domingo, 1 de julho de 2018

Movimento de rotação

Da janela entreaberta, visualizei a figura da lua, fulgurante,enorme,  em tons amarelos, emoldurada por um pálido azul, quando o sol, vaidoso que ele só, briga com ela para mostrar sua força. Mas ela continuava lá, no alto, se destacando, orgulhosa de sua beleza.
   Olhei para aquela imagem linda e pensei em Deus. Era madrugada ainda, acordo algumas vezes para um xixi noturno. Fiquei algum tempo admirando aquela demonstração da Natureza.Agora, o relógio, colocado entre os livros da prateleira, marcava 6 horas e alguns minutos. A Lua se escondia, esbranquiçada por trás do último andar do prédio em frente ao meu. O dia chegava radiante, e eu me preparando para os sofrimentos e também algumas pequenas alegrias da vida. Movimento de rotação: a volta da Terra em torno de seu próprio eixo de oeste para leste. Isso aprendíamos nas aulas de Geografia. Me senti pequena, tão pequena diante do espetáculo que me foi dado ver. Aborrecimentos se postam diante de nós, sem que os consentíssemos. Outro dia, da mesma janela, no meu quarto, avistei um homem em um dos apartamentos de frente. Às vezes, penso na história de cada pessoa que, como aquele vizinho, se apresenta diante de mim. Ele saiu à varanda por alguns minutos, olhou ao redor e voltou para dentro, não fechando a porta completamente. Aí, pensei: - Será bandido ou mocinho? Vemos tantas informações diariamente sobre falcatruas e corrupção que não sabemos mais se devemos confiar em alguém. Triste mundo este, tão belo, tão rico e tão indecifrável. Por que tantas lutas, tantos enfrentamentos, tudo em nome da vaidade, que é a base para denegrir a imagem do homem.Então, duvidei do meu vizinho, sem mesmo conhecê-lo. A tela de proteção ao redor das janelas e varanda indicava                                                                                                                 
haver alguma criança naquele lar, indefesa, dependendo daquele pai que me apareceu tão cedo numa manhã qualquer. Tomara ele esteja classificado entre os mocinhos, antes, tão evidentes, tão perfeitos, diferentes dos bandidos dos faroestes que assistia no único cinema da cidade onde vivi os melhores anos. Seriam melhores? Pelo menos, olhando para trás, vejo que sim. Ilusão e esperança eram substantivos fortes. A vida me esperava à  beira da estrada, por onde caminhei. Queria voltar à época dos movimentos da Terra, de rotação e translação, aprendidos nos livros, nos mapas e aulas de Geografia.



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