sábado, 10 de junho de 2017

Sapo ou príncipe?

Só nos contos de fadas há príncipes e princesas, a não ser alguns que conhecemos, de países da Europa e outras bandas, claro, tão humanos e falhos quanto eu e você.Mas, esta noite, sonhei com um desses rapazes, hoje, não tão jovem, como eu. Então, me deu vontade de falar um pouco sobre aquele sonho dos tempos idos e também do abstrato, contraditório, inconsciente sonho que nos traz o dormir.Por que tantos adjetivos? Sei, não. Contraditório porque é o nosso desejo reprimido...será? Inconsciente, já que estamos noutra esfera do cérebro, quando nos entregamos nos braços de Morfeu, figura mitológica, eu suponho.Abstrato que, mal nos levantamos, já o esquecemos. Por isso, resolvi escrever para me lembrar de tão esdrúxulo sonho. Vamos a ele: o meu amado rapaz se jogava de uma altura razoável, sobre um balão branco ( me lembro bem da união de cores) e isto tudo só para nos encontrarmos diariamente, de certa forma, meio que escondidos, um caso de amor proibido. Não aquele que foi real, quando meu pai dificultava, durante a juventude, nas praças e cinema da cidade pequena, de onde vim.Não, repito. Esse moço sempre o cobicei. Sempre o via como alguém inatingível, culto, jovem, lindo ( que dentes, que sorriso!). Nos bailes e "brincadeiras"( dancinhas programadas em casa de amigas) dançávamos muito, isso durante as férias, já que ele tinha parentes importantes no interior, a grande maioria de sua família era conterrânea desta "princesa" que vos conta essa passagem onírica. E continuo. Eram encontros que duraram muito tempo, ele já com alguns fios de cabelo brancos. E eu sentia estranho a estabilidade daquele amor. Até em sonhos, sou reprimida. Por que ele ainda me visitava? Por que corria riscos ao saltar sobre a bola de couro branco, inflada, para amenizar sua queda? Vai entender... Outro dia, encontrei-o numa das calçadas da vida. Agora, falo da vida real. Senti uma aflição danada. Esperei que ele terminasse a ligação ao celular e nos falamos, animadamente ( eu, na verdade, bem nervosa com o inesperado encontro) e falei-lhe do livro que eu escrevera, de crônicas. Mas ele desconversou e passou a relembrar um tempo que eu não esperava ele fosse recordar. Falou de uma noite romântica, quando voltando de uma festinha, eu algumas amigas e minha irmã, ali pela Pedra do Índio, nos beijamos.Fiquei maravilhada, digo com sinceridade. Ele insinuava que poderíamos repetir a façanha. Mas é outro sonho que não repetiremos. Há vários motivos para que não aconteça. Mas foi bom...passei dias e dias saboreando as palavras do meu "príncipe"que podia ter sido o sapo, desbancando o príncipe, se tivéssemos convivido, alimentado aquele amor; o tempo se incumbiu de desmanchar tudo e nos separou. Cada um seguiu seu rumo, sua vida. Não sei se valeu a pena. Mas o sonho foi muito bom....

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