Martins - refúgio daquele homem pobre, miserável - dizia sobre Zaqueu, que Jesus acolheu, privilegiando-o com sua amizade, sendo o seu escolhido, dando-lhe palavras de conforto. A música cantada pelo padre ainda soava forte ,agora, nas minha lembranças, quando chorei de emoção, das arquibancadas do Estádio. Quantos espaços, para shows lindos como ao que assisti, quanta grama verde para uma partida de futebol e quão poucos espaços para os pobres e doentes, alijados da sorte como aquele ser humano por quem passo, todos os dias, e quanto me sinto inútil, não fazendo nada para ajudá-lo.
quarta-feira, 31 de agosto de 2016
As leis e um jogo de Pôquer.
Tem hora, me pergunto: será que estou sendo severa demais? Afinal, não é meu feitio. Assisti hoje, pela TV Senado, canal 40( pela Globo News) todo o rito, julgamento da Presidenta - como ela gostava de ser nominada - e me vi, eu e a maioria dos brasileiros, assistindo a mais um golpe desse partido horrendo, chamado PT e aliados outros também. Nos últimos momentos, quando esperávamos o desfecho justo, esperado há meses, que a Presidente Dilma fosse deposta, por provas evidentes, pedaladas, falcatruas, compra de elefantes brancos, enferrujados, como Passadena, empréstimos vultosos a Ditadores, como os de Cuba, Venezuela e tantos mais, a falência da Petrobrás, estelionato político, enganando o povo, nas eleições, e tudo o mais...E aí, a que assistimos, minha gente? Nos últimos momentos ( para nós - porque acho que haviam urdido essa trama antes) volto a dizer, aparecem com a alegação que ela poderia se livrar da Lei, do castigo imposto para aquele pecado, pela metade. Nunca vi, antes. E conseguiram. Posaram de vítimas e falaram em clemência. Citaram até Ouro Preto, relembrando os castigos impostos aos "traidores da Pátria", quando seus corpos eram mortos e "fatiados" em praça pública. Devo confessar que já sentia o gostinho da vitória, percebendo, pela lógica e provas evidentes que a "Presidenta" já seria carta fora do baralho. E não é que foi um verdadeiro jogo de pôquer!! Acreditem! Jogadores inescrupulosos, ardilosos, com cartas falsas, já que falei em baralho, devo continuar por esta seara, onde grandes jogadores costumam blefar, para ganhar o jogo, enganam, é psicológico e, às vezes, passam cartas por sob a mesa, escondidas na manga. Conversa vai, conversa vem, uns acusando e outros, de forma acalorada, gritavam quando chamados, que o barulho devia ser ensurdecedor, já que todos falam ao mesmo tempo, aliás, um péssimo exemplo: "quando um burro fala o outro baixa a orelha"! Velho ditado. Aí, gente, apesar de não entender de leis, apenas procuro ouvir quem é entendido, estudado e procuro me orientar, para saber melhor das possibilidades reais deste nosso lindo país, apenas pincelado de negro por alguns políticos; a grande maioria, infelizmente, nos dá um tapa na cara. O presidente do Senado, com seu indefectível cabelo implantado, pago por nós, disse um belo discurso, antes da votação do impeachment; Só que, quando se definiu no painel eletrônico a contagem dos votos determinou que nossa " douta" presidenta foi exilada de seu trono. Trono, sim, pois nunca vi tanta mordomia e tantos assessores. A rainha da Inglaterra se sentiria humilhada, diante de tanta potência. Mas no Brasil é assim. Dívidas espocando de todos os lados...Nosso país sendo levado à falência. Mas os histéricos petistas conseguiram através de um documento de última hora, que a Constituição fosse alterada, porque a pobre Presidenta iria ficar muito mal, se seus direitos fossem usurpados. A Lei é para uns e não para todos, contrariando o que está expresso na Carta Magna do nosso Brasil. Então, numa segunda etapa, foram convocados os mesmos Senadores, os mesmos que a ceifaram do Poder, a repetir a votação. E pasmem!!! o Senhor Renan, resolveu fazer um pequeno ajuste em sua fala, agora pedia clemência para a pobre senhora, defenestrada de sua "cadeira real". Não seria justo " a queda e depois ainda o coice", como se diz em sua terra. Foi tanta falação que, acho, alguma coisa parecida com isso ele disse. Não se teve misericórdia dos brasileiros, mais de doze milhões desempregados, nem dos meninos de rua porque não tem escolas, nem casa decente para morar e dos pobres doentes em filas intermináveis nos hospitais, pois nem mesmo esparadrapo hão de encontrar, quando mais atendimento médico. E a farsa continua... é um jogo mesquinho de interesses, onde o povo, apesar dos protestos nas ruas, através da mídia e dos mais modernos meios de informação, não se faz representar por gente digna, escolhida nas urnas, que se pressupõe, sejam seguras...Será? Cansei. Talvez, haja uma luzinha, tênue, bem lá no fundo do túnel, esperando uma reação dos políticos contrários a essa falcatrua, quando podem, acho eu, apelar ao Supremo Tribunal Federal para que seja apagada mais esta mancha da nossa história. È um precedente que se abre para que os criminosos, que roubam nosso dinheiro, sejam perdoados, mesmo que pela metade...
terça-feira, 16 de agosto de 2016
"Seu" Pedro~ recordando...
Nem sei como, ontem, fiquei me lembrando coisas de há tempos. Pensei na vida em Volta Redonda, onde nasceu meu terceiro filho. Cidade poluída que me deixava com a alergia acentuada. Olhava pro céu e as fumaças expelidas pela Siderúrgica eram multicores: cinza, rosa, marrom e outros tons. Para um quadro seria bonito, mas pra vida real era um horror. Com três crianças, ainda nas fraldas, a lavar,era média de cem por dia, mais ou menos, daquelas de pano mesmo. Descartáveis, acho que ainda eram novidade. O fato é que a fuligem cobria tudo. Espanava a casa e limpava o chão para perceber que, em pouco tempo, o pó preto tomava conta. Vinha de uma cidade interiorana, onde não havia poluição. Nenhuma. Então estranhei muito. Morei lá por quinze anos. Não gostava daquele lugar. O que ganhei, em contrapartida, foram os amigos. Amiga fiel, verdadeira irmã, ainda vive lá. Tive outras, sim. Mas comecei a citar algumas coisas que puxaram outras. Lembrei-me com saudades de um senhor que foi nosso fiel escudeiro, o "Seu Pedro". Trabalhava com meu marido, ajudando-o a carregar processos, ajudando em tudo. Antes, pela manhã, era quem fazia uma boa limpeza na piscina, assim como executava outros pequenos afazeres da casa. Almoçava em nossa casa, tomava seu banho, se arrumava com capricho e os dois seguiam juntos para o trabalho, cada um com sua função. Quando nos mudamos de lá pra cá, ele nos acompanhou e ajudou a colocar os milhares de livros nas estantes, acomodou tudo que podia nos lugares certos e, quando já nos havíamos acomodado razoavelmente, foi-se embora. Chorei, ao me despedir dele. Acho que "Seu" Pedro já fazia parte de nossa vida. Não o veria mais. Era uma fase nova numa cidade em que sempre pensei morar: Niterói. Só que algumas pessoas marcam nossa existência. Aquele senhor, baixinho, cabelos meio grisalhos, sempre pronto a nos socorrer com inúmeras tarefas, não mais o veria. A vida é assim. Hoje, fiquei matutando e me lembrei de escrever algo sobre aquele nosso ajudante de todas as horas. Foi importante, num momento. Muito. Depois, sua figura, aos poucos, foi se diluindo com o passar do tempo. Não o verei mais, repito. Mas deu uma saudade danada! Por que? Não sei. Talvez a vertiginosa carreira do nosso existir seja motivo dessas divagações. Há tantas pessoas que me foram queridas e que não as verei mais. Assim como o valoroso amigo, "Seu" Pedro. Nostalgia, às vezes, dói. Mas , às vezes, também nos dão um bom motivo pra nos premiar, relembrando pessoas como aquele homem simples. Agora, me lembrei do que me fez reconstruir a figura do "Seu" Pedro: vi anunciarem na TV um "desastre" nas águas de uma piscina Olímpica, quando a água azul se tornou esverdeada e opaca. Tivemos uma boa piscina em nossa casa, onde meus filhos aprenderam a nadar. A água, constantemente, azul e bem cuidada. E me veio à memória aquele trabalhador simples de todos os dias em nossa casa. Sou assim. Do nada, sinto uma saudade enorme das pessoas, de um tempo que não volta...
