Como está na moda terceirizar, devo dizer que estou lendo um livro que me foi dado por empréstimo terceirizado. Isso mesmo. Minha irmã mais velha é devoradora de livros, apaixonada por uma boa história e outros bichos. A irmã segunda, numa turma de cinco, me deixou alguns exemplares para entregá-los a ela. É meio genético na minha família gostar de ler. Tinha acabado de degustar a Martha Medeiros. Não me levem a mal. Encaixei aqui a figura de linguagem que troca a obra pelo autor. É melhor que pudim de leite condensado, depois do almoço, a leitura de um bom livro. Como poderia eu, com aquele "Café preto" da famosa autora Ágata Christie, me olhando da cabeceira da cama, deixar de abri-lo, ainda que num sábado pela manhã, já que não tenho nada marcado, nenhum compromisso, nem mesmo a ginástica da terceira idade? Aí, me chamou atenção o que li na página oito, para ser bem exata. Transcrevo literalmente, quando o não menos famoso Hercule Poirot, lia no seu jornal matinal: "Poucos minutos depois, o Times tinha sido posto de lado. O noticiário internacional era , como sempre, deprimente. Aquele terrível Hitler havia transformado os tribunais alemães em sucursal do Partido Nazista." Paro aí, para uma reflexão. Tem uma certa semelhança com a situação, no mínimo estranha por que passa nosso país. Não pude deixar de associar alguns acontecimentos que presenciamos, não só nos melhores noticiários da TV, do rádio, na Internet, enfim, em todo lugar da mídia, além, é claro, da nossa realidade crua, quando vemos nosso salário sendo comido pela inflação, que volta de forma preocupante, dos impostos sendo empregados "noutras plagas" beneficiando outro povo, outra gente, que não somos nós, os brasileiros. Nos contos de fadas há uma rainha má, seus fiéis escudeiros. Nós teríamos, como no imaginário infantil, a bruxa safada, que não mede as consequências e que só quer destruir a princesinha, deixando-a abandonada na floresta, ou mesmo sendo morta pelo lacaio desumano, mas que só cumpre ordens da megera? Sei, não. O fato é que o terrível Hitler, como nomeava a escritora, na história fictícia em que o detetive esperto, ardiloso e inteligente demais, deslindava os mais difíceis casos, neste pequeno trecho do livro, foi impossível não estabelecer algumas parecenças com o nosso governo, guardadas as devidas proporções, as "coincidências" e, ainda repetindo as lições que tive de Português, com os anacolutos evidentes da nossa "dirigente de estado " que, ou tem inteligência superior, ou nós, simples mortais, não alcançamos seu poder de persuasão, quando nos dirige palavras de improviso. Será que nós, povo brasileiro, estamos sendo transformados em fantoches, como os pobres alemães, que seguiam sem reação o governante louco e que deixou o mundo num vasto território de destruição e guerras, com tragédia mais que anunciada? Dizem que Deus é brasileiro. Espero que Ele, sim, não nos deixe no desamparo.
sábado, 26 de abril de 2014
domingo, 13 de abril de 2014
A VELHICE DOI.
É surpreendente a falta de cerimônia com que somos tratados por ela, nós os velhos. Sem nenhum motivo aparente, amanheci com um incômodo na perna direita. Fui delicada, sutil mesmo: incômodo que nada! É dor mesmo. Vai da coxa, lá do comecinho, atravessa a faixa de Gaza e alcança o pé. A indagação é: sentei-me de mal jeito ou devo pensar que fiquei muito tempo numa posição, teclando o computador? Deve haver uma razão, imagino. Ou devo achar que sou parecida com o carro bastante usado do filho, que o vidro direito, bem ao lado do chofer, já não baixa, muito menos levanta; carro usado dá problemas mesmo, é a lona do freio, amortecedor, a parte elétrica já mostrando cansaço. Só para acharem que entendo um pouco da "rebimboca da parafuseta". Sei nada de carros. Mas de velhice estou ficando expert. Tomar sol é bom para os ossos, fixar o cálcio; ficar parada, nem pensar! Exercícios nela! Caminhada, qualquer coisa. Dançar - disso eu gosto. Mas com quem? Outro dia, fui a um baile promovido pelo grupo que frequento, aliás, tem um nome sugestivo que começa por Projeto...deixa estar... não vou dizer, até porque é um lugar onde, realmente, me sinto bem, onde encontrei pessoas como eu, outras diferentes mas todas objetivando saúde. De algumas já virei amiga. Mas volto ao baile: entrei por uma porta e sai pela outra. Devo confessar que aliciei minha irmã de companhia. Um fracasso. Não era minha praia.
Entrei numa aula de violão. De vez em quando, esqueço da hora, da dor nas costas e me pego "tocando" todas as músicas do meu caderninho aramado, grosso, cheio de cifras e desenhos com as melhores posições. Não vão maldar! É que tenho bom ouvido e invento um jeito de adaptar os dedos e as cordas, de modo que o contorcionismo seja menor. De novo, a dor. Desta vez, no lado esquerdo, bem difícil dobrar a coluna.
O remédio para destruir o colesterol ruim me causou dores generalizadas. Mal podia carregar uma pequena sacola de mercado, o braço esquerdo ( logo ele) quase ficou inútil. Parei. Com o remédio, não com as dores. Elas diminuíram, sim, bastante.
