Não era um carro, nem era navio, não era um trem nem avião. Só sei que tomei assento. Rumo ao infinito, talvez. A viagem não sei, seria breve ou longa; algumas paradas para descanso. Os sonhos, acordada ou dormindo, estão lá. Alguns passageiros vão se acomodando como podem. Uns, à minha frente; outros, mais atrás e um ou outro ao meu lado. O que não quer dizer que sejam companheiros de jornada. Muitas vezes, os que estão mais próximos são os mais distantes. Afinidade zero. Apenas passam por você, que os vê, percebe sua presença mas não dizem a que vieram. Estamos de passagem, sim. Também não sabemos o porquê de estarmos aqui. Assim é para todos. Aproveitar a oportunidade de fazer o bem pode ser uma dica valiosa para a suposta felicidade. O contrário costuma ser praticado sem a menor cerimônia. Falta de consciência, ou falta de amor. O fato é que, independente do que fizermos, chegaremos ao ponto final. Daqui onde estou, ainda difícil visualizar a quilometragem. Mas pressinto que estou chegando. Os números das placas na estrada devem mostrar claramente. Se não há chão, nem trilhos, nem um oceano, estarei voando e nesta trilha não há marcadores da distância já percorrida, entretanto, uma voz vinda de um alto-falante nos deixariam cientes da próxima aterrissagem. O que farei quando chegar, não sei. Há alguém me esperando, é no que gostaria de acreditar. É preciso um objetivo para essa viagem. Se valeu a pena, será a pergunta que me farei. A sensação é de que não viajei acompanhada. Apenas o roteiro me foi dado e eu tive que me virar como pude.
sexta-feira, 28 de março de 2014
quinta-feira, 27 de março de 2014
TRISTEZA
De repente, meu coração ficou triste
Em busca de consolo
Triste... Porque partiste
Vazio, sentindo-se um tolo
Porque assim desse jeito
Sem afago, simplesmente acabado
Interrompido, cancelado, desfeito
Cadê o amor, cadê meu amado?
Se foi assim desse jeito... sem permissão
Desmanchando como nuvem no céu
Nem esperou consentimento
Apagou-se, não tem mais, me deixou ao léu...
Em busca de consolo
Triste... Porque partiste
Vazio, sentindo-se um tolo
Porque assim desse jeito
Sem afago, simplesmente acabado
Interrompido, cancelado, desfeito
Cadê o amor, cadê meu amado?
Se foi assim desse jeito... sem permissão
Desmanchando como nuvem no céu
Nem esperou consentimento
Apagou-se, não tem mais, me deixou ao léu...
sábado, 22 de março de 2014
POESIA PROSA
Tempo quente.Calor escaldante.
Escondido no seio
O livro que leio.
Quero escrever não consigo,espero um instante.
Vou me banhar, refrescar as idéias
Que palpitam , que esperam na madorna da tarde.
Vou escrever,sim, sem alarde.
Beijo molhado, beijo de língua, beijo de lábios
Beijos e sabores
E cheiros de amores.
Por que lembrar? Talvez...saudades.
Meninos ainda escondidos
Não cresceram...De fato...só vividos.
E ficaram velhos... O tempo deixaram passar.
Cada vez menos o verbo amar.
Os sonhos se vão com a idade
Por que lembrar? Talvez...saudades.
Cada vez mais se esquecem de amar.
No campo ou na cidade.
Que diferença faz
Homens iguais...Mulheres diferentes
Homens normais...Mulheres descrentes
Mulheres em busca de paz...
Rever-te... Não quero mais
Esquecer-te foi glória demais.
Caminho sozinha pela vida bastarda
Que me foi dada de graça
Sem eu nada pedir
Agora, de alma lavada
Espero mais nada sentir.
Escondido no seio
O livro que leio.
Quero escrever não consigo,espero um instante.
Vou me banhar, refrescar as idéias
Que palpitam , que esperam na madorna da tarde.
Vou escrever,sim, sem alarde.
Beijo molhado, beijo de língua, beijo de lábios
Beijos e sabores
E cheiros de amores.
Por que lembrar? Talvez...saudades.
Meninos ainda escondidos
Não cresceram...De fato...só vividos.