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
SENADO E POLÍTICOS...
Ontem, vi pela TV Senado o pronunciamento dos políticos, uns contra, outros a favor da "desova" da presidenta ( como gosta de ser nomeada). Juro que não consigo entender que ainda haja alguém que defenda pessoas desclassificadas moralmente, que levaram o país à bancarrota! Ou melhor dizendo, acho que, sim, desconfio o porquê da defesa dos petistas e outros que se dizem brasileiros: como terão as vantagens dos enormes salários além das benesses que alcançaram nos últimos oito anos.?Indiscutivelmente, vão perder todos aqueles que alcançam tantas vantagens, alguns, analfabetos, incompetentes, que nem deveriam estar ocupando um cargo de tal importância. Nem ler sabem direito. Atacam o Presidente interino com a força de quem está se afogando, querem levá-lo para o fundo do poço que eles próprios cavaram. E esperneiam, como se debatem! As Olimpíadas servem de refresco para ocultar a verdade. É um desvio das atenções para a gravidade do que acontece em nosso país. Excelência, pra cá, excelência pra lá, uns querendo engolir o outro. O tratamento oposto ao que querem realmente gritar: seria mais adequado que dissessem o que realmente pensam? Não, mesmo. Ali é uma casa de respeito, ou pelo menos é o que deveria. E fico pensando no futuro dos filhos e netos...o que será deles se não houver um saneamento total, para destronar essa maioria com processos e delações no seu lombo! A minoria, capitaneada pela Gleisi, mulher que tem, literalmente, o nariz mais em pé do planeta. O que faz aquela senhora, imensamente prepotente, ali, quando se escancarou os seus delitos e do marido, que anda às voltas com a polícia ? Sei não. Deu vontade de falar um pouco disso. A economia já deu um salto ínfimo, segundo alguns da mídia. Até a combalida Petrobrás, andou um passinho à frente. Gostaria de ter maiores conhecimentos tanto de economia como de política, jurídica e tudo que diz respeito à nossa nação. Não tenho, confesso, mas o que não me impede de acompanhar, como a maioria dos brasileiros, frustrados, decepcionados com os caminhos tortuosos pelos quais esse nefasto partido nos conduziu. Agora, cadê o chefão? Onde anda se escondendo que não foi algemado, levado para o lugar onde são encarcerados aqueles que infringem as leis? Talvez, ande combinando com alguma empreiteira fazer uma reforma nos aposentos a que me refiro: a cela de uma prisão de segurança máxima. Espero que a cansada senhora, aquela que tem uma estátua em Brasilia, empunhando a espada da Justiça e equilibrando a balança que representa a esperança do povo, se sustente, amparada pela Democracia que resiste, bravamente, apesar dos pesares, apesar dos políticos, apesar da corrupção!
sexta-feira, 5 de agosto de 2016
Amigas bonitas.
Como discernir entre a beleza física e a interior? Sei, não. Tive amigas lindas, das quais sentia inveja, juro que sim...Hão de me achar horrível, dizendo isto. Mas explico: não havia maldade, propriamente, havia vontade de ser como uma delas, gente. A começar pela estatura. Sou baixinha. Com a idade, descobri que diminui dois centímetros. Hoje, não me importo mais. Tenho noção de que fui uma jovem bonitinha, tinha cabelos longos, lisos e lindos. Muitos dizem que só sei me depreciar. Nem tanto, talvez um pouco de humildade não faça mal a ninguém. Tínhamos no quarto de solteiras, eu e minha irmã, uma penteadeira ( hoje, super valorizada) em que os espelhos laterais se dobravam, mostrando nosso rosto de frente, de lado e podíamos até visualizar os penteados, se o cabelo estava em ordem. Essa penteadeira tinha gavetas laterais onde guardávamos os rolinhos, pinturas, escovas de cabelo, grampos, e os mais diversos apetrechos.Quando havia um baile na cidade, principalmente, no mes de agosto, (festa tradicional da cidade ) os vestidos confeccionados por nossa mãe, os cabelos enrolados com cerveja, não se espantem mas era um ótimo fixador, os penteados que fazíamos, usando,às vezes, uma esponja de bom-bril, pra dar volume e os artifícios que tínhamos à mão para nos fazer elegantes, belas e então nos postávamos em frente ao espelho, admirando a beleza natural daquela idade. Estava lendo no Facebook sobre a escolha das dez amigas mais bonitas que temos. Não saberia dizer. Minhas amigas, todas tem um lado bom, são o que me sobrou de melhor, nesta vida cheia de competições. Acho-as bonitas...simples assim. A beleza ficou entranhada em nossa amizade.Na idade atual ( prefiro não dizer) apenas já passei da fase de me olhar nos espelhos da antiga penteadeira ( que hoje está com a irmã mais velha - conservou-a - deu uma lixada, pintou-a de novo e na banqueta surrada, ela também deu uma melhorada) e analisar o meu rosto: eu olhava, olhava e achava que podia dar uma diminuída no nariz, por exemplo. Algumas moças de Itaperuna fizeram uma plástica e o nariz virou outro. Lembro-me de, algumas vezes, me achar bem bonita. Chegava do cinema, ou da praça e antes de lavar a maquiagem, dava uma olhadinha...gostava bem do que via. Agora, o espelho anda meio inimigo. Afinal, não dá pra mentir, já que a imagem mostrada não é a mesma. Há pessoas que com o passar do tempo se transformam totalmente. Outras tem o privilégio de amadurecer sem grandes mudanças, uma ruguinha aqui, outra ali, mas os traços, os mesmos. Pela Internet, podemos rever pessoas que, pela distância, pelas mudanças de vida, por tudo enfim, não vemos há tempos. Volto a dizer: algumas não as reconheceria se não houvesse o nome, os detalhes de suas vidas, o nome do marido. Mas há aquelas que parece, pactuaram com o tempo e estão bonitonas, inteiras...Então a beleza é de uma subjetividade à toda prova. Não saberia escolher as dez mais bonitas, pedidas no Face. A convivência com elas é o mais importante. Ter tantas amigas, mais de dez, é de uma beleza ímpar! Agradeço a Deus por isso.
terça-feira, 2 de agosto de 2016
Uma tela em branco.
Sempre gostei de pintar. Meu talento é nota cinco ou seis, por aí, só sei que gosto. Desenhar era uma distração, já fiz até histórias em quadrinhos, acreditem! Fazia num caderno pautado, desses de escola mesmo. Acho que, se tivesse estudado mais e me dedicado como devia, hoje, seria reconhecida como artista Não aconteceu. Entretanto, continuei pela vida afora pintando meus quadros. A tela em branco me deixa meio angustiada...vai entender. Vejo-me na obrigação de acertar, de colocar ali uma obra de arte. Assim como agora, quando a tela do computador, em branco, me incentiva a escrever de novo. O título, muitas vezes, vem do nada. Não tem explicação. Não elaborei nada. Apenas sai do cocuruto. Pois é. A vida é meio parecida com essa tela em branco. Apostamos demais e nos decepcionamos se não há um retorno bom, se as expectativas nos frustram e se desmancham no ar, assim como a nuvem soprada pelos ventos. Nem sei direito o porquê dessas divagações. Hoje, vai passar por aqui, na rua paralela à minha, a tal da tocha Olímpica. Noutros tempos, talvez eu fosse dar uma espiadinha. Não vou, gente! Perdi o tesão por muitas coisas. Ir ao Shopping, comprar roupa nova, sapatos e bolsas era um programa que me excitava, de um agrado total. Não é mais assim. Minha irmã, acima de mim, ao contrário, anda sempre bem vestida, cheia de badulaques, roupas novas e volta e meia me recrimina. " Você não se arruma!" Costuma dizer. Queria estar sentindo entusiasmo pelas coisas supérfluas, aliás, a vida é um acontecimento misterioso e surpreendente. Não há muito que se planejar, já que ela é a coisa mais incerta que temos. O futuro é tão seguro quanto uma ida à favela, à noite, ou um mergulho em alto mar, com ondas de três metros de altura. Outra coisa de que gostava muito era cinema. No tempo de mocinha, era um verdadeiro caso de amor. Como era bom ir à sessão das seis, no único cinema da cidade...!Eta vida boa! Como o mundo se abria a cada instante, como esperava ser feliz, como tudo era tão colorido! A tela em branco não me assustava então. Ao contrário, as pinceladas coloridas iam aparecendo e mostrando paisagens e personagens fantásticos. A juventude nos oferece o privilégio de encarar a morte, a velhice como algo longe, muito longe e não se pensava nisso, eram coisas que aconteciam com os outros, uai! Diriam os mineiros...Mas os valores vão mudando, a saúde é um dom do qual agradecemos a Deus, virou prioridade. E nos dividimos: a felicidade dos filhos em primeiro plano, a do netinho também. Preciso preencher o tempo que me resta cuidando de me exercitar ( o que faço cinco vezes na semana) pegar sol, que a vitamina D anda escassa e com a obrigação de me distrair, indo a teatros, cinema, lendo ou até mesmo fazendo tricô ( este é mais aborrecimento que distração, vivo brigando com as agulhas: ponto meia, ponto tricô...repetidos) mas entre borrões e belas pinceladas vamos vivendo a vida...
