terça-feira, 30 de setembro de 2014
Ciúme de artista.
Faz uns dois ou três dias, se casou o lindíssimo e cheio de charme George Clooney. A mulher que ele escolheu, de uma beleza compatível com a dele, parece que vinda lá das "Arábias". Aí, fiquei pensando no fato de alguns atores ou atrizes tentarem camuflar seus romances, preocupados com a reação dos fãs. É muito engraçado isso. Qual seria a possibilidade de alguém ( que tem fixação no dito artista) ter uma chance com o amado e inatingível astro? Gozado mesmo. Parece que ficam desquitadas, divorciadas do amor de suas vidas as pessoas que adotam o famoso(a) como paixão absoluta. O fato é que preferimos saber da inteira liberdade e descompromisso do nosso amor das telas, ou dos palcos. O ser humano é engraçado. Acho que entre os animais há uma dose de ciúme também. Às vezes, aquele cãozinho dócil faz um rosnado intrigante, se alguém se aproxima do seu eleito, o dono que ele escolheu para si. O sentimento de posse existe entre todas as criaturas? Acredito que sim. Por que um homem lindo e glamouroso como o George Clooney não tem direito da vida a dois? Tem que partilhar com milhares de fãs a sua sexualidade. Fiquei pensando nisso, repito e mais uma vez, admito que é intrigante essa vontade possessiva que ataca o ser, dito inteligente, sobre a Terra. Uma vez, me apaixonei por um homem assim. Não era exatamente um cantor, nem astro de TV, nem de cinema, era, sim, um compositor incrível, filho de outro grande músico. Ele aparecia num programa de calouros, onde um jornalista e apresentador, não menos famoso, Flavio Cavalcante escolhia os jurados. Esse homem ocupava meus pensamentos, sua voz era bonita, máscula e sua inteligência acima da média. Houve então a oportunidade de dizer ao meu amor platônico da minha admiração, já que um grupo da cidade fora escolhido ( não sei porque cargas d'água) para participar do programa da TV que, nessa época ainda era em preto e branco. Pedi a minha amiga que falasse com ele, que dissesse o quê, exatamente? Claro, eu era uma adolescente, na flor da idade e com o romantismo pululando pelos poros. Nem me lembro do desfecho desta história. Acho que me contentei em saber detalhes sobre a apresentação do programa, claro. Ele morreu muito cedo, era hemofílico. Deixou lindas canções para a posteridade. Lembrei-me disso já que falo do magnetismo que alguém pode promover sobre um fã, um admirador. Confesso, sem o menor pudor: bem que eu preferiria o George Clooney solteirinho da silva! Ciúme não tem idade...
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
" QUANDO SETEMBRO VIER..."
Já vi um filme com esse título, já ouvi música exaltando o mês da primavera, sei lá. Mas o que me inspira nesse momento é homenagear minha irmã, apenas cronologicamente mais velha, pois tem a cabeça tão jovem quanto uma adolescente. Seu comportamento diante da vida é digno de nota. Apesar dos contratempos e possíveis problemas reage de forma inconteste: dá um grande chute na tristeza, rasteira no sofrimento e sai vitoriosa na luta pela felicidade. São apenas momentos, sabemos. Mas ela não os desperdiça. Tenho um filho, um sobrinho-afilhado, primo, amigos uma outra irmã (não menos querida) todos fazendo aniversário neste mês florido. Quero assim, agradecer ao Criador por tantas pessoas que Ele me mandou como companheiros nessa jornada, nem sempre fácil.
Desde menina, admirava a capacidade e inteligência dessa, digamos, colega de útero materno. Exímia contadora de histórias, nos encantava, quando em volta de si, imaginava cenários e personagens e os descrevia para nós. Éramos um bando de crianças maravilhadas, hipnotizadas com as aventuras contadas por ela. E ela continuou a nos encantar vida afora. Tenho sentimento muito forte em relação a todos os meus irmãos. No último dia de setembro, nasceu a minha irmã, Teresa Maria. Ganhou nome de santa e da mãe de Deus, numa feliz escolha. Ela não é santa. Mas soube distribuir amor como uma verdadeira mulher de Deus. É amada. Muito. Tem admiradores á sua volta. O orgulho me invade por ser sua irmã. Ela sabe. Parabéns, querida! Feliz aniversário sei que você merece, rodeada por quem lhe quer bem, amigos, filhos, netos. Não estarei em sua casa nesse dia, mas meu coração, pode acreditar, fará uma viagem até Bom Jesus, essa terra que você ama tanto.
