quinta-feira, 14 de setembro de 2017

25 centavos.

Já falei várias vezes sobre o projeto Gugu que frequento.Há espaços ao ar livre, nas praças, nas areias da praia, nos espaços alternativos de uma empresa, que patrocina, pagando aos professores.Então, estava eu driblando as dores do corpo e me exercitando bravamente, na pracinha, perto de casa. Temos um pequeno cofre, onde quem quer, deposita uns trocados para celebrarmos datas festivas, aniversariantes do mês, colocação da borracha nas pontas dos bastões ( são utilizados para realçar os movimentos).Aí, olhando para o chão, avistei uma pequena moeda de vinte e cinco centavos. No final da aula, resolvi pegar a moeda e colocá-la no dito cofrinho. Fiz isto achando não ter importância maior do que o valor da minúscula quantia que representa tal moeda. Depois, fiquei me sentindo mal. Afinal, não era minha aquela moeda, mesmo sabendo ser difícil descobrir quem a perdera. Mas não era minha...repetia minha consciência culpada. Vim pensando na corrupção, constante nos noticiários, que surgem a cada dia de todas as formas: aparecem propinas e mais propinas. Preocupei-me tanto que vinha pensando no fato de eu não ter tentado achar o dono da moedinha de vinte e cinco. Como faria eu? Qual a maneira correta de me redimir? Já na esquina de casa, na volta, clareou a solução: colocaria outra moeda igual, no mesmo lugar em que achara a outra. Penso que alguns irão achar exagero de minha parte. Mas  já diz o ditado: " Quem rouba um tostão, rouba um milhão"! A causa é nobre, sei disto. O cofrinho é uma contribuição espontânea de cada um. No final, são compradas pequenas lembranças para os que comemoram seus aniversários. Há valores altíssimos que são roubados pelos nossos dirigentes, pelos políticos, empresas e mais empresas participando das falcatruas diárias. Sabemos disso. Mas o que sei mesmo é que amanhã, assim que chegar à praça onde encontrei os vinte e cinco centavos, vou deixar, como quem não quer nada, a pequena moeda de vinte e cinco centavos lá, caída no chão, como a encontrei. E o meu travesseiro, de novo, vai amparar a cabeça, com consciência tranquila!





sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Ocaso e Acaso...

Gosto de escrever. Aquelas duas palavras estão circulando no meu inconsciente ( ou será subconsciente? Sei lá); só sei que deu vontade de dizer algo relativo a essas duas palavrinhas tão contraditórias já que são parecidas e que, apenas com a mudança da primeira letra,  o seu sentido se transforma.Ocaso é o desaparecer de um astro no horizonte, diz o dicionário - uma das explicações - e acaso, dizem alguns, pode ser uma coincidência do destino. Há uma corrente, pessoas que expressam com veemência, não existem coincidências, então não deveria dizer que foi obra do destino. Está confuso. Existe um programa para nós? Somos ou não o resultado do que pensamos, de nossas escolhas, do livre arbítrio? Queria ter mais consistência naquilo que penso. Na verdade, deixo fluir o que vai saindo, aleatoriamente, dessa minha cabeça um tanto cansada. Mas, desde ontem, quando observava o sol se escondendo, lá atrás do morro, fiquei imaginando coisas. É a hora do dia de que mais gosto. Não dá pra encarar a nossa estrela de frente, dá cegueira, tamanha a sua claridade. O que me dá gosto é ver as cores alaranjadas, vermelhas, contrastando com o azul do céu, esta cor linda que também vai se esvair, dando lugar ao escuro da noite.Aí, me veio um pensamento comparativo: somos como cada dia que acontece quando, primeiro, vem a manhã; passamos pela tarde e por fim, vemos a noite  chegar. Então me dei conta de que estou no ocaso dessa passagem pela Terra. Assim como o sol. O tempo é infinitamente menor, se me refiro ao dia. Devia me alegrar, sendo parecida com o astro Rei. E deveria ainda me vangloriar por ter atingido um tempo tão maior do que ele gasta ao ver esse planeta azul dando voltas ao seu redor. Só por acaso arranjei este assunto. Só por acaso desejei escrever essa pequena crônica. Só por acaso também, ontem, fui ver um filme brasileiro que ganhou alguns prêmios: pela atuação de grandes atrizes e atores, assim como a  criadora da história. Saí do cinema com uma sensação estranha. Não vou contar o filme, claro, porque, como eu, há quem não goste de estragar a surpresa de uma bela encenação cinematográfica." Como nossos pais", o nome do filme.Acho, quem puder, deve assistir. Saí meio triste. É só o que posso dizer. A vida tem um aspecto intrigante. Acabo de receber  um telefonema. Não importa quem tenha ligado. Só que, ao me levantar para atender a ligação, percebi que a hora de hoje é a mesma em que observava o por do sol de ontem. Parei. Cheguei da porta da varanda e olhei de novo aquela enorme bola amarelada, brilhante, me olhando lá de cima. Que lindo! Não me canso de admirar...!Acaso, eu ter sentido a mesma sensação de ontem? Não sei. Prefiro acreditar que foi mera coincidência...