domingo, 23 de novembro de 2014

Pernilongo e a vida

Ontem, à noite, um mosquitinho chato achou de me dar parabéns. Veio, me beijou as pernas, mordeu ( esse é do tipo erótico, tinha que morder?), saiu de fino e levou um tapa daqueles...sangue na poltrona pequena, lavei as mãos, limpei a cadeira e pensei que iria dormir. Não. O nariz, por causa da gripe safada, incomodava ainda; um pequeno jato com o remedinho e desobstruído. Mas alguma coisa ainda mal resolvida. Cadê o sono? Gosto de calor, o frio me deixa alérgica e triste. Mas precisava ser tanto? Uns vizinhos, do edifício em frente ao meu, demonstravam sua alegria e trocavam fofocas às duas da manhã. E não é que apareceu o irmãozinho do pernilongo querendo vingança... Zunia e dava rasantes. Acendi a luz da cabeceira e tentei "caçá-lo". Luta inglória. Levantei-me, de novo, ouvindo o som dos amigos vizinhos que teimavam em colocar o papo em dia, naquela madrugada. Resolvi tomar água, afinal é bom hidratar, principalmente, para afastar a gripe. Quem me disse isso? Sei, não. Peguei a revista, aquela que os governantes detestam... Reli o artigo do cronista famoso. E nada. O sono fazendo greve, como se fosse do movimento dos sindicatos petistas. Essa, não! Costumo dormir bem. Vendo novelas, durante os programas que espero o dia inteiro, com as músicas e cantores fabulosos, cochilo na sala; não tenho insônia. Talvez as comemorações do meu aniversário ( todas quase pela Internet) me tenham deixado inquieta, comovida. Só pode ser. As amigas e amigos, primos, primas, irmãos e irmãs ( de sangue e de coração) me agitaram. Mexeram com a minha sensibilidade, por isso, apesar de atrapalharem o sono, só preciso agradecer e agradecer muito. Amor nunca é demais. Ah, em tempo: o pernilongo se evadiu, acho que cansou de procurar um pedacinho descoberto do meu corpo para dar uma mordida, ou, quem sabe, passei gripe para o danado e ele perdeu o olfato? Bem feito pra ele!

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Tico e Teco de férias...

Vontade de escrever tenho sempre. Ultimamente, há uma grande  dificuldade, ainda que seja o meu desejo, começar uma crônica. As revistas ou jornais que tem seus cronistas de plantão, fico imaginando se eu fosse um deles, com a obrigação semanal, diária, sei lá... Como resolveria essa questão? Estou numa fase em que nada flui. Talvez o desencanto esteja se instalando em mim. As grandes farsas armadas pelo atual governo, a falta de honestidade e tudo de podre "no reino da Dinamarca" me levam a adotar um comportamento de apatia. Claro, não é proposital. Gostaria, sim, de colocar ideias, observações, sentimentos e tudo que a vida nos instiga a fazer, dentro de algumas linhas escritas. Gostaria de deixar um poema ( que não sei fazer) ou uma história inventada,  quando olho para alguém na rua, no ônibus ou até  quando visualizo os vizinhos apartamentos, seus moradores e penso sobre a vida de cada um deles. É bom imaginar uma história para a moça loura, ou o rapaz moreno e gordo, o idoso, a moça que varre a varanda. Gosto de fazer isto. É um costume que se tornou um prazer imenso. Do nada, me brotam ideias, fico divagando e formando frases. Agora, devo confessar, perdi a mão. Sei lá...parece que com a proximidade do Natal, de tantas comemorações, da alegria " obrigatória" tudo fica meio inútil. Os neurônios, Tico e Teco, como costuma nomeá-los,  brincando, o nosso professor de ginástica, parecem exaustos. Ou sem vontade. Vou dar férias para eles. Até que, um dia, tudo volte ao normal, as pessoas passem a se tratar com respeito, com amor e que ser decente seja natural, um adjetivo colocado na mente das pessoas como obrigação de ser e não uma qualidade rara. Os homens precisam se salvar, antes que seja tarde.

domingo, 2 de novembro de 2014

A CORAGEM DE SER.

Ontem, posso dizer, assisti a um espetáculo grandioso. Muitos achariam cafona, risível...Sei disso. Mas volto a me orgulhar de pertencer a um grupo que leva a vida a sério. Pensam que falo de politica. Poderia ser. Mas, não. Agora, falo de pessoas que apenas querem viver com mais alegria e saúde. Há um projeto nesta cidade, digno de louvor. Nada a ver com política, gente, volto a dizer. Alguns podem até se aproveitar para esse fim político, nada é perfeito. Mas a ideia é genial. Em principio, o grupo, pelo menos a grande maioria é de velhos ( terceira idade, nada, detesto essa nomenclatura). Há entretanto muita gente que frequenta e que não atingiu o  meio século, digamos assim. Falo do Projeto Gugu. A princípio, quando um médico me sugeriu que procurasse esse tipo de ajuda, achei, preconceituosamente que seria um "saco". Mas fui, até por curiosidade. Constatei, depois das primeiras aulas de ginástica, a importância do dito projeto. Nunca mais deixei de ir. Funciona de segunda a sexta, em praças, praia, Campo São Bento, em todos os bairros da cidade há um grupo desses, com excelentes professores de educação física, onde também se toca música, desde as do rei Roberto até as de Anita. E velhinhas e velhinhos não só acompanham como participam com a maior alegria. Além de se fazer amizades, o que é fundamental. Mas paro de falar da beleza e importância do projeto para dizer um pouco do que presenciei ontem. Todo ano, se escolhe a  "musa" que vai representar cada grupo. A idade obrigatória é de 65 pra cima. Menos que isso, é considerada muito jovem. Não riam. Então, eu dizia, fui ao Clube Regatas, onde se daria o evento, com direito a desfile das representantes. Muita gente. Quando cheguei, nem havia mais lugar para me sentar. O calor gritando. As pessoas se acotovelando. Programa de índio, pensaram,né? E era meio assim. Mas insisti, afinal queria ver a nossa musa eleita, aquela senhorinha que representaria o grupo do Largo do Marrão. Cada uma que começava a caminhada pela passarela dizia seu nome, idade. "- Solteira, casada ou viúva?" Interrogava o próprio Gugu, já chegando aos seus noventa anos. Ereto, bem humorado, perguntava também há quando tempo e se havia algum beneficio em frequentar o grupo. Entediante? Não! pelo amor de Deus, não! Uma delas, nos seus 89 anos, dançava e acenava para a plateia que delirava. Exemplo de vida. Eu aplaudia entusiasmada. Cada concorrente escolhia sua música predileta e dançava e desfilava com roupas de baile, bem arrumadas, maquiadas. Escolhiam bolerões  ou valsas? Não! De New York New York, pra cima! Samba das escolas de Carnaval, as de Anita ( como já disse) do Roberto também. E foi a prova viva da luta pela alegria, pela saúde. Até porque, velhas, sim, mas jovens de alma, com a cabeça erguida, lutando por um final feliz!