terça-feira, 19 de julho de 2016
Friagem e falta de assunto.
Não sei se por causa do frio ou o quê...apenas dei um tempo nos meus textos. Às vezes, sinto uma necessidade premente em escrevê-los. Acontece que, faz uns dias, li um pedido da irmã mais velha para que escrevesse mais.Foi aí que percebi o súbito desinteresse em colocar minhas idéias, quando as tenho e acho que valem a pena. O frio chegou, depois de um descanso.Ventania também, mesmo assim, corri para a aula de ginástica. Morri de frio, é verdade. Mas o calor humano é o recheio que ali encontro. São pessoas queridas, palavras de receptividade e algo mais, não sei dizer, as palavras não são boas para descrever o que sinto. Apenas gosto muito e toda vez, na volta, recompensada. Todo o esforço em levantar pernas e braços, dobrar até o chão, ou dançar ( muitos dos professores nos deliciam com músicas modernas e tudo vira um "baile" daqueles...) tudo é válido. Hoje, no entanto a preguiça consumiu o corpo inteiro e fiquei sob os edredons e colchas, curtindo a cama. Amanhã quero não faltar. Andei lendo esta semana um livro do Mia Couto. Confesso que foi o primeiro dele. Sempre vejo amigas (os) citando alguma coisa deste autor. Pareceu-me um tanto parecido com o estilo do Gabriel Garcia Marques:"Vozes anoitecidas".Tem um surrealismo surpreendente em sua linguagem, palavras carregadas de simbologia e muito a ver com sua terra natal, Moçambique. Quero ler outros tantos.Mas por que falo do livro? É que o frio dá essa vontade de ficar encolhida e acompanhada de um bom livro. Mas não pensem que gosto dessa geleira que despenca durante esses três meses de inverno. Não. Prefiro calor. Sei que ando na contramão da maioria que gosta de tempo frio. Agora, o ritmo é de Olimpíada. Há os temores de todos, infelizmente, se pensarmos que vêm pessoas de todas as partes do mundo e isso pode nos deixar na mira dos terroristas. Deus nos livre, mas é uma possibilidade, ou como diria o "cara" da segurança, uma probabilidade remota. Mudou apenas as palavras para dar mais confiança, quando sabemos que estamos à mercê desses fanáticos e a indefensáveis. Outra luta permeia esses dias de inverno: a guerra contra a corrupção é o que se vê e o que se lê. A mídia o tempo inteiro nos informando das falcatruas. Jesus, cansei!...Paro por aqui, hora de tomar banho e procurar os cobertores. Coragem, afinal, um banho que foi adiado pois me encontro enfrentando outra guerra e explico. Todo ano, resolvo pegar nas agulhas a procura de realizar uma obra de tricô. Meu Deus, comecei um colete para meu neto. Já desmanchei inúmeras vezes e o que prometia me distrair, tornou-se obsessão. Juro pra mim mesma que não tentarei nada, nunca mais em termos de tricotagem. Ontem, à noite, depois de um dia lutando com as agulhas e lãs, costurei a frente com as costas. Nada casava, ficou torto ,ficou esquisito e me desiludi com a arte dos trabalhos manuais, de novo. Mas hoje, resolvi desmanchar tudo, deu um trabalhão, São exatamente 00.32 minutos. Sabem que deu certo?! Sinto-me realizada. Amanhã, acabo, com certeza. Até a próxima aventura, gente!
terça-feira, 28 de junho de 2016
Perder e ganhar
Se dissesse Perdas e Ganhos, diriam que estou plagiando a autora famosa. Mas é, indubitavelmente, o que nos acontece: a vida é entremeada por esses dois verbos. Quando estamos bem de saúde, por exemplo, é um ganho que não valorizamos, é corriqueiro, é meio despercebido. Então aparece uma gripe forte ou qualquer outro dissabor, em termos de saúde perdida. Uau! que saudades dela - a saúde - aí, percebemos o quanto ela é importante, fundamental. Reclamar do serviço caseiro, reclamar das compras de mercado, ter que ir ao Banco, até a ginástica, porque levantar com tanto frio é fogo! Tudo isso é uma constante dentro do quadro de reclamações. Meus Deus, faz dez dias, a madame apareceu sem pedir licença, começou com uma conversa mole: é só uma dorzinha de garganta; não era, ainda por cima, mentirosa! Aí, o nariz entupido, a respiração difícil e a pilha de travesseiros, para dormir sentada e sem ar. Por que não comprei um remédio para desobstruir as narinas? Como bater na porta da vizinha prestativa, mas que, a essas alturas, no décimo sono!? E, devagarinho, a visitante me mostrou que não "tava" pra brincadeira, se instalou com mala e cuia. Tive que procurar o doutor. Só uma tosse persistente e sem febre. Tudo bem, um antialérgico e pronto. Voltei animada, pensando que o soro fisiológico e o remedinho pro nariz iam salvar a noite de sono. Mas, não. Apareceu, sim uma taquicardia danada, mãos geladas e fraqueza. Recorri aos préstimos do ansiolítico que fez um bonito e me senti bem mais calma. Até que uma febre insidiosa apareceu, tarde da noite. Por que não aparecem mais cedo? São notívagas, viciadas em incomodar as pessoas idosas. Meu cunhado me salvou ( fiquei chateada de ligar pra ele tão tarde ), autorizando um antipirético. Agora, preciso ganhar tempo, tomar um caminhão de líquidos e repousar. Aquela sala empoeirada, a gaveta desarrumada,água sanitária nos banheiros, devo me controlar, não era hora de agir, afinal, "Vitamina C e cama"...já nos recomendavam nossos antepassados. Hoje, ouvi uma notícia boa da "moça do tempo": sol e mais calor, a temperatura subindo até acabar o mes. Graças a Deus!
quarta-feira, 15 de junho de 2016
Êta frio danado!
