Quarto crescente? Sei não. Parece que sim. Deitei-me na varanda, acomodada no pequeno sofá. O céu, de uma beleza incrível. O calor continua desafiando nosso humor. Não gosto de frio mas está além do desejado por mim. Ideal o outono, temperado. Só o nosso "OUTONO" anda meio destemperado, diferente daquele das quatro estações. Estou às vésperas de operar catarata. Eu que amo as cores, aprecio mais que ninguém o por do sol colorido, vibrante, vejo tudo tornar-se esfumaçado. Olhando para o alto, avistei aquela paisagem encantada: a lua clara, começando a se mostrar, emoldurada pelo azul do céu, entremeado de poucas e claras nuvens. Só que a visão do nosso satélite natural estava com um brilho espalhado, digamos assim. Reflexos ao redor da lua crescente, já que parece a letra C maiúscula. Olhei também para o lado oposto. Um edifício mais baixo deixava a imagem do por do sol, ou o que restava dele, com uma mistura de rosa e alaranjado. Lindo de se ver, aquela faixa colorida dividindo espaço com o azul ainda teimando em não ir embora. Horário de verão. São oito horas e a claridade permanece. Quanta beleza! Moro numa cidade linda, praiana. Eu que amo uma praia, não posso aproveitar das delícias de um banho de mar. tão poluído, massacrado pelo homem. O céu, ainda não conseguiram. A tarde, majestosa, me mostrava isso. Acomodei-me melhor para vislumbrar a beleza daquele momento especial. A possibilidade de voltar à visão de antes me anima, apesar da ansiedade que qualquer ida a uma clínica nos provoca. Dizem que é banal, dura poucos minutos para se colocar a lente milagrosa e cara. Se Deus quiser, dará tudo certo e assim, pretendo a cirurgia no lado direito, pois preferi começar pelo olho esquerdo que me parece mais vulnerável. Ficar uma semana sem poder me abaixar e mais alguns incômodos também não vai ser fácil. Poder fazer tarefas, na hora que me dá na telha, só agora, valorizo mais, diante da impossibilidade de que isso aconteça. Perguntei à médica se seria prejudicial, se acaso eu chorasse. Ela alegou que era natural eu perguntar qualquer coisa (meio envergonhada, quando indaguei) já que era leiga, afirmou com delicadeza. Por que eu perguntei tal coisa, alguém há de ficar curioso em saber. Explico .Costumo conversar com Jesus, todas as manhãs; acho que ele me ouve porque sempre me envia muitos passarinhos para me acalentar. São anjos, com certeza. E choro também. É uma forma de aliviar as tensões. Fico bem melhor depois, já comentei isso. Outro dia, vi, pelo Facebook, uma imagem linda de um menininho dizendo, em oração: " Deus, se você não me atender vou contar pra Sua Mãe!"Coisa pura, de uma criança, em sua linguagem espontânea e direta. Creio firmemente, que Nossa Senhora é intercessora junto ao Nosso Pai, por isso, roga a Ela que peça a Jesus me devolver a alegria de ver melhor. E já agradeço: obrigada, Senhor!
sexta-feira, 11 de janeiro de 2019
sábado, 5 de janeiro de 2019
Escovando os dentes e a vida.
Olhei para o espelho, enquanto brigava contra as cáries e tártaros: escovava os dentes. De repente, me lembrei da época em que comecei a estudar no Grupo Escolar Pereira Passos. Um dia, ganhei um tubo de pasta de dentes, eu e todos os alunos, acredito. Era amarelo com letras verdes com a marca Kolynos. Não é propaganda, apenas me recordei nitidamente.Voltei pra casa encantada. Parece foi ontem, revivendo o carinho com que guardei na pasta escolar tão precioso presente.
Na idade provecta ( ainda se usa esse termo?)em que me encontro, é muito bom ainda conservar quase todos os dentes. Naquela época, que já vai longe, não havia tantas informações como as das crianças de hoje. Meu pai teve um amigo, me lembro do nome, Temildo que me elogiou, quando sorri para ele, eu acompanhava meu pai, no Aero Clube, ainda menina, nos meus doze ou treze anos, sei lá. Ele disse que meu sorriso era bonito. Acreditei. Acho que não mentiu; apesar de não ter uma dentição perfeita, como os que usaram aparelhos para alinhar os dentes. O fato é que, às vezes, me vem essas lembranças inexplicáveis. Aí, outros pensamentos acabam povoando essa maquininha que não para. Revivi os tempos da quarta série primária, quando via a professora, muito brava, dando com uma régua na cabeça dos meninos mais levados da turma. Era normal. Ninguém se feria de verdade.Eles até mereciam. As escadas eram muitas até atingirmos a sala de aula. Antes, em fila, cantávamos o Hino Nacional e o da Bandeira. Houve também o dia da vacinação ( catapora ou varíola, sei não) e eu e a grande amiga e colega de colégio, Sara Celeste, corríamos para os últimos bancos até que o funcionário da Saúde nos alcançasse. E depois, a casquinha no braço, que desaparecia logo. "Que saudades da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais"...plagiando o poeta. Agora, me vem essas lembranças, tiradas do fundo do baú, sei lá porque...Relembrei o amor infantil por aquele menino lindo, de calças curtas ainda, é claro! O nome dele era Wilson. Como era bonito e como levava reguadas da professora Nilce... Nunca ninguém ficou sabendo da minha paixonite pelo garoto. Já posso contar, gente, afinal o tempo passou e é tão bom poder relembrar essas coisas tão bonitas, tão puras, que me fizeram tão bem...!
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