Desde menina, admirava a capacidade e inteligência dessa, digamos, colega de útero materno. Exímia contadora de histórias, nos encantava, quando em volta de si, imaginava cenários e personagens e os descrevia para nós. Éramos um bando de crianças maravilhadas, hipnotizadas com as aventuras contadas por ela. E ela continuou a nos encantar vida afora. Tenho sentimento muito forte em relação a todos os meus irmãos. No último dia de setembro, nasceu a minha irmã, Teresa Maria. Ganhou nome de santa e da mãe de Deus, numa feliz escolha. Ela não é santa. Mas soube distribuir amor como uma verdadeira mulher de Deus. É amada. Muito. Tem admiradores á sua volta. O orgulho me invade por ser sua irmã. Ela sabe. Parabéns, querida! Feliz aniversário sei que você merece, rodeada por quem lhe quer bem, amigos, filhos, netos. Não estarei em sua casa nesse dia, mas meu coração, pode acreditar, fará uma viagem até Bom Jesus, essa terra que você ama tanto.
sábado, 27 de setembro de 2014
CAMINHO PARA CEGOS
Agora, em quase todas as calçadas do meu bairro, há uma faixa amarela de mais ou menos vinte centímetros, com um relevo de três faixas. Isso para maior conveniência dos deficientes visuais. Não quero ser mais realista que o rei, mas pergunto: não haveria um modelo menos difícil? Quem projetou aquilo, acho não experimentou caminhar por ali. A título de sugestão apenas, pois sei que deve ser difícil bolar alguma coisa prática e, ao mesmo tempo, funcional. Costumo andar sobre essa "trilha amarela" pra imaginar a praticidade da coisa. Eu e meu neto, que gosta de fazer esse mesmo percurso; já expliquei pra ele o porquê daquele caminho. Equilibrar-se nas três faixas não é tarefa muito cômoda, imagino, para quem não vê. Quem sabe se os relevos funcionassem melhor se fossem ao contrário, na horizontal? Ou feitos como um bordado, mais arredondados, sei lá, gente. Acho que desequilibra do jeito que foi arquitetado. É de extrema utilidade, não me entendam mal. Assim como os caminhos para cegos, andamos sobre cordas bambas. O que é pior é que enxergamos os estragos feitos por aqueles que deveriam nos proporcionar caminhos estáveis, ferrovias, por exemplo, para melhorar a economia, desaguar nossos produtos de forma racional. Como chegar aos portos através de tantos "relevos" e buracos? Como escoar a matéria prima e riquezas do nosso grandioso Brasil se não se projetou com o dinheiro suado do povo as estradas sólidas e seguras para que isso aconteça? Acompanhem o meu raciocínio. Cadê as faixas amarelas que nos abrem caminhos para a melhoria e desenvolvimento de uma nação rica que, além das maravilhas naturais, tem um povo alegre, hospitaleiro e bonito? Infelizmente, esse povo não quer entender que as dificuldades podem ser superadas mas é preciso mudanças. Há quem tenha perfeita visão, não necessite de óculos, mas não quer ver o precipício que se encontra diante do próprio nariz...
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Inútil-idade...Inutilidade.
Porque estou deitada, com uma gripe daquelas, febre, dor no corpo e tudo que esse vírus, especialmente safado, pode trazer, se alojando no meu organismo sem ser convidado; sim, por isso me vieram essas duas palavras que, na verdade, são uma só. Apenas separei-a pelo meio. E embrulhada com o sentimento de fragilidade, quando somos acometidos por alguma doença, ficamos vulneráveis, indefesos, mesmo. Nesse momento, passamos a valorizar tudo que estávamos capacitados de fazer. Dá vontade de tanta coisa! Não quero me tornar amarga, muito menos alimentar a sensação de "fim de linha". E penso numa comparação besta com um carro. Quando novo, sem necessidade de reparos, mecânicos, oficinas jamais. Raro dar defeito. Aí, vem o tempo, esse senhor arbitrário como um vírus, que não se importa com ninguém. Não dá seta nas estradas, avança, até atropela, descuidado em observar os sinais, indiferente na sua caminhada. E deixa marcas. Não de pneus riscando as estradas, não. São bem mais profundas. Há tanto que se fazer ainda. Mas a marcha não é a mesma. Limitações nos impedem, já não somos os mesmos. Hoje, sem forças, com a saúde debilitada, me dou conta de que devemos aproveitar o que nos é dado. Quanto tempo olhando pela janela, às vezes, desanimada, como carro estacionado, parado, por falta de combustível ou para a troca de óleo. Somos apenas um punhado de órgãos. Um corpo que nos foi concedido mas que tem prazo de validade e à espera do guincho.
