quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

As quatro estações da vida.

Primavera, quando acordamos para a vida, literalmente,  os bebês, olhos se abrindo para   o mundo, aprendendo, descobrindo coisas, a beleza dos sentidos. O perfume das flores, os cheiros, do leite materno, da primeira sopinha, do feijão com arroz, o gosto da manteiga no pão, da fruta arrancada do pé. E o medo que já vem no DNA, este que também nos assombra à noite, medo do escuro. Ou medo da ausência materna, solidão. A delícia de conviver com os primeiros amigos, colegas da escola, dos primos (estes dariam um capítulo à parte).E seguimos. Verão, tempo quente, hormônios em ebulição, novas descobertas, adolescência prazerosa e de insegurança paradoxalmente. Amores camuflados, amores não correspondidos, escondidos, bandidos. Tudo mesclado com a alegria da percepção do corpo, bonito, pele lisa, olhos brilhantes, coração em brasas. Há exceções. A vida é repleta delas. Mas não quero exceções. Quero falar da vida borbulhante, dos amores para sempre, das ilusões, do sofrimento de se perder o "amor da minha vida" que não é tão para sempre assim... Realizações, frustrações, tudo muito intenso. A idade das grandes paixões, das escolhas das profissões, ou o desafio de enfrentar o mundo de peito aberto, num "deixa a vida me levar" e ver o que vai dar. Casamento, união, hoje, tão mais liberal, homossexual, heterossexual;  apenas afetiva, não importa mais. De repente, não mais que de repente, o Outono. Clima ameno, nem quente nem frio. Ah! esse,sim! Achamos ter atingido a maturidade. A idade da razão, de todas as certezas, de experiência plena. Para as mulheres, a menopausa. Época de ver a beleza se esvaindo com a inexorabilidade do tempo, para os homens, insegurança, a virilidade sendo posta à prova. E finalmente, o Inverno que vem arrastando as esperanças, visualizando um tempo de despedidas. Um tempo em que os planos já foram seguidos e feitos ou se decepcionou com o que se esperava e não se obteve. Antes, quando alguém atingia  centenário de vida, saia em jornais, como fenômeno, raridade. Já celebramos a longevidade nos dias atuais. A medicina previne doenças, alcançou níveis de conhecimento que podem conservar por muitos anos mais uma pessoa dita na "melhor idade". Aposentadoria. Palavra assustadora para muitos. O que fazer? A vida não deve e não pode perder a graça. Sentir-se inútil não faz bem. Amanhecer se torna um ato de rebeldia. Os carpo, metacarpo e dedos, tarso, metatarsos  já não são tão obedientes. Correr para o banheiro não é tarefa das mais fáceis, controlar a bexiga cheia, mesmo que a distância seja pequena, é obra pra super-herói. As amigas de última geração costumam aparecer, sem convite, sem avisar que vem:  dor na coluna, incontinência ( êta palavrinha chata!) além da osteoporose, osteopenia, e ficamos amigos íntimos dos médicos. O doutor cardiologista, o ortopedista, o oftalmologista. E, os psicólogos, psiquiatras, quando bate a amiga mais mortal de todas- a depressão. Aprendemos um linguajar médico de primeira. Não quero desanimar ninguém, não. Mas, seguramente,  é o passo a passo para a eterna alegria ou para os que não creem em nada. Para o  eterno descanso... Durmam com esse barulho e acordem celebrando o sol a brilhar na imensidão, mesmo que esteja chovendo, gente!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A laranja mecânica.

Quando vi esse filme, havia algumas boas salas de cinema em Niterói." Laranja mecânica" tinha cenas em que uma bolinha preta cobria uns "particulares" dos atores e era um verdadeiro terremoto a natureza da história, violento, instigante e forte. Foi impactante o lançamento da película. Não vou dizer mais sobre o filme. O que realmente, me levou a lembrar daquele tempo, foi o fechamento de todas as telas, cinemas famosos, onde vivi boa parte do encantamento que me levava a assistir a um bom filme. O fato de terem reformado e reaberto o Centro de Artes da UFF me deixou animada. Além de ter valido a pena a espera. Demorou. Ficava eu olhando os tapumes e esperando ansiosa para o término da obra que durou alguns anos. Valeu a pena, volto a dizer. As salas de cinema sumiram do mapa. Foram todas transferidas para os grandes Shoppings, onde o festival de pipocas, refrigerantes, celulares piscando ( alguns, mais desrespeitosos, fazendo um barulho indevido) filas enormes na entrada e tudo o mais que causa transtorno ao invés de prazer. Havia um ritual para se escolher  um cinema, para admirar nossos artistas preferidos. Nos dias atuais, o que se vê é um verdadeiro parque de diversões, com direito a lanche, não mais o interesse verdadeiro em apreciar a sétima arte. Há ainda algumas salas onde a platéia escolhe bons temas, com artistas que representam seu verdadeiro talento. É preciso atravessar a baía. No Rio, há boas salas com um auditório seleto, onde se respeita o ouvido do outro. Como no teatro, acho que o cinema é um lugar para se apreciar a interpretação dos atores, há que se ter respeito pelo silêncio, necessário para a concentração, para que se possa ver e ouvir claramente o que se é apresentado nas telas. Já verifiquei de perto, pois assisti a um filme numa das salas do Centro de Artes, além de uma peça teatral, na sala ao lado. Maravilha, tudo novo, espaço suficiente para acomodar as pernas, sem se sentir espremida, som perfeito, e o melhor: pessoas civilizadas à procura de verdadeira diversão, respeitando o limite do outro.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Criança é criança.

Aí, chegamos ao mercado meu neto e eu. Tudo bem que complica um pouco fazer compras com uma criança. Então resolvi que, se ele me ajudasse ficaria ocupado e se distrairia ao mesmo tempo. Na mosca. Ele ajudou e muito. Pedi que separasse três limões para colocar no peixe que faria para ele. Eu com as mãos cheias ficava difícil. Quando me voltei pra ver se ele pegara os limões...ele pegou mas não exatamente limões. Eram laranjas. Tudo bem, afinal tudo com vitamina C e da mesma família. E ele continuava com a ajuda. Levou as duas beterrabas para o "moço" pesar. Depois os ditos limões. "Você de novo, rapaz?" Disse o atendente brincando com ele. Até que, depois de muitas idas e vindas chegamos ao caixa para pagar. E aí, se deu o grande encontro. Uma menina linda, toda vestida de rosa, fita no cabelo da mesma cor, gritou o seu nome. Meu neto quase se enfiou embaixo das cestas. Pegou um folheto ilustrativo no carro de compras e cobriu o rosto, parecendo ler os preços das ofertas que, de baratas não tinham nada. A amiga e colega de turma sorria pra ele, acompanhada do avô. Eu avisei que ele estava meio tímido, envergonhado. E ela, prontamente: " Mas na escola ele não é assim...!" Rimos todos. A menina saiu com o avô. Avistamos o carro deles estacionado em frente ao mercado e o vistoso vestidinho rosa. Olha, sua amiga está indo, dê um adeus pra ela...Disse eu para meu neto. Ele se aventurou em olhar e viu a menina bonita entrando no carro. Paguei o que devia e separei pouca coisa para levar pra casa, pouco peso, o restante seria entregue por uma taxa obscena, já que moro tão perto. Enfim... Saímos e de repente, na calçada, vi a garotinha em prantos, na porta do veículo do avô. Nos aproximamos depressa, outra mulher com um cachorrinho, tentava acalmar a menina." Onde está sua mãe?" perguntava. Eu falava com ela pra não se preocupar, o vovô já devia estar chegando. E estava. Logo ele veio. A menina, antes corajosa e brincalhona, agora, se via perdida, abandonada , apenas alguns segundos sem a presença do avô. E pensei que, não importa a situação, criança é criança, e toda a beleza dessa época reside aí. A pureza é a tônica, pena que, às vezes, acompanhada de grande insegurança.

domingo, 23 de novembro de 2014

Pernilongo e a vida

Ontem, à noite, um mosquitinho chato achou de me dar parabéns. Veio, me beijou as pernas, mordeu ( esse é do tipo erótico, tinha que morder?), saiu de fino e levou um tapa daqueles...sangue na poltrona pequena, lavei as mãos, limpei a cadeira e pensei que iria dormir. Não. O nariz, por causa da gripe safada, incomodava ainda; um pequeno jato com o remedinho e desobstruído. Mas alguma coisa ainda mal resolvida. Cadê o sono? Gosto de calor, o frio me deixa alérgica e triste. Mas precisava ser tanto? Uns vizinhos, do edifício em frente ao meu, demonstravam sua alegria e trocavam fofocas às duas da manhã. E não é que apareceu o irmãozinho do pernilongo querendo vingança... Zunia e dava rasantes. Acendi a luz da cabeceira e tentei "caçá-lo". Luta inglória. Levantei-me, de novo, ouvindo o som dos amigos vizinhos que teimavam em colocar o papo em dia, naquela madrugada. Resolvi tomar água, afinal é bom hidratar, principalmente, para afastar a gripe. Quem me disse isso? Sei, não. Peguei a revista, aquela que os governantes detestam... Reli o artigo do cronista famoso. E nada. O sono fazendo greve, como se fosse do movimento dos sindicatos petistas. Essa, não! Costumo dormir bem. Vendo novelas, durante os programas que espero o dia inteiro, com as músicas e cantores fabulosos, cochilo na sala; não tenho insônia. Talvez as comemorações do meu aniversário ( todas quase pela Internet) me tenham deixado inquieta, comovida. Só pode ser. As amigas e amigos, primos, primas, irmãos e irmãs ( de sangue e de coração) me agitaram. Mexeram com a minha sensibilidade, por isso, apesar de atrapalharem o sono, só preciso agradecer e agradecer muito. Amor nunca é demais. Ah, em tempo: o pernilongo se evadiu, acho que cansou de procurar um pedacinho descoberto do meu corpo para dar uma mordida, ou, quem sabe, passei gripe para o danado e ele perdeu o olfato? Bem feito pra ele!

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Tico e Teco de férias...

Vontade de escrever tenho sempre. Ultimamente, há uma grande  dificuldade, ainda que seja o meu desejo, começar uma crônica. As revistas ou jornais que tem seus cronistas de plantão, fico imaginando se eu fosse um deles, com a obrigação semanal, diária, sei lá... Como resolveria essa questão? Estou numa fase em que nada flui. Talvez o desencanto esteja se instalando em mim. As grandes farsas armadas pelo atual governo, a falta de honestidade e tudo de podre "no reino da Dinamarca" me levam a adotar um comportamento de apatia. Claro, não é proposital. Gostaria, sim, de colocar ideias, observações, sentimentos e tudo que a vida nos instiga a fazer, dentro de algumas linhas escritas. Gostaria de deixar um poema ( que não sei fazer) ou uma história inventada,  quando olho para alguém na rua, no ônibus ou até  quando visualizo os vizinhos apartamentos, seus moradores e penso sobre a vida de cada um deles. É bom imaginar uma história para a moça loura, ou o rapaz moreno e gordo, o idoso, a moça que varre a varanda. Gosto de fazer isto. É um costume que se tornou um prazer imenso. Do nada, me brotam ideias, fico divagando e formando frases. Agora, devo confessar, perdi a mão. Sei lá...parece que com a proximidade do Natal, de tantas comemorações, da alegria " obrigatória" tudo fica meio inútil. Os neurônios, Tico e Teco, como costuma nomeá-los,  brincando, o nosso professor de ginástica, parecem exaustos. Ou sem vontade. Vou dar férias para eles. Até que, um dia, tudo volte ao normal, as pessoas passem a se tratar com respeito, com amor e que ser decente seja natural, um adjetivo colocado na mente das pessoas como obrigação de ser e não uma qualidade rara. Os homens precisam se salvar, antes que seja tarde.

domingo, 2 de novembro de 2014

A CORAGEM DE SER.