Estou digitando com dificuldade porque coloquei as mãos embutidas, pela metade, na manga do casaco de lã.Nada me deixa mais desanimada do que acordar cedo, sair de sob o edredom quentinho ( o corpo é que se aquece ali) e o primeiro contato com o ar gelado da manhã, é de arrepiar, literalmente! Acho que a maioria das pessoas é contrária a essa reclamação que faço porque amam o tempo frio! Eu, não, gente! Que graça tem lavar o rosto, escovar os dentes, lavar louça, lavar roupa, tomar banho e outras coisinhas que prefiro omitir, se há um clima gélido total?! Eu, hein?! A única coisa boa é ficar sob as cobertas, vendo TV ou mesmo lendo um bom livro.E na hora de mudar a página? Viu? Acho que hão de concordar...! É um horror esse tempo triste, depressivo, ainda mais quando o sol resolve se esconder o dia inteiro! Faço ginástica toda a semana, de segunda a sexta. Vou toda encapotada, meias, tênis e começo a aula assim. Logo que os exercícios nos esquentam, tiro o casaquinho. Aí, tudo melhora. Sei que o inverno mal começou, parece que é depois do dia vinte, acho. Só ando torcendo para que não continue tão frio e úmido. Agora, mudando um pouco do assunto...já prestaram atenção ao clima do Congresso, às falas dos seus componentes, eleitos pelo povo( sempre enganado, os mais incultos iludidos pelas campanhas pagas com nosso dinheiro e sem nossa autorização) e que não se ruborizam ao defender a turma de bandidos que se instalou nos últimos anos? É impossível não se importar. Às vezes, me policio e digo pra mim mesma: você não vai mudar nada, vai ficar nervosa, vai se distrair, ver outros programas, ouvir mais músicas... mas quando dou pela coisa, lá estou eu ouvindo aqueles discursos medonhos e enfadonhos ( tudo terminando com "onhos") mas não dá pra deixar passar. E me vejo, de novo, ouvindo a ladainha e percebendo as falcatruas, os prazos infindáveis e as ameaças de que os ladrões e seu chefe serão presos. Meu coração anda meio descompassado, meio frio, assim como esse tempo danado. Não vejo a hora de chegar a primavera, com seus termômetros em alta, tempo ameno e suas flores que aquecem a alma, pelo menos isso!
sábado, 11 de junho de 2016
DESGRENHADA.
Ontem, fui à praça, onde acontece a ginástica que costumo frequentar. Já falei muitas vezes deste Projeto ( que merece letra maiúscula) para idosos e nem tão idosos também. Pois é. Estava eu lá, me esquentando do frio intenso e me exercitando ao máximo de minha capacidade. Na mesma praça há gente de todo o jeito, claro. Afinal, é pública. Há novos brinquedos para os menores, há árvores, grama, e o espaço enorme onde ficamos, além de um palco, num plano mais alto, onde os professores e professoras nos mostram os exercícios a fazer. Só não falei ainda dos varredores do pátio, sempre com suas vassouras e pás de lixo e de outros frequentadores. Estes últimos são na verdade o que podemos chamar de párias da sociedade, forte o que disse mas é isso, sim. Geralmente, bêbados ou drogados já tão cedo. Uma lástima... Vejo ainda pais,avós com netos, uns jogando bola, outros apenas acompanhando a filharada. Mas volto a falar dos menos favorecidos pela sorte. Eu já havia tirado o casaquinho e me sentia revigorada, suada, pelo esforço físico. Foi aí que, olhando para o lado, um tanto atrás de mim, percebi a menina-moça ( não a "mais menina que mulher") tentando acompanhar o que fazíamos. Nós usávamos o bastão, esperando a parte de alongamento que acontece no começo e no fim das aulas. A "menina" usava uma saia longa, justa que mostrava toda sua magreza e as canelas finas, sujas. Um blusão de largas listras cobria seu corpo. Imundo, tanto quanto tudo que se via dela. Seus cabelos eram uma carapinha, longa, ensebada, com certeza visitada por piolhos. Ela não usava o bastão mas nos imitava nos movimentos. Não pude apagar aquela figura da minha mente. Era de dar dó. Por que tantas diferenças, por que tanta miséria, por que tantas vidas desperdiçadas? É uma pergunta que todos nos fazemos ao deparar com tal situação. Há drogas e drogas. Umas, receitadas pelos médicos, tem o objetivo de nos ajudar, apesar dos efeitos colaterais, afinal, droga é droga. Outras, como talvez aquela que a pobre menina era usuária, provavelmente, danosas, sem nenhum critério, absorvidas pelo organismo tão jovem, destruindo-o por completo. Então, minha gente, volto o pensar na justiça deste mundo. Não é possível decifrar os mistérios do nosso planeta, entender as causas do sofrimento, da pobreza de uns e tanta riqueza de outros. Daí, vem a indagação que não se pode ignorar: haverá um lugar melhor, haverá felicidade num mundo mais justo, haverá meninas-moças, limpas, bonitas e protegidas dos males dessas drogas cruéis? É uma questão de fé. Jesus veio ao mundo e nos prometeu alegria eterna. Vamos rezar enquanto não somos chamados para este lugar... Sem farmácias nem narcotráfico!
quarta-feira, 8 de junho de 2016
Ai, que frio!
Os pés gelados dão a dimensão do frio que sinto. Detesto. Acho que ando na contramão da vida pois a maioria diz adorar o inverno. Pois é, gente. Sinto-me verdadeira lagartixa ( dizem que é gelada sua pele, ou couro, sei lá a denominação que se dá) mas o fato é que o frio intenso está me transformando num desses seres frios. Só por fora. Por dentro, existe um vulcão furioso que quer expelir para o alto suas lavas para que se derramem sobre tudo e todos. Nem tanto, acho exagerei na metáfora.É que há sempre algo a dizer e o pensamento é um companheiro persistente, não nos dá uma folga, a não ser durante o sono, assim mesmo há os sonhos. Outro dia, deitei-me no sofá e acabei adormecendo, durante a tarde.Não podia ter acontecido(falo como a jovem que descobriu ter engravidado no momento errado, inesperado - exagerei na comparação, de novo). Como seria naquela noite? Insônia, com certeza. Mas, gente, que sonho eu tive, em plena luz do dia! Não vou contar. De tão bom que foi (raro acontecer) prefiro omitir. Mas não é que o telefone tocou, no melhor da estória!! Não é justo, pensei. Era alguém da escola do neto, pedindo um documento. Tudo bem. A vontade era ficar quietinha, para ver se retomava o sonho maravilhoso. Mas não acontece assim. Nem sei porque falo disso agora. É apenas um jeito de puxar um papo ou de contar alguma coisa minha. Simplesmente, essa vontade de escrever que, por vezes, me aparece. Estou sentada na poltrona pequena que existe ao lado da cama. Os pés gelados. Preciso encontrar um par de meias com urgência, bem sei. Não há sol. Tudo nublado lá fora. Faz dias que chove, uma chuvinha persistente, fina. A umidade deve estar num grau elevado. Faz também três dias não vou à ginástica, na pracinha, porque, quando chove, não dá. Sinto falta dos amigos e dos exercícios que beliscam a tal serotonina, a mesma que nos impulsiona e melhora a autoestima. Repito o que dizem os médicos e entendidos. Estamos em junho e é natural que esteja frio. No sul, acontecem geadas e os termômetros caem de forma assustadora. Há quem goste, já disse. Sabem o que mais? Vou me enrolar no edredom e quem sabe serei premiada com um sonho bom...Se tiver que ficar acordada à noite, arranjo um bom livro e espero por um novo dia. Tomara que o sol brigue com as nuvens e apareça radiante, mesmo que espargindo raios menos quentes, afinal não se pode ter tudo de uma vez.
terça-feira, 17 de maio de 2016
Surpresa de saias.
Nem Martha Medeiros, muito menos uma Lya Luft, apenas, uma bonjesuense feliz e muito, muito orgulhosa de uma conterrânea, parente por afinidade e, antes de tudo, uma esperança para nosso combalido país.Ontem, vimos pela mídia o anúncio do presidente Temer escolhendo a primeira mulher no seu governo, dito provisório. Como tantos outros brasileiros estou na torcida pelo nosso Brasil que se atolou num pântano de corrupção. Sei que em todos os lugares do mundo há falcatruas como acontece aqui. Até mesmo, nos mais desenvolvidos do primeiro mundo. Só que, lá, há punição exemplar. Há penas severas para os crimes de lesa-pátria. Não apenas o presidente fez uma bela escolha, mas deu a nós, que ansiamos por pessoas honestas e competentes, esperança. Que ele continue a preencher os quadros do governo com gente de verdade. Vai demorar. Sabemos que não será de uma hora pra outra que esse "grandalhão magnífico" vai se aprumar. É preciso ter paciência e união. Os inúmeros partidos que existem deveriam se enfileirar para uma luta inglória mas necessária. Acertar a economia, dar empregos aos milhões de chefes de família, desesperados, sem um tostão para o básico, diminuir a violência e tantas outras questões. Eis que surge, num momento em que o partido derrotado, a presidente e seu antecessor, alguns elementos nocivos, acostumados
à boa vida, recebendo apenas para invadir terras e promover balbúrdia, paralisando as estradas e ruas, impedindo o povo que trabalha de verdade no seu direito de ir e vir, inconformados, pretendem burlar a Lei máxima e se colocam contra as iniciativas do governo, que ora se inicia.Não tenho a pretensão de grandes conhecimentos em política ou economia, claro. Sou alguém que se informa e sente na pele as dificuldades e incertezas de um país, assolado pela desonestidade da maioria governante. Já viram uma estrela cadente? Acho que sim. È com o brilho dessa " menina bonjesuense" que olhamos para o céu e fazemos o nosso pedido: não seja ela a única a nos proporcionar esperança, que venham outras figuras de tamanho quilate e nos salve, ainda que demore um tempo e mostre a todos que se pode construir um país, com a delicadeza da mulher e a honradez da brasileira bem educada, nos moldes de antanho.
