sábado, 26 de abril de 2014

ÁGATA CHRISTIE VIU

Como está na moda terceirizar, devo dizer que estou lendo um livro que me foi dado por empréstimo terceirizado. Isso mesmo. Minha irmã mais velha é devoradora de livros, apaixonada por uma boa história e outros bichos. A irmã segunda, numa turma de cinco, me deixou alguns exemplares para entregá-los a ela. É meio genético na minha família gostar de ler. Tinha acabado de degustar a Martha Medeiros. Não me levem a mal. Encaixei aqui a figura de linguagem que troca a obra pelo autor. É melhor que pudim de leite condensado, depois do almoço, a leitura de um bom livro. Como poderia eu, com aquele "Café preto" da famosa autora Ágata Christie, me olhando da cabeceira da cama, deixar de abri-lo, ainda que num sábado pela manhã, já que não tenho nada marcado, nenhum compromisso, nem mesmo a ginástica da terceira idade? Aí, me chamou atenção o que li na página oito, para ser bem exata. Transcrevo literalmente, quando o não menos famoso Hercule Poirot, lia no seu jornal matinal: "Poucos minutos depois, o Times tinha sido posto de lado. O noticiário internacional era , como sempre, deprimente. Aquele terrível Hitler havia transformado os tribunais alemães em sucursal do Partido Nazista." Paro aí, para uma reflexão. Tem uma certa semelhança com a situação, no mínimo estranha por que passa nosso país. Não pude deixar de associar alguns acontecimentos que presenciamos, não só nos melhores noticiários da TV, do rádio, na Internet, enfim, em todo lugar da mídia, além, é claro, da nossa realidade crua, quando vemos nosso salário sendo comido pela inflação, que volta de forma preocupante, dos impostos sendo empregados "noutras plagas" beneficiando outro povo, outra gente, que não somos nós, os brasileiros. Nos contos de fadas há uma rainha má, seus fiéis escudeiros. Nós teríamos, como no imaginário infantil, a bruxa safada, que não mede as consequências e que só quer destruir a princesinha, deixando-a abandonada na floresta, ou mesmo sendo morta pelo lacaio desumano, mas que só cumpre ordens da megera? Sei, não. O fato é que o terrível Hitler, como nomeava a escritora, na história fictícia em que o detetive esperto, ardiloso e inteligente demais, deslindava os mais difíceis casos, neste pequeno trecho do livro, foi impossível não estabelecer algumas parecenças com o nosso governo, guardadas as devidas proporções, as  "coincidências" e, ainda repetindo as lições que tive de Português, com os anacolutos evidentes da nossa "dirigente de estado " que, ou tem inteligência superior, ou nós, simples mortais, não alcançamos seu poder de persuasão, quando nos dirige palavras de improviso. Será que nós, povo brasileiro, estamos sendo transformados em fantoches, como os pobres alemães, que seguiam sem reação o governante louco e que deixou o mundo num vasto território de destruição e guerras, com tragédia mais que anunciada? Dizem que Deus é brasileiro. Espero que Ele, sim, não nos deixe no desamparo.

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