terça-feira, 25 de julho de 2017

Conveniência.

Há muitos postos de conveniência espalhados pela cidade. Ainda bem. Hoje, fui para a habitual aula de ginástica. Ando um pequeno trecho, ao lado do Ginásio Caio Martins. A rua, a essa hora,já bem movimentada, até porque há pontos de ônibus e vejo pessoas indo outras vindo. Umas para o trabalho e outras, como eu, procurando, através dos exercícios, mais saúde. E lá ia eu...Tenho uma mania que não devia falar aqui. Preciso "visitar o Miguel"alguns sabem o que quero dizer, antes de me arrumar, passar meu protetor solar e comer uma banana para aumentar o potássio. Fui. Ontem à noite, vendo a novela, que anda bem interessante, bateu uma vontade louca de um mingau de aveia. Num intervalo, corri até o fogão. Exagerei na dose de aveia, gente.Voltei com o prato bem quente. Depois, bateu arrependimento, eu já havia degustado um prato bem volumoso de macarrão e, não satisfeita, comi um pão com presunto. O inverno ( tempo frio que odeio) traz essa desvantagem. Dá uma fome danada. Vontade de enroscar no edredom, meia nos pés. E, aí, vem o perigo: comer demais e ficar encolhida de frio. Uma bomba para o organismo.Mas voltando um pouco, segui um tanto insegura, achando que devia voltar. Uma dorzinha de barriga irritante continuava a me incomodar e eu maldizia o mingau, dando náuseas só de lembrar.Há um posto de gasolina,bem em frente à pracinha onde os amigos e amigas iniciavam o alongamento, a música tocando alto ( gosto demais) e eu na dúvida atroz: volto pra casa? Será que daria tempo? Aí, resolvi entrar na Loja de Conveniência, do Posto de gasolina. Sorte minha. Havia um banheiro estupidamente limpo,grande, coisa rara de se achar. Só deu tempo de fechar a porta e me aliviar...Riam, podem rir, pois este não seria assunto para uma crônica que se preze. Mas, gente, um socorro, na hora certa tem seu valor. E quem já nunca passou por isso? Saí dali, atrasada para a aula, olhei para a turma toda já se exercitando. Atravessei a rua, juntei-me ao grupo e encarei o medo de uma próxima "peça" do meu intestino.;ou do destino, se preferirem. Deu certo. E voltei feliz, lutei o medo e venci. Parece não ser nada para algumas pessoas,mas com a idade, a insegurança se torna uma constante. Não somos mais os mesmos. E com esse episódio, me vem à lembrança uma vez que viajava de Bom Jesus a Niterói, no ônibus da Empresa Brasil ( bons tempos) para as férias, na casa do meu avô Salles. Quando paramos em Campos, o motorista avisou do tempo permitido para ficarmos livres para alguma necessidade ou para comermos alguma coisa. Lembro-me que uma boa amiga, Maria Helena, viajava conosco. Só sei dizer que, quando o ônibus retomou o percurso, a próxima parada seria Macaé. Um bom pedaço. Aí, gente, aconteceu a vontade de ir ao w.c. (water closet) coloquei em inglês para enfeitar um pouco esse texto que não cheira muito bem. Então, imaginem o sufoco. Rezei para todos os santos que chegássemos logo. Os quilômetros pareciam infindáveis. Há momentos como este que nos deixam traumatizados. Estou sendo inconveniente? Que me perdoem meus leitores mas às vezes, precisamos nos aliviar, até mesmo contando essas peripécias da vida. E que as lojas de "conveniência"se proliferem, cada vez mais!

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Festa junina e medo.