à boa vida, recebendo apenas para invadir terras e promover balbúrdia, paralisando as estradas e ruas, impedindo o povo que trabalha de verdade no seu direito de ir e vir, inconformados, pretendem burlar a Lei máxima e se colocam contra as iniciativas do governo, que ora se inicia.Não tenho a pretensão de grandes conhecimentos em política ou economia, claro. Sou alguém que se informa e sente na pele as dificuldades e incertezas de um país, assolado pela desonestidade da maioria governante. Já viram uma estrela cadente? Acho que sim. È com o brilho dessa " menina bonjesuense" que olhamos para o céu e fazemos o nosso pedido: não seja ela a única a nos proporcionar esperança, que venham outras figuras de tamanho quilate e nos salve, ainda que demore um tempo e mostre a todos que se pode construir um país, com a delicadeza da mulher e a honradez da brasileira bem educada, nos moldes de antanho.
terça-feira, 3 de maio de 2016
Sangria
Ontem, vi numa novela da TV uma cena chocante: nos tempos do Tiradentes, uma mulher, tida como bruxa, fez uma "transfusão de sangue", de uma jovem para uma mulher à beira da morte; o sangue do braço, que escorria para um vidro, fora cortado pela faca afiada da megera, pretensa curandeira. Não sei nada de medicina, claro, mas já ouvi falar em sangria, que é mais ou menos o que acabei de descrever. Alguns médicos se utilizavam, acho, num tempo atrás, para salvar vidas. Não acredito que sejam utilizadas técnicas como essa, atualmente. O fato é que, às vezes, é como se precisássemos usar essa técnica para salvar a alma. Purificar ou desobstruir artérias e deixar o sangue fluir livremente. A intenção seria esta quando se fala do físico, do corpo de carne e osso. Mas a alma, como se faria para limpá-la, livrá-la da angústia, da ansiedade? Há muitos caminhos, segundo a Psicologia ou a Psiquiatria. Terapia, remédios, homeopatia.Além da religião, orações. Não sei o quê mais. A idade nos alcança e nos dá rasteiras. Olho para o lado e vejo muitas pessoas como eu. Há mais gente idosa que outra coisa, em todos os lugares. A medicina evoluiu e nos acrescentou muitos anos mais. A média de vida aumentou e muito. O comportamento, é claro, acompanhou essas mudanças todas. Antigamente, uma senhora nos seus cinquenta ou mais, era considerada velha, cheia de afazeres leves, tricô e crochê, fazendo sapatinhos para os netos, roupas comportadas, sem cores berrantes, como seria de bom tom.Hoje, a velharada sai para os bares, para as ruas, para o teatro, cinema, faz ginástica. Tudo isso e muito mais. Há aquelas que, inconformadas com a aparência senil, recorrem a plásticas e ao famoso botox. Não as recrimino, apenas é a constatação do que acontece. Mas aí, tem aquela senhora que não perdoa. Faz de nós prisioneiros do seu destempero.Não quer ser enganada porque o corpo não corresponde aos anseios da alma. E sobrecarregada, dá mostras de cansaço. Há os que lutam bravamente e vencem alguns turnos desta guerra. Como seria bom que, como os curandeiros e doutores de eras passadas, se pudesse fazer uma sangria neste espírito embolorado, que precisa se refazer, desobstruindo todo o entulho que o viver lhe impôs.Alargar as veias da alma para que se torne mais fácil, suportável, diante das agruras da vida, aliviando o peso desta cruz que carregamos.
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Sobre tias.
Esta semana, andei escrevendo um texto bem leve, falando de amor. Economizei adjetivos, advérbios de tempo, e outros mais da nossa rica lingua portuguesa para enxugar a "crônica" de modo a torná-la agradável para o possível leitor. Ninguém se interessa muito em saber dos antigos amores de uma senhora de já avançada idade. Infelizmente, no dia seguinte à postura deste texto, sofri uma perda grande: uma tia muito querida veio a falecer, depois de um tempo hospitalizada. Morava no interior, longe, muito longe em quilômetros mas perto do coração. Foi uma mulher importante para todos que conviveram com ela. Foram inúmeras as mensagens de amigos, parentes, se solidarizando com nossa família. Fotos antigas também foram colocadas. Numa delas, apareciam as outras tias, não menos queridas e que já se foram. Deve haver um lugar especial para elas, porque foram pessoas especiais. Há também que se dizer dos tios e meu pai. Os três irmãos cujo amor pela familia e amigos era farto. Homens de bem, tenho o orgulho de lembrar.Mas volto a falar das tias. Hoje, ficou a mais nova, de uma irmandade de dez. Cada vez que olhava aquela foto, revia com saudade, muita mesmo, a característica daquelas mulheres, lindas, amadas por suas belas qualidades, onde cultuavam a dignidade, entre tantos outros substantivos e o amor entre os membros da nossa família. Não vou citar seus nomes mas quem as conheceu bem, vai saber logo de cara a quem me refiro. Duas delas não tiveram filhos biológicos, o que não impediu que adotassem sobrinhos como se fossem seus próprios filhos. Religiosas, sobretudo, sempre acorriam ao Pai do céu, sempre. Uma outra, era a alegria em pessoa, nos fazendo rir todo o tempo com suas piadas, bom humor, além de ser extremamente prestativa para quem a ela recorresse. Gostava de música, de gente jovem, de estar sempre fazendo festa, ainda que por qualquer motivo. Tem mais uma tia, que me gabo de dizer, era acolhedora.Sua casa grande e bonita, com um belo jardim por todos os lados, estava sempre recebendo amigos e parentes. Seus bolos e quitutes maravilhosos oferecidos toda vez que batiam à sua porta. Lembro-me de haver nesta casa bonita, uma mesa redonda, moderna, e que eu achava incrível pois o centro dela girava para que se servissem os melhores pratos. O marido desta minha tia querida, tanto quanto as outras, era médico. Homem com quem ela teve muitos, muitos filhos, que são alguns dos meus queridos primos e primas. A mais velha dessas irmãs morava em Itaperuna, cidade vizinha à nossa. Fazendeira, ativa, viveu muitos anos e também um exemplo para os filhos e todos da nossa grande familia. Morei um tempo em Volta Redonda, cidade que viu meu filho caçula nascer. Fiz amigos lá, bons amigos devo dizer. Mas o que quero mesmo é lembrar que aquela tia a que me referi como uma fazendeira, mulher dinâmica, valorosa, foi por duas vezes nos visitar. Nunca vou me esquecer: quem conhece bem nosso Estado do Rio sabe a enorme distância que separa uma cidade da outra, é ir do norte ao sul, atravessando totalmente o estado. Então, ontem, vi partindo de nossa Terra mais uma tia querida. Lá no céu deve ter festa, com bolo e café, com risos e alegria, deve ainda ter um piano afinado para que as tias alegrem os anjos que as rodeiam com boa música. Nós aqui, ainda fazendo a travessia para este lugar que Jesus nos prometeu, ficamos tristes, muito. Deixaram como herança muito amor, choraremos por mais um tempo mas o que consola é saber que as queridas tias, mulheres de boa cepa, de coração gigante, repleto de amor estão juntas.
sábado, 2 de abril de 2016
As medidas do amor.