Ontem, posso dizer, assisti a um espetáculo grandioso. Muitos achariam cafona, risível...Sei disso. Mas volto a me orgulhar de pertencer a um grupo que leva a vida a sério. Pensam que falo de politica. Poderia ser. Mas, não. Agora, falo de pessoas que apenas querem viver com mais alegria e saúde. Há um projeto nesta cidade, digno de louvor. Nada a ver com política, gente, volto a dizer. Alguns podem até se aproveitar para esse fim político, nada é perfeito. Mas a ideia é genial. Em principio, o grupo, pelo menos a grande maioria é de velhos ( terceira idade, nada, detesto essa nomenclatura). Há entretanto muita gente que frequenta e que não atingiu o  meio século, digamos assim. Falo do Projeto Gugu. A princípio, quando um médico me sugeriu que procurasse esse tipo de ajuda, achei, preconceituosamente que seria um "saco". Mas fui, até por curiosidade. Constatei, depois das primeiras aulas de ginástica, a importância do dito projeto. Nunca mais deixei de ir. Funciona de segunda a sexta, em praças, praia, Campo São Bento, em todos os bairros da cidade há um grupo desses, com excelentes professores de educação física, onde também se toca música, desde as do rei Roberto até as de Anita. E velhinhas e velhinhos não só acompanham como participam com a maior alegria. Além de se fazer amizades, o que é fundamental. Mas paro de falar da beleza e importância do projeto para dizer um pouco do que presenciei ontem. Todo ano, se escolhe a  "musa" que vai representar cada grupo. A idade obrigatória é de 65 pra cima. Menos que isso, é considerada muito jovem. Não riam. Então, eu dizia, fui ao Clube Regatas, onde se daria o evento, com direito a desfile das representantes. Muita gente. Quando cheguei, nem havia mais lugar para me sentar. O calor gritando. As pessoas se acotovelando. Programa de índio, pensaram,né? E era meio assim. Mas insisti, afinal queria ver a nossa musa eleita, aquela senhorinha que representaria o grupo do Largo do Marrão. Cada uma que começava a caminhada pela passarela dizia seu nome, idade. "- Solteira, casada ou viúva?" Interrogava o próprio Gugu, já chegando aos seus noventa anos. Ereto, bem humorado, perguntava também há quando tempo e se havia algum beneficio em frequentar o grupo. Entediante? Não! pelo amor de Deus, não! Uma delas, nos seus 89 anos, dançava e acenava para a plateia que delirava. Exemplo de vida. Eu aplaudia entusiasmada. Cada concorrente escolhia sua música predileta e dançava e desfilava com roupas de baile, bem arrumadas, maquiadas. Escolhiam bolerões  ou valsas? Não! De New York New York, pra cima! Samba das escolas de Carnaval, as de Anita ( como já disse) do Roberto também. E foi a prova viva da luta pela alegria, pela saúde. Até porque, velhas, sim, mas jovens de alma, com a cabeça erguida, lutando por um final feliz!

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Perguntar não ofende...

Gosto de rir, muito. Uma vez li, não sei onde nem quando, há pessoas que tem um defeito genético ( considero defeito) e apresentam mau humor crônico. Não é meu caso, felizmente. Longe de saber sobre genética, mas tenho um mínimo de informação para pronunciar essas palavras. Aproveito cada ocasião que tenho pra dar boas gargalhadas. Ontem, tive um encontro com a médica, ginecologista, que visitamos todo ano, eu e minha filha É no Rio o consultório dela. Um transtorno para quem mora do lado de cá da ponte, já que  moro em Niterói. Como de praxe, ela pediu vários exames, fez o preventivo ( essa parte é bem chata) e trouxemos nas respectivas bolsas o famoso recipiente com o material colhido. Detalhes perfeitamente contornáveis. Só que, em dado momento, já atravessando a baía  que, apesar da lotação excessiva da barca, estava uma delícia, com brisa suave soprando, temperatura normal, eu imaginava ( coisa  de gente meio doida) que se houvesse um problema, digamos que a barca afundasse... eu iria, com certeza, boiar, pois nadar não é meu forte, mas boiar, gente, sei muito bem. Podem rir. Mas penso coisas assim. Mas, em dado momento, continuando o que dizia, percebi um cheiro forte de amônia, ou sei lá o quê. Seria  o pequeno frasco da doutora?
Tive esperanças que fosse um outro, com álcool; peguei mania de carregar. Mas, não. Não é que o danado do recipiente estava com problemas! Preocupei-me. Teria que voltar à médica, depois da verdadeira Odisseia por que passara - ônibus até as barcas, outro ônibus no terminal, este para Copacabana, um táxi até o lugar que me reembolsam ( plano de saúde), de novo a barca ( já voltando) e mais outro ônibus até em casa. Não. Chegando a Niterói, pertinho de seis horas, corri até o laboratório mais próximo que achei. Estava com as portas já fechadas. O outro, na mesma calçada, a dois quarteirões. Corri o mais que pude, virei o pé, xinguei, baixo, pra ninguém ouvir. Cheguei a tempo, as portas estavam ainda abertas. Mas não fui muito feliz, a recepcionista havia fechado os computadores e me informou que só no dia seguinte. Entretanto, disse a ela da preocupação com líquido derramado, etc, etc, e ela me tranquilizou, dizendo que não havia dano ao material. Hoje, fui aos exercícios rotineiros pela manhã, tomei meu café com pão, e na volta, a primeira coisa foi levar o  "frasquinho" ao laboratório. Assim o fiz. A atendente, jovenzinha, parecendo iniciante no trabalho, tirava dúvidas com a vizinha ao lado quanto a  alguns procedimentos. Então, perguntou-me algumas coisas para preencher as lacunas do papel à nossa frente. Aí, conto a vocês a primeira delas: " - Quando foi sua última menstruação?"  Ri, na verdade, gargalhei. Como gosto de rir, gente! E respondi pra ela: "-Acho que há uns quinhentos anos ". Depois de escrever meu endereço e confirmar outras anotações, ela veio com outra pergunta: "- Toma algum anticoncepcional?" Outra boa risada. Afinal, perguntar não ofende, né? 

domingo, 19 de outubro de 2014

Três episódios para rir...ou chorar.

Estava dando umas voltas pela rua e, na calçada, parei junto ao camelô que vende óculos, relógios, coloca bateria, essas coisas. Levei um reloginho que tinha parado para colocar "combustível". Nada a ver com o da Petrobrás. Encantei-me com um relógio "Hugo Boss", de correia vermelha e com um mostrador grande, dourado, onde os números apareciam bem, sem ter que colocar óculos para enxerga-los.  Perguntei o preço e me espantei...baratíssimo! Não direi quanto, pois me verão com ele. Mulher chique não anda com relógio de camelô, gente. Minha filha estava comigo e olhava tanta coisa que pensei em abandonar bem rápido o local, sempre acabo pagando, quando ela se engraça com alguma coisa. Antes, havia perguntado se podia pagar com cartão. A resposta afirmativa. A mocinha que me atendeu já havia posto a bateria no outro relógio prateado que uso mais que os outros. Devo ter uns três ou quatro, que hoje tive de rodar os ponteiros, devido ao horário de verão ( que curto muito).Então, eu dizia, tinha certa pressa. Saí e só percebi o rapaz que também era um dos donos da barraca me dizendo, educadamente: " Senhora, tem que pagar!" Uau! Ainda bem que não fiquei roxa de vergonha, afinal não sou caloteira... Rimos muito e me dirigi a uma banca de jornais que era onde se pagava com o dito cartão de débito. Idade? Os dois neurônios, Tico e Teco, falhando...
Aí, nesta mesma semana, foi ontem, para ser mais exata, vinha eu passando por uma rua do Ingá, trazendo meu netinho, de táxi, ( às vezes, de ônibus, que ele gosta), e vi um anúncio de loja que faz cortinas e persianas. Anotei mentalmente o telefone, porque o número era fácil...2622-2222. Não é? E vim animada pois preciso com urgência tirar uma persiana no quarto da filha que, com mais de 10 anos de uso, se encontra em péssimo estado, e também, ela prefere uma cortininha. Ando meio agitada e como sou eu quem faz tudo, no frigir dos ovos, passando por outra rua, já bem próximo a minha casa, avistei um outro telefone, desta vez do "frango assado da vovó Bebel", em Icaraí. Pensei em encomendar um, para me facilitar o almoço. Já em casa, cuidei de telefonar para saber preço, essas coisas. Liguei aquele número fácil que já mencionei. " Alô,( disse eu animada) é do frango assado? - Nâo, respondeu o homem, aqui é a casa de cortinas..." Perceberam? Troquei alhos por bugalhos e misturei o frango da vovó, com a persiana da filha... Idade? Tico e Teco andam cansados...
Não acabou ainda. Desditas de uma senhora  com os anos pesando nos ombros. E desta vez, com a participação do meu amado netinho. Coisa de criança... Afinal, chegávamos em casa depois que voltávamos do restaurante de nome sugestivo, Carpe Diem; fomos eu meu filho e a namorada para animar o meninozinho que estava meio chateado de estar no apartamento. Na portaria, se encontravam o porteiro no seu posto, e dois vizinhos, bons camaradas e amigos meus. Nos cumprimentamos e eles brincaram com o meu neto ( que, não é por nada, não, é um menino lindo de cabelos pretos, muito lisos e olhos vivos, corujice à parte...) e ele, num gesto abrupto, talvez, acanhado, puxou minha blusa de malha e se enfiou debaixo dela! Uau! que susto! Todos rimos muito e entrei correndo no elevador com o netinho ainda enfiado sob minha blusa, donde não queria sair. Idade, não! Agora, não. Mas foi bom para nos alegrar o sábado.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Quem me ensinou a ler...

Inevitável. Sei que todos vão se fartar de ler homenagens aos professores. Merecidamente. Como sou saudosista extremada, me veio à memória a cantoria da escola, onde aprendi que as letras  se misturam que, na verdade, formam sílabas e palavras: onde aprendi a ler, gente. Algumas pessoas aprendem sozinhas, autodidatas, ou com o pai ou a mãe, primeiro. Eu estudei na fazenda, onde a professora chegava a cavalo, calças compridas sob a saia, sombrinha, protegendo-a do sol ou chuva. Alguns alunos, meus colegas, a acompanhando de perto, seguindo o passo lento do animal. Ela não costumava faltar. Lembro-me, nitidamente, de observá-la,  trocando de roupa atrás do armário no quarto do meio, como costumávamos dizer. Dona Zandir, seu nome. Não me importa se volto ao passado, numa época em que a tabuada era obrigatória, e numa única sala, as quatro séries eram ensinadas e uma não atrapalhava a outra. A professora tomava a lição de todos, sem exceção. Enquanto o fazia, os outros "cantavam" os verbos ou a tabuada, numa cantilena que causava  sono: dois mais um três, dois mais dois quatro...ou Eu canto, tu cantas, ele canta, nós cantamos, vós cantais, eles cantam. Mas aprendemos. Antiquado? Improdutivo? Não, com certeza. Senão, médicos , advogados, engenheiros e outras profissões não existiriam. Acreditem, nem a famosa palmatória foi uma coisa negativa, quem errasse a tabuada...ui! Palmatória na certa! Mas nada que ofendesse, nem machucasse, o efeito, apenas moral. E como funcionava!... Na hora do almoço, a mestra observava a posição do sol nos degraus da escada, e íamos para a mesa posta, com muita honra, já que ela, a nossa professora nos dava a alegria de sua presença. Depois, hora do recreio. Tudo começava cedo na roça. Ali pelas duas e meia, não tenho certeza, e as brincadeiras sadias, de "barra bandeira", rodas e cantigas e os meninos jogando bola.  Tempos idos, mágicos, que guardo no coração, bem lá no fundo e que, às vezes, me fazem chorar de saudades! Tive outras grandes professoras, outros ótimos mestres, mas  é  à  minha primeira professora a quem dedico esta singela crônica. Eterna, inesquecível dona Zandir!

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

VENDO VELHICE.

Frase de duplo sentido. Duas palavras apenas. Vendo velhice significa, ao mesmo tempo, que estou reconhecendo que o tempo passou e enxergo, estou velha. Ou quer dizer ainda que estou passando pra frente a minha idade, que negocio,  o meu tempo aqui na  Terra. Quem vai querer? A resposta já imagino. A verdade é que fui escovar os dentes, apesar da preguiça, e olhei-me no espelho. Todo dia faço isso, óbvio. Hoje, entretanto, pude observar um certo "craquelê" no meu rosto. Embaixo dos olhos, naquela  região que já anda meio devastada pelas olheiras; me dei conta de que, a cada dia, rapidamente, minha pele vai mudando.
Lembro-me, nitidamente, da época em que me sentava diante da penteadeira, no apartamento em que morava, na minha cidade natal. Hoje, virou moda restaurar esses móveis de quarto. A dita penteadeira se compunha de um espelho fixo central e duas "bambinelas" móveis em cada lado. Eu me olhava e via uma moça bonita. Dobrava as janelinhas e podia me ver de perfil, o cabelo penteado, quando fazia um pequeno coque, ou mesmo solto, liso, até a cintura. Chegando de uma sessão de cinema ou depois de infindas voltas na praça, costumava, antes de me deitar, ficar me olhando no espelho. Era agradável observar um rosto liso, olhos vivos, pele macia. Na flor da idade, fica fácil. E pensava nos jovens pretendentes que me olharam, dos flertes e se eles estiveram me admirando como eu fazia agora, de frente para o espelho. Sonhava acordada. Os devaneios me envolvendo. Naquela época, umas conhecidas da cidade vizinha já ousavam e haviam feito uma plástica no nariz. Eu confesso que não estava muito feliz com o meu. Preferia que fosse menor, tipo Elizabeth Taylor, pequeno, arrebitado como os de minhas irmãs. Eu era a única menina cujo nariz não tinhas as características ideais. Que burra! Quanto complexo infundado, afinal era compatível com o feitio do meu rosto e não me fazia mais feia. Hoje sei disso. Mas, de volta ao presente, vejo-me correndo em busca do creme milagroso que pode melhorar as rugas e adiar um tiquinho a velhice. Não gostei do que vi. Tem umas velhinhas por aí que estão piores, bem sei. Só que tenho um consolo: quando jovenzinha, era mais insegura e me colocava defeitos onde não existiam. Prefiro homenagear meus neurônios com alguns elogios, na minha idade, mais vale a pena reconhecer que Deus me deu outro dia com saúde e posso escrever um texto com certa lógica.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Ciúme de artista.

