quarta-feira, 19 de março de 2014

José Moraes Ribeiro x Olímpico.

Olímpico FC e Ordem e Progresso FC. Posso dizer, sem medo de errar, eram o "Fla x Flu" bonjesuense. Times rivais, com seus torcedores ferrenhos. Mas não tão agressivos, violentos, como se vê nos grandes centros urbanos, hoje, verdadeira guerra onde a selvageria costuma acabar em mortes. Naquela época, havia brigas entre torcedores, sim. Eram contendas homéricas, com xingamentos, palavrões, aposto que sim. Mas havia mais respeito. Os grandes do futebol eram admirados, respeitados; entre eles, José Moraes Ribeiro e Luciano Bastos, só para citar o nome de duas figuras dignas de louvor. Homenagem à memória de dois grandes homens, queridos por suas qualidades, que eram muitas, dignidade, antes de tudo. Houve uma partida em que um dos times era o Olímpico e acontecia em Pirapetinga. Os ânimos acirrados, depois de uma grande disputa onde alguns descontentes partiram para a ignorância. Esse caso me foi contado por um amigo, grande admirador de meu pai. Tumulto formado, brigas, socos e pontapés e o "tempo fechou". Um bonjesuense, que prefiro não citar o nome, com fama de valente, interveio, achando que conseguiria acalmar os ânimos e atirou para cima. E nada. Não se assustaram com isso os brigões. Aí, entra em campo uma figura de baixa estatura, pouco mais de 1.60 de altura, nascido naquela região, e apenas com sua força moral, impôs ordem e todos se acalmaram e respeitaram, só com a presença forte daquele homem, pequenino apenas fisicamente, mas de estatura moral elevadíssima. Um orgulho pra mim: este homem é meu pai. Não escrevi era  meu pai, porque ele está vivo ainda na minha memória e meu amor e admiração por ele mais vivos ainda. Sua bondade era evidente. Sua humildade e solidariedade reconhecidas por todos os que o conheceram. Acolheu em nossa casa alguns jovens jogadores que iniciavam sua carreira no futebol. Vendo neles grande  talento, ajudava-os na medida do possível. Alguns nomes acho que posso citar: Fábio, Jésus, Bosco, Cadinho. Nossa casa, na Avenida Fassbender, tinha um tipo de apartamento, que se compunha de um quarto e banheiro, ao lado da casa. Dava para um pomar amplo onde existiam muitas mangueiras, um lindo pé de jambo, que formava um tapete lilás, quando suas flores caíam e mais: jabuticada, um pé de abiu-do-mato, pinhas, abacate goiaba, bananeiras, mamão. Era o acolhimento de pai para filho. Chegou a financiar os estudos do jovem e talentoso Fábio, que veio a ser goleiro reserva da Seleção. Além de receber as famílias dos rapazes com fidalguia. Foram grandes amizades que se consolidaram. Grandes nomes do futebol passaram por nossa varanda como Garrincha, Pinheiro e outros que não me acorrem. Meu irmão, Chico, também considerado talentoso para o futebol, quando  fazia goals, meu pai, humilde que era, não comemorava à altura do seu orgulho pelo filho que jogava bem. Era comedido nas demonstrações. Não é possível se falar no Olímpico, sem que se mentalize a figura desse homem, tão encantado com as artes da bola no pé. Foi técnico do time; ajudou a muitos dos que começavam a carreira. Era um gosto pra ele acompanhar o seu time do coração. Esse texto é um esboço acanhado para mostrar um pouco da grandeza desse homem, que tenho a glória de carregar seu nome no meu próprio.             

                                                         Neuza Sales Ribeiro.

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