Ela morava na fazenda. Nos fins de semana ia para casa, na pequena cidade. Era professora, numa época em que ser professora era de suma importância. Mas o assunto hoje não é esse, das injustiças cometidas contra essa classe, fundamental para que se possa alcançar qualquer coisa na vida, o alicerce, a base, enfim. Nada de papo político. Nada disso, até porque, atravessamos fase nebulosa, dolorosa, mesmo, onde impera a corrupção e os valores invertidos são a tônica. Mas já disse que não quero falar disso. Quero fazer rir um pouco com essa historinha que ouvi, ontem, de minha irmã. Eu dizia, no começo, que ela morava na fazenda. Os donos, nossos avós, os tios, primos, toda a família se fora. Sobraram alguns colonos, que viviam no entorno da casa grande, já quase em ruínas. A professorinha ficava numa casa menor, porque a grande área de terras havia sido repartida entre os herdeiros. Mas a escola continuava lá, de pé. Moça jovem, começando a carreira, bonita, cheia de vida, aproveitava do ar puro e vida livre que gostava de ter. Era medrosa, sim. Medo de assombração...essas coisas; mas não tinha medo de cavalgar. Esta, sim, uma atividade que praticava com gosto, correndo pelas estradas de chão, fazendo da montaria sua hora de lazer. E lá ia ela, de braços abertos, montada na velha sela usada; na garupa, a menina, filha dos colonos, sua aluna. E as duas voavam como o vento, em cima do cavalo. Só que a garotinha era gaga. Tinha problemas de fala. Então, vendo a professora atirar-se, corajosa, de braços abertos (como a atriz do filme Titanic), galopando numa carreira frenética, de olhos fechados, absorvendo toda energia possível, a pequenina, tentava com gritinhos, entrecortados pela dificuldade da fala, avisar à professora amazona: - " O je... je...jeep...do...do...do...se...seu...Be...Be...belinho!" Bons tempos aqueles!
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