Faz uns dois ou três dias, se casou o lindíssimo e cheio de charme George Clooney. A mulher que ele escolheu, de uma beleza compatível com a dele, parece que vinda lá das "Arábias". Aí, fiquei pensando no fato de alguns atores ou atrizes tentarem camuflar seus romances, preocupados com a reação dos fãs. É muito engraçado isso. Qual seria a possibilidade de alguém ( que tem fixação no dito artista) ter uma chance com o amado e inatingível astro? Gozado mesmo. Parece que ficam desquitadas, divorciadas do amor de suas vidas as pessoas que adotam o famoso(a) como paixão absoluta. O fato é que preferimos saber da inteira liberdade e descompromisso do nosso amor das telas, ou dos palcos. O ser humano é engraçado. Acho que entre os animais há uma dose de ciúme também. Às vezes, aquele cãozinho dócil faz um rosnado intrigante, se alguém se aproxima do seu eleito, o dono que ele escolheu para si. O sentimento de posse existe entre todas as criaturas? Acredito que sim. Por que um homem lindo e glamouroso como o George Clooney não tem direito da vida a dois? Tem que partilhar com milhares de fãs a sua sexualidade. Fiquei pensando nisso, repito e mais uma vez, admito que é  intrigante essa vontade possessiva que ataca o ser, dito inteligente, sobre a Terra. Uma vez, me apaixonei por um homem assim. Não era exatamente um cantor, nem astro de TV, nem de cinema, era, sim, um compositor incrível, filho de outro grande músico. Ele aparecia num programa de calouros, onde um jornalista e apresentador, não menos famoso, Flavio Cavalcante escolhia os jurados. Esse homem ocupava meus pensamentos, sua voz era bonita, máscula e sua inteligência acima da média. Houve então a oportunidade de dizer ao meu amor platônico da minha admiração, já que um grupo da cidade fora escolhido ( não sei porque cargas d'água) para participar do programa da TV que, nessa época ainda era em preto e branco. Pedi a minha amiga que falasse com ele, que dissesse o quê, exatamente? Claro, eu era uma adolescente, na flor da idade e com o romantismo pululando pelos poros. Nem me lembro do desfecho desta história. Acho que me contentei em saber detalhes sobre a apresentação do programa, claro. Ele morreu muito cedo, era hemofílico. Deixou lindas canções para a posteridade. Lembrei-me disso já que falo do magnetismo que alguém pode promover sobre um fã, um admirador. Confesso, sem o menor pudor: bem que eu preferiria o George Clooney solteirinho da silva! Ciúme não tem idade...

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

" QUANDO SETEMBRO VIER..."

Já vi um filme com esse título, já ouvi música exaltando o mês da primavera, sei lá. Mas o que me inspira nesse momento é homenagear minha irmã, apenas cronologicamente mais velha,  pois tem a cabeça tão jovem quanto uma adolescente. Seu comportamento diante da vida é digno de nota. Apesar dos contratempos e possíveis problemas reage de forma inconteste: dá um grande chute na tristeza, rasteira no sofrimento e sai vitoriosa na luta pela felicidade. São apenas momentos, sabemos. Mas ela não os desperdiça. Tenho um filho, um sobrinho-afilhado, primo, amigos uma outra irmã (não menos querida) todos fazendo aniversário neste mês florido. Quero assim, agradecer ao Criador por tantas pessoas que Ele me mandou como companheiros nessa jornada, nem sempre fácil.
Desde menina, admirava a capacidade e inteligência dessa, digamos, colega de útero materno. Exímia contadora de histórias, nos encantava, quando em volta de si, imaginava cenários e personagens e os descrevia para nós. Éramos um bando de crianças maravilhadas, hipnotizadas com as aventuras contadas por ela. E ela continuou a nos encantar vida afora. Tenho sentimento muito forte em relação a todos os meus irmãos. No último dia de setembro, nasceu a minha irmã, Teresa Maria. Ganhou nome de santa e da mãe de Deus, numa feliz escolha. Ela não é santa. Mas soube distribuir amor como uma verdadeira mulher de Deus. É amada. Muito. Tem admiradores á sua volta. O orgulho me invade por ser sua irmã. Ela sabe. Parabéns, querida! Feliz aniversário sei que você merece, rodeada por quem lhe quer bem, amigos, filhos, netos. Não estarei em sua casa nesse dia, mas meu coração, pode acreditar, fará uma viagem até Bom Jesus, essa terra que você ama tanto.

sábado, 27 de setembro de 2014

CAMINHO PARA CEGOS

Agora, em quase todas as calçadas do meu bairro, há uma faixa amarela de mais ou menos vinte centímetros, com um relevo de três faixas. Isso para maior conveniência dos deficientes visuais. Não quero ser mais realista que o rei, mas pergunto: não haveria um modelo menos difícil? Quem projetou aquilo, acho não experimentou caminhar por ali. A título de sugestão apenas, pois sei que deve ser difícil bolar alguma coisa prática e, ao mesmo tempo, funcional. Costumo andar sobre essa "trilha amarela" pra imaginar a praticidade da coisa. Eu e meu neto, que gosta  de fazer esse mesmo percurso; já expliquei pra ele o porquê daquele caminho. Equilibrar-se nas três faixas não é tarefa muito cômoda, imagino, para quem não vê. Quem sabe se os relevos funcionassem melhor se fossem ao contrário, na horizontal? Ou feitos como um bordado, mais arredondados, sei lá, gente. Acho que desequilibra do jeito que foi arquitetado. É de extrema utilidade, não me entendam mal. Assim como os caminhos para cegos, andamos sobre cordas bambas. O que é pior é que enxergamos os estragos feitos por aqueles que deveriam nos proporcionar caminhos estáveis, ferrovias, por exemplo, para melhorar a economia, desaguar nossos produtos de forma racional. Como chegar aos portos através de tantos "relevos" e buracos? Como escoar a matéria prima e riquezas do nosso grandioso Brasil se não se projetou com o dinheiro suado do povo as estradas sólidas e seguras para que isso aconteça? Acompanhem o meu raciocínio. Cadê as faixas amarelas que nos abrem caminhos para a melhoria e desenvolvimento de uma nação rica que, além das maravilhas naturais, tem um povo alegre, hospitaleiro e bonito? Infelizmente, esse povo não quer entender que as dificuldades podem ser superadas mas é preciso mudanças. Há quem tenha perfeita visão, não necessite de óculos, mas não quer ver o precipício que se encontra diante do próprio nariz...

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Inútil-idade...Inutilidade.

Porque estou deitada, com uma gripe daquelas, febre, dor no corpo e tudo que esse vírus, especialmente safado, pode trazer, se alojando no meu organismo sem ser convidado; sim, por isso me vieram essas duas palavras que, na verdade, são uma só. Apenas separei-a pelo meio. E embrulhada com o sentimento de fragilidade, quando somos acometidos por alguma doença, ficamos vulneráveis, indefesos, mesmo. Nesse momento, passamos a valorizar tudo que estávamos capacitados de fazer. Dá vontade de tanta coisa! Não quero me tornar amarga, muito menos alimentar a sensação de "fim de linha". E penso numa comparação besta com um carro. Quando novo, sem necessidade de reparos, mecânicos, oficinas jamais. Raro dar defeito. Aí, vem o tempo, esse senhor arbitrário como um vírus, que não se importa com ninguém. Não dá seta nas estradas, avança, até atropela, descuidado em observar os sinais, indiferente na sua caminhada. E deixa marcas. Não de pneus riscando as estradas, não. São bem mais profundas. Há tanto que se fazer ainda. Mas a marcha não é a mesma. Limitações nos impedem, já não somos os mesmos. Hoje, sem forças, com a saúde debilitada, me dou conta de que devemos aproveitar o que nos é dado. Quanto tempo olhando pela janela, às vezes, desanimada, como carro  estacionado, parado, por falta de combustível ou para a troca de óleo. Somos apenas um punhado de órgãos. Um corpo que nos foi concedido mas que tem prazo de validade e à espera do guincho.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

CAMINHOS

Eram recheadas de muita alegria e animação as idas à casa de meu avô. A mesa grande de refeições,  com muitos lugares,  farta, era separada da cozinha por um degrau  que ocupava todo o vão daquele espaço enorme. Havia  também mais duas portas: uma dava para uma despensa, onde eram guardados mantimentos. A outra parecia um quarto de empregada, com uma cama e armário pintado de azul. Dali, se avistava pela janela larga, um outro espaço que chamávamos de "Cimentinho". Era o lugar que costumávamos nos sentar para comermos o almoço ou o jantar. A mesa grande era reservada  aos adultos, que eram muitos. Nas ocasiões especiais, tios e tias acorriam à  comemoração acompanhados dos filhos. Família grande. Alegria maior. Os gatos, muitos, passeavam ao redor da mesa, esbarrando seus rabos longos nas nossas pernas, o que me causava nojo e tirava o apetite. Enormes panelas fumegavam no fogão à lenha. Frangos ensopados ao molho pardo, carne de porco, de boi, angu e muita, muita verdura. O melhor eram as sobremesas, doces de compotas variadas: figo,mamão, abóbora com coco, pudins, feitos pela tia Darcy, mais doce que qualquer uma das iguarias preparadas por ela.
Havia a sala de jantar, que era pouco usada, só em ocasiões de festa, casamento, batizado ou aniversário. Dali os corredores longos eram caminho para os quartos, muitos quartos. Só havia um banheiro bem grande, com banheira, bidê, chuveiro, com janelinha envidraçada, que dava para os fundos da cozinha.. Ali, um pé de figo e o pessegueiro, plantados antes da imensa horta, no terreno mais abaixo. À noite, umas das empregadas passava pela sala com uma pilha enorme de urinóis, rajados de azul e branco e os colocava em cada quarto. Naquela idade,  eu ainda não controlava completamente meus rins, enquanto dormia. Tragédia para mim quando percebia, ao acordar, que estava molhada. Sentia vergonha. Ganhei por isso um apelido que me acompanhou por toda a infância e que me deixava inferiorizada: Maria mijona. Não se preocupavam com complexos e coisas que tais os adultos daquela época. Nem havia psicólogos, com certeza, não. Lembro-me do outro apelido que ganhei: "Dez anos". Por que? Aconteceu assim: nós fazíamos parte do fã clube da Emilinha. Eram as mais famosas cantoras do rádio, Emilinha e Marlene. Então, naquele dia, eu cantava alegremente a música que tocava em todas as rádios - Dez anos - E meu tio Chico, muito brincalhão, me interrompeu os versos e completou a frase: ..." assim se passaram dez anos, sem mijar
 na cama..." Daí o apelido.
Houve uma noite, não me esqueço, aconteceu uma coisa bizarra. Dormíamos eu, minha irmã e a prima Branca, na mesma cama larga. Acordei, no meio da noite, com vontade de  fazer xixi. Chamei-as, aliviada por ter despertado a tempo. O assoalho do quarto era de tábuas largas, com grandes frestas, por onde passava vento. Vê se tem um "pinico" embaixo da cama. Disse uma delas. Não sei quem teve coragem de olhar mas vimos que não havia nenhum. Azar. Então, sem coragem de atravessar a enorme sala, às escuras, que dava ao único banheiro, nós três decidimos encarar o fato. Não havia outra solução. Elas então: - " pode fazer"... Inundei-as com o meu xixi quente.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Sem óculos

Já escrevi bastante sobre a pequena viagem do último fim de semana. Houve entretanto um contratempo desagradável que só percebi chegando em casa. Isso é bom. Não o contratempo. Por melhor que seja o passeio, chegar em casa, tirar os sapatos, jogar-se no sofá é uma delícia. Ainda mais que o porteiro me entregara a revista semanal que curto de montão. Leio praticamente tudo, dos anúncios até a menor descrição de um filme ou crônicas e ainda mais me atualizo quanto às falcatruas dos homens que, supostamente, deveriam nos proteger e guiar nosso país para melhor destino. Não falo de política, prometo. Até porque ando meio cansada de ter esperanças. Dizem que Ele é brasileiro, vamos ver... Aí, gente, continuando, peguei a revista com aquela vontade danada de ler. Abri a bolsa, procurando a minha "cangalhinha" e nada! Onde deixei? Não sou de perder coisas, não mesmo. Corri até a cadeira do quarto, revirei a blusa ( ainda com "vestígios do dia" ( lembram do filme?) mas  as lentes haviam sumido mesmo. Revi mentalmente os lugares, o que havia feito mas não atinava em nada viável. Dei por perdido, com grande frustração. Comentei com a amiga de viagem e ela me sugeriu que talvez eu tivesse deixado cair o precioso objeto, quando pagava o pequeno lanche da livraria, no Paço Imperial. Reluzente idéia  mas achei meio novelesca, impossível. Contudo, resolvi procurar no santo Google o endereço da Livraria Arlequim. Achei! Até foto do interior e tudo o mais; reconheci imediatamente o local. Mandei uma mensagem, explicando o meu "infortúnio". Ontem, já bem tarde, de repente, fuçando a Internet, recebi a resposta do atendente da livraria, me informando que lá havia encontrado meus óculos, dentro de bolsinha pequena, azul-marinho, com o nome " Ótica do Povo", morô? Não sou nenhuma Fernanda Lima mas dei sorte, né, gente? Já telefonei cedo para lá. Estão me esperando para resgatá-lo,  precioso objeto de quem gosta muito de ler. Até a próxima...!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Realidade e surrealismo.

