Ontem, depois da missa, resolvi matar a fome: deu vontade de comer um cachorro-quente. A capela de São Lucas é na minha rua.O padre que celebra as missas, um verdadeiro homem de Deus, me faz ter gosto de ir à igreja! Antes, na meninice, adolescência, enfim, quando jovem, ia à missa por obrigação, estudei em colégio de orientação religiosa, católica. Tinha um verdadeiro medo do padre Francisco. Na hora de confessar, eu até inventava pecado, dizia xingar, por exemplo, mentir, coisas que, realmente, eu não era muito adepta...mas tinha outro que era mais difícil contar. Voces imaginem o que podia ser. Enfim, voltando, hoje gosto de rezar, gosto de comungar, me sinto na casa do Pai. E agradeço por isso. Mas, pegando de onde parei, resolvemos eu e minha filha dar um pulo até a próxima igreja, na outra rua, que não é longe, Santuário das Almas, quem conhece Niterói sabe. Primeiro, teríamos que correr a um posto de conveniência, a bolsa não tinha um "tostão". Quase em frente à Álvares de Azevedo há um Posto de gasolina e, lá fomos nós. Atravessamos quase correndo, torcendo para o sinal abrir logo. Pouca gente na rua, exceto nas escadarias e entorno da Igreja. Ainda passamos pela farmácia para a filha comprar uma necessidade. Corremos, de novo, e finalmente,alcançamos a festinha da igreja. Muita gente, muita música, barraquinhas, alegria geral; fila pra comprar pizza, cachorro-quente, e tudo o mais. Esta semana tive problemas com os dentes pois tive que subtrair um deles. Ainda bem que é bem atrás, não aparece, quando sorrindo. Pois bem, não é que tive antibióticos e anti- inflamatórios no cardápio!? Eu, que já ando meio sem apetite, fiquei um tanto enfraquecida. Mas, hoje, melhor, vou ao dentista para tirar os pontos. Devo implantar um dente, ali, naquela "vaga". Não ficamos muito tempo lá, apenas o suficiente para comprar e degustar as delícias da Festa Junina. Voltamos pra casa, ainda com o enorme pastel de queijo na boca.O sinal abriu para nós e atravessamos correndo. Já na calçada, aparece, do nada, um rapaz. Imaginem o susto. Ele nos olha e com voz "melodiosa" pergunta se teríamos como ajudá-lo a voltar a São Gonçalo. E completava: -" Sou do bem, tenho vergonha mas preciso da ajuda para voltar pra casa". Essas suas palavras ou parecido com isso. Eu carrego sempre uma bolsa minúscula, que cabe na palma da mão. De propósito, para espantar os "menores infratores". Idosa com bolsa grande é um alvo fácil. A filha, já parecendo sensibilizada, respondia com palavras delicadas. Eu tremi na base. Ainda bem que ela não mostrou a bolsa que também era pequena. Menor que a compaixão dela. Adiantei-me quase correndo. A vida nesta cidade "Sorriso" virou essa: medo de ir a uma festinha da igreja, de atravessar a rua, de falar com pessoas. Até para se dar esmola, temos que pensar dez vezes. Talvez, se tivéssemos aberto a bolsa, numa hora dessas, poderíamos estar arrependidas pela boa ação.
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