Esta semana, andei escrevendo um texto bem leve, falando de amor. Economizei adjetivos, advérbios de tempo, e outros mais da nossa rica lingua portuguesa para enxugar a "crônica" de modo a torná-la agradável para o possível leitor. Ninguém se interessa muito em saber dos antigos amores de uma senhora de já avançada idade. Infelizmente, no dia seguinte à postura deste texto, sofri uma perda grande: uma tia muito querida veio a falecer, depois de um tempo hospitalizada. Morava no interior, longe, muito longe em quilômetros mas perto do coração. Foi uma mulher importante para todos que conviveram com ela. Foram inúmeras as mensagens de amigos, parentes, se solidarizando com nossa família. Fotos antigas também foram colocadas. Numa delas, apareciam as outras tias, não menos queridas e que já se foram. Deve haver um lugar especial para elas, porque foram pessoas especiais. Há também que se dizer dos tios e meu pai. Os três irmãos cujo amor pela familia e amigos era farto. Homens de bem, tenho o orgulho de lembrar.Mas volto a falar das tias. Hoje, ficou a mais nova, de uma irmandade de dez. Cada vez que olhava aquela foto, revia com saudade, muita mesmo, a característica daquelas mulheres, lindas, amadas por suas belas qualidades, onde cultuavam a dignidade, entre tantos outros substantivos e o amor entre os membros da nossa família. Não vou citar seus nomes mas quem as conheceu bem, vai saber logo de cara a quem me refiro. Duas delas não tiveram filhos biológicos, o que não impediu que adotassem sobrinhos como se fossem seus próprios filhos. Religiosas, sobretudo, sempre acorriam ao Pai do céu, sempre. Uma outra, era a alegria em pessoa, nos fazendo rir todo o tempo com suas piadas, bom humor, além de ser extremamente prestativa para quem a ela recorresse. Gostava de música, de gente jovem, de estar sempre fazendo festa, ainda que por qualquer motivo. Tem mais uma tia, que me gabo de dizer, era acolhedora.Sua casa grande e bonita, com um belo jardim por todos os lados, estava sempre recebendo amigos e parentes. Seus bolos e quitutes maravilhosos oferecidos toda vez que batiam à sua porta. Lembro-me de haver nesta casa bonita, uma mesa redonda, moderna, e que eu achava incrível pois o centro dela girava para que se servissem os melhores pratos. O marido desta minha tia querida, tanto quanto as outras, era médico. Homem com quem ela teve muitos, muitos filhos, que são alguns dos meus queridos primos e primas. A mais velha dessas irmãs morava em Itaperuna, cidade vizinha à nossa. Fazendeira, ativa, viveu muitos anos e também um exemplo para os filhos e todos da nossa grande familia. Morei um tempo em Volta Redonda, cidade que viu meu filho caçula nascer. Fiz amigos lá, bons amigos devo dizer. Mas o que quero mesmo é lembrar que aquela tia a que me referi como uma fazendeira, mulher dinâmica, valorosa, foi por duas vezes nos visitar. Nunca vou me esquecer: quem conhece bem nosso Estado do Rio sabe a enorme distância que separa uma cidade da outra, é ir do norte ao sul, atravessando totalmente o estado. Então, ontem, vi partindo de nossa Terra mais uma tia querida. Lá no céu deve ter festa, com bolo e café, com risos e alegria, deve ainda ter um piano afinado para que as tias alegrem os anjos que as rodeiam com boa música. Nós aqui, ainda fazendo a travessia para este lugar que Jesus nos prometeu, ficamos tristes, muito. Deixaram como herança muito amor, choraremos por mais um tempo mas o que consola é saber que as queridas tias, mulheres de boa cepa, de coração gigante, repleto de amor estão juntas.
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