Fui cobrada. Alguém pediu que eu continuasse a contar o resto da aventura. É bom, serve de estímulo a  continuar. Descemos do ônibus e já se formava uma fila de estudantes, acompanhados da balbúrdia que é normal entre jovens, junto à porta de entrada do magnífico edifício do CCBB. Aproveitando as benesses da terceira idade  ( o que não é muito ) entramos já com os tíquetes na mão. Viva a velhice! Pareço mais um revolucionário  francês dando vivas ao seu país! Vive la France! Não sei nada dessa língua maravilhosa, o francês. Que me deem um desconto. Dela só me lembro do  nosso professor, lutando para nos ensinar alguma coisa. E lá se vão longos anos...Subimos as escadas, enquanto eu observava as enormes janelas e portas, o piso antigo, paredes com seus arabescos incríveis e tudo o mais. Logo me deparei com todo o tipo de gente e de todas as idades. Uma mulher carregava seu pequerrucho, atrelado a um tipo de bolsa moderna, como se fosse um canguru. Eu os olhei e fiz um comentário, que ele, claro, não entendeu. Visualizei alguns quadros que, debaixo de fraca luminosidade, pareciam se defender da claridade e do que ela poderia causar, foi o que imaginei. Algumas pessoas fotografavam, para minha surpresa. Achei que seria proibido. Logo percebi o valor daquela genial obra. A arte estampada em cada risco, em cada detalhe. Criação de um talento admirável. Numa das paredes pude ler  do, não menos genial, Alfred Hitchcock, que os sonhos deveriam ser expressos assim, como a arte do grande Salvador Dali. Não com essas palavras, claro. Havia trabalhos que nunca imaginei, criações de verdadeiro artista, e me dei conta de quanto não sabia nada sobre o autor. Projeções, vídeos e outros artifícios deliciavam a todos. Deixo a cargo de quem tiver a bela idéia de estar ali, contemplar aquela rica exposição. Vale a pena. Descemos por outras escadas em detrimento de elevador antigo de grades pintadas de verde-escuro, daqueles bem antigos. Alcançamos a rua que já se esvaziava. Sábado, o comércio já quase totalmente fechado. Minha irmã me ligou pelo celular, se dizendo livre do compromisso em Niterói. Convidei-a a se juntar a nós. A travessia pela barca foi bem rápida e ela nos alcançou logo, quando estávamos na Casa Granado, bem próxima à igreja belíssima que eu e minha amiga tínhamos acabado de visitar. Era outra visão da mais pura arte, anjos e santos, paredes majestosas, decoração digna da casa de Deus. A outra companheira, ansiosa por um cigarro, não nos acompanhou, esperando na entrada. Minha irmã se juntou a nós e feitas as apresentações, nos encaminhamos em direção ao Paço Imperial. Havia ali uma exposição sobre Zuzu Angel. Uma grande e movimentada feira de artesanatos, móveis e tudo que se pode imaginar e um pouco mais estava ali. Uma desordem alegre. Antes, visitamos uma livraria, quase no meio do caminho. Um charme. Para quem gosta de livros, CDs, revistas, DVDs, um café charmoso, salgadinhos finos, mesinhas dispostas de modo a receber quem gosta de ler e de frequentar um bom lugar como aquele, um prato feito. Passamos agradáveis momentos ali. Saímos e olhamos algumas barracas da feira. Minha amiga comprou um pequeno bijou a preço baixinho e, de repente, me bate alguém às costas. Diz um nome feminino que não me lembro e imediatamente se desculpa, percebendo o erro. Homem simples, mas educado. Eu retruquei: -Sua amiga era bonita como eu? E tudo virou brincadeira descontraída. Zuzu Angel foi uma mulher admirável, criativa, elegante, inovadora e, antes de tudo, lutadora. Fotos do filho espalhadas entre moldes e revistas da época. A filha, a família, enfim retratando uma época de terror ao mesmo tempo misturada ao glamour da criadora de moda. A hora já era perto de três e resolvemos voltar. Desta vez, de barca. Fomos em direção ao píer. Todas portando cartões relativos à gratuidade das passagens, com suas fotos macabras e feias. Culpa do fotógrafo, deve ser. Menos minha irmã que se recusa a ter tal documento "desabonador". Esperamos com ela que comprasse seu bilhete na fila grande  que já se formava. Conversa vai, conversa vem, me cai algo sobre os cabelos, desce pelo ombro e acaba se alojando no decote pequeno da blusa. Que nojo! Titica de pombo, com certeza, já que as aves davam alguns rasantes sobre nós. Não era. A prestimosa amiga me ofereceu um lenço de papel, passando-o com uma porção de álcool que trouxera na bolsa. A cor era entre vinho e roxo. Uma fruta da enorme árvore que nos dava sombra, antes isso. Pegamos a barca na tarde ensolarada, quente ( o que me agrada - detesto frio) e seguimos para casa.  O papo de quatro mulheres, naquele momento, deslizava por assuntos variados, tanto que nos esquecemos de descer. Corremos, ao perceber que a sala com aquele monte de cadeiras, se encontrava quase vazia.

domingo, 14 de setembro de 2014

SALVADOR DALI É ALI...

Nem estava com vontade de ir. Estou meio assim, desanimada pra qualquer coisa. Fui convidada por uma amiga que também era colega de profissão ( aliás, ainda é, não perdemos a majestade: professoras); então, como dizia, não tinha muita vontade de ir ao passeio. Esperava o ônibus para a Candelária, na rua paralela à minha. Sou pontual, tenho esse defeito. Dez minutos de atraso e  surgem as duas, minha amiga e sua vizinha que também iria. Preguiça de conhecer alguém, ainda mais no estado de ânimo em que me encontrava. Abri um sorriso educado ( faço sempre assim - dizem, sou simpática). Entramos no ônibus já lotado, naquele sábado de manhã. O cartão de "melhor idade"  impedindo minha passagem, o dedo indicador não deveria ser  o meu, segundo a maquininha estúpida. Mas, passei, finalmente. Alguns mais jovens ofereceram lugares às três coroas. A menininha com fones de ouvido, mascando chicletes, me olhava indiferente, quando agradeci. As outras se acomodaram em lugares separados. Melhor, pensei. Não estava mesmo  muito a fim de papo. E veio a Ponte; sempre me preocupo com a proximidade das rodas, tão junto à murada que nos separa do mar profundo, lá embaixo. Medo de altura e medo de mergulho forçado. Cruzes! Tenho esse pensamento ruim, às vezes. Fiquei prestando atenção aos outros passageiros, como de costume. A moça do meu lado, morena, nem bonita nem feia, me sorriu breve. A mocinha bem lá na frente, de pé, óculos Ray-ban, vestido verde-bandeira, decote tomara-que-caia,  que fazia saltar os enormes seios, falava com a amiga sentada: " - Pintei só para tirar o amarelado, "tipo assim"... E passava a mão pelos cabelos louros, compridos. Antes, logo no início, ali pelas imediações da ilha de Mocanguê,  há uma parada, outra menina, adolescente, indicava ao menino menor a saída, apressando-o; atrás, um homem mais velho, presumo fosse o pai, pegou a mochila  que o menino ia esquecendo e perguntava? " - Tá doido, ou o quê? E o carro seguia, na mão certa e fazendo um barulho forte nas emendas de cada quilômetro, dando a impressão que o pneu poderia  estourar... E pensei que iria escrever, como faço agora, sobre a pequena viagem. Estávamos indo para a Exposição da obra de Salvador Dali, um dos mestres do Surrealismo. As pessoas iam descendo, à medida em que chegavam ao seu destino e vagou um lugar ao lado da minha amiga.. Meu humor já andava bem melhorzinho. Falávamos animadas. Devo dizer que ela é uma querida amiga e que temos sempre o que dizer uma à outra. Tudo ia bem. Ríamos muito e contávamos as vantagens dos respectivos netinhos. Chegamos ao ponto final, bem próximo ao CCBB. Pegamos os tickets para entrar. O prédio antigo me encantou logo de cara. Não tinha ainda ido ver nenhuma exposição ali ou qualquer evento cultural. Burra, ando perdendo coisas valiosas. Já me animava então. Eu, que não sou muito afeita à obras Surrealistas, dei de cara com um encantamento maior. O homem era fera, mesmo. Quem tiver o privilégio de visitar o lugar vai concordar. Quando encontro tantas informações e novos conhecimentos, me dou conta do pouco que sei. Tenho muitas coisas a contar desse passeio. Deixo para a próxima crônica. Se quiserem saber... " entra no bico do pinto...sai pelo bico do pato...quem quiser que conte quatro"!....

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

NULIDADES

Como dar exemplo  aos filhos e netos num país que demonstra que corrupção dá certo, que impunidade está garantida e lucro e poder são a tônica para quem governa, traindo o povo? Deus meu! Nunca pensei que chegasse a esse ponto de descrença total das ditas Instituições. Onde estão os homens de bem?Ontem, parada de 7 de setembro; antes, emoção e orgulho vendo ou participando dos desfiles, cantando hinos brasileiros e  ilusão da idade menor, quando a vida ainda  não mostrara  seu lado pior. Há cansaço generalizado ou as pessoas não tem mais tempo para pensar? Há desinformação? De jeito nenhum. Ao contrário, somos massacrados diariamente com tanta informação que nos perdemos, querendo acompanhar. O planeta está contaminado pelo poderoso vírus da maldade que ataca os poderosos, principalmente. Avançam com as guerras. Avançam com a violência, Avançam com a tecnologia. Só não avançam  praticando o amor e solidariedade. Quanta grana desperdiçada com armas, projetos de destruição. Por que não atuam em pesquisas importantes de combate a doenças ( ainda incuráveis) e que salvariam pessoas? Por que não apoiar os mais pobres, igualando as vantagens dos mais necessitados ou, pelo menos, aliviando a pobreza existente em tantas terras? O sofrimento das crianças desnutridas, pele e ossos, fome e abandono. Não dá para aceitar  tamanha injustiça! Tantas igrejas, tantas pregações, tantos ensinamentos jogados na lata de lixo. Deus deve estar revendo a sua criação. Por que tanta iniquidade? Os homens não se entendem. A humanidade no rumo da destruição. O que fazer? Rui Barbosa nunca esteve tão atual em seu pensamento sobre "nulidades".

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Inadimplência.

"Enganei meu burrinho com pedrinha de sal, comendo capim no meu quintal". Quem já não ouviu isso, alguma vez na vida? Eu já. Não vou falar mal do governo ( ainda que seja merecido), não. Nem dizer que estou devendo ao banco, pois não estou. Dívida sem pagar? Credo! Nem pensar, mesmo que a inflação bata à nossa porta com força. Faço ginástica para honrar meus compromissos. Mas não estou devendo a ninguém, apenas devo satisfação a mim mesma, ao meu coração, e ando correndo devagar, como aquele ginasta que pratica um tipo de corrida que dá a impressão que rebola, em vez de correr. Pois é, gente. Hoje mesmo, deixei de acompanhar uma amiga que me convidou para a exposição de Salvador Dali, no Centro Cultural do Banco do Brasil. Falando em banco, o que se passa com os nossos? Deixa pra lá. Mas, voltando ao gênio do surrealismo, Dali, devo dizer que não me atrai. Sou mais ligada aos pintores realistas, desculpem a franqueza e ignorância, costumo ser sincera. Por que não fui? Nem queiram saber. Ando numa fase ( aliás, que já dura mais do que seria apropriado) de desânimo e falta de vontade. Minha irmã viajou ontem, num horário pela madrugada, ela e o marido foram de avião, visitar um lugar paradisíaco, foram para o Caribe, mergulhar nas praias azuis, verdes, que cores são aquelas?  Capricho de Deus, só pode ser. Aí, me preocupo. São horas de voo. ( Ou seria vôo?) Essa de acentuar ou não me confunde ainda. Não importa. O que preciso dizer é que sou amiga pra cacete, como diriam os nossos descontraídos jovens. Quero o bem de todos, sim. Ver americano decapitado, ou crianças contraindo o Ebola, magras, famintas, isso me toca profundamente, e me causa um mal estar tremendo. E políticos traindo a Pátria o tempo todo? Tá difícil, pessoal. Vamos acordar para o voto certo. Tentemos minimizar a falta de esperança que assola os brasileiros conscientes. Eu preciso aprender a ser só, já dizia o grande compositor em sua magistral canção. Devo ao meu coração. Devo alegrias a ele. Devo felicidade. Devo e não nego. Pago, quando puder.

sábado, 9 de agosto de 2014

Homenagem ao Pai.

