sexta-feira, 30 de junho de 2017

Faroeste em Icaraí.

Gostaria de escrever sobre amenidades. Por exemplo, fui, terça-feira, ver um filme no Cine Arte da UFf, espaço cultural próximo à praia. Tão bom. Minha irmã e cunhado me acompanharam; encontramos também um casal amigo deles e ainda, de quebra, apareceu uma conterrânea que, há tempos, não víamos. O filme foi bom, apesar de meio lúgubre, em preto e branco, dependendo da cena e a cores para dar uma conotação mais alegre. Filme francês, com o uso do alemão também. Mas, infelizmente, temos a realidade mais crua dos últimos tempos: além da pobreza, de um Estado falido pela ganância dos governantes, autoridades e todos aqueles que já cansamos de ver pela TV, sendo presos, investigados. Só a grana fartamente roubada não é devolvida na medida em que o povo "depenado" se vê sem como quitar suas dívidas, pessoas honestas, de bem, que sempre honraram seus compromissos...e o governador que devia se chamar "Mãozona"ou Manopla, sei lá, ao invés de Pezão, diz, na maior cara de pau, que tem certeza, até o fim de 2018, terá pago tudo o que deve aos Servidores do Estado. Piada? Não!!! E ontem, mais notícias que nos transformam em reféns de bandidos, que andam soltos pelas ruas nobres da cidade, causando pânico e morte. Houve um tiroteio, filmado por câmeras de Segurança ( palavra que perdeu o sentido para nós), um bandido, menor de idade, com certeza drogado, invadindo um  pequeno comércio, e alvejando a moça, que, em defesa de seu familiar que reagiu, foi baleada no abdômen. Triste vermos, como numa série de TV, onde impera a violência. Mas é o que vemos, todos os dias. E sobre policiais corruptos? Meu Deus! Os melhores, que nos defendem, são mortos, invariavelmente, na luta diária, sem o apoio merecido, com salários ínfimos, atrasados, em confronto com marginais, armados até os dentes!A vontade que dá é de sair da cidade, procurar um refúgio mas onde??? E temos que nos transformar em super heróis, pelo simples fato de sairmos para trabalhar ou fazer compras, ou como dizia, apavorado, o rapazinho que a tudo assistiu, quando parou em frente ao mercadinho para tomar uma cerveja. Eram oito horas da noite. Cedo, pessoas chegando em casa, depois da luta diária pela sobrevivência, literalmente. Outro dia, eu mesma senti na pele: ia atravessar a rua que é transversal à rua em que moro, e alguns jovens faziam uma algazarra enorme. Tentei atravessar. Um deles olhou para mim e disse: -" Não somos bandidos, não, "tia", não vamos te roubar!" Olhei para o "garoto" e respondi, com certa raiva e surpresa: -" E eu disse alguma coisa?" E nada aconteceu, felizmente. Mas a minha reação foi inusitada, sou tranquila, na medida do possível; me espantei com a atitude que tomei. Não tive medo, naquela hora... Que Deus nos ajude a atravessar nossas Avenidas e nos livre do mal que nos ronda, "em qualquer lugar, em qualquer hora, seja onde for...!" Não é a letra da música bonita do nosso cancioneiro...Pena!