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
CAMINHOS
Eram recheadas de muita alegria e animação as idas à casa de meu avô. A mesa grande de refeições, com muitos lugares, farta, era separada da cozinha por um degrau que ocupava todo o vão daquele espaço enorme. Havia também mais duas portas: uma dava para uma despensa, onde eram guardados mantimentos. A outra parecia um quarto de empregada, com uma cama e armário pintado de azul. Dali, se avistava pela janela larga, um outro espaço que chamávamos de "Cimentinho". Era o lugar que costumávamos nos sentar para comermos o almoço ou o jantar. A mesa grande era reservada aos adultos, que eram muitos. Nas ocasiões especiais, tios e tias acorriam à comemoração acompanhados dos filhos. Família grande. Alegria maior. Os gatos, muitos, passeavam ao redor da mesa, esbarrando seus rabos longos nas nossas pernas, o que me causava nojo e tirava o apetite. Enormes panelas fumegavam no fogão à lenha. Frangos ensopados ao molho pardo, carne de porco, de boi, angu e muita, muita verdura. O melhor eram as sobremesas, doces de compotas variadas: figo,mamão, abóbora com coco, pudins, feitos pela tia Darcy, mais doce que qualquer uma das iguarias preparadas por ela.
Havia a sala de jantar, que era pouco usada, só em ocasiões de festa, casamento, batizado ou aniversário. Dali os corredores longos eram caminho para os quartos, muitos quartos. Só havia um banheiro bem grande, com banheira, bidê, chuveiro, com janelinha envidraçada, que dava para os fundos da cozinha.. Ali, um pé de figo e o pessegueiro, plantados antes da imensa horta, no terreno mais abaixo. À noite, umas das empregadas passava pela sala com uma pilha enorme de urinóis, rajados de azul e branco e os colocava em cada quarto. Naquela idade, eu ainda não controlava completamente meus rins, enquanto dormia. Tragédia para mim quando percebia, ao acordar, que estava molhada. Sentia vergonha. Ganhei por isso um apelido que me acompanhou por toda a infância e que me deixava inferiorizada: Maria mijona. Não se preocupavam com complexos e coisas que tais os adultos daquela época. Nem havia psicólogos, com certeza, não. Lembro-me do outro apelido que ganhei: "Dez anos". Por que? Aconteceu assim: nós fazíamos parte do fã clube da Emilinha. Eram as mais famosas cantoras do rádio, Emilinha e Marlene. Então, naquele dia, eu cantava alegremente a música que tocava em todas as rádios - Dez anos - E meu tio Chico, muito brincalhão, me interrompeu os versos e completou a frase: ..." assim se passaram dez anos, sem mijar
na cama..." Daí o apelido.
Houve uma noite, não me esqueço, aconteceu uma coisa bizarra. Dormíamos eu, minha irmã e a prima Branca, na mesma cama larga. Acordei, no meio da noite, com vontade de fazer xixi. Chamei-as, aliviada por ter despertado a tempo. O assoalho do quarto era de tábuas largas, com grandes frestas, por onde passava vento. Vê se tem um "pinico" embaixo da cama. Disse uma delas. Não sei quem teve coragem de olhar mas vimos que não havia nenhum. Azar. Então, sem coragem de atravessar a enorme sala, às escuras, que dava ao único banheiro, nós três decidimos encarar o fato. Não havia outra solução. Elas então: - " pode fazer"... Inundei-as com o meu xixi quente.