Ontem, depois da missa, resolvi matar a fome: deu vontade de comer um cachorro-quente. A capela de São Lucas é na minha rua.O padre que celebra as missas, um verdadeiro homem de Deus, me faz ter gosto de ir à igreja! Antes, na meninice, adolescência, enfim, quando jovem, ia à missa por obrigação, estudei em colégio de  orientação religiosa, católica. Tinha um verdadeiro medo do padre Francisco. Na hora de confessar, eu até inventava pecado, dizia xingar, por exemplo, mentir, coisas que, realmente, eu não era muito adepta...mas tinha outro que era mais difícil contar. Voces imaginem o que podia ser. Enfim, voltando, hoje gosto de rezar, gosto de comungar, me sinto na casa do Pai. E agradeço por isso. Mas, pegando de onde parei, resolvemos eu e minha filha dar um pulo até a próxima igreja, na outra rua, que não é longe, Santuário das Almas, quem conhece Niterói sabe. Primeiro, teríamos que correr a um posto de conveniência, a bolsa não tinha um "tostão". Quase em frente à Álvares de Azevedo há um Posto de gasolina e, lá fomos nós. Atravessamos quase correndo, torcendo para o sinal abrir logo. Pouca gente na rua, exceto nas escadarias e entorno da Igreja. Ainda passamos pela farmácia para a filha comprar uma necessidade. Corremos, de novo, e finalmente,alcançamos a festinha da igreja. Muita gente, muita música, barraquinhas, alegria geral; fila pra comprar pizza, cachorro-quente, e tudo o mais. Esta semana tive problemas com os dentes pois tive que subtrair um deles. Ainda bem que é bem atrás, não aparece, quando sorrindo. Pois bem, não é que tive antibióticos e anti- inflamatórios no cardápio!? Eu, que já ando meio sem apetite, fiquei um tanto enfraquecida. Mas, hoje, melhor, vou ao dentista para tirar os pontos. Devo implantar um dente, ali, naquela "vaga". Não ficamos muito tempo lá, apenas o suficiente para comprar e degustar as delícias da Festa Junina. Voltamos pra casa, ainda com o enorme pastel de queijo na boca.O sinal abriu para nós e atravessamos correndo. Já na calçada, aparece, do nada, um rapaz. Imaginem o susto. Ele nos olha e com voz "melodiosa" pergunta se teríamos como ajudá-lo a voltar a São Gonçalo. E completava: -" Sou do bem, tenho vergonha mas preciso da ajuda para voltar pra casa". Essas suas palavras ou parecido com isso. Eu carrego sempre uma bolsa minúscula, que cabe na palma da mão. De propósito, para espantar os "menores infratores". Idosa com bolsa grande é um alvo fácil. A filha, já parecendo sensibilizada, respondia com palavras delicadas. Eu tremi na base. Ainda bem que ela não mostrou a bolsa que também era pequena. Menor que a compaixão dela. Adiantei-me quase correndo. A vida nesta cidade "Sorriso" virou essa: medo de ir a uma festinha da igreja, de atravessar a rua, de falar com pessoas. Até para se dar esmola, temos que pensar dez vezes. Talvez, se tivéssemos aberto a bolsa, numa hora dessas, poderíamos estar arrependidas pela boa ação.







sábado, 8 de julho de 2017

Escrevendo, vivendo...