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Paço Imperial

Ontem, precisei ir ao Rio. Fomos eu e minha filha de companhia.Depois que resolvi as pendencias
que precisava, fomos fazer um lanche na livraria instalada no prédio majestoso, no Paço Imperial. Foi a primeira vez da filha, naquele espaço. Ela ficou encantada. Eu amo as construções antigas, da época dos príncipes e princesas. Quanto da nossa história abrigam aquelas paredes, janelas enormes, portas gigantescas e paredes e pedras seculares. Há um seriado na TV que retrata, não fielmente os acontecimentos da época de D. João, sua mal-humorada Carlota Joaquina, que detestava nossas terras e tudo o mais por aqui. A realeza trouxe inúmeros benefícios para o Brasil, em termos culturais, principalmente. Sempre fomos roubados e nossos tesouros confiscados pelos governantes, "piratas" e outros tantos estrangeiros, em detrimento dos habitantes de nossa terrinha, os índios, expulsando-os, aqueles com sua própria cultura e costumes. Faço aniversário no mesmo dia de Niterói ( que significa terra escondida, eu acho, ou seria água? Sei, não ) e acho que tenho muito amor a essa cidade, talvez por isso. Mas volto a dizer sobre os bônus e ônus deste país, destinado a ser explorado por corruptos, ladrões e aqueles que só "observam" a Lei para seu próprio benefício. Uma terra rica, selvagem, desbravada por corajosos e ambiciosos( esses, sim, em maior número) homens, a mando dos governos ou de aproveitadores e aventureiros. Hoje, nada mudou. Talvez, para pior, sim. Cada vez mais a cidade, antes maravilhosa, se vê alvo de bandidos e nada se é feito de fato para conter a barbárie, as facções que são os verdadeiros governantes, já que a Segurança não existe mais. Fomos dominados. Estamos à mercê de traficantes e assassinos que nos comandam, fora e dentro dos presídios. Que pena! Antes, na minha juventude, a travessia de barcas era um passeio sem sobressaltos. Ìamos eu e minhas irmãs, levadas por nossa querida mãe assistirmos a um bom filme, ou fazer compras no centro da cidade, sem a menor preocupação com assaltos. Era um tempo mágico. As barcas iam abarrotadas, pessoas se espremendo e algumas do lado de fora, observando a paisagem por absoluta falta de lugares sentadas, no interior da barca antiga e mal conservada. Mas como era bom! Ontem, fiz a travessia numa barca bem cuidada, com telas de TV, todos bem acomodados, limpa, lugares reservados para idosos e deficientes, tudo bem melhor do que antes, daqueles anos atrás. Enfim, a diferença fundamental é que o sossego de antanho( palavra meio antiga... mas combina com a época, lá no tempo de minha infância), quando nem havia a mínima preocupação de que seríamos atacados por pivetes, menores ferozes, impunes, comandados pelos chefes do tráfico. Depois do lanche, voltamos na mesma barca. O balançar suave proporcionado pelas  águas da Baía, me fizeram um bem enorme. Aproveitei para rezar o meu rosário, fazendo de cada dedo uma oração. Pedi pelos filhos, pelo neto, pelos irmãos, amigos e chegamos do lado de cá. Antes, havia desbloqueado o meu cartão de idosos, aquele que nos dá direito a passagens nos ônibus e barcas. Fiquei sabendo que se não usá-lo por mais que três meses, o cartão fica bloqueado. Ou porque morremos ou fomos assaltados, duas opções horrorosas...fazer o quê?!!! A luta agora é para devolver ao mundo, ao nosso país, às nossas cidades a paz que todos desejam...A modernidade nos trouxe os horrores da guerra urbana, vemos tudo pelos meios de comunicação, a maioria deles nem alcanço mais. Quando penso estar adaptada a um aparelho celular ou coisa que o valha, aparecem denominações várias. As pessoas não conseguem mais ter tempo para sonhar, para andar pelas ruas, para dar uma ida ao Rio de Janeiro, desfrutando suas maravilhas. E, para mal dos pecados, ontem, aconteceu a Natureza devastando e castigando a cidade com uma chuva desproporcional, inundando ruas, deixando desabrigados, pessoas nadando contra a correnteza das ruas, aquelas na zona Sul, sobretudo. Parece um aviso dos céus. Ou o homem cria vergonha na cara, para de se apropriar do que não é seu, daquilo que é do povo, porque Deus anda  envergonhado, cansado de nós, povo brasileiro, que se gabava quando afirmava que Ele é brasileiro! 

sábado, 10 de junho de 2017

Sapo ou príncipe?

Só nos contos de fadas há príncipes e princesas, a não ser alguns que conhecemos, de países da Europa e outras bandas, claro, tão humanos e falhos quanto eu e você.Mas, esta noite, sonhei com um desses rapazes, hoje, não tão jovem, como eu. Então, me deu vontade de falar um pouco sobre aquele sonho dos tempos idos e também do abstrato, contraditório, inconsciente sonho que nos traz o dormir.Por que tantos adjetivos? Sei, não. Contraditório porque é o nosso desejo reprimido...será? Inconsciente, já que estamos noutra esfera do cérebro, quando nos entregamos nos braços de Morfeu, figura mitológica, eu suponho.Abstrato que, mal nos levantamos, já o esquecemos. Por isso, resolvi escrever para me lembrar de tão esdrúxulo sonho. Vamos a ele: o meu amado rapaz se jogava de uma altura razoável, sobre um balão branco ( me lembro bem da união de cores) e isto tudo só para nos encontrarmos diariamente, de certa forma, meio que escondidos, um caso de amor proibido. Não aquele que foi real, quando meu pai dificultava, durante a juventude, nas praças e cinema da cidade pequena, de onde vim.Não, repito. Esse moço sempre o cobicei. Sempre o via como alguém inatingível, culto, jovem, lindo ( que dentes, que sorriso!). Nos bailes e "brincadeiras"( dancinhas programadas em casa de amigas) dançávamos muito, isso durante as férias, já que ele tinha parentes importantes no interior, a grande maioria de sua família era conterrânea desta "princesa" que vos conta essa passagem onírica. E continuo. Eram encontros que duraram muito tempo, ele já com alguns fios de cabelo brancos. E eu sentia estranho a estabilidade daquele amor. Até em sonhos, sou reprimida. Por que ele ainda me visitava? Por que corria riscos ao saltar sobre a bola de couro branco, inflada, para amenizar sua queda? Vai entender... Outro dia, encontrei-o numa das calçadas da vida. Agora, falo da vida real. Senti uma aflição danada. Esperei que ele terminasse a ligação ao celular e nos falamos, animadamente ( eu, na verdade, bem nervosa com o inesperado encontro) e falei-lhe do livro que eu escrevera, de crônicas. Mas ele desconversou e passou a relembrar um tempo que eu não esperava ele fosse recordar. Falou de uma noite romântica, quando voltando de uma festinha, eu algumas amigas e minha irmã, ali pela Pedra do Índio, nos beijamos.Fiquei maravilhada, digo com sinceridade. Ele insinuava que poderíamos repetir a façanha. Mas é outro sonho que não repetiremos. Há vários motivos para que não aconteça. Mas foi bom...passei dias e dias saboreando as palavras do meu "príncipe"que podia ter sido o sapo, desbancando o príncipe, se tivéssemos convivido, alimentado aquele amor; o tempo se incumbiu de desmanchar tudo e nos separou. Cada um seguiu seu rumo, sua vida. Não sei se valeu a pena. Mas o sonho foi muito bom....