Havia a sala de jantar, que era pouco usada, só em ocasiões de festa, casamento, batizado ou aniversário. Dali os corredores longos eram caminho para os quartos, muitos quartos. Só havia um banheiro bem grande, com banheira, bidê, chuveiro, com janelinha envidraçada, que dava para os fundos da cozinha.. Ali, um pé de figo e o pessegueiro, plantados antes da imensa horta, no terreno mais abaixo. À noite, umas das empregadas passava pela sala com uma pilha enorme de urinóis, rajados de azul e branco e os colocava em cada quarto. Naquela idade, eu ainda não controlava completamente meus rins, enquanto dormia. Tragédia para mim quando percebia, ao acordar, que estava molhada. Sentia vergonha. Ganhei por isso um apelido que me acompanhou por toda a infância e que me deixava inferiorizada: Maria mijona. Não se preocupavam com complexos e coisas que tais os adultos daquela época. Nem havia psicólogos, com certeza, não. Lembro-me do outro apelido que ganhei: "Dez anos". Por que? Aconteceu assim: nós fazíamos parte do fã clube da Emilinha. Eram as mais famosas cantoras do rádio, Emilinha e Marlene. Então, naquele dia, eu cantava alegremente a música que tocava em todas as rádios - Dez anos - E meu tio Chico, muito brincalhão, me interrompeu os versos e completou a frase: ..." assim se passaram dez anos, sem mijar
na cama..." Daí o apelido.
Houve uma noite, não me esqueço, aconteceu uma coisa bizarra. Dormíamos eu, minha irmã e a prima Branca, na mesma cama larga. Acordei, no meio da noite, com vontade de fazer xixi. Chamei-as, aliviada por ter despertado a tempo. O assoalho do quarto era de tábuas largas, com grandes frestas, por onde passava vento. Vê se tem um "pinico" embaixo da cama. Disse uma delas. Não sei quem teve coragem de olhar mas vimos que não havia nenhum. Azar. Então, sem coragem de atravessar a enorme sala, às escuras, que dava ao único banheiro, nós três decidimos encarar o fato. Não havia outra solução. Elas então: - " pode fazer"... Inundei-as com o meu xixi quente.
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Sem óculos
Já escrevi bastante sobre a pequena viagem do último fim de semana. Houve entretanto um contratempo desagradável que só percebi chegando em casa. Isso é bom. Não o contratempo. Por melhor que seja o passeio, chegar em casa, tirar os sapatos, jogar-se no sofá é uma delícia. Ainda mais que o porteiro me entregara a revista semanal que curto de montão. Leio praticamente tudo, dos anúncios até a menor descrição de um filme ou crônicas e ainda mais me atualizo quanto às falcatruas dos homens que, supostamente, deveriam nos proteger e guiar nosso país para melhor destino. Não falo de política, prometo. Até porque ando meio cansada de ter esperanças. Dizem que Ele é brasileiro, vamos ver... Aí, gente, continuando, peguei a revista com aquela vontade danada de ler. Abri a bolsa, procurando a minha "cangalhinha" e nada! Onde deixei? Não sou de perder coisas, não mesmo. Corri até a cadeira do quarto, revirei a blusa ( ainda com "vestígios do dia" ( lembram do filme?) mas as lentes haviam sumido mesmo. Revi mentalmente os lugares, o que havia feito mas não atinava em nada viável. Dei por perdido, com grande frustração. Comentei com a amiga de viagem e ela me sugeriu que talvez eu tivesse deixado cair o precioso objeto, quando pagava o pequeno lanche da livraria, no Paço Imperial. Reluzente idéia mas achei meio novelesca, impossível. Contudo, resolvi procurar no santo Google o endereço da Livraria Arlequim. Achei! Até foto do interior e tudo o mais; reconheci imediatamente o local. Mandei uma mensagem, explicando o meu "infortúnio". Ontem, já bem tarde, de repente, fuçando a Internet, recebi a resposta do atendente da livraria, me informando que lá havia encontrado meus óculos, dentro de bolsinha pequena, azul-marinho, com o nome " Ótica do Povo", morô? Não sou nenhuma Fernanda Lima mas dei sorte, né, gente? Já telefonei cedo para lá. Estão me esperando para resgatá-lo, precioso objeto de quem gosta muito de ler. Até a próxima...!
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Realidade e surrealismo.
