sábado, 5 de janeiro de 2019

Escovando os dentes e a vida.

Olhei para o espelho, enquanto brigava contra as cáries e tártaros: escovava os dentes. De repente, me lembrei da época em que comecei a estudar no Grupo Escolar Pereira Passos. Um dia, ganhei um tubo de pasta de dentes, eu e todos os alunos, acredito. Era amarelo com letras verdes com a marca Kolynos. Não é propaganda, apenas me recordei nitidamente.Voltei pra casa encantada. Parece foi ontem, revivendo o carinho com que guardei na pasta escolar  tão precioso presente. 
Na idade provecta ( ainda se usa esse termo?)em que me encontro, é muito bom ainda conservar quase todos os dentes. Naquela época, que já vai longe, não havia tantas informações como as das crianças de hoje. Meu pai teve um amigo, me lembro do nome, Temildo que me elogiou, quando sorri para ele, eu acompanhava meu pai, no Aero Clube, ainda menina, nos meus doze ou treze anos, sei lá. Ele disse que meu sorriso era bonito. Acreditei. Acho que não mentiu; apesar de não ter uma dentição perfeita, como os que usaram aparelhos para alinhar os dentes. O fato é que, às vezes, me vem essas lembranças inexplicáveis. Aí, outros pensamentos acabam povoando essa maquininha que não para. Revivi os tempos da quarta série primária, quando via a professora, muito brava, dando com uma régua na cabeça dos meninos mais levados da turma. Era normal. Ninguém se feria de verdade.
Eles até mereciam. As escadas eram muitas até atingirmos a sala de aula. Antes,  em fila, cantávamos o Hino Nacional e o da Bandeira. Houve também o dia da vacinação ( catapora ou varíola, sei não) e eu e a grande amiga e colega de colégio, Sara Celeste,  corríamos para os últimos bancos até que o funcionário da Saúde nos alcançasse. E depois, a casquinha no braço, que desaparecia logo. "Que saudades da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais"...plagiando o poeta. Agora, me vem essas lembranças, tiradas do fundo do baú, sei lá porque...Relembrei o amor infantil por aquele menino lindo, de calças curtas ainda, é claro! O nome dele era Wilson. Como era bonito e como levava reguadas da professora Nilce... Nunca ninguém ficou sabendo da minha paixonite pelo garoto. Já posso contar, gente, afinal o tempo passou e é tão bom poder relembrar essas coisas tão bonitas, tão puras, que me fizeram tão bem...!


2 comentários:

Unknown disse...

Amei sua crônica, me fez voltar no tempo.

neuzasales disse...

Obrigada, é bom saber que gostou do meu texto, me estimula a escrever outros...