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Hoje, amanhã e depois?

Pergunta difícil de ser respondida.É como nos capítulos de novelas, apostando no Ibope, escolhendo um autor capaz de interessar e fazer histórias mirabolantes, mas com um conteúdo que tenha um  mínimo de realismo. Acontece, às vezes, a vida faz-nos crer em surrealismo total. Parece coisa de filme, de novela. Janete Clair colocou no seu sobrenome o título da música que ouvia sempre: Clair de lune. Tinha bom gosto a escritora e quanta imaginação! Seu marido, Dias Gomes, ajudou-a, sim, apesar de criticar o seu tom dramático, excessivo. Mas ela conseguiu 100% de audiência em uma de suas mais incríveis novelas: Selva de Pedra. Há autores, como Manoel Carlos, que conseguem fazer do trivial, do dia a dia, histórias instigantes, que prendem o telespectador, pois vê em cada personagem um pouco de sua vida, de sua trajetória, neste planetinha, medito a besta, chamado Terra.E aí, vem a pergunta que sempre nos fazemos sobre nosso futuro, o que nos angustia, ou nos deixa felizes. Explico: primeiro, vem o medo do amanhã, a preocupação pelo pão de cada dia, ou pela ferida a ser curada, pela doença a ser vencida. Do outro lado, há aquela festa pela qual esperamos ansiosos, felizes, fazendo planos fúteis tais como a roupa que se vai usar. Se alguém especial também vai comparecer, se a música nos fará rodopiar pelos salões ou se aquele dinheiro inesperado vai chegar. Se aquele governador safado vai encontrar uma fórmula mágica e pagar aos servidores que, por enquanto, enfrentam um dilema: ou comparecem ao emprego,pagam as passagens dos dois ou  mais ônibus ou compram o básico para sua subsistência. Mas e o depois? Aí, o bicho pega. Não sabemos nada, de fato. Se temos fé e acreditamos no Deus criador, fica mais fácil. Será que teremos nova chance? Será que haverá um lugar além desse minúsculo planeta onde visualizaremos um jardim, com flores nunca vistas, com a mais completa paz? Jesus veio à Terra para ajudar aos mais pobres, salvar os doentes, livrando-os de doenças incuráveis, convivendo com os mais pecadores, ressuscitando mortos. Quero ter fé, quero acreditar que, sim. Tudo isto é o que nos espera.Só os remedinhos de ansiedade para os depressivos, não são o suficiente. Hoje, encontrei algumas amigas e também um amigo, lá na aula de ginástica, que me fizeram ouvir palavras alentadoras. Voltei com uma dose de reforço, como a das vacinas infantis. É importante ter amigos, e como!!!