José Moraes Ribeiro x Olímpico.


Olímpico FC e Ordem e Progresso. Posso dizer, sem medo de errar, eram o "Fla x Flu" bonjesuense. Times rivais, com seus torcedores ferrenhos. Mas não tão agressivos, violentos, como se vê nos grandes centros urbanos hoje, verdadeira guerra onde a selvageria costuma acabar em mortes. Naquela época, havia brigas entre torcedores, sim. Eram contendas homéricas, com xingamentos, palavrões, aposto que sim. Mas havia mais respeito. Os grandes do futebol eram admirados, respeitados; entre eles, José Moraes, meu pai e Luciano Bastos, só para citar o nome de duas figuras dignas de louvor. Homenagem à memória de dois grandes homens, queridos por suas qualidades, que eram muitas, dignidade, antes de tudo. Houve uma partida em que um dos times era o Olímpico e acontecia em Pirapetinga. Os ânimos acirrados, depois de uma grande disputa onde alguns descontentes partiram para a ignorância. Esse caso me foi contado por um amigo, grande admirador de meu pai. Tumulto formado, brigas, socos e pontapés e o "tempo fechou". Um bonjesuense, que prefiro não citar o nome, com fama de valente, interveio, achando que conseguiria acalmar os ânimos e atirou para cima. E nada. Não se assustaram com isso os brigões. Aí, entra em campo uma figura de baixa estatura, pouco mais de 1.60 de altura, nascido na região e, apenas com sua força moral, impôs ordem e todos se acalmaram e respeitaram, só com a presença forte daquele homem, franzino, apenas fisicamente, mas de estatura moral elevadíssima. Um orgulho pra mim: este homem é meu pai. Não escrevi era meu pai, porque ele está vivo ainda na minha memória e meu amor e admiração mais vivos ainda. Sua bondade, evidente. Sua humildade e solidariedade reconhecidas por todos os que o conheceram de perto. Acolheu em nossa casa alguns jovens jogadores  que iniciavam carreira no futebol.. Vendo neles grande talento, ajudava-os, na medida do possível. Alguns nomes acho, posso citar: Fábio, Cadinho, Jesus, Bosco. Nossa casa, na Avenida Fassbender, tinha um tipo de apartamento,, que se compunha  de  um quarto, banheiro, ao lado da casa. Dava para um pomar, onde havia mangueiras e um pé de jambo que formava um tapete lilás, quando suas flores caiam, e mais: bananeiras, jabuticada, um pé de abiu - do -mato, pinhas, abacate, goiaba, mamão. Era o acolhimento de pai. Chegou a financiar os estudos do jovem e talentoso Fábio, que veio a ser goleiro substituto na Seleção. Além de receber as famílias dos rapazes com fidalguia, amizades que se consolidaram. Grandes nomes do futebol passaram por nossa varanda como Garrincha, Pinheiro e outros que  não me acorrem. Meu irmão, Chico, também considerado talentoso para o futebol, quando fazia gols, meu pai, humilde que era, disfarçava, não comemorava à altura do seu orgulho pelo filho que jogava bem. Era comedido nas demonstrações. Não é possível se falar no Olímpico, sem que se mentalize a figura  desse homem, tão encantado com as artes da bola no pé. Foi técnico do time; ajudou a muitos dos que começavam a carreira. Era um gosto para ele acompanhar o seu time do coração. Esse texto é um esboço acanhado para mostrar um pouco da grandeza desse homem, que tenho a glória de carregar seu nome no meu próprio... Neuza Sales Ribeiro.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

CORRENDO COM O GERÚNDIO.

Fiquei pensando sobre o único tempo verbal que define a vida: o gerúndio. Hoje, tão massacrado e criticado por todos. Os atendentes de telemarketing que o digam. Ficou um tanto ridicularizado o "estamos passando sua ligação" ou qualquer atendimento usando esse tempo de verbo. Mas concluí que é o mais razoável. O passado não volta, já existiu. O futuro pode não acontecer, portanto, também não existe. O que temos de, relativamente, palpável é o gerúndio. Acabei fazendo a analogia entre vida e música. Esta, só é real quando ouvida, tanto por alguém que canta ou quando executada por uma grande orquestra, um único músico, tirando som do seu instrumento, não importando qual seja. Só tem existência real porque a ouvimos. A vantagem é que podemos repeti-la quando quisermos. A vida, não. É um contínuo passar que não espera, não tem bis. Intrigante pensar sobre isso. A arte pode se perpetuar através da pintura numa tela, num mural, no teto das igrejas e em diversos lugares. A música, apesar de poder estar gravada nas pautas, só acontece mesmo quando executada. Assim mesmo cada nota se perde no espaço. Desaparece, fugazmente. Inevitável a constatação de que a vida é irmã gêmea da música. Ambas são percebidas, sentidas, apenas quando ouvidas. Explicando melhor: quanta coisa deixamos de usufruir se não somos tocados, alertados, sensibilizados. E não necessariamente, saída da vibração das cordas vocais, não; deixamos de ouvir, sim, a voz interior, aquela que vem do mais profundo âmago. A voz da razão? Ou, contrariamente, a voz do coração, que pode ser mais eloquente. De qualquer forma, nos perdemos em considerações inúteis, em descompasso com o ritmo do gerúndio. Este, sim, faz sua trajetória, independente do passado ou futuro. Alguns o chamam presente. Mais adequado seria não nominá-lo. Ele tem pressa, não nos daria ouvidos, nem uma nova chance. Não que não queira, apenas não pode, porque está freneticamente, correndo em direção ao infinito.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Ser avó é mais fácil?

Será? Me pergunto eu. Sei que sou melhor avó do que fui mãe. Disso não tenho dúvidas. Há explicação para essa afirmação. Quando se é jovem, os desejos e os hormônios tropeçam uns nos outros. Habitualmente acontece. O corpo tem sensações e a mente acompanha e, nem sempre, se faz o mais apropriado, o mais sensato. Não fui irresponsável, não fui a mãe desnaturada das novelas ou filmes de terror, não. Acho que fiquei dentro da média: amei meus filhos e fiquei feliz com a vinda de cada um deles. Queria ser mãe, afinal. Mas o tempo e a experiência são grandes mestres. Não acredito que as pessoas mudem. Aprendem. Há quem não aproveite essa dádiva. Melhorar, através dos ensinamentos da implacável e severa tutorial personagem: a vida. Parecia  importante viver intensamente cada momento, uma ânsia constante. Usufruir das benesses e descartar os acontecimentos nefastos. Quem não quer? Mas a medida é que faz a diferença. Hoje, me acalmei. A idade transforma o seu proceder que, resumindo,  é mais adequado, mais elaborado. Querendo ou não, somos protagonistas de uma história, nem sempre a que sonhamos; com certeza, mudaríamos alguns acontecimentos, se nos fosse dado escolher. Volto a dizer do amor pelos filhos, que não muda, não diminui. As preocupações e cuidados, os mesmos. Mas aí, chega um neto. Ou neta, não importa. Este pequeno ser maravilhoso que vem nos transformar. Parecemos um lago transbordante de ternura. E a paciência então! Parece adubada como a plantação mais bela, mais cuidada. Tudo lhes é permitido. Bagunça na sala, bagunça nos quartos, nada mais nos incomoda. Depois arrumo - penso eu - num prazer incontido, ao cuidar daquela criança. A felicidade de poder estar com um neto é indescritível. É muito amor, gente.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Como fazer comentários

Aos amigos que leem minhas crônicas. Quem quiser comentar meus textos o ideal seria abrir uma conta   Google. Obrigada.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

AFAZERES.

Se enumerar tudo o que já fiz hoje, vocês vão desistir de ler. Só coisa chata, excetuando os exercícios que fiz, na pracinha, quando me encontro com a "minha turma". Nem queria dizer que já cozinhei, coloquei roupa na máquina, comprei legumes e verduras no ônibus da Ceasa que, às quartas-feiras, se posta na minha rua. À tardinha, tenho uma tarefa agradável: pego meu netinho na saída da escola. É bem verdade que dá um trabalho do cão. Mas o prazer é mil vezes maior. Tenho que  trazê-lo  de ônibus, porque ele prefere ( tem cinco anos) e sei que mudará de gosto quanto tiver mais cinco. Não é de todo mau. Aprecio a paisagem, a praia, a água que um dia foi azul e que, agora, está marrom de poluição e esgoto, olho para o céu claro e observo as pessoas andando no calçadão. Hoje, tenho a sorte de ir de carona com o filho mais velho que gosta demais do sobrinho e se ofereceu para   buscá-lo. Faz isso sempre que pode. Pretendo dar um passeio em agosto. Vou rever os amigos e parentes na minha terra natal. Tem festa lá. Aproveitei para dar uma arrumada nos armários e vi que tenho muita roupa legal que poderei usar. Experimentei algumas, já que engordei um pouco mas me serviram. Alegria. Tenho outras coisas para fazer. São atividades que não gosto mas não devo adiar. Como deixar a casa empoeirada e banheiros sem uma boa limpeza? A vassoura me olha, escondida atrás da porta, eu olho para ela e perco a coragem. Em vez de varrer,  quem sabe não seria melhor comprar o material  para reformar um cinto, de fivela charmosa, mas que anda meio gasto? Só que deu preguiça de me arrumar. Afazeres são trabalhos, ocupações, quefazeres. Até olhei no dicionário para não escrever besteira. Um título inusitado para uma crônica. Agradeço a Deus, depois de executadas todas essas etapas, afinal, se consegui é porque estou com saúde e alguma disposição.Ah, gente, tem uma coisa legal para fazer no sábado: uma festa de casamento. Já escrevi um cartão bonito para os noivos e coloquei junto ao presente. Não consegui comprar pela Internet. Vou entregar, pessoalmente, como não se usa mais. Foram várias tentativas vãs. Apelei para a simplicidade e contei para a noiva. Às vezes, a modernidade dá um nó na eficiência. Não consegui e pronto.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

O purgatório é aqui.

Estive pensando hoje, enquanto tomava meu banho e  não me perguntem o porquê  dessa ideia: o purgatório é aqui.  Todos passamos por grandes sofrimentos. Ninguém está isento. Há momentos muito bons, sim. Noutros, percebemos a porta do inferno se abrir, donde concluímos  não há uma   felicidade ou  dor permanentes. Devemos alguma coisa e costumamos dizer que cada um carrega  sua cruz. Só que há intervalos. O madeiro é colocado ao chão e descansamos aliviados. Os bons e os maus enredados numa mesma história, sem que se compreenda o sentido da vida. Soube pelo noticiário da TV que os cientistas estão certos de que há uma possibilidade enorme de existir vida em outros planetas. Um telescópio muito mais possante a ser lançado brevemente, substituindo o que já se tornou obsoleto, vai nos dar uma dimensão maior do que acontece, além de nossas diminutas fronteiras espaciais. Como sonhar não é proibido,  faz parte do nosso imaginário, ainda mais diante das informações obtidas, visualizar um mundo melhor e mais adiantado do que essa bola azul que nominamos Terra. Não é a tese dos espíritas, seguidores de Allan Kardec, que preconiza a volta dos mortos, se reencarnando em outros corpos, que me motiva. Apenas visualizei um lugar especial, onde a alegria e a paz sejam constantes - o paraíso  prometido por Jesus. A única Lei a seguir seria a do Amor. Nenhum castigo, nenhuma aflição, e a morte não mais aconteceria. O reencontro com as pessoas que se foram antes de nós se daria de forma natural. Estamos encarcerados numa cela invisível onde purgamos nossos pecados. A sentença nos foi dada a todos. Não há escapatória. Crianças são chamadas precocemente e não entendemos o  porquê. Adultos dignos, decentes, cumpridores tanto  das leis divinas quanto das leis dos homens não são agraciados com penas menores. Há uma indiscutível injustiça pairando sobre nossas cabeças. O mistério da vida não será descoberto. Desde os tempos imemoriais é assim. E me dou o direito de sonhar...isso eu posso: querer encontrar o viver eterno onde as pessoas serão felizes para sempre.

domingo, 13 de julho de 2014

COMPRA E VENDA.