Conheço algumas pessoas que dizem ter amado uma única vez na vida. Poucas, é verdade. Outras, nem são amigas, pessoas com quem convivi, não mesmo. Fico conhecendo suas histórias por meio da mídia ou outra forma qualquer. Mas ontem, esperando o sono chegar, fiquei pensando sobre isso. Talvez, por ter sido uma data em que dois dos meus amores tenham feito aniversário. Eu disse dois? Sim, eu disse. Amores eu coloco na conta, dependendo da época. Não acredito que haja um único amor. Acredito, sim, que, em cada fase da vida, temos atração por alguém. Que naquela época, alguma coisa nos encantava em certa pessoa. Atração física, pode ter sido uma delas, claro. Lembro-me da paixão platônica ( evidente) por um ator de cinema, príncipe do filme Helena de Tróia, louro, de olhos claros. Guardava sua foto, tirada de alguma revista, entre as páginas do caderno ou no fundo de uma gaveta. Precoce eu? Não. Devia ter uns dez anos, por aí.Mas, nessa mesma fase da vida, conheci meninos da escola. Um, ainda no Grupo Escolar, lindo, calças curtas ( podem rir) e muito bagunceiro, pois a professora sempre lhe dava pitacos com a régua. Havia também o meu vizinho, moreno bonito, que falava com voz esganiçada, alto. Mas se mudaram da minha pequena cidade. Cresci e me tornei uma adolescente, tímida. Apaixonei-me por um rapazinho bonito, irmão de uma colega de escola. Depois, outros jovens foram substituindo um amor por outro mais interessante.Tive até um amor proibido, que me causou muitos problemas mas que foi bonito, apesar de tudo. Aí, gente, fiquei lembrando de todas as paqueras que já tive. Muitas, confesso. Na praia de Saco São Francisco, outro romance impossível: devia ter meus quinze anos, dançava com ele nas festinhas do bairro. Mas não conseguia conversar. Jeca,mesmo. Menina do interior, não respondia a suas perguntas: " Voce não sabe falar?". Eu não respondia, o rosto afogueado seria a resposta. Não deu em nada, claro. Casei-me, foi outro tipo de amor. Tive filhos ( com este amor não há comparação). E fiquei ali, no escuro do meu quarto, pensando em cada amor que tive. Cada um me transportava e me trazia boas e más recordações. Acho que me perdi naqueles pensamentos e o sono veio e apagou tudo. Hoje, me lembrei disso. Por isso escrevo esse texto meio bobo, mas que me fez um bem enorme. Amar faz bem. Relembrar o passado, pode não ser a melhor coisa da vida mas dá sono, isso, sim!!! Em tempo: não falei de todos os amores. Havia mais gente neste pacote. Só não pude medir a intensidade de cada paixão, se foi de verdade, ou se um arroubo da juventude. Mas foi amor, gente...
quinta-feira, 24 de março de 2016
Nas calçadas da vida.
Ia para minha ginástica matinal, verdadeiro encontro de amigos, além das vantagens para o físico, claro. Na esquina, parei. Sinal fechado, teria que atravessar com segurança. No chão, um homem se agasalhava, apesar do calor ainda de outono, com um cobertor sujo, dormia, na calçada.Percebi que ao seu redor, dormiam também, num profundo sono, três cachorros vira-latas. Tranquilos, poderia dizer. O sol já ia alto, e nem a escuridão da madrugada os protegia. Ou escondia, como queiram. O sono é o mais alentador dos confortos. É quando nos desligamos dos problemas, do sofrimento, da vida dura. Enfim...aquela cena é trivial, num país em que se deu a idéia falsa de que os pobres saíram vencendo, que tem melhores salários, que podem comprar mais coisas, mais eletrodomésticos, tudo que a classe média e rica, segundo os informantes do governo que aí está, afirma. Santo Deus! Dá vontade de ajudar, de resolver o infortúnio daquele ser, tão humano quanto eu, mas, ali, jogado, parecendo ter desistido de lutar. O que fazer? Não tenho a resposta. Mas tenho a pergunta que fica latejando e insistindo em aparecer: por que ele porque fora escolhido e não eu, por exemplo? Deus escreve certo por linhas tortas. É o que repetimos sempre. Mas, gente, tem hora que dá muita pena de olhar aquela cena e não ter solução para uma pessoa ali, na minha frente, deitada no chão imundo. Impotência é o mais próximo do que senti. Quanta oportunidade perdida, quanto emprego tirado, quanto dinheiro desperdiçado em obras superfaturadas, quando roubalheira, corrupção! Os que estão no poder não devem avistar uma figura como aquela, ladeada de seus amigos mais fiéis, os cachorros vira-latas pois helicóptero e avião passam no alto, lá, bem longe, onde a miséria humana não pode ser vista, porque eles não querem! Fazem vista grossa e ainda vão para os meios de comunicação, alardear suas benesses, seu interesse pelo povo tão sofrido! Atingi a idade em que não verei muitas mudanças...desde que o mundo é mundo há miseráveis e ricos. Mas quando avistamos tão próximos a nós uma pessoa como aquela, vista numa manhã bonita de outono, mas ignorada pela maioria que passa por ela, e não enxerga um irmão, desvalido da sorte, apenas se desvia para não ser atacado ou mordido por um vira-lata que é o único a participar da sorte cruel que foi destinada ao homem, sem rosto, pois coberto por um pano sujo. Um irmão, segundo Jesus, um irmão. Doeu...
sábado, 19 de março de 2016
Cheiro de mãe.
Hoje, dia de São José, santo homem, pai de Jesus, glorificado por sua dignidade, humildade, trabalhador, amoroso, pai do filho de Deus. Homenagem ao Pai é o que deveria fazer. E fiz, mais cedo, nas minhas orações. Mas senti-me compelida a falar de minha mãe. Sentada no sofá, dia preguiçoso, cabeça pesada, levantei o braço para melhor apoio e, foi aí, que me veio à lembrança o mesmo cheiro que muitas vezes percebia em minha mãe. Os hormônios vão nos abandonando com a idade, sei bem. Já não necessito de desodorantes, após o banho, do qual fazia uso há alguns bons anos. Muitos. Sinceridade acima de tudo. Lembrei-me do cheiro de minha mãe. E mais: a nitidez com que a visualizei, através do inconsciente ou sei lá de onde. Ela, sentada bem defronte ao "étagere", pequena cômoda da sala, como costumávamos nominar aquele móvel, onde havia um rádio e sua enorme pilha, fonte de seu funcionamento, já que não havia eletricidade em nossa casa, na Fazenda São Tomé. Herdei de minha mãe o gosto por novelas, livros, revistas, cinema, teatro, assim como meus irmãos. Não é a primeira vez que falo disso. Perdoem-me se me faço repetitiva. Mas memórias vem e vão. É assim que aproveito para escrever minhas pequenas crônicas. Outra coisa que me chamava a atenção era que, sendo hora do almoço, às vezes, ela arrumava um prato, comida da roça, com verduras, frango, arroz e feijão, angu, farofa, e poderia ser outra carne qualquer. Mas o que gostava de apreciar mesmo era vê-la embrulhando na pequena folha de alface, alguma porção de tudo, que virava uma trouxinha. Na minha infância não fui afeita a comer legumes, muito menos aquelas folhas verdes que sempre faziam parte do alimento de minha mãe;ela que cultivava uma bela horta, no quintal próximo da casa. Rabanetes, eu os achava bonitos, pequenas bolas de cor viva, entre um tanto vermelho e meio arroxeadas. E me veio à memória, repito, o cheiro de minha mãe, agradável, cheiro de pele, não exatamente como nenhum perfume, não. Indefinível. Mas para mim agradável. A presença da mãe, ouvindo o "grande teatro de novelas", vendo-a embrulhando as trouxinhas de comida, me conduzindo a um mundo mágico, das histórias das novelas. Como esquecer esta imagem daquela mulher amada e que me ensinou tantas coisas boas, apenas com seu exemplo, sem muitas lições faladas, apenas mostradas. Será que onde ela está haverá um rádio à moda antiga, com pilha e novelas? Pessoas boas e puras como ela devem estar bem acompanhadas. Espero que São José seja noveleiro porque a companhia é a melhor...Saudades, mãe querida!!!
sábado, 5 de março de 2016
Sobre cores.
