sábado, 21 de julho de 2018

Vozes do mundo.

E, agora, me vejo com esse título na cabeça. Há dias. Nem sei o porquê, claro. Apenas me veio, assim como uma dor súbita, um latejar. Tantas coisas que pensamos, ou sonhamos e depois deixamos de lado... Então, depois de uma batalha travada com o meu notebook que insistia em dizer: " Não desligue seu computador..." Eu obedeci, claro! Vou lutar com essa maquininha infernal, que tem sempre razão e é teimosa, só faz o que ela quer...?! Ontem, fui levar meu neto para a casa da mãe. Ele me pediu para ficar esta semana comigo, já que permaneceria no trabalho dela, todo o tempo, sem amigos, sem muito o que fazer- curso de alemão, que ainda não concedia férias. Isto, depois de o ter levado a assistir um filme em 3D infantil.A companhia dele compensou o "sacrifício" ( nem foi tanto, já que é engraçadinho até para adultos). A sugestão dele, espontânea, me encantou. Pediu permissão à mãe, e lá viemos nós. Era domingo e havia a missa das dezenove que não perco.Ele foi junto. Carregou as cestinhas de doação, acompanhando sua tia.Que alegria para mim, meu neto na casa do Pai. Dá trabalho, sim, olhar criança, fazer sua comida, arrumar sua caminha ( estrado sob a minha que é dele, quando aparece de quinze em quinze dias). Ele prefere se apertar junto a mim, na cama de solteira, até que o sono venha, incentivado pelo som monocórdio dos desenhos animados na TV, além das massagens em sua mãozinha. O sono vem e acabo descendo para o lugar dele que permanece ocupando o meu espaço. É bom?...a resposta é clara: uma delícia, sentir aquele meninozinho carinhoso, quase me derrubando no chão. Para levantar, na madrugada, impelida pelo  xixi da terceira idade (que uns dizem, melhor!) a voz que primeiro me chega é a da lombar. " - Espera, mulher, não dá desse jeito! Se vire de lado, faça alongamento, estique as pernas e levante o bum-bum ( não o do Dr. assassino, mas aquele já gasto, meio caído pelas forças da gravidade) e segure em algum armário mais perto! Vai doer, mas é assim mesmo, depois, vai voltando ao normal...! Outras vozes se alevantam, como a do taxista, que me afirmava, ontem, quando já devolvia meu neto à sua moradia: -" O Lula fez muito pelos pobres, o Fernando Henrique é que começou com a corrupção! a Dilma foi vítima e não soube governar!" Aí, gente, a esperança sai correndo e se joga do último andar de algum prédio com mais de 20 andares...! 

terça-feira, 10 de julho de 2018

Dia sombrio versus dia de sol.

Amanheceu assim, sem sol, nuvens carregadas.O sol nem sonhando aparecer. Detesto. Geralmente, as pessoas gostam de friozinho, chuva, como hoje. Eu, não. Será que a terra em que nascemos influencia esse meu sentimento? Sei não, porque uma das irmãs, que nasceu na mesma região ama o frio. Donde concluo, não é o lugar de nascimento que determina gostar ou não de frio ou calor. Não sou a moça do tempo, da Globo ( tão bela e elegante) por isso, não vou comentar mais das temperaturas...Até porque essas definições são meio chatas. Só sei que, de verdade, adoro calor, tempo alegre, pessoas na rua nos elevadores, reclamando do suor, do desconforto e eu rebatendo: - "Amo o calor!". Hoje, daqui a pouco, devo visitar uma amiga e colega professora, internada há um tempo enorme numa clínica em Santa Rosa. Difícil ver aquela mulher inteligente, falante, alegre num leito de hospital, se recuperando do estrago que o cigarro lhe causou. Mas ela não se dá por vencida, luta bravamente. Tem a família que é maravilhosa, apoio incondicional e carinho suficiente. Ontem, confesso envergonhada( mentira, não tô nem aí) não tomei banho. Dei uma enganada na higiene e me deitei, sem remorso,afinal, quem vai me salvar daquele banho chato, com esse frio danado? Essa, uma das vantagens da vida de solteira. Ninguém pra me cobrar uma camisola sexy e um cheirinho suave de perfume Thaty, o único que não me dá alergia.Não é propaganda para o Boticário mas a constatação de que os outros, adocicados, me dão ânsia de vômito. Da Tailândia, boas notícias.Os heróis  salvadores, dignos de aplausos, salvaram os meninos, presos na caverna inundada de forma incrível! Mas o tempo, adivinhem: chuvoso.  Graças a Deus, uma coisa boa para se comemorar. Mas o que me agrada mesmo, voltando a falar do tempo, é quando aquela bola de fogo que mal podemos encarar, dá sinal de que o dia vai ser quente, muito quente, mesmo! Do jeito que eu gosto. Nasci no município dos mais quentes do nosso Estado: Vale do Itabapoana. Diz o meu DNA,em conversa recente,que talvez, isso me tenha feito assim: amante do calor, o único que me convém, já que amantes são mais indicados para as mais jovens, mais meninas, né, gente? Nada contra idosas assanhadas, digamos assim...



domingo, 1 de julho de 2018

Movimento de rotação

Da janela entreaberta, visualizei a figura da lua, fulgurante,enorme,  em tons amarelos, emoldurada por um pálido azul, quando o sol, vaidoso que ele só, briga com ela para mostrar sua força. Mas ela continuava lá, no alto, se destacando, orgulhosa de sua beleza.
   Olhei para aquela imagem linda e pensei em Deus. Era madrugada ainda, acordo algumas vezes para um xixi noturno. Fiquei algum tempo admirando aquela demonstração da Natureza.Agora, o relógio, colocado entre os livros da prateleira, marcava 6 horas e alguns minutos. A Lua se escondia, esbranquiçada por trás do último andar do prédio em frente ao meu. O dia chegava radiante, e eu me preparando para os sofrimentos e também algumas pequenas alegrias da vida. Movimento de rotação: a volta da Terra em torno de seu próprio eixo de oeste para leste. Isso aprendíamos nas aulas de Geografia. Me senti pequena, tão pequena diante do espetáculo que me foi dado ver. Aborrecimentos se postam diante de nós, sem que os consentíssemos. Outro dia, da mesma janela, no meu quarto, avistei um homem em um dos apartamentos de frente. Às vezes, penso na história de cada pessoa que, como aquele vizinho, se apresenta diante de mim. Ele saiu à varanda por alguns minutos, olhou ao redor e voltou para dentro, não fechando a porta completamente. Aí, pensei: - Será bandido ou mocinho? Vemos tantas informações diariamente sobre falcatruas e corrupção que não sabemos mais se devemos confiar em alguém. Triste mundo este, tão belo, tão rico e tão indecifrável. Por que tantas lutas, tantos enfrentamentos, tudo em nome da vaidade, que é a base para denegrir a imagem do homem.Então, duvidei do meu vizinho, sem mesmo conhecê-lo. A tela de proteção ao redor das janelas e varanda indicava                                                                                                                 
haver alguma criança naquele lar, indefesa, dependendo daquele pai que me apareceu tão cedo numa manhã qualquer. Tomara ele esteja classificado entre os mocinhos, antes, tão evidentes, tão perfeitos, diferentes dos bandidos dos faroestes que assistia no único cinema da cidade onde vivi os melhores anos. Seriam melhores? Pelo menos, olhando para trás, vejo que sim. Ilusão e esperança eram substantivos fortes. A vida me esperava à  beira da estrada, por onde caminhei. Queria voltar à época dos movimentos da Terra, de rotação e translação, aprendidos nos livros, nos mapas e aulas de Geografia.