E, a cada manhã, uma novidade. Pensamento positivo é o que se lê a cada esquina, em livros de autoajuda, nas lições dos bons amigos , bem intencionados, nas redes sociais. É o que todo o time de otimistas diz. Estou careca de saber. Mas a velhice dói. Inegável verdade.
Entrei numa aula de violão. De vez em quando, esqueço da hora, da dor nas costas e me pego "tocando" todas as músicas do meu caderninho aramado, grosso, cheio de cifras e desenhos com as melhores posições. Não vão maldar! É que tenho bom ouvido e invento um jeito de adaptar os dedos e as cordas, de modo que o contorcionismo seja menor. De novo, a dor. Desta vez, no lado esquerdo, bem difícil dobrar a coluna.
O remédio para destruir o colesterol ruim me causou dores generalizadas. Mal podia carregar uma pequena sacola de mercado, o braço esquerdo ( logo ele) quase ficou inútil. Parei. Com o remédio, não com as dores. Elas diminuíram, sim, bastante.
E, a cada manhã, uma novidade. Pensamento positivo é o que se lê a cada esquina, em livros de autoajuda, nas lições dos bons amigos , bem intencionados, nas redes sociais. É o que todo o time de otimistas diz. Estou careca de saber. Mas a velhice dói. Inegável verdade.
sexta-feira, 4 de abril de 2014
O TAMANHO DO HOMEM.
Ia pela calçada, escolhendo o chão onde pisar, pensando na pequenez do homem. Olhei os edifícios altos e me dei conta da grandeza do cérebro humano, ainda que pouco explorado. Dizem os cientistas e entendidos que o temos utilizado pouco, muito pouco. Mas o que o homem já construiu é incrível. Utilizou máquinas, computadores e toda a tecnologia para implantar grandes feitos, grandes obras. Basta um mínimo buraco, um ressalto ínfimo e podemos tropeçar, cair, as consequências, desastrosas. E eu olhava para os presumidos trezentos metros de calçada e ia cismando. A manutenção pela prefeitura, zero. Os impostos, mil. Aí, vem a sensação de que o homem não só utiliza pouquíssimo o cérebro como também aproveita quase nada, quando se trata de zelar pelo bem público. O tamanho de um homem não se mede pela estatura física e, sim, pelo seu comportamento diante da sociedade. Essa, já tão calejada, sofrida, descrente. Falo de homem para designar a humanidade, claro. Há mulheres que valem ser citadas. Há grandes mulheres que lutam por seus direitos e sabem, ao mesmo tempo, cultivar decência, honradez. Mas há outras, em contrapartida, que perdem um momento histórico para deixarem gravadas na calçada da fama, suas mãos, merecida homenagem, quando suas atitudes são comprovadamente a favor das pessoas, dos irmãos, que somos todos nós. Estamos carentes de grandes homens e de grandes mulheres. Há uma senhora, que perdeu a chance de alcançar os píncaros da fama, não por sua altura física mas por seu desempenho, numa função em que representa um país, o nosso Brasil. Cada vez mais, buracos nas calçadas, buracos nas estradas, buracos nos hospitais, buracos na Educação. Viramos um buraco sem fundo.
quinta-feira, 3 de abril de 2014
CAVALGANDO.
Ela morava na fazenda. Nos fins de semana ia para casa, na pequena cidade. Era professora, numa época em que ser professora era de suma importância. Mas o assunto hoje não é esse, das injustiças cometidas contra essa classe, fundamental para que se possa alcançar qualquer coisa na vida, o alicerce, a base, enfim. Nada de papo político. Nada disso, até porque, atravessamos fase nebulosa, dolorosa, mesmo, onde impera a corrupção e os valores invertidos são a tônica. Mas já disse que não quero falar disso. Quero fazer rir um pouco com essa historinha que ouvi, ontem, de minha irmã. Eu dizia, no começo, que ela morava na fazenda. Os donos, nossos avós, os tios, primos, toda a família se fora. Sobraram alguns colonos, que viviam no entorno da casa grande, já quase em ruínas. A professorinha ficava numa casa menor, porque a grande área de terras havia sido repartida entre os herdeiros. Mas a escola continuava lá, de pé. Moça jovem, começando a carreira, bonita, cheia de vida, aproveitava do ar puro e vida livre que gostava de ter. Era medrosa, sim. Medo de assombração...essas coisas; mas não tinha medo de cavalgar. Esta, sim, uma atividade que praticava com gosto, correndo pelas estradas de chão, fazendo da montaria sua hora de lazer. E lá ia ela, de braços abertos, montada na velha sela usada; na garupa, a menina, filha dos colonos, sua aluna. E as duas voavam como o vento, em cima do cavalo. Só que a garotinha era gaga. Tinha problemas de fala. Então, vendo a professora atirar-se, corajosa, de braços abertos (como a atriz do filme Titanic), galopando numa carreira frenética, de olhos fechados, absorvendo toda energia possível, a pequenina, tentava com gritinhos, entrecortados pela dificuldade da fala, avisar à professora amazona: - " O je... je...jeep...do...do...do...se...seu...Be...Be...belinho!" Bons tempos aqueles!
Assinar:
Postagens (Atom)