terça-feira, 20 de maio de 2014
Sem tesão.
Há dias, não escrevo. Vontade aparece e desaparece com a mesma rapidez. Há uma causa para essa falta de assunto? Será que nada de novo aconteceu que me despertasse o desejo de colocar minhas ideias e percepções? Não creio. Coisas se repetem, outras podem ser intrigantes. Só que me cansei. Deve ser esse o motivo. A corrupção deixou de ser novidade para ser um marco histórico: nunca se roubou tanto o tempo inteiro. Os valores morais continuam em baixa. Isso é repetido por todos, numa cantilena sem fim. As revistas ( poucas) e jornais, a Internet, os diversos meios de comunicação nos informam, com a rapidez de um relâmpago, as tristes notícias já se tornaram hábito. Crimes hediondos, ameaças de morte à mais alta autoridade do país, desgraças várias, o planeta se rebelando contra nós ( com justa causa), greves de policiais( que deveriam nos proteger e não protegem), ainda que suas reivindicações, as mais justas. E por aí vai. A vida segue com seus problemas, todos os temos. A idade que avança rápido demais, os ossos que já não dão conta do corpo fatigado, usado. Mas a desesperança, acho, é a causa maior desse imenso desânimo. Viajei este fim de semana. Visitei minha cidade natal. Visitei minha irmã querida, que me deu colo. Estive com a sobrinha que amo de paixão, que admiro. Fui à missa, e observei o cuidado com que é mantida a nossa igreja. Conversei com amigas que não via há tempos. Foi bom. Apenas bom. Noutros tempos, eu teria me mostrado ansiosa,teria comprado roupa nova para fazer bonito, talvez, um bolsa vistosa e um sapato deslumbrante. Não foi assim. O mundo ficou pior ou o homem se desumanizou por completo? Voltei para casa e a rotina me esperava sentada. Sempre bom é o retorno a casa. Queria estar mais alegre. Queria estar olhando o por do sol com mais tesão, o que costumava fazer um tempo atrás, quando parava, extasiada, observando o astro dourado e vermelho que me fazia sonhar. Viajava sem sair do lugar. Quero escrever de novo, sentir o texto se formando na cabeça ao olhar uma criança, ou uma flor no jardim; até quando, pela janela do ônibus, ficava imaginando a vida de cada pessoa que passava pela calçada ou alguém que atravessava uma rua. Quero estar viva de novo. Vou regar a sementinha e pedir a Deus que ela brote mais uma vez.
sexta-feira, 9 de maio de 2014
ALEGRIA VERSUS TRISTEZA
Quis colocar a palavra alegria na frente da tristeza. De propósito. Sou alguém que se diz bem-humorada, alegre, na verdade. Gosto de música, muito. De dançar. De piadas. De ir ao cinema, de teatro, de novela. São muitas as coisas de que gosto. Há pessoas que não conseguem tirar alegria de nada, não se distraem, qualquer que seja o lazer. E ia me esquecendo de dizer que gosto imensamente de ler e do que estou fazendo agora, escrever. Hoje, depois de me esforçar muito, consegui ir à aula de ginástica. Explico, quando falo de esforço. Normalmente, gosto demais dos exercícios, da companhia agradável dos novos amigos e companheiros de canseira. Mas tem música, gente. Adoro ter que me virar para fazer, acompanhando o ritmo, as mirabolantes séries de alongamento, da ginástica propriamente dita e tudo o mais. Só que, esta semana, aconteceu algo que me deixou preocupada. Tive a notícia que não queria ter. A filha de uma colega (trabalhamos na mesma escola) e amiga, depois de um transplante de medula, não suportara a carga que vinha sendo colocada em sua vida por longos quatro anos. Entregou sua alma, lutadora, ao Criador. Apenas 25 anos,tão jovem! Eu chegava em casa com meu neto. Isso já me traz uma satisfação enorme; quem é avó coruja como eu sabe. Tínhamos eu e ele grandes planos. Isto inclui ver filmes, desenhos na TV, contar histórias, e além de tudo, eu convidara sua amiguinha recente para almoçar com ele em minha casa. Mal entrei, e tive a notícia triste da morte da mocinha, que enfrentara um câncer com toda bravura. O que veio depois, não me lembro, só sei que tive um piti. Apaguei. Acudiram-me uma vizinha ( quase uma irmã, muito amiga) e meu cunhado, médico. Não me lembro de nada disso. Passei umas duas horas ou mais nesse estado de semi-inconsciência, pois falava, respondia coisas que me perguntavam, mas era como se estivesse vivendo um estado de sonolência, quando dormimos e sonhamos. A mãe do meu neto veio pegá-lo, a chamado de minha filha. Nunca antes passara por tal coisa. Minha pressão deve ter subido pois fiquei sabendo que meu cunhado me colocara remédio sob a língua. É terrível essa sensação. Por mais que eu tente, não me recordo de nada acontecido neste período. Hoje, fui, como já disse, à ginástica. Devo confessar minha insegurança ao encaminhar-me para lá. O encontro com as pessoas me fez bem. Tem um que é psicólogo. Aproximou-se de mim, dizendo que eu estava sumida. Contei-lhe com poucas palavras sobre o meu sofrimento, angústia. Ele então me aconselhou que escrevesse. "- Bota pra fora, do jeito que você sabe e gosta de fazer , escreva sobre a tristeza.". Palavras textuais dele. Aquilo me caiu bem. Senti-me amparada, confortada. Por isso, tento reproduzir aqui o que se passou num momento difícil. Fui ao médico, colega do meu cunhado. Ambos parecem ter a mesma opinião. Estresse total. Emocional. Entretanto, foi pedido um exame para tirar dúvidas, mais minhas que deles. Vou lá, nos próximos dias, fazer uma ressonância magnética. Tomara que não seja nada pior. Às vezes, anjos fantasiados de amigos, vem para nos dar apoio. Um deles, meu professor de violão, rapaz jovem, nos seus trinta e poucos, veio saber o porquê de eu não ter ido à aula. É na mesma rua em que moro, numa pequena igreja Evangélica. Chegou, me abraçou. Pediu-me para que fizéssemos uma oração e leu trechos da Bíblia. Marta e Maria eram focalizadas, as duas irmãs. A primeira reclamava com Jesus da carga de trabalhos, afazeres domésticos, enquanto Maria só ficava ouvindo o Nosso Senhor. E Ele lhe respondeu: "Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada." Maria ouvia Jesus. Isso é importante. Pensar em Deus na hora das atribulações. Confiar. Ter fé. Um jovem, que poderia ser meu filho, fez-me parar para pensar nisso. Não foi um anjo, caído do céu?
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