sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017
Armadilha.
Nem sei se deveria escrever agora. Não é um momento dos melhores. Há um sentimento, mais exato seria me expressar se dissesse sobre uma sensação inexplicável que vem tomando conta de mim. Antes, não havia a menor possibilidade de me acontecer tal coisa: era o que eu imaginava. Difícil uma pessoa alegre, de bem com a vida, que gosta de piadas, de música, de cinema, teatro, novelas, de ler, até de escrever, se ver nesse emaranhado de pensamentos tortuosos. Chego a pensar que pode ser contagioso.Por que não? É absurdo, diriam os psiquiatras...ou médicos. Mas acho que tem alguma coisa a ver com a convivência com alguém que apresentava tais sintomas. Tenho ouvido por vários canais, que o número crescente de depressivos é enorme. A tendência, aumentar. Pois é. Mas o mais lógico dos motivos seria o aproximar da casa dos cem...exagero? Não, gente! Estamos vivendo muito mais que nossos pais e avós, claro. As estatísticas não mentem. Podemos observar o grande número de idosos pelas ruas, ainda que amparados por muletas, ou por acompanhantes, parentes, mas estão lá, formando um número,cada vez mais crescente de velhos e velhas. Não vou abrandar com termos delicados. Cabelos brancos, faces enrugadas, pernas cambaleantes, andar inseguro. E o olhar? Ai, meu Deus! Comecei dizendo, neste meu texto meio caótico, que nem deveria ser o momento propício para uma crônica. Mas quero botar pra fora tudo que parece estar entalado, como em conservas; livrar~me da angústia que me envolve. Aí, penso no fato de termos nascido, sem o nosso consentimento. Dizem que a vida é uma dádiva de Deus. Que Ele me perdoe. O sofrimento pelo qual todos passamos é a cruz que cada um tem que, obrigatoriamente, carregar. Não importa se temos mais ou menos conforto, quando é chegada a hora. Estava lendo sobre a morte cerebral da ex-primeira dama que aconteceu tão recentemente. Muitos com alegria, com um sentimento de vingança do qual não participo. A opinião que tenho sobre o comportamento dela é o que menos importa. Talvez, eu a enxergue como grande vítima. Tiraram do povo o direito de morrer com dignidade; espalhados pelos corredores dos hospitais, falidos pela irresponsabilidade daqueles que detêm o poder. De qualquer modo, sabemos que a passagem para o outro lado, tão misterioso, é certa. Daí, me vem a definição mais cabível sobre o ato de nascer: uma armadilha, sim. Quem quer morrer? Ninguém, a não ser aqueles que, oprimidos por alguma razão ou até pela falta dela, abreviam o tempo que lhes foi dado. Suicídio: falta de coragem para enfrentar a vida. Só que é preciso coragem também para tomar essa decisão. Qual a maneira menos dolorida? Como será do outro lado? A fé nos torna mais esperançosos. A religião, não importa qual seja, nos traz um alento. Seremos recompensados ? Viveremos a felicidade eterna? Quem sabe? As pessoas doentes precisam de remédios para continuar vivendo e recorrem a todos os meios para que a saúde volte. É normal. Lutar, sempre, para encontrar a felicidade. Esta palavra tão abstrata quanto a própria existência!
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário