domingo, 16 de setembro de 2018

Travessia, a barca das ilusões.

Não é título de filme. Não, mesmo. Ouvia um candidato à presidência em sua locução e me veio a imagem de um outro, que foi militar do exército. Não é propaganda política, devo ressaltar. Mas a palavra "capitão" vem sendo lida, quando não, ouvida: "Força, capitão"! Palavras de solidariedade e apoio ao homem corajoso que diz o que pensa, sem preâmbulos, de maneira espontânea. O que não
 é usual entre políticos. Fingem tanto em suas falas que deveras sentem e acreditam na sua "verdade mentirosa".Algum grande pensador já disse isso em outras palavras. Ele, o capitão, sofreu um ataque covarde de um assassino confesso, fanático e , com certeza, industriado por mais poderosos. O que me moveu a fazer essa pequena crônica foi, simplesmente, a palavra capitão. Uns vão me execrar, imagino. Não me apaixonei pelo candidato, gente. Não confundam alhos com bugalhos...Tirei do fundo do baú minhas lembranças: eu, minha mãe e irmãs fazendo a travessia, nas velhas barcas entre Rio e Niterói, bem antes da Ponte construída. Quando fazíamos aquela travessia, volto a rememorar, não raro, muitos jovens eram vistos com seus uniformes brancos,da Marinha, suponho e outros com cores diversas, não sei dizer a ala militar que representavam. Mas só sei que eram lindos, másculos! Mulheres amam fardas, nem todas, claro. Algumas revivem traumas, marcadas pela Ditadura, lá pelos idos dos anos 60. Mas não quero e não vou repisar o que foi, exaustivamente, comentado por toda a mídia. Meu encontro, agora, foi com a palavra "capitão". Vemos a abertura total de homens (e mulheres) explicitando suas tendências sexuais. Respeito, cada um no seu direito. Mas, voltando ao capitão: soou tão fortemente que me remeteu ao tempo em que me transformava: de menina-moça, romântica,à mulher madura, esposa, mãe e avó, doidinha pelo neto. Virilidade e macheza me encantam, repito. Quero um Brasil melhor. Alcancei a idade provecta de não mais ser obrigada a votar; é um ato patriótico, sim, de quem quer mudanças. Vou lá, até as urnas eletrônicas (que não me inspiram confiança)  mas vou. Há algumas ( poucas)  vantagens quando ficamos idosas: somos mais livres para a exposição de nossos pensamentos, até aqueles mais íntimos, como faço agora. A palavra dita com tônica de solidariedade ao homem que, literalmente, deu o seu sangue pelo seu país, por todos nós, brasileiros, remeteu-me, sim, a um tempo de pureza e ilusões: o tempo dos homens fardados, tão bonitos e confiáveis. Sinto saudades do meu coração crédulo e encantado com aqueles homens "machos" de uniforme militar, uma raridade!...