domingo, 20 de novembro de 2022

          A vida que passa.                                                                                           

Tudo tão efêmero. Quando percebi, as rugas se apossaram do meu rosto que, antes gostava de ver, naqueles espelhos da penteadeira. No quarto de dormir, abriguei meus sonhos. Se diluíram no tempo (esse senhor impiedoso e apressado) tantos eram. Mas olho pra trás com saudades. Muitas. Por que não descobri a tempo? Falo desse ogro de novo. Mas a culpa não encontra pousada. Está procurando abrigo sem sucesso. Vou perdoar o tempo? Achei! Talvez, tenha a resposta: inocência, o termo mais apropriado. Ou não?  Hoje, o ponto de interrogação está abusado. O fato é que a vida tem prazo de validade. A prateleira da minha estória não esconde os anos. Penso na menina-moça que fui um dia. Depois, vem a figura da mulher e, de repente, da mãe. Essa última que, aos trancos e barrancos, sentiu a alegria, a dor e preocupação, se misturando na mesma embalagem. Perdi alguma coisa do filme que produzi, neste momento de inquietude? Não sei.