Quando criança, era uma brincadeira divertida. Fazia-se um desenho no chão, dependendo do solo, com uma varinha qualquer que demarcasse os limites. Eram quadradinhos em escada, depois mais outros enfileirados e mais outro até que se chegasse ao espaço circular que chamávamos de céu. É meio parecido com a vida.Vamos pulando, ora com um pé só, ora com os dois, e vamos nos equilibrando da melhor maneira. Vivemos sem saber o prazo de validade, mas queremos um final feliz, contanto que seja bem distante da época em que vivemos. A idade, quando nos aproximamos do fim começa a partir do primeiro choro, ao nascermos. Parece que adivinhando não será o único lamento. Choramos, sim, desde que sejamos ouvidos. Os pais delirantes, naquela euforia do primeiro contato com aquele ser indefeso, tão carente. E não é que continuamos assim pela vida afora? Peraí, pessoal, falo por mim.Sei que há gente mais resoluta, mais forte, mais lutadora, ou mais não sei lá o quê. Mas o fato é que passamos o tempo todo dando pequenos saltos, até atingirmos o céu. Quem não quer? Até os mais descrentes, os ateus que teimam em negar a fé no Deus, aquele ser indecifrável que criou esse Universo gigantesco.Quando avisto uma pequena estrela brilhando, tenho dúvidas de que seja uma estrela ou um satélite lançado ao espaço pelo homem.Esse mesmo que nasce gritando mas que se torna um ás das criações e descobertas. Mas há aqueles que não se tornam nada. Pelo menos são assim analisados pelos vencedores. Estamos vivendo mais que noutros tempos atrás. É evidente. Aprendemos a nos precaver de algumas doenças, há vacinas, muitos estudos, muito avanço na Medicina e muitos anos mais nos foram dados. Quando alguém alcançava a casa dos cem anos, aparecia notícia nos jornais, em revistas em todos os meios de comunicação. Agora, há muita gente centenária, não é novidade. Mas o corpo envelhecido, dá mostras de que não se conseguiu muitas vantagens... Então, quando alguém adoece e a alma abandona o corpo ali pela faixa dos oitenta mais ou menos, acreditamos que ainda era cedo para aquela figura hedionda, que nos causa tanto medo, ter chegado tão precocemente. Será, gente? Ontem,vi uma amiga que se despedira da vida. Abandonara este nosso planeta, tão lindo e jazia naquela caixa de madeira, sem nenhuma expressão. Apenas um corpo esperando para ser afastado, definitivamente, do convívio físico com os parentes, amigos. E aí, nos perguntamos: onde estarão aqueles sonhos, aqueles desejos, aquele sofrimento, aquela alegria ou tristeza que nos acompanham desde que nos tornamos conscientes? É um mistério insondável. É uma resposta inalcançável que nos fazemos diante do jogo da vida, como aquele da amarelinha mas bem diferente que, neste, conseguimos, aos trancos e barrancos alcançar o "céu". E é bom imaginar que, de verdade, segundo os ensinamentos bíblicos encontraremos a paz, viveremos o nirvana, segundo os budistas, ausência total do sofrimento. A felicidade, gotas que recebemos de brinde para suavizar a passagem pela Terra é tão fugaz quanto o joguinho infantil que, no menor descuido, tropeçamos e perdemos a partida. A partida, repetindo a palavra num outro contexto é para nós um momento de dor, quando a certeza de que jamais veremos aquela pessoa,não mais sentiremos o seu abraço, o calor do seu amor isso nos machuca sobremaneira, fazendo-nos pensar que o céu da amarelinha pode estar muito próximo e que, apesar de ser um lugar de prazer, como o recém-nascido, choramos por medo do desconhecido. Mas o jogo continua...vivamos a vida enquanto nos for dado esse privilégio.