Sou péssima em economia, matemática; essas coisas com números não me atraem. Já disse isso em alguma ocasião. Mas não posso me omitir, agora, porque me afeta no bolso. Tenho um medo horrendo da inflação. Esta voltou sem cerimônia e pior: com o aval do governo. O que fazer com uma Economia que nos dá uma rasteira a cada minuto? Sou uma pessoa controlada. Gosto de futilidades, paradoxalmente. Adoro sapatos e bolsas e se pudesse compraria sempre, só que são caros e não tô com essa bola toda. Meus gastos são proporcionais ao que ganho no fim do mês. Devo pouquíssimo no cartão de crédito, só quando preciso de um eletrodoméstico que já pifou ou coisa estritamente necessária, recorro a ele. Sei que é chato ficar lendo isso, mas é só para comparar  com o que o povo brasileiro está sofrendo. Apesar de não ter grande conhecimento na área econômica, qualquer idiota sabe que não se deve gastar mais do que o que se ganha. Isso provoca dívidas irreparáveis, certo? Parece que o nosso atual governo não vê assim. Quando vou a um shopping ou mesmo entro em lojas, naquela rua cheia delas (adoro dar um giro por elas) e resolvo comprar alguma roupa, ou sapato ou seja lá o que for, presumo que terei de, antes de tudo, pagar pelo que comprei. Presumo ainda que terá que ser com o meu dinheiro. E sei que, se comprar, terei que levar embrulhado numa sacola bonita ( o que causa um enorme prazer, confesso) o que comprei. Isso é evidente, vão pensar. Mas o que vemos não é o que acontece. Explico: Compramos e pagamos através de altíssimos impostos ( os maiores do mundo, se comparados a outros países civilizados) por serviços como Saúde, Segurança, Educação, o básico, enfim, para vivermos dignamente. Só que pagamos e não levamos. Nosso dinheiro, que não é do governo, é usado para outros fins. Não vou citar aqui. Todos sabem porque estão carecas de ler em jornais, revistas, e ver em alguns bons programas pela TV ou mesmo nas redes sociais, etc, etc. o que fazem com nosso suado "money". Vamos tentar, gente, resolver esse problema? Como? Ficarão ansiosos e surpresos por eu estar vislumbrando uma solução. Não tenho a solução, claro; tenho, sim, esperança de que tudo mude com as próximas eleições. Vamos procurar pessoas que, no mínimo, sejam honestas e tenham senso de responsabilidade. Que sejam patriotas de verdade. Deixemos de chorar pelo leite derramado nos campos dos estádios com a derrota da Seleção. Isso já foi. Passou. Vamos votar certo, gente!?

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Acabou a brincadeira.

Alguém já disse que o Brasil não é um país sério. Debitaram a um governante francês, esta frase; talvez tenha sido ele, ou não. Isto não é o que importa. Como o assunto da vexatória derrota brasileira já cansou, pelo constante repetir de imagens, reportagens, declarações, reclamações e tudo que, exageradamente, foi mostrado, mal saiu dos cueiros, não dá para não pensar no que está por vir. Hoje, pela manhã, via um programa na TV em que médicos, psiquiatras, neurologistas, tentavam explicar o apagão generalizado da Seleção Brasileira. Deixemos esse assunto para esquentar os miolos do treinador fracassado ou de quem de direito. A situação do nosso país é que vem sofrendo pênaltis a todo instante e, quando apareceu um juiz apitando de maneira correta, distribuindo cartões amarelos e expulsando alguns de campo, sofreu tamanha pressão, foi tão massacrado que abandonou a arena antes da hora. E agora, José? Interrogaria Drummond, nosso poeta maior. O que vai acontecer com os jogadores que pagam seus impostos, que trabalham, treinam para um desempenho digno e que, de volta, só recebem migalhas? Diferente dos salários avantajados e desproporcionais dos atletas e seus "coaches", o homem brasileiro comum, chefe de família, que relaciona bom caráter à melhor herança para os filhos, este homem vem sendo destituído dos seus direitos, garantidos pela Constituição, e que não são respeitados. A Lei, um mero texto decorativo, observada apenas como se vê o enfeite sobre um bolo de aniversário. A Carta Magna de uma Nação não serve pra nada. A liberdade, sendo corroída, como pano velho, jogado às traças, numa gaveta. Vem se aproximando o tempo de escolher nossos governantes. Quero crer que, nas urnas, a nossa salvação. Enquanto nossas crianças brincam ( não de roda, como no meu tempo) mas com seus tablets e outros que tais, precisamos preparar para elas um caminho menos árduo. Não é justo que um time despreparado ganhe de lavada. A Alemanha nos mostrou superioridade. Lutaram e treinaram muito para mostrar um trabalho decente, que valeu a pena.  Vamos nós, brasileiros, aproveitar seu exemplo e nos debruçar sobre essa causa mais do que justa: elevar nosso país à categoria de nação desenvolvida, próspera e não apenas a "Pátria de chuteiras" como nos intitulamos. Que o próximo gol  seja na construção de Saúde e Educação.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Brutamontes

Acho que todos já disseram sobre a violência da qual  Neymar foi vítima. Somos unânimes em repudiar uma covardia daquelas. Não vou dizer mais nada sobre aquele fato. Tudo já foi dito. Apenas vou  comparar com  um assunto que tem a ver com aquele acontecimento nefasto e maldoso. Desta vez, o culpado não vai ser punido. Apenas um comentário nas redes sociais deve ter sido suficiente para que ele se sentisse eximido de culpa. Só isso. Mas outras formas de violência aparecem e nos esbofeteiam tão fortemente como a  citada, linhas acima. É uma forma de desrespeito atroz. Não deixa marcas físicas. Deixa cicatrizes na alma, nos deixa de quatro, sem ação. De que falo? Não posso esclarecer totalmente. Uns vão me achar confusa, outros vão entender perfeitamente o que quero dizer. São aqueles que, como eu, sentem-se agredidos no seu direito de dizer coisas, expressar idéias. Caminhamos para um retrocesso total,falta de liberdade, como aconteceu há anos. Fica em suspenso; não direi datas, não direi nomes, não direi das agressões. Queria muito que os que lessem essa crônica, tão pequena, tão fechada e tão restrita se esforçassem em reconhecer, ainda que subliminarmente, o que quero mostrar. Antes de qualquer coisa,  quero crer num futuro límpido. Preciso ter esperanças de uma vida mais justa. Poder confiar em alguém que nos governe com parcimônia, com decência. Daqui a um tempo já não será obrigatório o meu voto. A idade chegou e me dá essa vantagem; ou será desvantagem? Não sei. O destino de um país é algo de importância vital para o povo, óbvio. Se meu voto é importante para fazer diferença quero ainda fazer parte dessa escolha. Deixar para os filhos e netos uma vida melhor, quem não quer? Mas vejo alguns bonecos de pano que são, como num verdadeiro teatro de fantoches, conduzidos  por mãos inábeis, inescrupulosoas. Tornam o seu desempenho nocivo. São verdadeiros inimigos da vida, da liberdade. São um exército formado de brutamontes que saem pisando sem olhar por onde passam. Os que ousarem estar no seu caminho que se acautelem, não há piedade, não há sentimento de amor ao próximo. Cuidado homens de bem...

terça-feira, 24 de junho de 2014

Praça de alimentação e política.

Ir ao Shopping numa tarde de domingo, só para andar à toa e fazer companhia à filha. Fiz isso. Já não tenho tanta paciência como antes. Felizmente, não estava superlotado. Resolvi dar feriado a mim mesma. Zero cozinha, panelas vazias por hoje. Ia comer um nhoque ( brasileiro ). Sentei-me, misturada ao mar de gente com mesinhas coladas, e perdigotos dançando pra lá e pra cá. Explico pra quem tá com preguiça de ir ao dicionário: perdigoto pode ser, também, saliva que alguém lança quando fala. Pronto. E tinha um rapaz bem ao nosso lado que berrava para o amigo; há metros se ouvia o seu papo furado. Não muito longe dali, um outro homem, bonitão ( pra ser bem sincera) cabelos grisalhos, não tão belo quanto o Giannechini ( não sei se coloquei enes demais no sobrenome do ator, ou no lugar errado, mero detalhe), se fazia acompanhar por dois adolescentes. Devo dizer ainda que ele lançou um olhar para mim. Claro, não foi pelos meus belos olhos, (tenho plena consciência da minha idade, não me tornei uma idosa ridícula) acho que ele se certificava se tinha plateia, sabe o Narciso? Pois é. E ouvi-o fazendo uma reprimenda. " No meu dia, não quero saber de frescura!" Mais ou menos nesse termos. As crianças pareciam desconfortáveis. Típico pai separado, no dia de ficar com os filhos. Paciência, como a minha cozinha de domingo: zerada.
Hoje, reabro minhas mensagens, o computador, aproveitando a folga do Feriado de São João. Não me incomodo com horários, tão raro acontecer. As notícias não são boas. Há a linguagem de sempre, os recadinhos amáveis, as fotos de todos nós assistindo ao jogo do Brasil e Camarões. Mas o que me preocupou mesmo foram declarações várias sobre nossa política. Nosso país anda a passos largos para uma ditadura ou seriam especulações pré-eleições? O fato é que me abalei com aterrorizantes informações que li. O mundo, mais do que nunca, anda de pernas pro ar. Tantas guerras, tantos terroristas fazendo a "farra" , tantos estadistas e ditadores, rompendo a barreira do verossímil, não dá para ter sossego, não dá pra deitar à noite sem imaginar que futuro é reservado aos filhos e netos. Há um clarão no final do túnel? Infelizmente, acho que não.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

TORCIDA.

Todos ligados na Copa, claro. Eu também. Sou humana e brasileira, como não torcer pelo Brasil? Antes do jogo, a apresentação ( não tão  rica nem exuberante como esperava, apesar de termos Cláudia Leite e Jennifer Lopes) no Estádio, no que pude prestar atenção mesmo, foi no povo. O brasileiro transmite uma emoção que não se encontra em lugar nenhum do mundo. O povo cantando o hino nacional então, é imbatível, convenhamos. E fiquei pensando em como está sendo injustiçado esse povo tão bonito, tão carismático e tão brasileiro! Ser brasileiro não é pra qualquer um, não. Sofrer, enfrentar a violência e ainda continuar sorrindo, lutando. As autoridades presentes no Estádio, causaram em mim um misto de mágoa e revolta. Como alguém consegue não se emocionar, vibrar e, antes de tudo, respeitar um povo que traz em si uma alegria tão espontânea, tão verdadeira e que, apesar dos pesares, veste a camisa do Brasil de forma tão apropriada, não dá pra entender. É cinismo, ou será sadismo? Ou as duas coisas juntas? Torcer contra meu país, de jeito nenhum. Mesmo sabendo dos salários altíssimos dos jogadores, em completo contraste com os  salários de outros patriotas que fazem um trabalho digno, salvando vidas, por exemplo, ensinando as primeiras letras, que serão a base de toda e qualquer profissão, lidando com bandidos pra nos proteger, são tantas que ficaria horas citando-as. No mundo inteiro o valor dado a esses esportistas é o mesmo. São absurdos da humanidade. Se quisermos entender a cabeça do ser humano, entraríamos em total parafuso. Impossível. Mas me reporto ao Estádio da Copa, onde se iniciaram as contendas desse esporte que mexe tanto com o povo do Brasil. O gol contra, que ameaçou o brilho da partida, serviu para estimular os jogadores que lutaram bravamente pela vitória, afinal é pra isso que ganham salários astronômicos. E a torcida pela Seleção brasileira foi focalizada também nos altos escalões, nas arquibancadas privilegiadas, se é que me entendem. Mas eram gritos e gestos  de quem objetivava seus próprios interesses. Não era o desejo de vencer pelo povo, não. Era o desejo de quem visa alcançar outras vitórias. O povo, em segundo plano, em último, talvez... Vem outro dia de luta, de torcermos pelo nosso time, do hino cantado, com peito aberto, com emoção. Precisamos resgatar a beleza de nossa gente, da mistura de raças, representada pelo negro, pelo índio e pelo branco. Vamos voltar a ter orgulho de nossa terra, de nossa gente, que é a maioria honesta, que trabalha e quer continuar a ser feliz, ouvindo o narrador esportivo no seu grito, saído do fundo do coração: "- É gol, é gol, é gol!

sábado, 7 de junho de 2014

RISOS E AGULHAS.

