É surpreendente a falta de cerimônia com que somos tratados por ela, nós os velhos. Sem nenhum motivo aparente, amanheci com um incômodo na perna direita. Fui delicada, sutil mesmo: incômodo que nada! É dor mesmo. Vai da coxa, lá do comecinho, atravessa a faixa de Gaza e alcança o pé. A indagação é: sentei-me de mal jeito ou devo pensar que fiquei muito tempo numa posição, teclando o computador? Deve haver uma razão, imagino. Ou devo achar que sou parecida com o carro bastante usado do filho, que o vidro direito, bem ao lado do chofer, já não baixa, muito menos levanta; carro usado dá problemas mesmo, é a lona do freio, amortecedor, a parte elétrica já mostrando cansaço. Só para acharem que entendo um pouco da "rebimboca da parafuseta". Sei nada de carros. Mas de velhice estou ficando expert. Tomar sol é bom para os ossos, fixar o cálcio; ficar parada, nem pensar! Exercícios nela! Caminhada, qualquer coisa. Dançar - disso eu gosto. Mas com quem? Outro dia, fui a um baile promovido pelo grupo que frequento, aliás, tem um nome sugestivo que começa por Projeto...deixa estar... não vou dizer, até porque é um lugar onde, realmente, me sinto bem, onde encontrei pessoas como eu, outras diferentes mas todas objetivando saúde. De algumas já virei amiga. Mas volto ao baile: entrei por uma porta e sai pela outra. Devo confessar que aliciei minha irmã de companhia. Um fracasso. Não era minha praia.
Entrei numa aula de violão. De vez em quando, esqueço da hora, da dor nas costas e me pego "tocando" todas as músicas do meu caderninho aramado, grosso, cheio de cifras e desenhos com as melhores posições. Não vão maldar! É que tenho bom ouvido e invento um jeito de adaptar os dedos e as cordas, de modo que o contorcionismo seja menor. De novo, a dor. Desta vez, no lado esquerdo, bem difícil dobrar a coluna.
O remédio para destruir o colesterol ruim me causou dores generalizadas. Mal podia carregar uma pequena sacola de mercado, o braço esquerdo ( logo ele) quase ficou inútil. Parei. Com o remédio, não com as dores. Elas diminuíram, sim, bastante.
E, a cada manhã, uma novidade. Pensamento positivo é o que se lê a cada esquina, em livros de autoajuda, nas lições dos bons amigos , bem intencionados, nas redes sociais. É o que todo o time de otimistas diz. Estou careca de saber. Mas a velhice dói. Inegável verdade.
Um comentário:
Por que essa pressa?
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