sábado, 27 de setembro de 2014

CAMINHO PARA CEGOS

Agora, em quase todas as calçadas do meu bairro, há uma faixa amarela de mais ou menos vinte centímetros, com um relevo de três faixas. Isso para maior conveniência dos deficientes visuais. Não quero ser mais realista que o rei, mas pergunto: não haveria um modelo menos difícil? Quem projetou aquilo, acho não experimentou caminhar por ali. A título de sugestão apenas, pois sei que deve ser difícil bolar alguma coisa prática e, ao mesmo tempo, funcional. Costumo andar sobre essa "trilha amarela" pra imaginar a praticidade da coisa. Eu e meu neto, que gosta  de fazer esse mesmo percurso; já expliquei pra ele o porquê daquele caminho. Equilibrar-se nas três faixas não é tarefa muito cômoda, imagino, para quem não vê. Quem sabe se os relevos funcionassem melhor se fossem ao contrário, na horizontal? Ou feitos como um bordado, mais arredondados, sei lá, gente. Acho que desequilibra do jeito que foi arquitetado. É de extrema utilidade, não me entendam mal. Assim como os caminhos para cegos, andamos sobre cordas bambas. O que é pior é que enxergamos os estragos feitos por aqueles que deveriam nos proporcionar caminhos estáveis, ferrovias, por exemplo, para melhorar a economia, desaguar nossos produtos de forma racional. Como chegar aos portos através de tantos "relevos" e buracos? Como escoar a matéria prima e riquezas do nosso grandioso Brasil se não se projetou com o dinheiro suado do povo as estradas sólidas e seguras para que isso aconteça? Acompanhem o meu raciocínio. Cadê as faixas amarelas que nos abrem caminhos para a melhoria e desenvolvimento de uma nação rica que, além das maravilhas naturais, tem um povo alegre, hospitaleiro e bonito? Infelizmente, esse povo não quer entender que as dificuldades podem ser superadas mas é preciso mudanças. Há quem tenha perfeita visão, não necessite de óculos, mas não quer ver o precipício que se encontra diante do próprio nariz...

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