Hoje, lembrei-me de minha avó. Amanheceu um dia bonito, sol brilhando lá fora. Mas eu não me via muito bem. Sentimento indefinível, meio parecido com tristeza. E lembrei-me dela, minha avó; sua figura chegou de repente, e imaginei suas dores e seus rancores. Por que seria tão difícil para ela o simples fato de viver? Era corpulenta, gorda mesmo, seus braços cobertos por celulite e as pernas que tinham dificuldade para carregar todo o peso daquele corpo que, antes, deveria ter sido o de uma mulher muito bonita, já que seu rosto ainda mantinha traços de beleza inconfundível. Era culta, falava francês e um conto seu fora publicado numa revista que não me lembro o nome. O tempo me distanciou das lembranças. Mas por que  a sensação de desconforto me invadiu enquanto  preparava o café e arrumava um resto de louça que ficou de ontem? Revivi muito de perto a agonia da avó, tão robusta e tão magoada com a vida. Sentia um certo receio em desagradar minha avó, devo dizer. Quantas vezes a vi agitada, brava, falando alto e, em muitas outras, ficava sabendo que ela havia sido internada com problemas neurológicos. Mas foi ela quem me deu a primeira aula de tricô. Lidar com as duas agulhas que, num passe de mágica, transformava a lã em um bonito pulôver ou numa echarpe ou em sapatinhos de bebê. Nunca consegui fazer nenhuma dessas coisas com habilidade. Apenas dá pro gasto, e algumas investidas, resultaram em uma blusa não muito bem acabada. Enfim, o propósito é dizer sobre a mistura de admiração e medo que sentia por minha avó. Eram vizinhos dela dois rapazes muito bonitos. Um, moreno de praia, cabelos de um louro exagerado em contraste com a pele, seu nome acho que era Marcos e o do irmão não me lembro. Quando coincidia na descida do elevador estar um dos dois, era motivo de um comportamento meio sapeca e de timidez. Devia ter quinze anos ou menos nessa época. Meu avô comprara dois apartamentos e os ligara num só. Ficava de frente ao mar da praia do Saco de São Francisco. A visão dos moços queimados, com shorts me deixava inebriada. Era uma realidade diferente da minha, de menina-moça do interior, que não prendia o riso, no elevador. Situação constrangedora, infantil, mas inevitável. Muitos fatos aconteciam, as danças em casas de família ou no play de um apartamento vizinho. Nós íamos, eu e minha irmã, um pouco mais velha que eu, acompanhadas da amiga carioca que fizemos, no mesmo edifício do meu avô. Minha irmã se encantara com um jovem que conhecera na praia e frequentava a Academia Militar das Agulhas Negras, chegaram a trocar cartas. Eu me apaixonei por um lindo moreno, que tinha o nome mais estranho que nunca ouvira falar: Berilo. Agora, escrevo  e me vem tantas outras lembranças. Dançava com o meu príncipe, com nome de pedra preciosa e ele me perguntava se eu não falava. E eu continuava mais quieta ainda. Foi bom. Preciso espantar esse sentimento traiçoeiro que às vezes me acomete. O passado deve ser deixado onde está, lá atrás, até porque não volta mais. Só que veio hoje, pra me fazer reagir, pensar no que aconteceu e relembrar alguém que foi jovem, envelheceu, sofreu e como todos nós enfrentou momentos tristes. Saudades da minha  avó  Tatau...

terça-feira, 20 de maio de 2014

Sem tesão.

Há dias, não escrevo. Vontade aparece e desaparece com a mesma rapidez. Há uma causa para essa falta de assunto? Será que  nada de novo aconteceu que me despertasse o desejo de colocar minhas ideias e percepções? Não creio. Coisas se repetem, outras podem ser intrigantes. Só que me cansei. Deve ser esse o motivo. A corrupção deixou de ser novidade para ser um marco histórico: nunca se roubou tanto o tempo inteiro. Os valores morais continuam em baixa. Isso é repetido por todos,  numa cantilena sem fim. As revistas ( poucas) e jornais, a Internet, os diversos meios de comunicação nos informam, com a rapidez de um relâmpago, as tristes notícias  já se tornaram hábito. Crimes hediondos, ameaças de morte à mais alta autoridade do país, desgraças várias, o planeta se rebelando contra nós ( com justa causa), greves de policiais( que deveriam nos proteger e não protegem), ainda que suas reivindicações, as mais justas. E por aí vai. A vida segue com seus problemas, todos os temos. A idade que avança rápido demais, os ossos que já não dão conta do corpo fatigado, usado. Mas a desesperança, acho, é a causa maior desse imenso desânimo.  Viajei este fim de semana. Visitei minha cidade natal. Visitei minha irmã querida, que me deu colo. Estive com a sobrinha que amo de paixão, que admiro. Fui à missa, e observei o cuidado com que é mantida a nossa igreja. Conversei com amigas que não via há tempos. Foi bom. Apenas bom. Noutros tempos, eu teria me mostrado ansiosa,teria comprado roupa nova para fazer bonito, talvez, um bolsa vistosa e um sapato deslumbrante. Não foi assim. O mundo ficou pior ou o homem se desumanizou por completo? Voltei para casa e a rotina me esperava sentada. Sempre bom é o retorno a casa. Queria estar mais alegre. Queria estar olhando o por do sol com mais tesão, o que costumava fazer um tempo atrás, quando parava, extasiada,  observando o astro dourado e vermelho que me fazia sonhar. Viajava sem sair do lugar. Quero escrever de novo, sentir o texto se formando na cabeça ao olhar uma criança, ou uma flor no jardim; até quando, pela janela do ônibus, ficava imaginando a vida de cada pessoa que passava pela calçada ou alguém que atravessava uma rua. Quero estar viva de novo. Vou regar a sementinha e pedir a Deus que ela brote mais uma vez.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

ALEGRIA VERSUS TRISTEZA

Quis colocar a palavra alegria na frente da tristeza. De propósito. Sou alguém que se diz bem-humorada, alegre, na verdade. Gosto de música, muito. De dançar. De piadas. De ir ao cinema, de teatro, de novela. São muitas as  coisas de que gosto. Há pessoas que não conseguem tirar alegria de nada, não se distraem, qualquer que seja o lazer. E ia me esquecendo de dizer que gosto imensamente de ler e do que estou fazendo agora, escrever. Hoje, depois de me esforçar muito, consegui ir à aula de ginástica. Explico, quando falo de esforço. Normalmente, gosto demais dos exercícios, da companhia agradável dos novos amigos e companheiros de canseira. Mas tem música, gente. Adoro ter que me virar para fazer, acompanhando o ritmo, as mirabolantes séries de alongamento, da ginástica propriamente dita e tudo o mais. Só que, esta semana, aconteceu algo que me deixou preocupada. Tive a notícia que não queria ter. A filha de uma colega (trabalhamos na mesma escola) e amiga, depois de um transplante de medula, não suportara a carga que vinha sendo colocada em sua vida por longos quatro anos. Entregou sua alma, lutadora, ao Criador. Apenas 25 anos,tão jovem! Eu chegava em casa com meu neto. Isso já me traz uma satisfação enorme; quem é avó coruja como eu sabe. Tínhamos eu e ele grandes planos. Isto inclui ver filmes, desenhos na TV, contar histórias, e além de tudo,  eu convidara sua amiguinha recente para almoçar com ele em minha casa. Mal entrei, e tive a notícia triste da morte da mocinha, que enfrentara um câncer com toda bravura. O que veio depois, não me lembro, só sei que tive um piti. Apaguei. Acudiram-me uma vizinha ( quase uma irmã, muito amiga) e meu cunhado, médico. Não me lembro de nada disso. Passei umas duas horas ou mais nesse estado de semi-inconsciência, pois falava, respondia coisas que me perguntavam, mas era como se estivesse vivendo um estado de sonolência, quando dormimos e sonhamos. A mãe do meu neto veio pegá-lo, a chamado de minha filha. Nunca antes passara por tal coisa. Minha pressão deve ter subido pois fiquei sabendo que meu cunhado me colocara remédio sob a língua. É terrível essa sensação. Por mais que eu tente, não me recordo de nada acontecido neste período. Hoje, fui, como já disse, à ginástica. Devo confessar minha insegurança ao encaminhar-me para lá. O encontro com as pessoas me fez bem. Tem um que é psicólogo.  Aproximou-se de mim, dizendo que eu estava sumida. Contei-lhe com poucas palavras sobre o meu sofrimento, angústia. Ele então me aconselhou que escrevesse. "- Bota pra fora, do jeito que você sabe e gosta de fazer , escreva sobre a tristeza.". Palavras textuais dele. Aquilo me caiu bem. Senti-me amparada, confortada. Por isso, tento reproduzir aqui o que se passou num momento difícil. Fui ao médico, colega do meu cunhado. Ambos parecem ter a mesma opinião. Estresse total. Emocional. Entretanto, foi pedido um exame para tirar dúvidas, mais minhas que deles. Vou lá, nos próximos dias, fazer uma ressonância magnética. Tomara que não seja nada pior. Às vezes, anjos fantasiados de amigos, vem para nos dar apoio. Um deles, meu professor de violão, rapaz jovem, nos seus trinta e poucos, veio saber o porquê de eu não ter ido à aula. É na mesma rua em que moro, numa pequena igreja Evangélica. Chegou, me abraçou. Pediu-me para que fizéssemos uma oração e leu trechos da Bíblia. Marta e Maria eram focalizadas, as duas irmãs. A primeira reclamava com Jesus da carga de trabalhos, afazeres domésticos, enquanto Maria só ficava ouvindo o Nosso Senhor. E Ele lhe respondeu: "Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada." Maria ouvia Jesus. Isso é importante. Pensar em Deus na hora das atribulações. Confiar. Ter fé. Um jovem, que poderia ser meu filho, fez-me parar para pensar nisso. Não foi um anjo, caído do céu?

sábado, 26 de abril de 2014

ÁGATA CHRISTIE VIU

Como está na moda terceirizar, devo dizer que estou lendo um livro que me foi dado por empréstimo terceirizado. Isso mesmo. Minha irmã mais velha é devoradora de livros, apaixonada por uma boa história e outros bichos. A irmã segunda, numa turma de cinco, me deixou alguns exemplares para entregá-los a ela. É meio genético na minha família gostar de ler. Tinha acabado de degustar a Martha Medeiros. Não me levem a mal. Encaixei aqui a figura de linguagem que troca a obra pelo autor. É melhor que pudim de leite condensado, depois do almoço, a leitura de um bom livro. Como poderia eu, com aquele "Café preto" da famosa autora Ágata Christie, me olhando da cabeceira da cama, deixar de abri-lo, ainda que num sábado pela manhã, já que não tenho nada marcado, nenhum compromisso, nem mesmo a ginástica da terceira idade? Aí, me chamou atenção o que li na página oito, para ser bem exata. Transcrevo literalmente, quando o não menos famoso Hercule Poirot, lia no seu jornal matinal: "Poucos minutos depois, o Times tinha sido posto de lado. O noticiário internacional era , como sempre, deprimente. Aquele terrível Hitler havia transformado os tribunais alemães em sucursal do Partido Nazista." Paro aí, para uma reflexão. Tem uma certa semelhança com a situação, no mínimo estranha por que passa nosso país. Não pude deixar de associar alguns acontecimentos que presenciamos, não só nos melhores noticiários da TV, do rádio, na Internet, enfim, em todo lugar da mídia, além, é claro, da nossa realidade crua, quando vemos nosso salário sendo comido pela inflação, que volta de forma preocupante, dos impostos sendo empregados "noutras plagas" beneficiando outro povo, outra gente, que não somos nós, os brasileiros. Nos contos de fadas há uma rainha má, seus fiéis escudeiros. Nós teríamos, como no imaginário infantil, a bruxa safada, que não mede as consequências e que só quer destruir a princesinha, deixando-a abandonada na floresta, ou mesmo sendo morta pelo lacaio desumano, mas que só cumpre ordens da megera? Sei, não. O fato é que o terrível Hitler, como nomeava a escritora, na história fictícia em que o detetive esperto, ardiloso e inteligente demais, deslindava os mais difíceis casos, neste pequeno trecho do livro, foi impossível não estabelecer algumas parecenças com o nosso governo, guardadas as devidas proporções, as  "coincidências" e, ainda repetindo as lições que tive de Português, com os anacolutos evidentes da nossa "dirigente de estado " que, ou tem inteligência superior, ou nós, simples mortais, não alcançamos seu poder de persuasão, quando nos dirige palavras de improviso. Será que nós, povo brasileiro, estamos sendo transformados em fantoches, como os pobres alemães, que seguiam sem reação o governante louco e que deixou o mundo num vasto território de destruição e guerras, com tragédia mais que anunciada? Dizem que Deus é brasileiro. Espero que Ele, sim, não nos deixe no desamparo.

domingo, 13 de abril de 2014

A VELHICE DOI.