E ficaram velhos... O tempo deixaram passar.
Cada vez menos o verbo amar.
Os sonhos se vão com a idade
Por que lembrar? Talvez...saudades.
Cada vez mais se esquecem de amar.
No campo ou na cidade.
Que diferença faz
Homens iguais...Mulheres diferentes
Homens normais...Mulheres descrentes
Mulheres em busca de paz...
Rever-te... Não quero mais
Esquecer-te foi glória demais.
Caminho sozinha pela vida bastarda
Que me foi dada de graça
Sem eu nada pedir
Agora, de alma lavada
Espero mais nada sentir.
quarta-feira, 19 de março de 2014
José Moraes Ribeiro x Olímpico.
Olímpico FC e Ordem e Progresso FC. Posso dizer, sem medo de errar, eram o "Fla x Flu" bonjesuense. Times rivais, com seus torcedores ferrenhos. Mas não tão agressivos, violentos, como se vê nos grandes centros urbanos, hoje, verdadeira guerra onde a selvageria costuma acabar em mortes. Naquela época, havia brigas entre torcedores, sim. Eram contendas homéricas, com xingamentos, palavrões, aposto que sim. Mas havia mais respeito. Os grandes do futebol eram admirados, respeitados; entre eles, José Moraes Ribeiro e Luciano Bastos, só para citar o nome de duas figuras dignas de louvor. Homenagem à memória de dois grandes homens, queridos por suas qualidades, que eram muitas, dignidade, antes de tudo. Houve uma partida em que um dos times era o Olímpico e acontecia em Pirapetinga. Os ânimos acirrados, depois de uma grande disputa onde alguns descontentes partiram para a ignorância. Esse caso me foi contado por um amigo, grande admirador de meu pai. Tumulto formado, brigas, socos e pontapés e o "tempo fechou". Um bonjesuense, que prefiro não citar o nome, com fama de valente, interveio, achando que conseguiria acalmar os ânimos e atirou para cima. E nada. Não se assustaram com isso os brigões. Aí, entra em campo uma figura de baixa estatura, pouco mais de 1.60 de altura, nascido naquela região, e apenas com sua força moral, impôs ordem e todos se acalmaram e respeitaram, só com a presença forte daquele homem, pequenino apenas fisicamente, mas de estatura moral elevadíssima. Um orgulho pra mim: este homem é meu pai. Não escrevi era meu pai, porque ele está vivo ainda na minha memória e meu amor e admiração por ele mais vivos ainda. Sua bondade era evidente. Sua humildade e solidariedade reconhecidas por todos os que o conheceram. Acolheu em nossa casa alguns jovens jogadores que iniciavam sua carreira no futebol. Vendo neles grande talento, ajudava-os na medida do possível. Alguns nomes acho que posso citar: Fábio, Jésus, Bosco, Cadinho. Nossa casa, na Avenida Fassbender, tinha um tipo de apartamento, que se compunha de um quarto e banheiro, ao lado da casa. Dava para um pomar amplo onde existiam muitas mangueiras, um lindo pé de jambo, que formava um tapete lilás, quando suas flores caíam e mais: jabuticada, um pé de abiu-do-mato, pinhas, abacate goiaba, bananeiras, mamão. Era o acolhimento de pai para filho. Chegou a financiar os estudos do jovem e talentoso Fábio, que veio a ser goleiro reserva da Seleção. Além de receber as famílias dos rapazes com fidalguia. Foram grandes amizades que se consolidaram. Grandes nomes do futebol passaram por nossa varanda como Garrincha, Pinheiro e outros que não me acorrem. Meu irmão, Chico, também considerado talentoso para o futebol, quando fazia goals, meu pai, humilde que era, não comemorava à altura do seu orgulho pelo filho que jogava bem. Era comedido nas demonstrações. Não é possível se falar no Olímpico, sem que se mentalize a figura desse homem, tão encantado com as artes da bola no pé. Foi técnico do time; ajudou a muitos dos que começavam a carreira. Era um gosto pra ele acompanhar o seu time do coração. Esse texto é um esboço acanhado para mostrar um pouco da grandeza desse homem, que tenho a glória de carregar seu nome no meu próprio.
