Costumo dizer que somos como carro velho, dando sempre oficina! Mas não quero ser pessimista, pelo menos os meus contemporâneos preferem não encarar a realidade. Assim, não leem. Tem razão. O fato de envelhecermos é natural, faz parte. Mas há os que não dão bola e tocam a vida sem transtornos e reclamações. Invejo-os.Muitos entram para cursos, aula de dança. Embora eu ame dançar e mais ainda ouvir música, não me sinto estimulada a encarar essa opção. Uma vez, devo admitir, tentei. Estava acompanhada de alguém que, naquela época, me fez bem. Era animado e me levou a um lugar onde um professor de dança, com toda a paciência, tentava um "milagre": fazer um burro velho dançar. Primeiro, ele me anunciou alguns passos e eu custei a acompanhá-lo. Depois, eu esperei, sentada numa cadeira, o mesmo professor se abraçar ao meu companheiro, guiando-o para os passos que o fariam dançar...pronto! Pra quê? Só me lembro de ter saído correndo, à procura de um banheiro mais próximo porque quase fiz xixi "nas calças" de tanto rir. Aquela cena foi melhor que qualquer comédia que já assisti no cinema! Foi bom me lembrar disso para contar a quem for ler essas pequenas crônicas que escrevo, vez em quando. Hoje, nem me lembro mais de quando me via no espelho posto, lá longe no meu quarto e que eu avistava da sala. Quantas vezes liguei música e me aventurei passos de samba ( uma das danças mais difíceis para mim) e que, apesar das inúmeras tentativas, nunca aprendi. Ando desanimada para qualquer atividade; ir ao cinema era uma das que eu mais gostava. Agora, a preguiça de me arrumar, pegar condução para ver um bom filme, me impede de sair. Não quero estar assim. Acho que o motor anda cansado, o mecânico não é dos melhores e não deu jeito na " rebimboca da parafuseta" se é que me entendem...O tempo passou mesmo. Deixou a alma desgastada. Invejo as pessoas que continuam suas atividades, sem dar bola para esse relógio cronológico. Vivem o tempo que definem, são donos da própria sorte e enfrentam a vida com uma garra que dá gosto! Conto com a esperança de que isto vai passar. Faz tempo, luto para encontrar o bom humor e coragem de antes. Era um tanto inconsequente, como deve ser o nosso posicionamento diante desta vida, tão incerta e tão efêmera. Sei que, um dia, vou acordar mais animada. Sei que a fé move montanhas. E eu, afinal, não sou feita de pedras. Sou um ser humano a espera de dias melhores...
Um comentário:
Ah essa minha amiga... eu me vi nessa crônica rsrs . Assim mesmo como eu me sinto. Velhice chega e não tem jeito, né?
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