sábado, 3 de junho de 2017

CARRO USADO

Colocar anúncio para vender um carro usado não é difícil. Agora então, com a Internet, sempre tem alguém que se aventuraria, ou por não poder comprar um novo, ou porque tem mania de mecânico, aquele que gosta de fuçar até encontrar o problema ou os muitos que se apresentam. É incrível, mas há gente assim. Meu tio e padrinho Paulo, me lembro dele sempre lambuzado de graxa, enfiado sob os carros, trocando peças, tentando o impossível: colocar nos "trilhos" a lata velha recém adquirida. Mas era do que gostava. A idade vem chegando, devagarinho, sorrateira, e as engrenagens ficam cada vez mais enferrujadas. Antes, não se vai tão longe o tempo em que me levantava correndo para ir fazer o primeiro xixi. Fácil, só dar uma corridinha. Agora, gente, tem toda uma preparação. Primeiro, imagino se vai dar tempo, passo uma primeira, piso na embreagem e o que acontece? Trava. Uma dor danada nos quadris, peça chave para o primeiro movimento. E olha que já dobrei as pernas, mexi com os dois pés, pra lá e pra cá. Há uma cômoda bem colada à cabeceira. É meu apoio para ficar de pé. Não riam. Há muitas companheiras com o mesmo ritual. Sei disso. Hoje, não amanheci muito disposta. Exagerei no bolo de limão ( já percebo que açúcar se tornou um vilão) e senti cólicas. Muitas. Preparei-me para correr. Até que consegui.Mas foi difícil a volta. Como doem esses ossos, quando estão de má vontade...Para completar, o frio veio forte para me derrubar. Agasalhei-me com a blusa velha e quente e me enfiei, de novo, sob o edredom. Melhorei. Precisava colocar meias nos pés mas preferi não me mover, já que o alívio chegou, pelo menos a dor de barriga parecia ter desaparecido. Rezei meu terço, o que faço diariamente. Isso, antes; percebo que me tem feito um bem enorme. Tinha preguiça de rezar. Confesso. Hoje, é um tipo de remédio para ansiedade. Agora, vem a pergunta que não quer calar: - Alguém se habilita a comprar um carro usado? Há quem queira pelo menos, concordar comigo, quando  descrevo as aflições dessa máquina usada mas que ainda quer percorrer muitos caminhos, trilhar algumas estradas desta vida, tão curta, tão cheia de atropelos mas que ainda vale a pena?...

quinta-feira, 1 de junho de 2017

AGRADECENDO...

Como agradecer a Deus tantas bênçãos?Obrigada, Senhor! Acho pouco. Mas sei que o coração que faz preces para alcançar uma graça, é olhado por Ele que pode perceber a imensa gratidão, além das palavras. Ontem, passei por uma situação de muito estresse. O resultado veio hoje, pela madrugada, quando perdi o sono por horas e bem cedo, depois de um breve estado de sonolência, acordei com o estômago embrulhado. Corri para a cozinha, enchi uma xícara para medir a quantidade certa para o chá de boldo, meu salvador. Mas foi difícil...parecia estar num estado de torpor e vontade de vomitar, fui enfraquecendo e rezei para me manter de pé. A filha, que também dormira mal, veio em meu socorro, como sempre. Tomei o chá fervente. Aos poucos e me preparando para correr ao banheiro para "botar o caroço pra fora"! Mas, não. Consegui me acomodar no sofá da sala, respirava fundo e a filha ia falando palavras, procurando me incentivar: " Calma, mãe, respira fundo, procura dormir, vai relaxando, respira fundo..." E não é que tenha passado o mal estar mas, pelo menos, diminuiu a sensação horrenda de enjoo. Mesmo sem acento...acho que é assim pela nova Nomenclatura. Aí, só pensava em fazer orações, pedindo à Nossa Senhora Aparecida que me aliviasse daquele mal estar. E fiquei ali, por um tempo, a filha trouxe um edredom ( aqui está frio - detesto) e o calor devagar aqueceu o corpo e fez bem para a alma. Estar sadia, podendo trabalhar, ter as atividades normais é uma dádiva. Damos valor a isso, quando passamos por qualquer distúrbio. Por isso, agora, já podendo tomar o meu café da manhã, que só consegui bem tarde, venho dizer a Deus que Ele é bom. Quero agradecer com palavras mas elas são insuficientes. Depois, abri pelo celular umas mensagens do What´sApp e fiquei pasma com a história de um milagre ocorrido com alguém que desafiou a Deus.  Era um programa da TV, do Ratinho ( que todos conhecem) e a moça dava um depoimento que me deixou de queixo caído. O câncer que ela enfrentava era terminal, mas não só isso: estava deformada, com marcas de bolhas enormes pelo rosto, o olho esquerdo cego, dores insuportáveis e já na Santa Casa de Misericórdia, esperava a morte e pelos médicos que a entubariam. Ela relata um tipo de sonho que teve: flutuava por lugares estranhos, sentia a mão de Deus quando ela pedia por ajuda, por sua cura, se é que Ele existia, realmente. Estou resumindo mas o relato dela foi impressionante. Amanheceu, chegavam os jovens doutores para lhe aplicar um sonífero, uma injeção na veia para que não sofresse mais. Entretanto, ela percebeu que eles a olhavam espantados. Sua face dilacerada pelas chagas e ferimentos cancerosos havia se restaurado, espantosamente, olhou o céu azul pela janela e pode enxergar novamente com o olho esquerdo, antes, cego. E ela  gritou: Deus existe!!!