quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Pela terra, pelo céu...

De todas as formas, caminhamos para o infinito, melhor,  para o eterno. Pensar assim nos faz mais tristes, nervosos ou, para alguns, alegres, visualizando, talvez,a solução. Os problemas que nos afligem parecem menores diante do que assistimos ontem, por todos os canais da mídia. Eram jovens, muito jovens, com a alegria natural da idade, viajando para um outro país. Um país do qual não sabemos do nome, dos governos, da qualidade de vida, dos prazeres ou sofrimentos. Pela fé, cremos que há um sonho realizável para todos. Deus mandou seu filho para nos ensinar. Há os ateus que  têm nenhuma convicção sobre a vida após a morte.Mistério insondável... Entretanto ela é certa. Vai chegar a qualquer momento, disso, nenhuma dúvida. Chegou para aqueles "meninos" que enviavam suas últimas mensagens. Fiquei perplexa, como a maioria das pessoas. Soube muitas horas depois. Estava fazendo os exercícios habituais, com o grupo de amigos que amealhei pela vida. Sempre ligo o rádio, enquanto faço meu café, para ouvir as palavras do padre Marcelo. São orações, depoimentos, além da bênção da água, dos objetos, de qualquer coisa. Faz bem. Então estranhei ao ouvir, não a voz do padre, mas a do locutor que vem logo após o programa religioso. Ele informava sobre o acontecido, sobre o acidente aéreo. Mas, como peguei " o bonde andando", não sabia de que time ele dizia, só sabia que eram brasileiros. Liguei para minha irmã e ela me contou da tragédia que ocorrera nas primeiras horas e que era anunciada aos quatro ventos. Comecei minha crônica dizendo do caminho que, um dia, percorreremos. Eles, aqueles meninos risonhos, brincalhões, com a vida inteira pela frente, encontraram o seu destino pelo céu. Voavam em direção ao nada, ao descanso eterno. Havia outras pessoas, sim: jornalistas, médicos, treinadores, a tripulação, enfim, seres humanos, carregando seus anseios, suas frustrações, seus desejos. Mas aqueles jogadores, os mesmos que celebravam a vitória inusitada, já que um time único, da pequena cidade e que já alçava grandes feitos em sua classificação, estes, jamais, cogitariam estar voando o seu último vôo. Quem como eu gosta de assistir a uma boa partida de futebol, deve estar imaginando o que estarão aqueles "garotos" driblando e mostrando suas qualidades de craques da bola, além do goleiro, que tentou defender a bola que ameaçava o gol, mas que sucumbiu diante do chamado de Deus. Lá no céu, deve haver um grande gramado, de um verde como nunca visto, com platéia divina, aquela que só se alegra, que vibra e que recebeu de braços abertos um time inteiro, e que terão sempre a saudade dos que, aqui na Terra, ficaram chorando mas aplaudindo também.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Uma mulher mais ou menos.

É engraçado como nos definimos, às vezes. Hoje, estou assim. Não consigo ter uma avaliação da pessoa que sou. Não só hoje, volta e meia me analiso. Estava revendo algumas crônicas e algumas já foram lidas por mais de 600 pessoas: um espanto! Não sabia que muitos me acompanham no meu blog...Gostei, evidente! Nossa vaidade dá pequenos saltos, fica toda boba! E aí, em contrapartida, me pego do outro lado da moeda. Não estou com essa bola toda.Tem escritos meus, quando resolvo reler, que me orgulham, o tempo passa e fico pensando que estava inspirada quando os produzi. É verdade. Mas apesar de algumas qualidades positivas, tenho aquelas que derrubam. Por exemplo:não raro, tenho uma recaída, compro linhas e barbantes para executar um trabalho de crochê. Aconteceu esta semana.Encontrei um barbante colorido, azul bebê, com um preço razoável. Ali estava a salvação da lavoura, ia deitar e rolar com o meu novo tapete. Só que não tenho o cuidado de contar os pontos, ou mesmo verificar se não tem algo dando errado. E deu, gente...de repente, vou fazendo uma "cinturinha" não programada no crochê, que, antes, seria uma distração. E aí? Até desmanchei um bom pedaço. Ainda assim, não ficou bom. Terminei o trabalho. Ficou bem torto e cinturado, como já disse. Mas serve pro gasto... Sou uma pessoa que sabe fazer muitas coisas, vou listar para quem quiser entender: sei cozinhar, sei costurar, sei pintar, sei até dirigir um carro, sei arrumar a casa (essa, tarefa medonha), passar roupa, sei lavar, sei escrever crônicas, sei bordar e fazer "bicos" em panos de prato, sei tricotar ( fiz um agasalho para meu neto e ele adiou a estréia,acho que não gostou) , como podem perceber, faço muitas coisas. Mas há um detalhe que me incomoda. Nada é muito bem feito. Aprendi a lidar com o computador, entrei no Whatsapp, chamar o Uber ( isso aí, virou uma missão quase impossível, mas é muito mais barato), sei jogar baralho, o que faço, quase sempre, frequentando a casa da irmã. Dançar, adoro! Mas não tenho gingado suficiente: quando consigo mexer os pés, a bunda não acompanha o rebolado, fundamental para um samba legal. Música, que é a minha paixão, tentei com o violão. Tive aulas e um professor paciente. Mas não segui, a voz de taquara rachada atrapalhou um pouco. Tem uma coisa que faço bem: gosto de seguir o que Jesus pregou, exaustivamente, que é amar ao próximo. Faço com a maior dedicação. Tento minimizar o que as pessoas mais difíceis "aprontam" comigo. É chato ter que aceitar o meu problema maior: _" Vai viver a sua vida!" Ouço muito isso. Mas não me corrijo. A preocupação com os filhos e com o neto, são mais constantes que as próprias amigas. Disso posso me gabar, tenho boas amigas. Daqui a cinco dias, vou comemorar meu aniversário. Mentira, gente! Não vou fazer nada. Prefiro ficar quieta no meu canto. Vou ler dois livros que me olham da prateleira, vou comprar mais linhas e insistir num novo trabalho. Com a sobra dos barbantes azul-clarinho, fiz um jogo americano...até que ficou bom. Outra coisa que poderia me distrair ( ou irritar, quando não acerto) é comprar uma tela e tintas novas para arriscar um novo quadro. Tem coisas boas pra fazer, sim. É preciso ter coragem para começar. Que Deus me ajude e me dê mais talento!