Fui cobrada. Alguém pediu que eu continuasse a contar o resto da aventura. É bom, serve de estímulo a continuar. Descemos do ônibus e já se formava uma fila de estudantes, acompanhados da balbúrdia que é normal entre jovens, junto à porta de entrada do magnífico edifício do CCBB. Aproveitando as benesses da terceira idade ( o que não é muito ) entramos já com os tíquetes na mão. Viva a velhice! Pareço mais um revolucionário francês dando vivas ao seu país! Vive la France! Não sei nada dessa língua maravilhosa, o francês. Que me deem um desconto. Dela só me lembro do nosso professor, lutando para nos ensinar alguma coisa. E lá se vão longos anos...Subimos as escadas, enquanto eu observava as enormes janelas e portas, o piso antigo, paredes com seus arabescos incríveis e tudo o mais. Logo me deparei com todo o tipo de gente e de todas as idades. Uma mulher carregava seu pequerrucho, atrelado a um tipo de bolsa moderna, como se fosse um canguru. Eu os olhei e fiz um comentário, que ele, claro, não entendeu. Visualizei alguns quadros que, debaixo de fraca luminosidade, pareciam se defender da claridade e do que ela poderia causar, foi o que imaginei. Algumas pessoas fotografavam, para minha surpresa. Achei que seria proibido. Logo percebi o valor daquela genial obra. A arte estampada em cada risco, em cada detalhe. Criação de um talento admirável. Numa das paredes pude ler do, não menos genial, Alfred Hitchcock, que os sonhos deveriam ser expressos assim, como a arte do grande Salvador Dali. Não com essas palavras, claro. Havia trabalhos que nunca imaginei, criações de verdadeiro artista, e me dei conta de quanto não sabia nada sobre o autor. Projeções, vídeos e outros artifícios deliciavam a todos. Deixo a cargo de quem tiver a bela idéia de estar ali, contemplar aquela rica exposição. Vale a pena. Descemos por outras escadas em detrimento de elevador antigo de grades pintadas de verde-escuro, daqueles bem antigos. Alcançamos a rua que já se esvaziava. Sábado, o comércio já quase totalmente fechado. Minha irmã me ligou pelo celular, se dizendo livre do compromisso em Niterói. Convidei-a a se juntar a nós. A travessia pela barca foi bem rápida e ela nos alcançou logo, quando estávamos na Casa Granado, bem próxima à igreja belíssima que eu e minha amiga tínhamos acabado de visitar. Era outra visão da mais pura arte, anjos e santos, paredes majestosas, decoração digna da casa de Deus. A outra companheira, ansiosa por um cigarro, não nos acompanhou, esperando na entrada. Minha irmã se juntou a nós e feitas as apresentações, nos encaminhamos em direção ao Paço Imperial. Havia ali uma exposição sobre Zuzu Angel. Uma grande e movimentada feira de artesanatos, móveis e tudo que se pode imaginar e um pouco mais estava ali. Uma desordem alegre. Antes, visitamos uma livraria, quase no meio do caminho. Um charme. Para quem gosta de livros, CDs, revistas, DVDs, um café charmoso, salgadinhos finos, mesinhas dispostas de modo a receber quem gosta de ler e de frequentar um bom lugar como aquele, um prato feito. Passamos agradáveis momentos ali. Saímos e olhamos algumas barracas da feira. Minha amiga comprou um pequeno bijou a preço baixinho e, de repente, me bate alguém às costas. Diz um nome feminino que não me lembro e imediatamente se desculpa, percebendo o erro. Homem simples, mas educado. Eu retruquei: -Sua amiga era bonita como eu? E tudo virou brincadeira descontraída. Zuzu Angel foi uma mulher admirável, criativa, elegante, inovadora e, antes de tudo, lutadora. Fotos do filho espalhadas entre moldes e revistas da época. A filha, a família, enfim retratando uma época de terror ao mesmo tempo misturada ao glamour da criadora de moda. A hora já era perto de três e resolvemos voltar. Desta vez, de barca. Fomos em direção ao píer. Todas portando cartões relativos à gratuidade das passagens, com suas fotos macabras e feias. Culpa do fotógrafo, deve ser. Menos minha irmã que se recusa a ter tal documento "desabonador". Esperamos com ela que comprasse seu bilhete na fila grande que já se formava. Conversa vai, conversa vem, me cai algo sobre os cabelos, desce pelo ombro e acaba se alojando no decote pequeno da blusa. Que nojo! Titica de pombo, com certeza, já que as aves davam alguns rasantes sobre nós. Não era. A prestimosa amiga me ofereceu um lenço de papel, passando-o com uma porção de álcool que trouxera na bolsa. A cor era entre vinho e roxo. Uma fruta da enorme árvore que nos dava sombra, antes isso. Pegamos a barca na tarde ensolarada, quente ( o que me agrada - detesto frio) e seguimos para casa. O papo de quatro mulheres, naquele momento, deslizava por assuntos variados, tanto que nos esquecemos de descer. Corremos, ao perceber que a sala com aquele monte de cadeiras, se encontrava quase vazia.