Sempre fui entusiasmada com relação a cores e explico: desde menina, gostava de desenhar, fazer uma bailarina, pano de fundo uma cortina vermelha, no meu caderno de desenho; mais tarde, fiz alguns quadros com tinta a óleo, sem muita técnica, devo confessar, pura intuição e gosto pelas cores, volto a dizer. Nunca tive professor de pintura, nesta fase da vida, o que não me impediu de fazer algumas obras. Singeleza pura;lembro-me de uma menina sentada sobre grama verde, margaridas ao redor, tudo feito numa pequena tela de cortiça. Fiz ainda uma menina tocando piano, um belo vaso de flores sobre o instrumento, tudo muito colorido. Acho que minha prima o guardou por um tempo. Tirei do Tesouro da Juventude, um quadro lindo, de um famoso pintor: menina sentada, vestido rosa, fundo verde escuro. Nenhum deles, obra de arte, não fiquei famosa mas amo pintar, o gosto não diminuiu. Só que as cores a que me refiro, hoje, fazem parte da nossa bandeira. Verde, amarelo, azul e branco. O branco bem sabemos é a reunião de todas as cores, em rotação veloz...Agora, constantemente, temos visto, através da mídia, de todas as formas, a cor vermelha gritante de um partido político que nos deixou órfãos de um pai digno, onde os valores estão sendo trocados. Um aviltamento sem fim. Sempre me emocionei ao ouvir o nosso hino Nacional, além do Hino à Bandeira, que costumávamos cantar nas escolas de outrora, um orgulho sem medida! Então, gente, apesar de o vermelho ser uma cor maravilhosa, intensa, não é para nos representar. Só mesmo nos belos quadros, com o óleo dos incríveis pintores a quem tanto admiro. Quero continuar chorando ao ouvir o nosso hino e me emocionar com as nossas cores...o verde, amarelo,azul e branco! Gostaria de deixar para meus filhos e neto um país grandioso, onde ainda existam homens brilhantes, honestos e que não queiram trocar as cores mágicas de nossa bandeira!
terça-feira, 1 de março de 2016
"Se esta rua fosse minha..."
Sinto-me privilegiada por morar numa rua onde há duas igrejas: uma Capela de São Lucas e a outra uma igreja Evangélica. Ambas cultuam e glorificam Jesus. Somos irmãos de fé. Isto não é ótimo? É.Então. Além disso, há dois teatros também. Um é o famoso Teatro Abel, onde já pude apreciar e assistir a várias encenações, peças e artistas famosos se apresentando. Entretanto, faço uma ressalva: as fileiras são muito estreitas e quando alguém chega, toda a fila tem que se levantar para dar passagem. Outro agravante é que, no fim de cada uma delas, não há saída. Deus nos livre de algum tumulto. O outro teatro é pequeno e faz parte da Associação Médica, pelo menos está no mesmo espaço. É novo, relativamente, reformado, apesar de pequena a sala, é confortável. Mas infelizmente, já me deparei com uma big barata circulando por entre as poltronas! Ai que aflição!.. E aí me pergunto: não é bom ter Arte e Religião tão próximas? Seria. Respondo eu mesma. E há um motivo para duvidar de que moro muito bem. É que, quando chove por mais de dez minutos, viramos uma Veneza brasileira, sem exagero. Não se pode sair e nem entrar em casa, a não ser que improvisemos um bote ou boia. Afinal, vimos reportagens várias mostrando pessoas remando em plena Avenida, aquela mesma que tem o nome de um nosso conterrâneo famoso e que foi Governador, Roberto Silveira. Sinto saudades da época em que vinhamos a Niterói, ainda menina-moça, eu, meus irmãos e nossos pais. Havia praia limpa e violência, só no cinema, assim mesmo vendo filmes de mocinhos e bandidos, nos faroestes de outrora, algumas flechadas de índios e mocinhas salvas pelos heróis de plantão. Faz tanto tempo que me esqueço do nome dos artistas, aqueles que idolatrávamos e recortávamos suas fotos das revistas. E me veio a música, também inesquecível, dos bons tempos. E penso em completar seus versos á minha maneira, pois ficaria mais ou menos assim: " Se esta rua, se esta rua fosse minha, eu mandava, eu mandava ladrilhar...com pedrinhas, com pedrinhas de brilhantes e proibia algum político passar!" Que me perdoem os poetas... mas não resisti!...
sábado, 23 de janeiro de 2016
Trabalhar faz bem.
Amanheci, sábado sem chuva e o sol brilhando no céu. Presumo que o calor vai chegar com força total, que bom... Acho que a maioria prefere tempo frio. Eu, não. Amo o verão. É desconfortável, sim, dá moleza, preguiça mas reflete, com os raios do sol, uma alegria que estou buscando. Já fui uma pessoa mais confiante, mais feliz.A juventude tem a esperança como companheira. Sei que a idade nos coloca num patamar em que preferíamos adiar. Claro, estamos visualizando a chegada final, mesmo que vivamos uns vinte ou trinta a mais. Se for com saúde, tomara! Acordei tentando me lembrar do sonho estranho que tive. Tinha muita água, muito mar e cenas insólitas. Mas foi um sonho bom. Ouvir ou ler o sonho dos outros é chato, só os psicanalistas aguentam, por obrigatoriedade de seu ofício. Então, como dizia, acordei melancólica. Vontade de nada. Ouço o padre Marcelo diariamente, suas orações e principalmente, pensando na dádiva concedida a ele e milhares de pessoas que leram seu livro, onde ele fala da depressão, esta praga que assola a humanidade e de como conseguiu sair dela.Já li o livro, e volto a ler, às vezes. A ginástica matinal, de segunda a sexta,me foi negada, pois é feita ao ar livre e com chuva não deu.Gosto muito da fala e das orações do padre;calam fundo. Depois, o programa que segue é do Canazzio ( ouvi um pequeno trecho, onde ele reprovava o governo, o discurso da "presidenta", etc,etc...) Mas me levantei, desliguei tudo. E tentei me ligar na vida que se apresentava. Meio que ligo o automático: louças de ontem pra lavar, roupas também, varrer, passar pano no chão, a varanda da frente que mistura poeira com a água da chuva, que se manteve toda a semana. Trabalhei muito, aos poucos, fui arrumando o que estava precisando e no final de tudo, estava bem menos triste. Não cabe esse adjetivo, aí atrás, mas foi o que arranjei. Na verdade, há sentimentos que não conhecemos uma boa definição pra eles, apesar da pujança da língua Portuguesa. " O trabalho dignifica". Cansamos de ouvir. Talvez seja um poderoso antídoto para amenizar a depressão ou mesmo a ansiedade. Só sei que suei por todos os poros. Preciso de um bom banho, pintar meu cabelo, que anda me deixando mais velhinha, uma aparência que me faz abreviar a ida aos espelhos. Comprei a tinta há dois dias. Falta coragem para começar. Se o cérebro ficasse mais bonito ou mais alegre com a química nos cabelos, aí, sim!!!
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
El niño, menino brincalhão?