Uma das coisas que descobri, depois de ter deixado escapar um tempo enorme: gosto de escrever. Quantas vezes, lá se vai um bom tempo,quando cartas ainda eram enviadas e tínhamos que esperar pela resposta, isto se elas chegassem...dias e dias. Mas indescritível a alegria de ver o correio chegando, um envelope lacrado, com nosso nome, nosso endereço. Bom demais. Já recebi uma carta, escrita por um namorado da mesma cidade. Era claro o uso de idéias, frases copiadas, mais poderosas, que sei não me despertaram emoção. Artificial, copiada,com certeza, de algum gênio da literatura. Mesmo assim, valeu a pena. Quando se é jovem, adolescente, os sonhos ocupam nossa mente de forma indiscreta,avassaladora. As músicas sempre serão fonte de inspiração, arrancam suspiros, sim. Hoje, não considero o funk e seus derivados propriamente música. Que me perdoem seus adeptos. Música é outra coisa. Mas volto a analisar o que se deu comigo. Antes, a dificuldade para escrever uma simples carta; era difícil. Saía tudo com jeito de frases feitas, aquelas habituais, que não transmitem os sentimentos. Então, passado um período que considero mais que a metade da minha existência, através de um anúncio de jornal ( agora, digital) que eu tinha a assinatura, renomado jornal, observei um anúncio sobre um curso: "Meu primeiro livro". Fiquei curiosa. Arrisquei, não sei bem o que me moveu mas liguei  para o telefone, que continha  endereço também. No Centro do Rio, na rua do Amarelinho, na Cinelândia. Falei com a dona da sala, mulher culta, viajada e que promovia o tal curso. Tive a coragem de me inscrever, seriam só oito semanas, todas as terças-feiras. O início às dezoito horas. Achei tarde. Na época, a violência ainda estava adormecida naquele bairro do Rio, pelo menos, não como agora, quando temos medo de ir até a esquina. Perguntei se haveria alguém de Niterói que pudesse me fazer companhia. E, sim, coincidência ou não, coisa do destino, sim, havia um senhor que se inscrevera. Mais tarde, ele me contou que trabalhara com um delegado de polícia, o Tito. Gente, o mundo é mesmo uma aldeia mínima pois descobri ser um primo muito querido o delegado. Poucas eram as pessoas ali, apenas seis ou sete, se bem me lembro. Resumindo, alistei-me. Senti-me inovando. Quando supus que tomaria um ônibus, sozinha para o Centro do Rio, já no final da tarde para estudar...Voltávamos tarde, depois de nove ou dez, e pegávamos o último ônibus pra casa, isso depois de atravessar as ruas já escuras e não tão bem frequentadas. Aí, descobri que tinha um certo talento para as letras... O professor, jovem ainda, talentoso e além de tudo bonitão, me incentivou ao máximo. Dava-nos tarefas árduas como escrever um mesmo texto oito vezes mas de maneira diferente. Pensei não conseguir. E me enganei.  Hoje, graças aos elogios e estímulo daquele professor, escrevo crônicas, fiz até um livro. Coisa impensável. Agora, escrever se tornou rotina. Encontro-me feliz, quando posso passar idéias, coisas da minha cabeça que saem aos borbotões. Muitas amigas, e principalmente, a irmã mais velha, são incentivadoras, quando leem e elogiam. Quero me dedicar a essa tarefa.Passo tempos sem escrever nada. Já tentei outras atividades mas não tão prazerosas como esta. Outro dia, via um programa na TV onde o ator Lázaro Ramos lançava seu primeiro livro, que levou dez anos para terminar. Antes, segundo a entrevistadora, ele já escrevera algumas histórias infantis. Leva tempo. É difícil. Quero me arriscar novamente. Na verdade, já tenho uma história começada. É romance, não só crônicas. Quero terminar essa obra e ver no que dará. Acho interessante a ideia inicial. Fiz um bom pedaço, muitas e muitas páginas. E falta inspiração. Parei, muito tempo, mesmo. Aí, um dia pensei num personagem que criara, sem tanta importância, em relação aos protagonistas; me deu um "estalo" e resolvi encaixá-lo. Ficou bom. Só que não é simples voltar no tempo  e deixar verídica a trama. Mas não vou desistir. Será que terei tempo para engatar uma marcha de novo? Será que estarei   cheia de inspiração para desenvolver o que quero?    Coisas inacreditáveis acontecem, sim. O programa sobre nosso país vizinho, a Colômbia, terra do grande escritor Gabriel Garcia Marques, transformou-se num lugar de paisagens escandalosamente lindas, apesar de mais de cinquenta anos de guerra, de lutas contra o narcotráfico, e mostrou um povo sem amargura, ao contrário, solícito, solidário. Tudo pode acontecer. Espero que o nosso país, com tantas riquezas  naturais, tantos homens de valor, um povo também acolhedor, receptivo, encontre sua verdadeira face, como num belo livro de histórias, com final feliz.