sexta-feira, 9 de maio de 2014

ALEGRIA VERSUS TRISTEZA

Quis colocar a palavra alegria na frente da tristeza. De propósito. Sou alguém que se diz bem-humorada, alegre, na verdade. Gosto de música, muito. De dançar. De piadas. De ir ao cinema, de teatro, de novela. São muitas as  coisas de que gosto. Há pessoas que não conseguem tirar alegria de nada, não se distraem, qualquer que seja o lazer. E ia me esquecendo de dizer que gosto imensamente de ler e do que estou fazendo agora, escrever. Hoje, depois de me esforçar muito, consegui ir à aula de ginástica. Explico, quando falo de esforço. Normalmente, gosto demais dos exercícios, da companhia agradável dos novos amigos e companheiros de canseira. Mas tem música, gente. Adoro ter que me virar para fazer, acompanhando o ritmo, as mirabolantes séries de alongamento, da ginástica propriamente dita e tudo o mais. Só que, esta semana, aconteceu algo que me deixou preocupada. Tive a notícia que não queria ter. A filha de uma colega (trabalhamos na mesma escola) e amiga, depois de um transplante de medula, não suportara a carga que vinha sendo colocada em sua vida por longos quatro anos. Entregou sua alma, lutadora, ao Criador. Apenas 25 anos,tão jovem! Eu chegava em casa com meu neto. Isso já me traz uma satisfação enorme; quem é avó coruja como eu sabe. Tínhamos eu e ele grandes planos. Isto inclui ver filmes, desenhos na TV, contar histórias, e além de tudo,  eu convidara sua amiguinha recente para almoçar com ele em minha casa. Mal entrei, e tive a notícia triste da morte da mocinha, que enfrentara um câncer com toda bravura. O que veio depois, não me lembro, só sei que tive um piti. Apaguei. Acudiram-me uma vizinha ( quase uma irmã, muito amiga) e meu cunhado, médico. Não me lembro de nada disso. Passei umas duas horas ou mais nesse estado de semi-inconsciência, pois falava, respondia coisas que me perguntavam, mas era como se estivesse vivendo um estado de sonolência, quando dormimos e sonhamos. A mãe do meu neto veio pegá-lo, a chamado de minha filha. Nunca antes passara por tal coisa. Minha pressão deve ter subido pois fiquei sabendo que meu cunhado me colocara remédio sob a língua. É terrível essa sensação. Por mais que eu tente, não me recordo de nada acontecido neste período. Hoje, fui, como já disse, à ginástica. Devo confessar minha insegurança ao encaminhar-me para lá. O encontro com as pessoas me fez bem. Tem um que é psicólogo.  Aproximou-se de mim, dizendo que eu estava sumida. Contei-lhe com poucas palavras sobre o meu sofrimento, angústia. Ele então me aconselhou que escrevesse. "- Bota pra fora, do jeito que você sabe e gosta de fazer , escreva sobre a tristeza.". Palavras textuais dele. Aquilo me caiu bem. Senti-me amparada, confortada. Por isso, tento reproduzir aqui o que se passou num momento difícil. Fui ao médico, colega do meu cunhado. Ambos parecem ter a mesma opinião. Estresse total. Emocional. Entretanto, foi pedido um exame para tirar dúvidas, mais minhas que deles. Vou lá, nos próximos dias, fazer uma ressonância magnética. Tomara que não seja nada pior. Às vezes, anjos fantasiados de amigos, vem para nos dar apoio. Um deles, meu professor de violão, rapaz jovem, nos seus trinta e poucos, veio saber o porquê de eu não ter ido à aula. É na mesma rua em que moro, numa pequena igreja Evangélica. Chegou, me abraçou. Pediu-me para que fizéssemos uma oração e leu trechos da Bíblia. Marta e Maria eram focalizadas, as duas irmãs. A primeira reclamava com Jesus da carga de trabalhos, afazeres domésticos, enquanto Maria só ficava ouvindo o Nosso Senhor. E Ele lhe respondeu: "Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada." Maria ouvia Jesus. Isso é importante. Pensar em Deus na hora das atribulações. Confiar. Ter fé. Um jovem, que poderia ser meu filho, fez-me parar para pensar nisso. Não foi um anjo, caído do céu?

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