terça-feira, 23 de setembro de 2014
Inútil-idade...Inutilidade.
Porque estou deitada, com uma gripe daquelas, febre, dor no corpo e tudo que esse vírus, especialmente safado, pode trazer, se alojando no meu organismo sem ser convidado; sim, por isso me vieram essas duas palavras que, na verdade, são uma só. Apenas separei-a pelo meio. E embrulhada com o sentimento de fragilidade, quando somos acometidos por alguma doença, ficamos vulneráveis, indefesos, mesmo. Nesse momento, passamos a valorizar tudo que estávamos capacitados de fazer. Dá vontade de tanta coisa! Não quero me tornar amarga, muito menos alimentar a sensação de "fim de linha". E penso numa comparação besta com um carro. Quando novo, sem necessidade de reparos, mecânicos, oficinas jamais. Raro dar defeito. Aí, vem o tempo, esse senhor arbitrário como um vírus, que não se importa com ninguém. Não dá seta nas estradas, avança, até atropela, descuidado em observar os sinais, indiferente na sua caminhada. E deixa marcas. Não de pneus riscando as estradas, não. São bem mais profundas. Há tanto que se fazer ainda. Mas a marcha não é a mesma. Limitações nos impedem, já não somos os mesmos. Hoje, sem forças, com a saúde debilitada, me dou conta de que devemos aproveitar o que nos é dado. Quanto tempo olhando pela janela, às vezes, desanimada, como carro estacionado, parado, por falta de combustível ou para a troca de óleo. Somos apenas um punhado de órgãos. Um corpo que nos foi concedido mas que tem prazo de validade e à espera do guincho.
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Um comentário:
Amiga querida, carros usados carregam histórias, rodaram quilômetros, descortinaram paisagens, enfrentaram temporais, carregaram e protegeram famílias e amigos. Mas sim...perdem a cor, já não têm mais a mesma potência nem os mesmos recursos que os mais modernos. Mas servem pra tudo porque a aparência já não é tão importante. Mecânico? Sim, mas quem não precisa de uma boa manutenção?? Bora botar esse carro pra rodar porque vc ainda tem muita quilometragem pela frente!
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