terça-feira, 29 de setembro de 2015
Pelos mesmos caminhos.
Somos cinco irmãos. Apenas um é do sexo masculino; além de ter sido o último a nascer, recebeu o nome de Francisco. Há muitos Franciscos em nossa família. É um bonito nome. Era o do avô paterno, de um tio, de dois primos. Minhas irmãs também tem nomes bonitos. O meu, não gosto muito. Ia me chamar Cecília, já que nasci no dia da Santa, vinte e dois de novembro. Mas foi trocado a pedido de minha madrinha. Deixa estar. Não gosto mesmo, mas era tão sem noção nessa ocasião,que não dei nenhum suspiro, nem gritei na pia batismal, normal, não podia mesmo retrucar,a não ser que eu fosse superdotada, com poderes mágicos. Amanhã é aniversário da irmã mais velha; essa já veio dando trabalho na hora do parto, já que de cócoras, dificultando muito a hora da chegada.Foi a única que nasceu na cidade, em Niterói. Todos os outros, eu inclusive, nascemos em uma fazenda. Mas o que quero dizer é que, apesar de termos "habitado" durante nove meses o mesmo útero materno, somos criaturas totalmente diversas. Eu, fui a terceira locatária desse cantinho privilegiado. Gostei tanto de estar ali que me acomodei e acho que é por isso sou tão caseira.Não sou afeita a mudanças e gosto de estar no meu canto, sempre que possível. Nem imaginava o quão árduos seriam os caminhos da nova morada. É engraçado, comecei falando dos partos mas o que queria mesmo era falar das irmãs e do irmão único," bendito fruto entre as mulheres ".Queria mesmo falar é do amor imenso que tenho por eles. Falar de como é possível amarmos com a mesma intensidade pessoas tão diferentes. O mesmo pai, a mesma mãe. E aí, conseguem gerar personalidades totalmente díspares.Cada um com suas nuances, suas mazelas, suas características. Como é possível? Seria mais lógico, todos fossem cópias uns dos outros. Sei da história dos espermatozóides, que numa corrida desabalada, se juntam aos óvulos e fecundados então,produzem seres; sei de tudo isso, mas a vida é muito mais misteriosa do que qualquer explicação científica.Mas continuo me alongando e não falo do que realmente quero: meu desejo é falar da incrível capacidade que temos de sentir amor, do mesmo modo, com a mesma intensidade, apesar das brigas, divergências, ( algumas vezes até alguns de nós tem um certo ciúme, verdadeira pinimba , inveja) mas com todas essas manifestações tenho entranhado, no mais profundo do meu íntimo, um amor verdadeiro pelo irmão ou irmã, não importando nada do que foi citado na frase entre parênteses). Comigo, pelo menos, acontece assim. Não importam as mágoas, ou decepções. Amanhã, repito, é aniversário da irmã mais velha. De certa forma ela é meio um ídolo para os mais novos que a vêem como exemplo, até porque chegou primeiro e aprendeu a caminhar pelas trilhas difíceis dos primeiros anos ( dos últimos também). Quero que essa minha irmã seja muito feliz, ainda que trilhando sendas profundas, às vezes árduas, como são os caminhos da vida.Quero que ela continue a nos mostrar a sua garra, a sua alegria de viver. Tenho plena convicção do meu amor pelos quatro irmãos que ganhei. Hoje, falo da mais velha, daquela que sabia contar tantas histórias bonitas, que tão bem fantasiava nossos sonhos e que nos abriu novos caminhos, aquela que saiu do mesmo cantinho, que se abrigou no mesmo útero mas, como disse antes, tão diferente de cada um. A aparência nos denuncia. Somo parecidas fisicamente. Mas é só. E vai um recado para essa irmã querida: parabéns pelo seu aniversário, que Deus a proteja sempre e , não se esqueça: amo voce!
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
SEM PECADO E...SEM JUÍZO.
Existe uma música, acho que Baby Consuelo canta,tem essa frase ;"...Sem pecado e sem juízo... no paraíso..." Ontem, fui à missa das 6 horas, na Porciúncula. Fazia muitos anos não recebia a comunhão. Faltava coragem de me confessar.Uns não aceitam se desnudar e falar das suas faltas, pecados diante de um padre. Eu, ao contrário, não me sentia confortável, recebendo a hóstia, sem uma confissão. O padre é um homem, sim, como qualquer outro, mas representa Jesus. Disso não abro mão. Eu queria mandar um recado a Ele pedindo que me desse a graça de me comungar. Há anos, vinha olhando a hóstia, o corpo de Jesus, com um olhar pedinte, como cachorro de rua. Não tenho vergonha de dizer. Muitos me diziam ser uma bobagem, que eu devia, sim, me comungar. Eu não consegui durante muitos anos. Ficava me sentindo burlando a própria consciência, se o fizesse, e assim passei tanto tempo sem a graça de receber Jesus. Então, recapitulando, ontem fui á missa das seis. De repente, me levantei e me encaminhei até a capela, onde se encontra um padre, sempre meia hora antes da missa para receber as pessoas e ouvir seus pecados, lhes concedendo o perdão, instituído por Deus. Foi fácil; assim que a porta se abriu, vi uma moça, jovem ainda, saindo. A porta se abriu um tanto mais e avistei o padre, um senhor bem velhinho que parecia sair também. Adiantei-me, e lhe pedi a benção. Acho que Jesus me olhava. As palavras fluíam, como se eu falasse de fato com Jesus. Ele me ouviu e me perdoou. Saí dali, com a alma lavada. Sentia-me, de novo, fazendo parte das ovelhas de Deus, não mais aquela desgarrada, rejeitada. Como fiquei feliz naquele momento. Chorei, num misto de alívio e felicidade. Sentir a pequena fatia branca de pão, no céu da boca, me deu uma graça maior do que eu merecia. Ajoelhada, rezei o Pai Nosso e uma Ave Maria, como penitência sugerida pelo padre...Agora, sem pecado mas com juízo.
