domingo, 2 de novembro de 2014

A CORAGEM DE SER.

Ontem, posso dizer, assisti a um espetáculo grandioso. Muitos achariam cafona, risível...Sei disso. Mas volto a me orgulhar de pertencer a um grupo que leva a vida a sério. Pensam que falo de politica. Poderia ser. Mas, não. Agora, falo de pessoas que apenas querem viver com mais alegria e saúde. Há um projeto nesta cidade, digno de louvor. Nada a ver com política, gente, volto a dizer. Alguns podem até se aproveitar para esse fim político, nada é perfeito. Mas a ideia é genial. Em principio, o grupo, pelo menos a grande maioria é de velhos ( terceira idade, nada, detesto essa nomenclatura). Há entretanto muita gente que frequenta e que não atingiu o  meio século, digamos assim. Falo do Projeto Gugu. A princípio, quando um médico me sugeriu que procurasse esse tipo de ajuda, achei, preconceituosamente que seria um "saco". Mas fui, até por curiosidade. Constatei, depois das primeiras aulas de ginástica, a importância do dito projeto. Nunca mais deixei de ir. Funciona de segunda a sexta, em praças, praia, Campo São Bento, em todos os bairros da cidade há um grupo desses, com excelentes professores de educação física, onde também se toca música, desde as do rei Roberto até as de Anita. E velhinhas e velhinhos não só acompanham como participam com a maior alegria. Além de se fazer amizades, o que é fundamental. Mas paro de falar da beleza e importância do projeto para dizer um pouco do que presenciei ontem. Todo ano, se escolhe a  "musa" que vai representar cada grupo. A idade obrigatória é de 65 pra cima. Menos que isso, é considerada muito jovem. Não riam. Então, eu dizia, fui ao Clube Regatas, onde se daria o evento, com direito a desfile das representantes. Muita gente. Quando cheguei, nem havia mais lugar para me sentar. O calor gritando. As pessoas se acotovelando. Programa de índio, pensaram,né? E era meio assim. Mas insisti, afinal queria ver a nossa musa eleita, aquela senhorinha que representaria o grupo do Largo do Marrão. Cada uma que começava a caminhada pela passarela dizia seu nome, idade. "- Solteira, casada ou viúva?" Interrogava o próprio Gugu, já chegando aos seus noventa anos. Ereto, bem humorado, perguntava também há quando tempo e se havia algum beneficio em frequentar o grupo. Entediante? Não! pelo amor de Deus, não! Uma delas, nos seus 89 anos, dançava e acenava para a plateia que delirava. Exemplo de vida. Eu aplaudia entusiasmada. Cada concorrente escolhia sua música predileta e dançava e desfilava com roupas de baile, bem arrumadas, maquiadas. Escolhiam bolerões  ou valsas? Não! De New York New York, pra cima! Samba das escolas de Carnaval, as de Anita ( como já disse) do Roberto também. E foi a prova viva da luta pela alegria, pela saúde. Até porque, velhas, sim, mas jovens de alma, com a cabeça erguida, lutando por um final feliz!

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