domingo, 14 de setembro de 2014
SALVADOR DALI É ALI...
Nem estava com vontade de ir. Estou meio assim, desanimada pra qualquer coisa. Fui convidada por uma amiga que também era colega de profissão ( aliás, ainda é, não perdemos a majestade: professoras); então, como dizia, não tinha muita vontade de ir ao passeio. Esperava o ônibus para a Candelária, na rua paralela à minha. Sou pontual, tenho esse defeito. Dez minutos de atraso e surgem as duas, minha amiga e sua vizinha que também iria. Preguiça de conhecer alguém, ainda mais no estado de ânimo em que me encontrava. Abri um sorriso educado ( faço sempre assim - dizem, sou simpática). Entramos no ônibus já lotado, naquele sábado de manhã. O cartão de "melhor idade" impedindo minha passagem, o dedo indicador não deveria ser o meu, segundo a maquininha estúpida. Mas, passei, finalmente. Alguns mais jovens ofereceram lugares às três coroas. A menininha com fones de ouvido, mascando chicletes, me olhava indiferente, quando agradeci. As outras se acomodaram em lugares separados. Melhor, pensei. Não estava mesmo muito a fim de papo. E veio a Ponte; sempre me preocupo com a proximidade das rodas, tão junto à murada que nos separa do mar profundo, lá embaixo. Medo de altura e medo de mergulho forçado. Cruzes! Tenho esse pensamento ruim, às vezes. Fiquei prestando atenção aos outros passageiros, como de costume. A moça do meu lado, morena, nem bonita nem feia, me sorriu breve. A mocinha bem lá na frente, de pé, óculos Ray-ban, vestido verde-bandeira, decote tomara-que-caia, que fazia saltar os enormes seios, falava com a amiga sentada: " - Pintei só para tirar o amarelado, "tipo assim"... E passava a mão pelos cabelos louros, compridos. Antes, logo no início, ali pelas imediações da ilha de Mocanguê, há uma parada, outra menina, adolescente, indicava ao menino menor a saída, apressando-o; atrás, um homem mais velho, presumo fosse o pai, pegou a mochila que o menino ia esquecendo e perguntava? " - Tá doido, ou o quê? E o carro seguia, na mão certa e fazendo um barulho forte nas emendas de cada quilômetro, dando a impressão que o pneu poderia estourar... E pensei que iria escrever, como faço agora, sobre a pequena viagem. Estávamos indo para a Exposição da obra de Salvador Dali, um dos mestres do Surrealismo. As pessoas iam descendo, à medida em que chegavam ao seu destino e vagou um lugar ao lado da minha amiga.. Meu humor já andava bem melhorzinho. Falávamos animadas. Devo dizer que ela é uma querida amiga e que temos sempre o que dizer uma à outra. Tudo ia bem. Ríamos muito e contávamos as vantagens dos respectivos netinhos. Chegamos ao ponto final, bem próximo ao CCBB. Pegamos os tickets para entrar. O prédio antigo me encantou logo de cara. Não tinha ainda ido ver nenhuma exposição ali ou qualquer evento cultural. Burra, ando perdendo coisas valiosas. Já me animava então. Eu, que não sou muito afeita à obras Surrealistas, dei de cara com um encantamento maior. O homem era fera, mesmo. Quem tiver o privilégio de visitar o lugar vai concordar. Quando encontro tantas informações e novos conhecimentos, me dou conta do pouco que sei. Tenho muitas coisas a contar desse passeio. Deixo para a próxima crônica. Se quiserem saber... " entra no bico do pinto...sai pelo bico do pato...quem quiser que conte quatro"!....