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Coração sossegado - ajuda divina.
E aí, estava eu digitando um novo texto e num piscar de olhos ou numa clicada falsa, desapareceu tudo na telinha. Não é de hoje, acontece isso, uma tremenda mancada, um clicar na tecla errada e pronto, lá se vai um texto que não era para sumir, assim, como assombração. Cruzes, gente, nunca vi nenhuma delas, mas tenho um medo danado. Ao mesmo tempo, gostaria de presenciar alguma coisa sobrenatural pra ter mais certeza de que há outras esferas, outros lugares e principalmente, o céu, essa promessa de Cristo que nos dá alento, quando por aqui as coisas não vão bem. Imaginar um lugar onde se possa viver feliz para sempre, como nos livrinhos de histórias infantis, é mais do que bom, é ótimo.Ontem, eu ia buscar meu neto e meu filho mais velho, que é prestativo, solidário e sempre se oferece para pegar o sobrinho na escola; então eu ouvia dele uns "casos estranhos". Ele me contava que nossa tia que morava em Petrópolis, dizia ouvir "coisas".Algumas batidas na janela, barulhos no quarto da filha morta, e sempre à noite. Não era mulher de inventar histórias macabras. Lia muito e vivia sozinha. A faxineira vinha pra ajudar nos serviços da casa e ia embora. Então ela, na maioria das vezes, estava sozinha. E meu filho afirmava que a tia não era de imaginar coisas e não costumava mentir. Isso, um fato. Hoje, eu ouvia no radio, o padre dizendo que há, sim, anjos, Comecei a pensar em pessoas que aparecem às vezes, e nos ajudam, nos protegem e dão força. Uma vez, não faz muito tempo, esse filho me ligou aflito: estava sobre o viaduto, perto das saídas que dão à Ponte, com o pneu furado. Era tarde, muito. Fiquei desesperada, Ele não tem nenhuma habilidade para trocar um pneu. Assustei-me só de pensar nele, sozinho, sem socorro. O pai e o irmão que moram distante, na região Oceânica, não manifestaram vontade de socorrê-lo. Desesperada, só de pensar no filho naquela situação apelei para o serviço de táxi; iria buscá-lo. Quando o carro chegou, perguntei ao jovem taxista se poderia ir até meu filho e expliquei o que acontecia.Ele prontamente:" eu troco o pneu pra ele", O nome do rapaz era Rafael. Não é mesmo o nome de um anjo?! E lá fomos nós. Pensar que há pessoas como o anjo, que me apareceu num momento difícil, me faz acreditar nas palavras do padre: "há anjos, sim, e eles andam por aí" nós é que não percebemos. ..Logo, logo ele localizou o carro parado e meu filho. O anjo Rafael não só trocou o pneu furado como veio acompanhando-o, por precaução. Atravessamos a ponte e chegamos sãos e salvos de qualquer perigo.
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
A mulher que vendia livros.
Não faz muito tempo, li um livro muito bom: "A menina que roubava livros" que se transformou num filme também. Gostei imensamente, quando li aquele livro. Hoje, me inspirei no título que o autor escolheu para sua história e dei um título semelhante. Só o título, porque a história é bem diferente, claro. Sou uma pretensa escritora que vem se arvorando nesse ofício - escrever. Gente do céu, como gosto disso! Como me dá enorme prazer, ver as letrinhas se juntando, formando palavras, frases e a escolha de sinônimos e verbos atraentes, que venham iluminar qualquer texto. Parece vício até. Quando resolvi encarar o desafio de "fabricar" um livro, confesso que não esperava obter grande retorno; achei que alguns amigos iriam me prestigiar. O que aconteceu. Só que tomou vulto bem maior do que o esperado. Consegui vender muitos livros. É claro que sobraram alguns. Pra dizer a verdade só encomendei cem volumes; era o que podia dispor sem me desgastar financeiramente. Cada vez que vendo um exemplar, fico meio tímida. Acho esquisito lidar com essa transação - cobrar de amigos o que eu, de fato, gostaria de doar, como presente. Ao mesmo tempo em que observo o"barco afundando", quando a economia do nosso Brasil vai se esgarçando, como pano velho, consegui reaver quase o total do que gastei para realizar esse sonho bom: meu primeiro livro, tão bem aceito, tão bem recebido e muitas vezes elogiado. Daqui a um tempo, espero prosseguir nessa tarefa de fabricar outros. Quero muito aproveitar o tempo que me resta, escrevendo. E quem sabe, ser apontada como aquela corajosa mulher que se jogou, confiante, independente da idade, e colocou algumas ideias, ou mesmo histórias nas prateleiras das livrarias...!
