domingo, 14 de setembro de 2014

SALVADOR DALI É ALI...

Nem estava com vontade de ir. Estou meio assim, desanimada pra qualquer coisa. Fui convidada por uma amiga que também era colega de profissão ( aliás, ainda é, não perdemos a majestade: professoras); então, como dizia, não tinha muita vontade de ir ao passeio. Esperava o ônibus para a Candelária, na rua paralela à minha. Sou pontual, tenho esse defeito. Dez minutos de atraso e  surgem as duas, minha amiga e sua vizinha que também iria. Preguiça de conhecer alguém, ainda mais no estado de ânimo em que me encontrava. Abri um sorriso educado ( faço sempre assim - dizem, sou simpática). Entramos no ônibus já lotado, naquele sábado de manhã. O cartão de "melhor idade"  impedindo minha passagem, o dedo indicador não deveria ser  o meu, segundo a maquininha estúpida. Mas, passei, finalmente. Alguns mais jovens ofereceram lugares às três coroas. A menininha com fones de ouvido, mascando chicletes, me olhava indiferente, quando agradeci. As outras se acomodaram em lugares separados. Melhor, pensei. Não estava mesmo  muito a fim de papo. E veio a Ponte; sempre me preocupo com a proximidade das rodas, tão junto à murada que nos separa do mar profundo, lá embaixo. Medo de altura e medo de mergulho forçado. Cruzes! Tenho esse pensamento ruim, às vezes. Fiquei prestando atenção aos outros passageiros, como de costume. A moça do meu lado, morena, nem bonita nem feia, me sorriu breve. A mocinha bem lá na frente, de pé, óculos Ray-ban, vestido verde-bandeira, decote tomara-que-caia,  que fazia saltar os enormes seios, falava com a amiga sentada: " - Pintei só para tirar o amarelado, "tipo assim"... E passava a mão pelos cabelos louros, compridos. Antes, logo no início, ali pelas imediações da ilha de Mocanguê,  há uma parada, outra menina, adolescente, indicava ao menino menor a saída, apressando-o; atrás, um homem mais velho, presumo fosse o pai, pegou a mochila  que o menino ia esquecendo e perguntava? " - Tá doido, ou o quê? E o carro seguia, na mão certa e fazendo um barulho forte nas emendas de cada quilômetro, dando a impressão que o pneu poderia  estourar... E pensei que iria escrever, como faço agora, sobre a pequena viagem. Estávamos indo para a Exposição da obra de Salvador Dali, um dos mestres do Surrealismo. As pessoas iam descendo, à medida em que chegavam ao seu destino e vagou um lugar ao lado da minha amiga.. Meu humor já andava bem melhorzinho. Falávamos animadas. Devo dizer que ela é uma querida amiga e que temos sempre o que dizer uma à outra. Tudo ia bem. Ríamos muito e contávamos as vantagens dos respectivos netinhos. Chegamos ao ponto final, bem próximo ao CCBB. Pegamos os tickets para entrar. O prédio antigo me encantou logo de cara. Não tinha ainda ido ver nenhuma exposição ali ou qualquer evento cultural. Burra, ando perdendo coisas valiosas. Já me animava então. Eu, que não sou muito afeita à obras Surrealistas, dei de cara com um encantamento maior. O homem era fera, mesmo. Quem tiver o privilégio de visitar o lugar vai concordar. Quando encontro tantas informações e novos conhecimentos, me dou conta do pouco que sei. Tenho muitas coisas a contar desse passeio. Deixo para a próxima crônica. Se quiserem saber... " entra no bico do pinto...sai pelo bico do pato...quem quiser que conte quatro"!....

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