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
NULIDADES
Como dar exemplo aos filhos e netos num país que demonstra que corrupção dá certo, que impunidade está garantida e lucro e poder são a tônica para quem governa, traindo o povo? Deus meu! Nunca pensei que chegasse a esse ponto de descrença total das ditas Instituições. Onde estão os homens de bem?Ontem, parada de 7 de setembro; antes, emoção e orgulho vendo ou participando dos desfiles, cantando hinos brasileiros e ilusão da idade menor, quando a vida ainda não mostrara seu lado pior. Há cansaço generalizado ou as pessoas não tem mais tempo para pensar? Há desinformação? De jeito nenhum. Ao contrário, somos massacrados diariamente com tanta informação que nos perdemos, querendo acompanhar. O planeta está contaminado pelo poderoso vírus da maldade que ataca os poderosos, principalmente. Avançam com as guerras. Avançam com a violência, Avançam com a tecnologia. Só não avançam praticando o amor e solidariedade. Quanta grana desperdiçada com armas, projetos de destruição. Por que não atuam em pesquisas importantes de combate a doenças ( ainda incuráveis) e que salvariam pessoas? Por que não apoiar os mais pobres, igualando as vantagens dos mais necessitados ou, pelo menos, aliviando a pobreza existente em tantas terras? O sofrimento das crianças desnutridas, pele e ossos, fome e abandono. Não dá para aceitar tamanha injustiça! Tantas igrejas, tantas pregações, tantos ensinamentos jogados na lata de lixo. Deus deve estar revendo a sua criação. Por que tanta iniquidade? Os homens não se entendem. A humanidade no rumo da destruição. O que fazer? Rui Barbosa nunca esteve tão atual em seu pensamento sobre "nulidades".
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
Inadimplência.
"Enganei meu burrinho com pedrinha de sal, comendo capim no meu quintal". Quem já não ouviu isso, alguma vez na vida? Eu já. Não vou falar mal do governo ( ainda que seja merecido), não. Nem dizer que estou devendo ao banco, pois não estou. Dívida sem pagar? Credo! Nem pensar, mesmo que a inflação bata à nossa porta com força. Faço ginástica para honrar meus compromissos. Mas não estou devendo a ninguém, apenas devo satisfação a mim mesma, ao meu coração, e ando correndo devagar, como aquele ginasta que pratica um tipo de corrida que dá a impressão que rebola, em vez de correr. Pois é, gente. Hoje mesmo, deixei de acompanhar uma amiga que me convidou para a exposição de Salvador Dali, no Centro Cultural do Banco do Brasil. Falando em banco, o que se passa com os nossos? Deixa pra lá. Mas, voltando ao gênio do surrealismo, Dali, devo dizer que não me atrai. Sou mais ligada aos pintores realistas, desculpem a franqueza e ignorância, costumo ser sincera. Por que não fui? Nem queiram saber. Ando numa fase ( aliás, que já dura mais do que seria apropriado) de desânimo e falta de vontade. Minha irmã viajou ontem, num horário pela madrugada, ela e o marido foram de avião, visitar um lugar paradisíaco, foram para o Caribe, mergulhar nas praias azuis, verdes, que cores são aquelas? Capricho de Deus, só pode ser. Aí, me preocupo. São horas de voo. ( Ou seria vôo?) Essa de acentuar ou não me confunde ainda. Não importa. O que preciso dizer é que sou amiga pra cacete, como diriam os nossos descontraídos jovens. Quero o bem de todos, sim. Ver americano decapitado, ou crianças contraindo o Ebola, magras, famintas, isso me toca profundamente, e me causa um mal estar tremendo. E políticos traindo a Pátria o tempo todo? Tá difícil, pessoal. Vamos acordar para o voto certo. Tentemos minimizar a falta de esperança que assola os brasileiros conscientes. Eu preciso aprender a ser só, já dizia o grande compositor em sua magistral canção. Devo ao meu coração. Devo alegrias a ele. Devo felicidade. Devo e não nego. Pago, quando puder.
Assinar:
Postagens (Atom)