Amigas, distância, saudades.
Ontem, quando recebi a mensagem no celular, não reconheci o número, até porque a dificuldade de enxergar os dígitos tão minúsculos é um fato. Depois, fui informada por minha filha que atendera a ligação; uma amiga que não vejo há tempos, dizia da saudade e pedia que eu ligasse. Só hoje, posso atender ao chamado, ainda não o fiz, para bem da verdade.Não há pressa. Havia ainda um outro convite para almoçar na casa de outra amiga e conterrânea. Ontem, tive um dia cheio de horários. Nem abri o computador. Perdi a oportunidade de estar com as ditas amigas de longa data e que se encontravam ali, naquele almoço que perdi. Uma pena. Além dos afazeres de sempre ( chatos, como arrumar a casa e cozinhar) precisei ir ao mercado, pegar meu neto na escola e ainda fui visitar a neta de minha irmã que resolveu "dar as caras," neste mundo conturbado e cheio de incertezas. Corri para comprar uma lembrancinha e escolhi um bonito vestidinho de malha rosa e branco, além da calcinha onde se podia ler; " a primeira calcinha nunca se esquece". Suponho que só usará quando abdicar das fraldas... Entretanto, percebemos que a distância, os diferentes rumos que tomamos, são empecilho para maior convivência com pessoas que já foram tão próximas, tão amigas, tão íntimas. Antes, os assuntos eram tão outros. Hoje, nos preocupamos com o futuro do país ( que parece tão sombrio) e até nos arriscamos em analisar a economia que anda com pernas bambas e ameaçada por tanta corrupção. Sinto saudades, sim, não só das amigas mas das conversas descontraídas, à beira da calçada e na mureta do meu edifício. Os risinhos, as brincadeiras, a descontração eram a tônica dos papos de adolescentes. Normal.Os namoros e paixonites da época ocupavam todos os nossos assuntos daqueles encontros memoráveis. Hoje, a amiga que me deixou recado, deve estar se ocupando de corridas aos bancos, papelada, dívidas, essas coisas que nos tornam inevitavelmente, maduros, adultos, enfim. Como será diferente o possível encontro com as mesmas pessoas do tempo que se foi, que não volta e que nos traz tantas saudades...!
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Recompensada.
Fiquei surpresa diante do resultado do meu livro. Sempre temos a expectativa de algo bom, claro, quando nos arriscamos fazendo alguma coisa fora dos padrões a que estamos acostumados. Não tinha ideia de que teria um retorno tão prazeroso, surpreendente mesmo. Não falo do aspecto financeiro, pois gastei alguns "tostões" para editar o meu primeiro livro. Falo, primeiro, sim. Pretendo ser ousada o suficiente para fabricar mais um e quem sabe,mais outros?! O que me deu maior satisfação entretanto,foram os comentários de quem o leu.Não imaginei que teria um retorno tão favorável ( agora falo de dinheiro,sim) porque vendi muitos exemplares e ainda há quem queira alguns.É lógico, receber por um trabalho feito é muito bom, sim. Não há como negar. Mas a alegria me invade mesmo é quando ouço elogios e mais que isso, comentários de trechos em que pessoas se identificaram e se mostraram, de fato, entusiasmadas com minha forma de escrever. Ontem, um dos primos queridos recebeu o livro e me telefonou, encantado, chegando a me comparar com um grande autor. Fiquei pra lá de feliz, até porque sei que ele é alguém que costuma ler muito e é familiarizado com bons autores. Tenho muitos textos, crônicas ( é o que tenho feito mais) que dariam mais dois livros. Até comecei um romance, que acho difícil terminar. Pretendo investir mais no que faço agora: escrever. Olho para trás e vejo quanto tempo perdido. Poderia ter aprendido muito mais. Mas as coisas acontecem na medida em que somos capazes de, inconformados por alguma situação, encorajados a nos reinventar. É meio assim que me sinto. Preciso continuar nesta seara que tem me trazido tanto gosto, que tem me levado a reagir, diante das peripécias da vida. Disse sobre um romance começado e que não é tão simples, como escrever as crônicas de que gosto tanto. Estas, acontecem, simplesmente, sem muito esforço. Mas vejo, como verdadeiro desafio, o desenrolar da estória que comecei. Os personagens que criei precisam ter vida, personalidade e se apresentarem interessantes para que possam prender o leitor. Não vou desistir tão fácil assim. Ousadia não me faltou, disseram alguns que compraram meu livro. Desnudei-me, de certa forma, escancarei muitas verdades que estavam guardadas bem fundo. Quero me dedicar a essa nova tarefa. Quero acreditar que serei capaz. Quero, da próxima vez, convidá-los para o lançamento de mais uma obra: que venha o meu romance; terei criatividade para tanto? Não sei. Mas vou arriscar novamente.
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