Neuza Sales Ribeiro.
segunda-feira, 17 de março de 2014
Moça do interior
"Sinhá mocinha de olhar fugaz se encantava com meus versos de rapaz." Ouvi tantas vezes esses versos, essa música...Me lembrei dessa canção. Podia ser meio cafona, mas embalou muitas meninas sonhadoras ( quem sabe...meninos também), naquelas dancinhas promovidas em casa de família, as "brincadeiras" como eram chamadas. Dançar de rosto colado ( o que já era bem arrojado), provocava calafrios, batidas aceleradas do coração. Não quero definir moça do interior apenas como aquela que nasceu e foi criada em cidade pequena, longe da dita civilização. Não. Tem significado afetivo. Quero, sim, falar do interior mesmo. Do íntimo, da alma, enfim. Não acredito que se tenha perdido tudo tão completamente. A aldeia global em que se transformou o mundo, açambarcou essas meninas num frenético modernismo. Algumas escaparam. Ficaram perdidas no tempo. Como eu. Enraizados sentimentos, tão fortes, permaneceram, dificultando a aceitação da realidade. Quero, ainda com a idade que tenho, viver desses sentimentos. Ainda quero acreditar naquele em que possa confiar, porque nos "príncipes" se confia. Mas descobri, tardiamente, como uma bofetada na cara, que príncipes não há. Fantasiei e me deixei levar. Foram anos assim. Agora, me encolho, fico de molho, mesmo com a rima, que não vou consertar, porque é o que sinto. E me recolho. Mas dói. Sempre vai doer a perda das ilusões.
Príncipe fatiado, sim, este pode existir. Explico: algumas qualidades evidentes não são encontradas num mesmo pacote. Homem que faz serenatas, que te carrega no colo, que diz que te ama... parece simples, fácil. Não é. Coisa do passado. Acordar com suaves acordes de um violão no meio da noite - sem chance. Vai ser assaltado o pobre príncipe. Melhor, não. Carregada no colo também não é boa opção. Talvez o malhado sedutor esteja mais envolvido com a própria beleza muscular do que em fazer carinho, embalando sua princesa ao colo. Finalmente, ouvir uma frase de amor... Caretice!!! Vão rir dele. Não se usa mais.
Príncipe fatiado, sim, este pode existir. Explico: algumas qualidades evidentes não são encontradas num mesmo pacote. Homem que faz serenatas, que te carrega no colo, que diz que te ama... parece simples, fácil. Não é. Coisa do passado. Acordar com suaves acordes de um violão no meio da noite - sem chance. Vai ser assaltado o pobre príncipe. Melhor, não. Carregada no colo também não é boa opção. Talvez o malhado sedutor esteja mais envolvido com a própria beleza muscular do que em fazer carinho, embalando sua princesa ao colo. Finalmente, ouvir uma frase de amor... Caretice!!! Vão rir dele. Não se usa mais.
sexta-feira, 14 de março de 2014
Poesia na madrugada
Que sentimento é esse
Que desconheço
Que me pega desprevenida
Amor sem meio nem começo
Mas que tem fim...
Por que tamanha agonia
Saudade de quem inventei
Disfarço, me escondo
Enganando a dor...
Aberta a ferida bem sei
Quero enganar o amor
Não perdi o homem
Perdi o sonho...
sexta-feira, 7 de março de 2014
MULHER.
Dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Cheguei à conclusão seguinte: vou homenagear minhas companheiras de gênero. Na escola aprendíamos que os substantivos vinham acompanhados de adjetivos que concordavam em gênero, número e grau. Era meio automático esse aprendizado, meio decorado. Hoje, tá difícil localizar o gênero. Há mulheres, verdadeiros homens, se compararmos sua eficiência, ocupando lugares, antes exclusivos aos homens. Tem uma de nós que até ocupa um lugar de comandante do nosso país. Não vou entrar no mérito da competência. Não vim dizer sobre isso. Porque melhor calar. Agora, quero me fixar nas mulheres de modo geral. Então, deu vontade de falar dessa turma, que anda de saias, que consegue parir um filho, amamentar, coisas próprias da mulher. Pode ser que haja um tempo em que o homem venha ocupar esse lugar. Parir um filho ou amamentar, claro que não. Falo da possibilidade de se igualarem nas outras funções. Acho que não querem, na verdade. Estive lendo ( numa revista que gosto muito), a entrevista de uma escritora americana, famosa, onde afirma que "Nós sufocamos os homens". Concordo, em parte. Queremos moldá-los e isto os transforma no que não são. Aí perde a graça. E os rejeitamos por isso. Comecei dizendo estar difícil reconhecer o gênero, no caso, feminino. Os dois gêneros estão "saindo do armário", se declaram em suas sexualidades. Mas não penso nisso quando reconheço a dificuldade de aceitação. Não falo do preconceito. Falo da sensibilidade. Esta, sim, a arma mais poderosa, a que define o verdadeiro marco da feminilidade. Há homens sensíveis, tanto quanto as mulheres, sem dúvida. Segundo a ciência, o ser humano tem um tanto de hormônios femininos e masculinos. Mas a beleza da mulher é exatamente a de mostrar a medida. Encarar, quando necessário, as dificuldades, ir à luta, mesmo as que se julgam fracas, incapazes e que viram verdadeiras leoas na defesa de sua cria, por exemplo. Em outras searas também. Querem demonstrar sua capacidade, tem orgulho nisso. E tem ainda de superar preconceitos quando se veem afrontadas, comparadas aos homens. Precisam provar que são capazes, sim, tanto quanto qualquer macho. Mas há um padrão, um limite para esses desafios. O mundo não ficou melhor depois de tanta liberdade. Sinto falta de ver os homens no comando. Queria na verdade, que tudo fosse moderno, que as mulheres usufruíssem de seus direitos, de suas liberdades mas que deixassem os homens no seu verdadeiro lugar. Dá muito trabalho ser mulher. Dá muito trabalho, o tempo todo, mostrar que se tem mais que dois neurônios. Dá muito trabalho ser o que não somos. Podia haver um meio termo, sem tantas cobranças, um lugar de honra para nós que povoamos o mundo mas que não fosse tão cansativo. Falei.
terça-feira, 4 de março de 2014
CARNAVAL MECÂNICO
Não consegui ver todas as escolas desfilando. Nem queria. Ontem, o telefone tocou às 3 horas da madrugada. Dei um salto da cama, aflita. Telefone a essa hora! Felizmente, só alguém que devia ter feito uma discagem errada. Voltei para meu quarto, mas o sono desistira de estar comigo. Liguei a televisão. Sempre me causa sonolência; pensei em ver o desfile da Unidos da Tijuca, do Paulo Barros, que surpreende a cada ano. Era homenagem a Ayrton Senna. Mas a Portela ainda tomava a avenida. Espetáculo magistral, como todas as outras, exemplo, a União da Ilha que trazia um tema incrível, sobre brinquedos, infância. Não tenho preferência por nenhuma delas. Apenas assisto, aleatoriamente, não tendo nada melhor que fazer ou para chamar o sono, já disse. Fico imaginando os gastos que cada Escola tem. Fico imaginando que mal acaba o desfile e todos os participantes, de certa forma, já se preparam para o próximo ano, passar pela avenida. É inegável o deslumbramento que causa ver a tecnologia a serviço de cada uma das escolas de samba. Mas é também a prova de que, cada vez mais, o Carnaval na Avenida virou um negócio, com gastos astronômicos, disputa acirrada entre os concorrentes. Eu teria dificuldade, se fosse jurado, se tivesse de dar notas, pois cada uma se apresenta de forma impressionante. São elaboradas as mais incríveis apresentações. As mulheres, com suas barrigas "tanquinho" e coxas de lutador de boxe, numa competição ilimitada. Perdeu-se a beleza. Perdeu-se a espontaneidade, perdeu-se o verdadeiro carnaval. Tudo não passa de um frenético e assustador desvario. Não há alegria. Natural, não. É pose para as câmeras. É dinheiro desperdiçado. É sorriso falso. Alegria comandada. Cadê o Carnaval de serpentinas, confetes e pierrô apaixonado? Saudades...
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