É surpreendente a falta de cerimônia com que somos tratados por ela, nós os velhos. Sem nenhum motivo aparente, amanheci com um incômodo na perna direita. Fui delicada, sutil mesmo: incômodo que nada! É dor mesmo. Vai da coxa, lá do comecinho, atravessa a faixa de Gaza e alcança o pé. A indagação é: sentei-me de mal jeito ou devo pensar que fiquei muito tempo numa posição, teclando o computador? Deve haver uma razão, imagino. Ou devo achar  que sou parecida com o carro bastante usado do filho, que o vidro direito, bem ao lado do chofer, já não baixa, muito menos levanta; carro usado dá problemas mesmo, é a lona do freio, amortecedor, a parte elétrica já mostrando cansaço. Só para acharem que entendo um pouco da "rebimboca da parafuseta". Sei nada de carros. Mas de velhice estou ficando expert. Tomar sol é bom para os ossos, fixar o cálcio; ficar parada, nem pensar!  Exercícios nela! Caminhada, qualquer coisa. Dançar - disso eu gosto. Mas com quem? Outro dia, fui a um baile promovido pelo grupo que frequento, aliás,  tem um nome sugestivo que começa por Projeto...deixa estar... não vou dizer, até porque é um lugar onde, realmente, me sinto bem, onde encontrei pessoas  como eu, outras diferentes mas todas objetivando saúde. De algumas já virei amiga. Mas volto ao baile: entrei por uma porta e sai pela outra. Devo confessar que aliciei minha irmã de companhia. Um fracasso. Não era minha praia.
Entrei numa aula de violão. De vez em quando, esqueço da hora, da dor nas costas e me pego "tocando" todas as músicas do meu caderninho aramado, grosso, cheio de cifras e desenhos com as melhores posições. Não vão maldar! É que tenho bom ouvido e invento um jeito de adaptar os dedos e as cordas, de modo que o contorcionismo seja menor. De novo, a dor. Desta vez, no lado esquerdo, bem difícil dobrar a coluna.
O remédio para destruir o colesterol ruim me causou dores generalizadas. Mal podia carregar uma pequena sacola de mercado, o braço esquerdo ( logo ele) quase ficou inútil. Parei. Com o remédio, não com as dores. Elas diminuíram, sim, bastante.
E, a cada manhã, uma novidade. Pensamento positivo é o que se lê a cada esquina, em livros de autoajuda, nas lições dos bons amigos , bem intencionados, nas redes sociais. É o que todo o time de otimistas diz. Estou careca de saber. Mas a velhice dói. Inegável verdade.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

O TAMANHO DO HOMEM.

Ia pela calçada, escolhendo o chão onde pisar, pensando na pequenez do homem. Olhei os edifícios altos e me dei conta da grandeza do cérebro humano, ainda que pouco explorado. Dizem os cientistas e entendidos que o temos utilizado pouco, muito pouco. Mas o que o homem já construiu é incrível. Utilizou máquinas, computadores e toda a tecnologia para implantar grandes feitos, grandes obras. Basta um mínimo buraco, um ressalto ínfimo e podemos tropeçar, cair, as consequências, desastrosas. E eu olhava para os presumidos trezentos metros de calçada e ia cismando. A manutenção pela prefeitura, zero. Os impostos, mil. Aí, vem a sensação de que o homem não só utiliza pouquíssimo o cérebro como também aproveita quase nada, quando se trata de zelar pelo bem público. O tamanho de um homem não se mede pela estatura física e, sim, pelo seu comportamento diante da sociedade. Essa, já tão calejada, sofrida, descrente. Falo de homem para designar a humanidade, claro. Há mulheres que valem ser citadas. Há grandes mulheres que lutam por seus direitos e sabem, ao mesmo tempo, cultivar decência, honradez. Mas há outras, em contrapartida, que perdem um momento histórico para deixarem gravadas na calçada da fama, suas mãos, merecida homenagem, quando suas atitudes são comprovadamente a favor das pessoas, dos irmãos, que somos todos nós. Estamos carentes de  grandes homens e de grandes mulheres. Há uma senhora, que perdeu a chance de alcançar os píncaros da fama, não por sua altura física mas por seu desempenho, numa função em que representa  um país, o nosso Brasil. Cada vez mais, buracos nas calçadas, buracos nas estradas, buracos nos hospitais, buracos na Educação. Viramos um buraco sem fundo.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

CAVALGANDO.

Ela morava na fazenda. Nos fins de semana ia para casa, na pequena cidade. Era professora, numa época em que ser professora era de suma importância. Mas o assunto hoje não é esse, das injustiças cometidas contra essa classe, fundamental para que se possa alcançar qualquer coisa na vida, o alicerce, a base, enfim. Nada de papo político. Nada disso, até porque, atravessamos fase nebulosa, dolorosa, mesmo, onde impera a corrupção e os valores invertidos são a tônica. Mas já disse que não quero falar disso. Quero fazer  rir um pouco com essa historinha que ouvi, ontem, de minha irmã. Eu dizia, no começo, que ela morava na fazenda. Os donos, nossos avós, os tios, primos, toda  a família se fora. Sobraram alguns colonos, que viviam no entorno da casa grande, já quase em ruínas. A professorinha  ficava numa casa menor, porque a grande área de terras havia sido repartida entre os herdeiros. Mas a escola continuava lá, de pé. Moça jovem, começando a carreira, bonita, cheia de vida, aproveitava do ar puro e vida livre que gostava de ter. Era medrosa, sim. Medo de assombração...essas coisas; mas não tinha medo de cavalgar. Esta, sim, uma atividade que praticava com gosto, correndo pelas estradas de chão, fazendo da montaria sua hora de lazer. E lá ia ela, de braços abertos, montada na velha sela usada; na garupa, a menina, filha dos colonos, sua aluna. E as duas voavam como o vento, em cima do cavalo. Só que a garotinha era gaga. Tinha problemas de fala. Então, vendo a professora atirar-se, corajosa, de braços abertos (como a atriz do filme Titanic), galopando numa carreira frenética, de olhos fechados, absorvendo toda energia possível, a pequenina, tentava com gritinhos, entrecortados pela dificuldade da fala, avisar à professora amazona: - " O je... je...jeep...do...do...do...se...seu...Be...Be...belinho!" Bons tempos aqueles!

sexta-feira, 28 de março de 2014

PEGANDO CARONA

Não era um carro, nem era navio, não era um trem nem avião. Só sei que tomei assento. Rumo ao infinito, talvez. A viagem não sei, seria breve ou longa; algumas paradas para descanso. Os sonhos, acordada ou dormindo, estão lá. Alguns passageiros vão se acomodando como podem. Uns, à minha frente; outros, mais atrás e um ou outro ao meu lado. O que não quer dizer que sejam companheiros de jornada. Muitas vezes, os que estão mais próximos são os mais distantes. Afinidade zero. Apenas passam por você, que os vê, percebe sua presença mas não dizem a que vieram. Estamos de passagem, sim. Também não sabemos o porquê de estarmos aqui. Assim é para todos. Aproveitar a oportunidade de fazer o bem pode ser uma dica valiosa para a suposta felicidade. O contrário costuma ser praticado sem a menor cerimônia. Falta de consciência, ou falta de amor. O fato é que, independente do que fizermos, chegaremos ao ponto final. Daqui onde estou, ainda difícil visualizar a quilometragem. Mas pressinto que estou chegando. Os números das placas na estrada devem mostrar claramente. Se não há chão, nem trilhos, nem um oceano, estarei voando e nesta trilha não há marcadores da distância já percorrida, entretanto, uma voz vinda de um alto-falante nos deixariam cientes da próxima aterrissagem. O que farei quando chegar, não sei. Há alguém me esperando, é no que gostaria de acreditar. É preciso um objetivo para essa viagem. Se valeu a pena, será a pergunta que me farei. A sensação é de que não viajei acompanhada. Apenas o roteiro me foi dado e eu tive que me virar como pude.

quinta-feira, 27 de março de 2014

TRISTEZA

De repente, meu coração ficou triste
Em busca de consolo
Triste... Porque partiste
Vazio, sentindo-se um tolo


Porque assim desse jeito
Sem afago, simplesmente acabado
Interrompido, cancelado, desfeito
Cadê o amor, cadê meu amado?


Se foi assim desse jeito... sem permissão
 Desmanchando como nuvem no céu
Nem esperou consentimento
Apagou-se, não tem mais, me deixou ao léu...





sábado, 22 de março de 2014

POESIA PROSA

Tempo quente.Calor escaldante.
Escondido no seio
O livro que leio.
Quero escrever não consigo,espero um instante.
Vou me banhar, refrescar as idéias
Que palpitam , que esperam na madorna da tarde.
Vou escrever,sim, sem alarde.
Beijo molhado, beijo de língua, beijo de lábios
Beijos e sabores
E cheiros de amores.
Por que lembrar? Talvez...saudades.
Meninos  ainda escondidos
Não cresceram...De fato...só vividos.
E ficaram velhos... O tempo deixaram passar.
Cada vez menos o verbo amar.
Os sonhos se vão com a idade
Por que lembrar? Talvez...saudades.




Cada vez mais se esquecem de amar.
No campo ou na cidade.
Que diferença faz
Homens iguais...Mulheres diferentes
Homens normais...Mulheres descrentes
Mulheres em busca de paz...
Rever-te... Não quero mais
Esquecer-te foi glória demais.


Caminho sozinha pela vida bastarda
Que me foi dada de graça
Sem eu nada pedir
Agora, de alma lavada
Espero mais nada sentir.

quarta-feira, 19 de março de 2014

José Moraes Ribeiro x Olímpico.

Olímpico FC e Ordem e Progresso FC. Posso dizer, sem medo de errar, eram o "Fla x Flu" bonjesuense. Times rivais, com seus torcedores ferrenhos. Mas não tão agressivos, violentos, como se vê nos grandes centros urbanos, hoje, verdadeira guerra onde a selvageria costuma acabar em mortes. Naquela época, havia brigas entre torcedores, sim. Eram contendas homéricas, com xingamentos, palavrões, aposto que sim. Mas havia mais respeito. Os grandes do futebol eram admirados, respeitados; entre eles, José Moraes Ribeiro e Luciano Bastos, só para citar o nome de duas figuras dignas de louvor. Homenagem à memória de dois grandes homens, queridos por suas qualidades, que eram muitas, dignidade, antes de tudo. Houve uma partida em que um dos times era o Olímpico e acontecia em Pirapetinga. Os ânimos acirrados, depois de uma grande disputa onde alguns descontentes partiram para a ignorância. Esse caso me foi contado por um amigo, grande admirador de meu pai. Tumulto formado, brigas, socos e pontapés e o "tempo fechou". Um bonjesuense, que prefiro não citar o nome, com fama de valente, interveio, achando que conseguiria acalmar os ânimos e atirou para cima. E nada. Não se assustaram com isso os brigões. Aí, entra em campo uma figura de baixa estatura, pouco mais de 1.60 de altura, nascido naquela região, e apenas com sua força moral, impôs ordem e todos se acalmaram e respeitaram, só com a presença forte daquele homem, pequenino apenas fisicamente, mas de estatura moral elevadíssima. Um orgulho pra mim: este homem é meu pai. Não escrevi era  meu pai, porque ele está vivo ainda na minha memória e meu amor e admiração por ele mais vivos ainda. Sua bondade era evidente. Sua humildade e solidariedade reconhecidas por todos os que o conheceram. Acolheu em nossa casa alguns jovens jogadores que iniciavam sua carreira no futebol. Vendo neles grande  talento, ajudava-os na medida do possível. Alguns nomes acho que posso citar: Fábio, Jésus, Bosco, Cadinho. Nossa casa, na Avenida Fassbender, tinha um tipo de apartamento, que se compunha de um quarto e banheiro, ao lado da casa. Dava para um pomar amplo onde existiam muitas mangueiras, um lindo pé de jambo, que formava um tapete lilás, quando suas flores caíam e mais: jabuticada, um pé de abiu-do-mato, pinhas, abacate goiaba, bananeiras, mamão. Era o acolhimento de pai para filho. Chegou a financiar os estudos do jovem e talentoso Fábio, que veio a ser goleiro reserva da Seleção. Além de receber as famílias dos rapazes com fidalguia. Foram grandes amizades que se consolidaram. Grandes nomes do futebol passaram por nossa varanda como Garrincha, Pinheiro e outros que não me acorrem. Meu irmão, Chico, também considerado talentoso para o futebol, quando  fazia goals, meu pai, humilde que era, não comemorava à altura do seu orgulho pelo filho que jogava bem. Era comedido nas demonstrações. Não é possível se falar no Olímpico, sem que se mentalize a figura desse homem, tão encantado com as artes da bola no pé. Foi técnico do time; ajudou a muitos dos que começavam a carreira. Era um gosto pra ele acompanhar o seu time do coração. Esse texto é um esboço acanhado para mostrar um pouco da grandeza desse homem, que tenho a glória de carregar seu nome no meu próprio.             

                                                         Neuza Sales Ribeiro.