sábado, 19 de março de 2016

Cheiro de mãe.

Hoje, dia de São José, santo homem, pai de Jesus, glorificado por sua dignidade, humildade, trabalhador, amoroso, pai do filho de Deus. Homenagem ao Pai é o que deveria fazer. E fiz, mais cedo, nas minhas orações. Mas senti-me compelida a falar de minha mãe. Sentada no sofá, dia preguiçoso, cabeça pesada, levantei o braço para melhor apoio e, foi aí, que me veio à lembrança o mesmo cheiro que muitas vezes percebia em minha mãe. Os hormônios vão nos abandonando com a idade, sei bem. Já não necessito de desodorantes, após o banho, do qual fazia uso há alguns bons anos. Muitos. Sinceridade acima de tudo. Lembrei-me do cheiro de minha mãe. E mais: a nitidez com que a visualizei, através do inconsciente ou sei lá de onde. Ela, sentada bem defronte  ao  "étagere", pequena cômoda da sala, como costumávamos nominar aquele móvel, onde havia um rádio e sua enorme pilha, fonte de seu funcionamento, já que não havia eletricidade em nossa casa, na Fazenda São Tomé. Herdei de minha mãe o gosto por novelas, livros, revistas, cinema, teatro, assim como meus irmãos. Não é a primeira vez que falo disso. Perdoem-me se me faço repetitiva. Mas memórias vem e vão. É assim que aproveito para escrever minhas pequenas crônicas. Outra coisa que me chamava a atenção era que, sendo hora do almoço, às vezes, ela arrumava um prato, comida da roça, com verduras, frango, arroz e feijão, angu, farofa, e poderia ser  outra carne qualquer. Mas o que gostava de apreciar mesmo era vê-la embrulhando na pequena folha de alface, alguma porção de tudo, que virava uma trouxinha. Na minha infância não fui afeita a comer legumes, muito menos aquelas folhas verdes que sempre faziam parte do alimento de minha mãe;ela que cultivava uma bela horta, no quintal próximo da casa. Rabanetes, eu os achava bonitos, pequenas bolas de cor viva,  entre um tanto vermelho e meio arroxeadas. E me veio à memória, repito, o cheiro de minha mãe, agradável, cheiro de pele, não exatamente como nenhum perfume, não. Indefinível. Mas para mim agradável. A presença da mãe, ouvindo o "grande teatro de novelas", vendo-a embrulhando as trouxinhas de comida, me conduzindo a um mundo mágico, das histórias das novelas. Como esquecer esta imagem daquela mulher amada e que me ensinou tantas coisas boas, apenas com seu exemplo, sem muitas lições faladas, apenas mostradas. Será que onde ela está haverá um rádio à moda antiga, com pilha e novelas? Pessoas boas e puras como ela devem estar bem acompanhadas. Espero que São José seja noveleiro porque a companhia é a melhor...Saudades, mãe querida!!!

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