terça-feira, 2 de agosto de 2016

Uma tela em branco.

Sempre gostei de pintar. Meu talento é nota cinco ou seis, por aí, só sei que gosto. Desenhar era uma distração, já fiz até histórias em quadrinhos, acreditem! Fazia num caderno pautado, desses de escola mesmo. Acho que, se tivesse estudado mais e me dedicado como devia, hoje, seria reconhecida como artista Não aconteceu. Entretanto, continuei pela vida afora pintando meus quadros. A tela em branco me deixa meio angustiada...vai entender. Vejo-me na obrigação de acertar, de colocar ali uma obra de arte. Assim como agora, quando a tela do computador, em branco, me incentiva a escrever de novo. O título, muitas vezes, vem do nada. Não tem explicação. Não elaborei nada. Apenas sai do cocuruto. Pois é. A vida é meio parecida com essa tela em branco. Apostamos demais e nos decepcionamos se não há um retorno bom, se as expectativas nos frustram e se desmancham no ar, assim como a nuvem soprada pelos ventos. Nem sei direito o porquê dessas divagações. Hoje, vai passar por aqui, na rua paralela à minha, a tal da tocha Olímpica. Noutros tempos, talvez eu fosse dar uma espiadinha. Não vou, gente! Perdi o tesão por muitas coisas. Ir ao Shopping, comprar roupa nova, sapatos e bolsas era um programa que me excitava, de um agrado total. Não é mais assim. Minha irmã, acima de mim, ao contrário, anda sempre bem vestida, cheia de badulaques,  roupas novas e volta e meia me recrimina. " Você não se arruma!" Costuma dizer. Queria estar sentindo entusiasmo pelas coisas supérfluas, aliás, a vida é um acontecimento misterioso e surpreendente. Não há muito que se planejar, já que ela é a coisa mais incerta que temos. O futuro é tão seguro quanto uma ida à favela, à noite, ou um mergulho em alto mar, com ondas de três metros de altura. Outra coisa de que gostava muito era cinema. No tempo de mocinha, era um verdadeiro caso de amor. Como era bom ir à  sessão  das seis, no único cinema da cidade...!Eta vida boa! Como o mundo se abria a cada instante, como esperava ser feliz, como tudo era tão colorido! A tela em branco não me assustava então. Ao contrário, as pinceladas coloridas iam aparecendo e mostrando paisagens e personagens fantásticos. A juventude nos oferece o privilégio de encarar a morte, a velhice como algo longe, muito longe e não se pensava nisso, eram coisas que aconteciam com os outros, uai! Diriam os mineiros...Mas os valores vão mudando, a saúde é um dom do qual agradecemos a Deus, virou prioridade. E nos dividimos: a felicidade dos filhos em primeiro plano, a do netinho também. Preciso preencher o tempo que me resta cuidando de me exercitar ( o que faço cinco vezes na semana) pegar sol, que a vitamina D anda escassa e com a obrigação de me distrair, indo a teatros, cinema, lendo ou até mesmo fazendo tricô ( este  é mais aborrecimento que distração, vivo brigando com as agulhas: ponto meia, ponto tricô...repetidos) mas entre borrões e  belas pinceladas vamos vivendo a vida...          

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