Janeiro costuma ser um mês de calor intenso. Ano passado, foi assim. Só que as contas de energia ainda eram camufladas e o preço não era real. Mazelas de um governo do qual não cansamos de descobrir escândalos, falcatruas, tudo que já não é mais nenhuma novidade.Então, há dias, vimos um frio, no mínimo, estranho, já que o nosso verão apresenta temperaturas altíssimas. Tem chovido muito também, o que é bom e ruim ao mesmo tempo. Os reservatórios, antes vazios, secos, no limite de suas reservas, estão agradecendo a água bendita que desce do céu.Em algumas cidades há enchentes e milhões de desabrigados. Dizem que o El niño é o causador de tudo. Em espanhol, significa o menino. Este nos faz lembrar os garotinhos de antigamente, que eram levados da breca, faziam suas "artes" a aprontavam muito. Já não são assim, nos dias atuais.Comum é vermos nossas crianças com um tablet, computador, celular e tantos aparelhinhos modernos em suas diminutas mãos, destreza acima do normal. Acelerados, em demasia, eu acho.Olhando pela janela a chuva que não para, há mais de cinco dias, vem-me um sentimento esquisito. A economia que faço em não ligar o ar condicionado é real.É bom, devo confessar. Durmo com janela fechada e um vento ameno, suave mesmo é visita constante. Imagino que fevereiro deva ser mais quente e o calor talvez se alongue nos próximos meses, sei não. Esperemos pra ver. Ontem, ouvi pela TV a noticia de que mais um planeta foi descoberto no sistema solar. Cada vez mais, os cientistas vão aprendendo mais e mais. Só sei que o nosso pequeno mundo, se comparado com a grandeza do Universo, anda cada vez mais estranho. O homem seria o causador de muitas mudanças, sabemos bem. Não é à toa que se promovem encontros das maiores e mais expressivas potências para se discutir esse assunto: a conservação e sobrevivência da humanidade. Enquanto isso, a natureza nos acena sorrateira, e esse menino levado, o El niño, vai fazendo suas traquinagens, deixando os turistas decepcionados; no Rio de Janeiro, esperava-se um calor medonho com praias lotadas. E a que assistimos? Pessoas de várias partes do mundo e mesmo de outros estados reclamando, afinal, frio não era o que queriam encontrar por aqui. E das crianças, o que podemos dizer? Já não são mais as mesmas. A rápida modernidade, vem mexendo com o comportamento delas. Pobrezinhas...! Outro dia, num restaurante de massas, após termos saído do cinema, eu, minha irmã e meu cunhado, presenciamos uma cena insólita: um menino, ali pelos seus três ou quatro anos, atingiu sua avó com uma palmada no rosto. A família inteira tentando controlar o destempero da criança até que, finalmente, entendemos o motivo: deram-lhe, após colocada no carrinho de bebê, um tablet. A partir daí, ela se acalmou, apreciando a família da Peppa Pig no pequeno aparelho. Em outros tempos, já seria hora de estar dormindo, depois de um dia estafante, com brincadeiras físicas, como jogar bola, brincar de esconde-esconde, correr muito, subir em árvores e tantas outras...Agora, a avó, ainda jovem, é premiada com tapas, os pais não conseguem educar com facilidade. Lembro-me: antes, um olhar do pai ou da mãe era freio suficiente para deter um mal feito. Um beliscão fininho, por debaixo da toalha, quem já não sentiu? Ficar de castigo, adormecer atrás da porta, até que alguém nos liberasse. Educação à moda antiga, sim, mas educação.
sábado, 16 de janeiro de 2016
Um dia de cada vez.
A capa da revista Veja trouxe estampada a figura de David Bowie, bonito, de cara limpa, diferente do que costumava mostrar.Sei que marcou gerações inteiras e deixou um legado enorme de obras,à frente do seu tempo,apreciadas pelos jovens ( agora, não mais tão jovens) e que causou furor por décadas. Morreu, mais novo que eu, um ano apenas. Sempre inovando, mesmo nos últimos momentos, deixando mais uma composição, ainda que agonizante, abatido por um câncer. Vida e morte. Para todos, não há como escapar. Nascemos e morremos. O que se faz durante a travessia é o que vai nos marcar para o bem ou para o mal. Daqui a uns tempos, mesmo o grande cantor e compositor vai ser não esquecido, mas ficará adormecido na memória. Vez ou outra, lembrado, homenageado, imitado. É assim. Amanhecer, andar por aí, ou se divertindo, ou trabalhando, não importa; o que temos de definitivo é a certeza da morte. Somos condenados, assim que damos o primeiro grito, o primeiro choro, com o susto do nascimento. É aterrador pensar assim. Mas é realidade pura. Então, penso em aproveitar os minutos, as horas, todo o tempo de que ainda disponho ( que não sei quanto é - afinal, ninguém sabe) e nutrir a cada segundo, a vida,tornando-a agradável, feliz, degustando cada momento. Fazemos assim? Não. Alguns, tem mais disposição para alongar essa dádiva que é viver. Eu disse dádiva? Sim, eu disse. Comecei falando da capa da revista, que me chega todo sábado - fiz uma assinatura anual. Gosto de ler, revistas também. Ai, gente, o que vem estampado nas páginas da dita revista? Morte. Morte por desassistência nos hospitais. Corrupção generalizada em todas as áreas públicas. Os nossos suados impostos sendo desviados para bolsos e obras superfaturadas, bandidos nos comandando. Tem a parte cultural essa revista, tem, sim. Mas como me animar a sair, ver uma boa peça, ou filme ou exposição se a saída de casa se tornou um risco iminente, real?Há um provável assaltante, assassino em cada esquina. Agradecer pela saúde, vem em primeiro lugar. Acordar animada, ainda que para uma faxina, organizar melhor as gavetas, doar roupas que já não me servem, consertar a torneira da cozinha, que pinga a gota que não deve ser desperdiçada, tudo isso é bom. Prefiro a ficar inerte, jogada no sofá, ou na cama, esperando um bom programa na TV( tão raro, cada vez mais) e esperar as horas passarem. Viver um dia de cada vez, o passado não volta (só na memória, claro) e o futuro também é irreal. Não sei se chegará. Qual seria a medida do que dizemos ser futuro: o amanhã, a semana seguinte, o ano que vem? Depende do que planejamos e esperamos acontecer. Estou no estágio de querer mais para os filhos do que pra mim. Vivi o que tinha que viver. Já tenho um neto. Penso neles com a preocupação que todos os pais e avós tem. O mundo correu mais depressa do que devia. Tecnologia absurdamente rápida governa nossas vidas. Estamos melhor assim? Não sei. Só o que sei é que, se não me apressar, nem mesmo vou passar a ser uma figura de museu (já que sou bem menos que David Bowie), ou mesmo um ser defasado, alienado, que não acompanhou a vida, essa senhora miserável, que me deixou sem fôlego, rindo de mim, porque estou "batendo pino", enquanto ela se afasta, matreira, voando na minha frente. Porque o tempo não para, nem ela.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
A árvore da felicidade.
Tenho um vaso na minha sala. É bem velho, pintado de verde e azul, duas cores que acho combinam, afinal, retratam o céu e as matas. Adoro a natureza. Anda meio descascado, precisando de uma boa "reforma". Mas o que há plantado aí, é de uma beleza e valor inestimáveis: há mais de quinze anos, minha mãe me presenteou com uma muda, tirada de sua árvore da felicidade. Trouxe-a numa das últimas idas a Bom Jesus, quando ela ainda gozava de boa saúde. Me lembro que estava embrulhada num plástico grande onde a terra, muito molhada, era mais lama que tudo. Mas plantei-a ao chegar em casa. Pegou e cresceu, na medida em que o tempo passava. Quando me mudei para Icaraí, carreguei-a comigo, já bem maior e recomendei aos rapazes da mudança que tivessem muito cuidado, já que era uma preciosidade. Minha mãe, faz tempo nos deixou. Mas a pequenina muda, está ainda firme, linda e cresceu tanto que já alcança o teto. Minha boa vizinha, uma vez, colocou adubo e ela se desenvolveu de maneira espantosa. É a minha árvore de Natal. Coloco bolas vermelhas nas pontas dos galhos e só. Fica lindo, eu acho. Minha filha costuma dizer que a árvore tem a ver com o meu estado de ânimo. Se estou mais feliz a árvore resplandece. No Dia de Reis, retirei as bolas e guardei o pequeno presépio numa caixa. No mesmo lugar, na prateleira mais alta do armário do meu quarto, encontrei um álbum de retratos, bem antigo, fotos amareladas, algumas coloquei no Facebook. Vieram-me lembranças. Quando menina, ainda morando na roça, tinha medo da folia de reis, quando passavam pessoas, fantasiadas, pelas estradas; não entendia bem aquela encenação, representativa dos reis magos que homenageavam o nosso Deus. Volto à minha sala. Olho sempre para aquela árvore e me vem à mente a figura da minha mãe. Sinto saudades. Mas não é só. De certa forma, ela reproduz a presença daquela mulher que tanto amei. Apesar de sua fragilidade e doçura, passava-me segurança. Quando telefonava pra ela, quando reclamava das minhas desditas e contava com sua presença acalentadora. Era tão bom vê-la chegar... uma festa. Sempre querida por todos, cobrada sua visita, que ela tentava dividir da melhor maneira: ver seu irmão, sua irmã de Petrópolis, a outra irmã daqui, e os dias insuficientes para acolhê-la. Ela plantou e nós colhemos todo o seu amor. Assim, olhando os galhos amarelados da minha árvore, penso que, apesar do calor escaldante, tenho que dar um pulo a uma florária qualquer e comprar adubo. Não há fertilizantes para a felicidade mas para a minha árvore, sim. Enquanto viver, quero cuidar dela. O carinho da mãe fincado na terra e no meu coração.
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